Proibir?

Eles são três. Se você está esperando por uma história que defenda uma ideia e consiga demonstrar a sua exequibilidade, desista! Eles são três pessoas normais, quase anormais, de tão corriqueiras. O que eles falam soa, às vezes, falso, mas convence. A beleza da fotografia é permeada de sequências que são “achados”, como a parada no belvedere na saída do Rio de Janeiro. A “cidade maravilhosa” é vista por seus ângulos menos pontuados pelo glamour que certa industria turística, que insiste em vender como certa realidade como “imagem”. Realista, contundente, às vezes margeando o lírico. Mesmo as preocupações “sociais” que poderiam ser apostas ao olhar do espectador, pelas brechas criadas pela narrativa, é uma sequência de imagens que faz pensar e não deixa de ser um trabalho interessante.

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Estou falando de Proibido proibir. Filme dirigido por um chileno, rodado no Brasil, com elenco comportado, competente e que não ronda as instalações do projac à busca de celebridade. Por esse e por outros motivos vale a pena ver o filme. Nele, um estudante de Medicina, faz sua residência no Hospital Universitário, no Fundão. Divide moradia com um estudante de Sociologia que namora uma estudante de Arquitetura. Tudo coerente e convincente. O futuro médico se apaixona e o futuro sociólogo “dança”, mas isso não é o mais importante. O núcleo “social” da película envolve uma família de “sobreviventes”. E é aí que mora o busílis. A violência, a truculência (com o pesar da rima) e a indecorosa impunidade é que “fazem a festa”. Vale apena. Um filme contundente, sem ser apelativo! Quem leu o conto “Dois irmãos”, de Jorge Luis Borges, pode fazer suas comparações e constatar o que o desejo de leitor mandar…

PS: faltou dizer que o filme foi exibido hoje, aui em Zagreb, na abertura de uma mostra de cinema brasileiro, parte das promoções que culminam com o “Dia da Cultura Brasileira”, em 18 de maio. Data aleatória da promoção do International Cooperation Offiice da FFZG.

Ficha técnica

Proibido Proibir, Brasil/Chile, 2006

Gênero: Drama

Tempo: 100 min.

Classificação: 16 anos

Distribuidora: Mais Filmes

Estrelando: Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues, Edyr Duqui, Adriano de Jesus, Luciano Vidigal, Raquel Pedras

Dirigido por: Jorge Durán

Produzido por: Suzana Amado

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Brasília, 50 anos

As fotografias, em preto e branco, de Belo Horizonte, Dourados, Rio de Janeiro e Campinas são um total delírio. As tomadas das obras de construção da “novacap” são de uma perfeição que arrisco-me a dizer que, se fosse possível voltar no tempo, Zelito Viana o teria conseguido com essas imagens. Não tenho a certeza de que as cenas interiores do Palácio do Catete foram efetivamente filmadas “in loco”. O que interessa é que Marcos Palmeira encarna soberbamente o Carlos Lacerda combativo, mas sensato – por favor, não estou a defender ideologias, mas performances, ainda que ficcionalizadas, tanto em palavras como em imagens! José de Abreu consegue captar um pouco da “mineirice” que marca o emblema reconhecido mundialmente por duas letras: JK. Isso. Trata-se aqui de Bela noite para voar (Vejam a ficha técnica, ao final). Julia Lemmertz, em pouquíssimas palavras, mas com gestos delicada e precisamente ensaiados, faz uma operfeita dona de casa na passagem dos 50 para os 60, ainda no século 20. ) O drama reconstroi passagem contundente da vida nacional, de sua História e dos embates íntimos e políticos de um homem que, definitivamente, marcou indelevelmente a existência desse “país continental”, o Brasil. A trilha sonora é uma delícia. Há porém, creio eu (não se esqueçam de que sou um chato!) um erro de continuismo (será esse mesmo o termo “técnico”?). Na sequência do baile, logo no início do filme, aparece m copo de champagne que, acredito, não era usado à época a que a cena remete. Detalhes… Fato é que percebi duas coisas de que minha memória não se lembrava: a “Princesa” e o fato de que Maristela, a segunda filha do protagonista, ter sido adotada! Surpresa ou esquecimento? Dona Sarah não aparece, mas é mencionada… e muito! Não há sequer um comentário sobre as “puladas de cerca” do “presidente bossa-nova”. Uma constante é a marca “pessoal” e personalíssima – com o devido  pedido de licença para a redundância – que JK inscreve em sua trajetória. Personalidade não tão tragicômica como a de Jânio Quadros que, na película, é deliciosa, maliciosa, perfeita e exuberantemente interpretada por Cássio Scapin. A sequência com o Chivas Reagal, presente de JK a Jânio, é de-li-ci-o-sa! O ator é talentosíssimo e, salvo engano, reproduz a idiossincrática prolação do “vassourinha”…! Não li o livro (ainda?). Tendo como pano de fundo as revoltas da Aeronáutica (Jacareacanga, em 1956; Aragarças, 1959), um jornalista reescreve, na forma de folhetim, o roteiro “Perigo nos céus do Brasil!”, de autoria de um menino admirador do presidente Juscelino Kubitschek e principalmente dos aviões. Nos cinco anos que quiseram ser 50, JK é objeto de duas conspirações fracassadas, e desta outra, ficcional, em que traição e perigo voam pelos céus do Brasil. E a sedução também, porque o presidente talvez esteja enamorado! A sinopse diz quase nada sobre a película. Será necessário agir como São Tomé: ver para crer!

