Quem fala demais…

Tenho um amigo que conhece um físico (com doutorado e tudo – pra nenhum membro da república dos “phdeuses” desconfiar!) que afirma – “de pé junto e mão beijada” – que plástico não leva mais que uns 25 a 30 anos se decompor, porque é subproduto do petróleo: uma coisa “natural”. Ele já lançou um desafio: se alguém encontrar algum objeto plástico com mais de 100 anos de vida, ele come o diploma e desiste da profissão. O desafio é mais ou menos este e a história segue o mesmo caminho. Daí eu penso: e então???

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No final de semana tive problemas com a conexão da internete em minha casa. Claro que tinha que ser com a “Claro”. Nada mais óbvio, em se tratando de tecnologia 3G e quejandos. Pois tentei o telefone, cinco vezes. Em uma delas, a atendente simplesmente desligou o telefone enquanto eu procurava o “ número/nome do modelo do modem”! A segunda, ficava repetindo que a chamada ia ser “derrubada” (Coitada da ligação… podia quebrar uma perna ou um braço…). E eu gritando ale, vociferando alô e nada. A tal de ligação foi mesmo derrubada. Será que recebu socorro necessário? Pois… Liguei uma vez mais e registrei queixa, pois tinha anotado tudo, nome “delazinha”, protocolo e hora. Tiro e queda. Hoje recebo telefone da Claro pedindo desculpas, agradecendo pelo registro e informando que as “medidas punitivas necessárias” serão tomadas. E eu pensei comigo: será que acabei de decretar o fim do emprego de uma delas? Ou das duas? Confesso que minha consciência pesou, mas não me arrependi… Tanto que ao ler a mensagem que segue (recebida de uma amiga, sem referência de origem e/ou autoria), voltei a pensar no assunto e decidi colocar a tal mensagem. Se cada um fizer a sua parte… Por mais ingenuidade que se possa por à consideração disso, o fato é inegável: cada um tem parcela de responsabilidade em tudo, direta ou indiretamente. O medo de experimentar a carapuça não nos livra da responsabilidade… Então…!

“Tá Reclamando do quê?”

Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci?  do Delúbio? da Roseanne Sarney? do Jader Barbalho, dos políticos distritais de Brasília, do Jucá, do Kassab, dos mais de 300 picaretas do Congresso?

Brasileiro reclama de quê
?
O Brasileiro é assim:
A- Coloca nome em trabalho que não fez.
B- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
C- Paga para alguém fazer seus trabalhos.
1. – Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. – Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. – Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. – Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. – Fala no celular enquanto dirige.
6. – Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno…) – assim o amigo não gasta nada.
7. – Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
8. – Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
9. – Viola a lei do silêncio.
10. – Dirige após consumir bebida alcoólica.
11. – Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
12. – Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
13. – Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
14. – Faz “gato” de luz, de água e de TV a cabo.
15. – Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisório, só para pagar menos impostos.
16. – Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
17. – Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
18. – Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
19. – Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
20. – Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
21. – Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se
fosse pouco rodado.
22. – Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
23. – Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
24. – Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
25. – Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
26. – Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
27. – Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis… como se isso não fosse roubo.
28. – Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
29. – Falsifica tudo, tudo mesmo… só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
30. – Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
31. – Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos… Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra  das passagens aéreas… Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não? Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário! Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

“Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos…”

Amigos!
Esse é um dos e-mails mais verdadeiros que recebi.
Colhemos o que plantamos! A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!

