Depois do intervalo momesco – com direito a show de vandalismo e babaquice; assassinato na praia, outra morte de adolescente por (aparentemente) descaso de hospital e absoluto silêncio de militância médica e gay por conta dos absurdos veiculados pela “Vênus platinada” em horário nobre – segue mais um conto do seminário, desta vez, é o da Aline. A coisa vai devagar e sempre, pra não faltar a referência italiana: pianno, pianno se va lontano… Desculpem se a ortografia está errada…
A espera
Eduardo era um jovem de 19 anos, tinha uma vida muito confortável, estudava no melhor colégio da cidade, morava no litoral e tinha tudo o que queria, porém era muito solitário, não tinha muitos amigos e nem muita relação com seus pais e familiares. Não ligava muito para isso, a vida que eles levavam, tanto sua família quanto as pessoas ao seu redor era muito fútil para o seu modo de ver a vida. Sua enorme paixão era a praia, passava todo o seu tempo livre ali, surfando horas e horas, ele tinha uma relação muito forte com o mar. E foi ali, no seu porto seguro, a praia que ele conheceu Manoela, surfava todos os dias assim como ele, sempre se encontravam mas nunca haviam se falado ate aquele dia, em que ela se aproximou dele e se apresentou. Ela era assim, espontânea e muito comunicativa, cheia de sonhos e idealizações,cabelos desgastados pelo sol, chegavam a ser brancos, e um sorriso embaraçador. Manoela era o seu inverso, falava muito e contava muito historias da sua vida e da sua comunidade, ela morava no subúrbio da cidade, mas não demonstrava infelicidade em relação a esse aspecto, pelo contrario, sempre trazia historias e alegrias de morar la.
Desde então era assim, Eduardo encontrava Manoela todos os dias na praia, conversavam e riam sobre tudo. Quando ele se deu conta já estava tomado por um sentimento muito forte em relação a Manoela, um sentimento que não sabia descrever e não sabia medir. O que lhe tirava o sono todas as noites era saber se ela sentia o mesmo por ele, tímido como só ele era não iria perguntá-la. Até que um dia Manoela, de forma impulsiva, sua principal característica , lhe deu um beijo e disse que ele era muito importante para a vida dela e que Eduardo já fazia parte da sua historia, desde então os dois não se largavam mais. Manoela era tudo que e Eduardo precisava, companheira e divertida, fazia de sua vida uma diversão, tirou ele daquele cubo escuro em que vivia, onde nada tinha sentido ou razão. Ele a deixava calma e serena e ela dava outro sentido a sua vida, enfim um completava o outro. E assim seguiram os anos, Eduardo já não sabia mais viver sem Manoela, e ela não sabia mais viver sem ele. Eram mais que namorados, se tornaram cada vez mais companheiros e confidentes um do outro.
Numa tarde de verão normal, os dois como sempre faziam, foram juntos surfar, o mar estava muito perigoso nesse dia, porem não impediu de que eles entrassem para o surf. Eduardo sentiu em um determinado momento que deveria sair, mas Manoela insistiu em ficar, ele acabou cedendo. Esse é o erro que ele leva com ele, o mar carregou sua doce Manu. O desespero lhe tomou conta, ele gritava seu nome , gritava ajuda mas era tarde demais, o seu porto seguro havia levado sua vida e não havia mais volta. E começam-se as buscas, passaram -se um mês de procura e nada foi encontrado. Aquele lugar que era o seu refúgio, onde os dois se encontraram e tiveram as sensações pela primeira vez, levou aquela que já era um pedaço dele mesmo.
Eduardo se pegou pensando o que seria da sua vida a partir daquele dia, sentiu-se perdido e sozinho novamente. Desde então sua vida foi uma eterna tristeza, aquele velho e obscuro cubículo de vida era a sua casa novamente. Manoela era a única que o entendia, que o fazia sorrir e chorar , era a razão para ele dormir e acordar, enfim de viver. O que faria então? Desistia de procurá-la?Esqueceria que ela existiu? Então decidiu ir atras da sua felicidade, pegou um barco e na primeira ilha distante da costa foi a que ele ficou, ali construiu uma pequena cabana e o que ele mais necessitava. Eduardo mora ate hoje nesse lugar, fica a espera dela, a sua felicidade, o seu sentido para viver e acredita que um dia o mar, esse que a trouxe para ele um dia , aquele que foi testemunha de tudo de bonito que eles viveram possa trazê-la de volta.