image O filme abriu o III Ciclo de cinema brasileiro, uma promoção do Setor Cultural, da Embaixada do Brasil, em Zagreb. Parabéns pala a Helga(brasileira) e a Ivana (croata), responsáveis pela impecável organização desta terceira edição! Uma abertura em grande estilo, com direito ao inflamado opening speech, do novo embaixador, Luiz Fernando de Athaíde, um sujeito super simpático, bem articulado, risonho, dinâmico. Seria coincidência o fato de ser ele formado em letras? Ai que maldade… A plateia, em sua maioria croata, não deve ter percebido muito bem a espessura histórico-afetiva da narrativa fílmica, ainda que tenha havido legenda em inglês e na língua local, o quase impronunciável croata. Ai que língua feia! O interesse se voltava para a já famosa caipirinha – generosamente servida em copos transparentes, no qual se entrevia a claridade da cachaça 51, of course! – e os olhinhos dos locais brilharam, mais uma vez. O pão de queijo ficou em segundo plano, mas acabou-se, literalmente, em menos de 15 minutos! Devo confessar que minha vaidade obriga a afirmar que o “meu” pão de queijo é bem mais gostoso. Mas o apresentado à famigerada plateia cumpriu seu papel. Uma noite a mais para as minhas memórias croatas!

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  • título original:Bela Noite Para Voar
  • gênero :D rama
  • duração:01 hs 27 min
  • ano de lançamento:2009
  • site oficial:http://www.belanoiteparavoar.com.br/
  • estúdio:Caribe Produções Ltda. / Focus Films
  • distribuidora :P aramount Pictures
  • direção: Zelito Vianna
  • roteiro:Zelito Vianna, baseado em livro de Pedro Rogério Moreira
  • produção:Cláudia Furiati e Daniel Sroulevich
  • música:Sílvio Barbato
  • fotografia:Alziro Barboza
  • direção de arte:Alexandre Meyer
  • figurino:Kika Lopes
  • edição :D iana Vasconcellos
  • efeitos especiais:Teleimage

Uma ilha

Martin Scorsese, de novo, inqualificavelmente bom. Desta vez, com um suspense de fazer inveja a muita gente. Chega um momento em que se tem a nítida impressão de que a solução da trama está à vista. Ainda bem que este momento chega bem pra lá do meio da película. Assim sendo, não se perde nem um segundo das atuações estarrecedoras de Leonardo di Caprio, impecável; Marc Ruffalo, com o indefectível cantinho da boca enrugado, ou mordido, a gosto do freguês…; Ben Kingsley, irritantemente perfeito no papel do psiquiatra on the edge entre o magnânimo e o sádico; Max Von Sydow, numa performance que o transforma num sósia de Freud – imagem e texto; Michelle Williams, fazendo praticamente o mesmo papel que desempenhou em Brokeback Mountain – a chatinha, coitadinha, “inha”, aqui, ao contrário, com uma dose maior de sarcasmo que oscila entre o lúbrico e o fantasmagórico – que pena que as asas dela não permitam voos mais “sobrenaturais…; e, finalmente, Patricia Clarkson, soberba, no papel de uma personagem “chave” para a trama, o que só o pobre do espectador ávido por mais suspense não consegue perceber.

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Um filme que, ainda uma vez, com a assinatura indelével do diretor, permeia os descaminhos da identidade que se parte e reparte em cacos de um vitral inextricavelmente destruído por um trauma – a sequência em que a personagem de Von Sydow brinca com a de di Caprio, num jogo semântico/etimológico da palavra “sonho” só não é engraçada por impossibilidade de “achar graça” na situação em que se encontram… O filme não chega a ser soberbo, mas não passa desapercebido. Não sou um “entendido” em cinematografia, em “cinema”, mas gosto de ver bons filmes e tenho a ousadia de dizer que tal filme é bom e tal outro é ruim! Claro está que na medida exata de minha opinião: jamais afirmei outra coisa, até agora… Como eu dizia, no momento em que se percebe que a catarse vai se consumar, dá-se uma reviravolta e a dúvida se instala de novo. O filme levanta vôo de novo, ainda que não estivesse “aterrando”, mas o espectador escapa da chance rasteira de “solucionar o problema”. Na cena final, a pergunta chave, que di Caprio solta no ar e deixa evolar, sem resposta. Pra que responder?