Se a moda pega…

Na “onda” do “seleciona, copia e cola”… Como não tenho encontrado estímulo e vontade de escrever alguma coisa mais criativa – de que adianta???!!! – tudo o que leito na “rede” e me faz pensar, rir, ficar espantado, irritado ou…, seleciono, copio e colo aqui. Nos dias que correm, qualquer bobagem serve de motivo para um jornalismo tacanho – que anda decrescendo, em vez de melhorar – graças à pasteurização “global” – atentem para a duplicidade de sentido aqui, por favor!. Pois é… Some-se a isto a minha chatice, que anda mostrando ganas de se tornar proverbial… Tudo junto dá no pasmo que me causa acompanhar a querela sobre o que andam chamando de “livro didático”.  Vou cometer uma blasfêmia: não li e não gostei. Como é que alguém, em uso de suas faculdades mentais – a autora tem alguma? – tem a cara de pau de vir a público defender um monte de barbaridades, de asneiras, de tonterías – Evoé España! – como as que escorreram da bocarra de tamanha anta? O pior é encontrar eco em outras antas que andam ruminando sua burrice por aí. “DR” na frente ou “PHD” atrás – do nome! – não é certificado de inteligência, competência, brilhantismo, originalidade e/ou sabedoria. Não é certificação ISO 9000. Chega! Li o que segue abaixo e quase engasguei de rir – de nervoso… Realmente, inteligente é o homem que sabe rir de si mesmo! Quem foi que disse pela primeira vez???

Livros pra inguinorantes

Carlos Eduardo Novaes

Jornal do Brasil


Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Edu cassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues! A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português. A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei – como se diz? – magna. Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar. Texto baseadu na resssente aquisiçaum de livrus didráticos pelo Ministér da Edu cassão, que contén erros groçeiros de português, tipo “Amanhã nóis vai passear …” e a tau fessora disse q é assin mermo q o nossu povim se expreça!

Nada a dizer…

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO (autoria atribuída a Jô Soares)

O material escolar mais barato que existe na praça é o PROFESSOR!

É jovem, não tem experiência. É velho, está superado.

Não tem automóvel, é um pobre coitado. Tem automóvel, chora de “barriga cheia’.

Fala em voz alta, vive gritando. Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta ao colégio, é um “caxias”. Precisa faltar, é um “turista”.

Conversa com os outros professores, está “malhando” os alunos. Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó do aluno. Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado. Não brinca com a turma, é um chato.

Chama a atenção, é um grosso. Não chama a atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo. A prova é curta, tira as chances do aluno.

Escreve muito, não explica. Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala corretamente, ninguém entende. Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude. Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição. O aluno é aprovado, deu “mole”.

É… o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

Educação

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Se não estou muito equivocado, é Platão quem diz alguma a respeito do espanto ser uma das formas possíveis de se adquirir conhecimento. Repito: posso estar equivocado. Pelo sim, pelo não, sempre penso que qualquer oportunidade que se tenha para aprender deve ser aproveitada ao máximo, respeitando, claro, os limites subjetivos desse “máximo”… O fato é que não se pode negar que o conhecimento instiga a curiosidade, que leva a mais conhecimento, que, por sua vez, alimenta a inteligência que, a seu tempo, aprimora a educação. O que leva outra vez à curiosidade… O “nó de Moebius” que pode ser inferido nesse pequeno raciocínio é o que me veio à mente ao ver o pequeno videoclipe aí embaixo. Não sei quem é o autor, não sei quem detém os direitos autorais. O que sei é gostei e quero partilhar com vocês. Bom proveito!

O Eugênio sabe das coisas

Para que servem os estudos humanísticos? A pergunta, embora pareça absurda, tem a sua pertinência quando, por todo o mundo e também em Portugal, se parece assistir, cada vez mais, à redução das Faculdades de Letras ao estatuto de simples e utilitárias escolas de línguas. Para quê a literatura? De que serve? Para quê a História, a Arte, a Filosofia? Como verme daninho, o utilitarismo estreito e o economicismo, a propósito e a despropósito, infiltram-se insidiosamente no espírito dos burocratas da Educação e dos empresários da investigação e tudo corroem, como cancro incontrolável e sinistro. Cada professor ou investigador tem que apresentar resultados, medidos em número de papers por ano ou por semestre ou por década… É tudo submetido a um critério economicista que rejeita vigorosamente o desperdício e a aparente inutilidade do lazer, daarte e da cultura.
Há que planear, orientar, organizar, medir, avaliar. O lazer, o divagar, o viver cinco, dez anos teimosos a ruminar uma ideia ou uma hipótese que pode eventualmente não resultar – é anátema. Einstein desperdiçou os seus últimos trinta anos a ruminar obstinadamente uma ideia que não deu, mas , num único ano – 1905 – produziu quatro papers que revolucionaram a ciência moderna. Não ganhou com isso o direito de gastar o resto da vida perseguindo, sem ser chateado pelos contabilistas do talento, as ideias que melhor lhe parecessem, mesmo que se revelassem infrutíferas? Princeton, na América, deu-lhe esse direito ao desperdício, que os organizadores , hoje à solta por todo o lado, parecem não prezar por aí além. Foi o fundamentalismo da investigação exclusivamente orientada – para objectivos previamente definidos pelas empresas – que ia dando cabo da investigação científica nos Estados Unidos. E foi a clarividência de empresas como a Bell – não se importando de valorizar o tempo desperdiçado emdivagações pelos seus cientistas – que finalmente a salvou. As grandes descobertas da ciência não se fizeram quase nunca por cientistas correctamente arregimentados e bem vigiados por burocratas eorganizadores que sabem melhor como se deve proceder. Para essesorganization men, Einstein e Newton não passariam de bloody wasters com algum génio, sim, mas sem o sentido da produtividade e do bom aproveitamento que a disciplina da empresa exige e promove. Compreende-se cada vez menos que as grandes ideias exigem disponibilidade de tempo, teimosia e o direito ao fracasso, isto é, à eventualidade de maus resultados que podem ser apenas o prefácio de grandes triunfos. O mesmo Newton que não descobriu a pedra filosofal e perdeu tempo com ocultismos e alquímias de carregar pela boca, foi, como físico e astrónomo, o maior inovador que o mundo já viu. Uma coisa deve fazer esquecer a outra e não precisamos, para coisa nenhuma, dos contabilistas do tempo desperdiçado. É esta mentalidade estreita dos contabilistas que está também na origem de se andar a desprezar o valor eminente das humanidades que, até, por acaso, podem ter utilidades inesperadas.Vou contar uma história: nos tempos em que desempenhava funções séniores, no domínio dos petróleos e frequentei alguns interessantes cursos de gestão de empresas, lembro-me de ter lido um interessantíssimo livro sobre estas matérias, no qual se contava uma história edificante. O responsável de topo de uma grande industria que empregava vários engenheiros, no domínio da investigação que estava na origem da produção dos principais produtos que a empresa lançava no mercado, tomou um dia consciência de que os seus engenheiros, que eram afinal os principais responsáveis pela saúde e perpetuação do negócio, nunca ascendiam ao topo do organigrama. Ganhavam bem, eram devidamente apreciados, recebiam bons bónus anuais, mas os lugares de topo iam sempre para os senhores do marketing ou do administrative. O engenheiro era considerado um técnico (com o não sei quê de pejorativo associado ao termo), um elemento utilíssimo na sua área específica, alguém sem o qual a empresa não começaria a existir, mas… de voo necessariamente limitado. A metafísica da gestão era território que lhe ficava vedado. O homem da economia, das finanças ou do direito – eram promovíveis. Os engenheiros, não – eram dados como demasiado terráqueos para se alcandorarem às altitudes rarefeitas da direcção de empresas,. Pois bem, o nosso homem, responsável pela empresa referida, decidira que iria pôr fim a isso: os engenheiros iriam ter as mesmas possibilidades de ascenção pela escada hierárquica acima – até ao topo.
E, se assim o decidiu, melhor o fez. E os engenheiros começaram a subir… até chegarem a um nível bastante elevado. Porém, verificou-se algo de surpreendente: até determinado patamar (elevado, mas não o mais elevado de todos) os engenheiros iam-se de facto acomodando à desoxigenação das alturas. Porém, de aí em diante, sentiam-se inconfortáveis, deslocados: nem eles gostavam do lugar, nem o lugar gostava muito deles: não faziam bom trabalho e acabavam por decidir voltar para trás. Durante anos o responsável pela empresa (uma empresa importante, de dimensão internacional) bateu com a cabeça nas paredes, tentando perceber o que se passava: que faltaria aos
seus engenheiros que lhes não permitia chegar ao topo? Que não tinham eles que deviam ter para se tornarem managing directors? Até que, ao fim de perto de, salvo erro, quinze anos de magicar no problema, fez-se-lhe luz: o que lhes faltava era , muito simplesmente, um bom bocado de cultura geral.

Custara-lhe chegar a uma conclusão que agora ofuscava, pela sua evidência, mas não tinha agora dúvidas: aquilo que a cultura geral dá – uma maior abertura de espírito, uma visão alargada dos comportamentos humanos, da complexidade do ser humano, da beleza, do conhecimento e do seu valor, dos incentivos que o homem valoriza, da complexidade dos relacionamentos, do apreço pelo prazer que a música e a literatura e a arte dão, para além do que ensinam, a descoberta de que “os escritores transformam os factos que o mundo produz – pessoas, lugares e objectos – em experiências que sugerem significados” (1) – tudo isto dá a quem opossui um maior à vontade, uma maior fluência no comércio de todos os dias com os outros, seja no âmbito privado, seja no âmbito profissional. São vantagens que ajudam quando, no desempenho das suas funções, o engenheiro não tem que se confinar ao técnico, mas tem, sobretudo, que resolver problemas de relacionamento com os outros: de persuasão, de convicção na “venda” de uma ideia ou de um projecto, que em muito depende de uma avaliação correcta do interlocutor, ou da empatia que se saiba construir e pode depender de uma súbita revelação de sintonia de gostos ou de valores…
É isto que o ensino das humanidades pode trazer, mesmo aos técnicos, aos empresários e aos economistas: estes últimos, em grande parte, responsáveis pelo economismo redutor que se tem estado a tornar no principal inimigo do espírito da universitas.
Vem aqui a propósito citar o nunca assaz citado Ortega y Gasset, que, no seu seminal Misión de la Universidad, diz isto, que deveria estar sempre na secretária e na mesa de cabeceira dos nossos ministros da educação e dos nossos reitores e empresários e alunos e pais de alunos: “A sociedade”, dizia o grande pensador e escritor espanhol, “necessita de bons profissionais – juizes, médicos, engenheiros – e para isso aí está a Universidade com o seu ensino profissional. Mas necessita, antes disso e mais do que isso, de assegurar outro género de profissão: a de mandar. Em toda a sociedade, manda alguém – grupo ou classe, poucos ou muitos -. E, por mandar, não entendo tanto o exercício jurídico de uma autoridade quanto a pressão ou influxo difusos sobre o corpo social. Hoje mandam nas sociedades europeias as classes burguesas, a maioria de cujos indivíduos é profissional. Importa, pois, muito, àquelas, que estes profissionais, àparte a sua especial profissão, sejam capazes de viver e influir vitalmente, segundo a ocasião dos tempos. Por isso é inelutável criar de novo, na Universidade, o ensino da cultura ou ideias vivas que o tempo possui. Essa é a tarefa universitária radical. É isso que tem que ser, antes e mais do que qualquer outra coisa, a Universidade”.
É, de facto, esta tarefa radical que se impõe. É por isso que, mais do que estar a transformar os departamentos de humanidades em escolas de línguas, para os salvar de forma pífia, haveria que utilizar o saber dos seus docentes, no sentido de se poder ensinar aos alunos de todos os departamentos da Universidade aquele sistema de ideias vivas que o tempo possui e dá pelo nome de… cultura.
Num momento em que o número de alunos encolhe, a melhor maneira de aproveitar o corpo docente das humanidades é saber reconhecer que ele pode ser utilizado – e de modo radicalmente importante – a ensinar algo de fundamental aos alunos de física, de química, de engenharia, de… economia. E, já agora, e inversamente, não seria também má ideia que aulas de introdução à ciência e à filosofia fossem ministradas nos cursos de humanidades. É que a segregação das duas culturas não interessa a ninguém – e, hoje, menos do que nunca.
A proposta que aqui faço nada tem de utópico. É, bem pelo contrário, escandaloso que nada disto seja hoje parte rotineira da estrutura do ensino universitário. Aproveite-se o que se tem à mão – e dar-se-á aos profissionais da ciência e da tecnologia, competências de que necessitam para, mais tarde, se sentirem relativamente confortáveis nos labirintos da vida e da… profissão.
Eugénio Lisboa
(1) Michael Meyer, The Bedford Introduction to Literature, St. Martin’s Press, New York, 1987, p.4.

O que dizer?

O dia das mães passou. No entanto, é costume dizer que todo dia é dia das mães, se assim o desejoso carinho do(s) filho(s) o desejar! Então é assim!

Pedro Bial é jornalista. Eu gostava mais dele, antes do famigerado BBB: aquele de que não ouso dizer o nome. Argh! Como qualquer ser humano, Pedro Bial faz coisas certas e erradas. Essa “classificação” vai SEMPRE depender da perspectiva de quem a observa e do próprio: equivale a dizer que não há valor absoluto para nenhum ataque e/ou defesa. Sendo assim…

Recebi mensagem de e-mail com um anexo. Mais uma. Quando gosto de uma coisa, gosto de anunciar a própria coisa e o meu gosto. Graças à tecnologia, isso fica mais rápido por aqui. Então, posto em meu sossego, fui “despertado” pela letargia de mais um dia, inexplicavelmente chuvoso e frio, da primavera croata, com uma dessas mensagens que me fazem querer partilhar. Dizem os créditos que a autoria é do Pedro Bial. Independentemente disso, gostei do “videoclipe”. A música é uma delícia, a sequência de imagens, sugestiva; e a voz da Fernanda Montenegro… bem… sem comentários!

Proibir?

Eles são três. Se você está esperando por uma história que defenda uma ideia e consiga demonstrar a sua exequibilidade, desista! Eles são três pessoas normais, quase anormais, de tão corriqueiras. O que eles falam soa, às vezes, falso, mas convence. A beleza da fotografia é permeada de sequências que são “achados”, como a parada no belvedere na saída do Rio de Janeiro. A “cidade maravilhosa” é vista por seus ângulos menos pontuados pelo glamour que certa industria turística, que insiste em vender como certa realidade como “imagem”. Realista, contundente, às vezes margeando o lírico. Mesmo as preocupações “sociais” que poderiam ser apostas ao olhar do espectador, pelas brechas criadas pela narrativa, é uma sequência de imagens que faz pensar e não deixa de ser um trabalho interessante.

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Estou falando de Proibido proibir. Filme dirigido por um chileno, rodado no Brasil, com elenco comportado, competente e que não ronda as instalações do projac à busca de celebridade. Por esse e por outros motivos vale a pena ver o filme. Nele, um estudante de Medicina, faz sua residência no Hospital Universitário, no Fundão. Divide moradia com um estudante de Sociologia que namora uma estudante de Arquitetura. Tudo coerente e convincente. O futuro médico se apaixona e o futuro sociólogo “dança”, mas isso não é o mais importante. O núcleo “social” da película envolve uma família de “sobreviventes”. E é aí que mora o busílis. A violência, a truculência (com o pesar da rima) e a indecorosa impunidade é que “fazem a festa”. Vale apena. Um filme contundente, sem ser apelativo! Quem leu o conto “Dois irmãos”, de Jorge Luis Borges, pode fazer suas comparações e constatar o que o desejo de leitor mandar…

PS: faltou dizer que o filme foi exibido hoje, aui em Zagreb, na abertura de uma mostra de cinema brasileiro, parte das promoções que culminam com o “Dia da Cultura Brasileira”, em 18 de maio. Data aleatória da promoção do International Cooperation Offiice da FFZG.

Ficha técnica

Proibido Proibir, Brasil/Chile, 2006

Gênero: Drama

Tempo: 100 min.

Classificação: 16 anos

Distribuidora: Mais Filmes

Estrelando: Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues, Edyr Duqui, Adriano de Jesus, Luciano Vidigal, Raquel Pedras

Dirigido por: Jorge Durán

Produzido por: Suzana Amado

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Mais uma parábola

Um dia, peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando, de repente, um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente. O taxista pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz! O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. O taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. Ele o fez de maneira bastante amigável. Indignado, lhe perguntei: Por que você fez isto? Esse cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital! Foi quando o motorista do táxi me ensinou o que eu agora chamo de “A lei do caminhão de lixo.” Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e, às vezes, descarregam sobre a gente. Não  tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu! Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa ou nas ruas. Fique tranquilo… respire e DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódios e frustrações. Ame as pessoas que o tratam bem e trate bem as que não o fazem. A vida é, dez por cento, o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!

Tenham uma ótima semana, livre de lixo!

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Problema

22 de abril de 1992. Esta foi a data em que eu comecei a trabalhar na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por mim apelidada de Universidade Federal Sado-Masoquista! Declino do direito de explicar o porquê… Entrava, então, para o famigerado universo da universidade “pública, gratuita e de qualidade” (sic!). Ainda não fazia parte da república dos “ph-deuses”. Com a graça de Deus, e um tanto de esforço próprio, tenho conseguido manter-me fora desta “república”. Bom… No começo, como se diz por aí, “cheio de amor pra dar”, eu acreditava que a “academia” era um “espaço” em que eu poderia dar e chancelar a minha “contribuição intelecual”. A sala de aula era o “meu espaço” (continua sendo!) e lá eu “cantava de galo” (continuo cantando?!). Já fui carrasco, já fui o “temor das multidões”, já ouvi muito xingamento, já ouvi elogios, já passei por poucas e boas. Quem ainda não?! Mas as surpresas continuam, como a quem vem de lá, do sul, dos pampas, na letra de uma amiga (ex-aluna) e que me fez, mais uma vez, pensar nisso: dar aulas, ensinar, formar, educar e quejandos!

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As cuidadoras do meu pai já provocaram inúmeros dissabores, mas, às vezes, aparecem umas criaturas que, sinceramente…

A cuidadora me indaga: – A senhora é professora?

Eu: Sim, sou professora de literatura.

Ela: Aiiinnnn….literatura? Odeio!!!

Eu: É…também posso dar aula de língua portuguesa…

Ela: Também não gosto!

Eu (adorando provocar!): Então, tu deves gostar de Matemática, Física ou Química…

Ela: Não, imagina!.. Se, um dia, eu for alguém na vida, eu quero ser professora de Letras.

Silêncio…meus neurônios tiveram dificuldade para processar a informação.

Eu (com a cara mais séria do mundo): E o que faz uma professora de Letras?

Ela (peito estufado, cheia de sabedoria): Ora, lida com poesia…

Eu: Mas que tipo de poesia?

Ela: Ora, só tem um tipo de poesia, né? Aquela com rimas…

Eu: Ah, sei…”Amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói e não se sente / é um contentamento descontente…”. Conhece?

Ela: Não, nunca ouvi. Eu gosto é de poesia parnasiana, aquelas que são feitas com rimas, em sonetos, que nem o Vinícius de Moraes.

Eu: Ah… (meus neurônios não admitiram a possibilidade de aprofundar a questão!).

Fiquei rindo da situação inusitada, mas não posso negar que me preocupei: o que será que estão ensinando, nas escolas, como sendo literatura?

Alerta