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O filme narra a história de Teddy Daniels que investiga o desaparecimento de uma paciente de determinado hospital psiquiátrico, estabelecido numa ilha não muito longe da costa de Boston. O hospital abriga criminosos e a investigação emperra na impossibilidade de acesso aos registros completos dos casos tratados. Como uma serpente que se enrosca ou um platelminto que se auto-reconstroi a partir de seus próprios fragmentos, o filme vai fluindo em imagens sinistras sempre coloridas por chuvas torrenciais e o interminável bater das ondas nas falésias rochosas da ilha. Sinistro é pouco. A lição de Hitchcock foi muito bem aprendida por Scorcese que, como bom aluno, voa por conta própria, rasurando definitivamente a cena fílmica do Ocidente.

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Para terminar, é condição sine qua non ver o filme desde o primeiro segundo de exibição. É impossível (re)ver o começo por ter chegado atrasado ao cinema. Se isso acontecer…. Pior pra quem se atrasou!

“Ser ou não ser”…

O que é mais importante: saber latim ou conhecer a “cultura” que a vida, por vezes, pode apresentar de maneira informal? Entrar para uma universidade de renome, para fazer carreira – geralmente sonhada, planejada e “poupada” pelos pais (claro, no hemisfério norte) ou viajar pelo mundo, tocar violoncelo e conhecer a pintura e a literatura universais? Esse tipo de pergunta pode parecer banal e levar a conclusões igualmente rasteiras. Mas a banalidade, Clarice Lispector já ensinou, está repleta de “epifanias” que, sem sombra de dúvida, ensinam mais que qualquer “didática” poderia explicar.

Esse é o questionamento, na minha opinião, que serve de eixo de orientação da narrativa de An education (2009), filme dirigido por Lone Scherfig, ganhador do prêmio “Escolha da Audiência” e “Cinematografia” do Sundance Film Festival, em 2009. Para quem gosta de “estrelas”, Emma Thompson faz uma “ponta”, mas “abala Paris”; e Alfred Molina está impagável no papel de pai classe média inglês. Impagável! Talento é talento.

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Jenny (Carey Mulligan) uma menina muito inteligente nas vésperas de seu aniversário de 17 anos, apaixona-se por um sujeito mais velho, David (Peter Sarsgaard). Antes de conhecê-lo, Jenny estudava arduamente na escola secundária para garantir a entrada na Universidade de Oxford. Quando ela vê o que o estilo de vida de David pode fornecer para sua fantasia de educação, que ela nunca imaginou poderia ser o dela… bidu: ela começa a desistir da idéia de entrar para a Universidade. É exatamente quando tudo parecia caminhar para a mais brega das histórias de amor, do tipo Cinderela (quase) moderna, que a verdade bate nela como uma tonelada de tijolos. Ela então deixa de ser a menina de olhos brilhantes, exemplo de aplicação e sucesso da escola e passa a encarnar uma sofisticada jovem senhora intelectualizada. Ela faz o caminho de volta, questionando-se, sem poder dizer, com firmeza, se ela realmente sabe quem ela é em tudo.

Isso pode parecer inverossímil ou déjà vu, mas a delicadeza do diretor não derrapa no dramalhão, não escorrega na fantasia sem pé nem cabeça. O filme é bom! Claro está que os problemas intelectuais de Jenny não são a única matéria tocada pela narrativa, mas a moral, o casamento e a opção pela vida de solteiro despontam aqui e ali durante a história. A sequência também abre espaço para a discussão da situação da Inglaterra na exata metade do século XX. Tudo, a meu ver, na medida certa!

No início de 1960, dezesseis anos de idade, Jenny Meller vive com seus pais, no subúrbio de Londres (Twickenham). No desejo do pai, tudo o que Jenny deve ser está no exercício exclusivo de ser aceita em Oxford. Como todo pai, ele também quer que ela tenha uma vida melhor que a sua. A menina é brilhante, bonita, naturalmente dotada de uma inteligência penetrante, acessível, fértil e amadurecida. Os únicos problemas que o pai pode perceber na sua vida são o aprendizado do latim e o namoro com um rapaz chamado Graham, legalzinho, mas socialmente inábil. Esse “outro lado” parece enfumaçar a verdadeira origem do dinheiro aparentemente fácil dos novos amigos de Jenny.

Sem querer ser proselitista, abandonando a idéia de fazer uma narrativa de “formação” (no sentido tradicional), utilizando-se de ângulos visuais inusitados de Paris e Londres, o diretor constrói um relato imagético leve, fascinante, sério e luminoso: como o sorriso da protagonista. Os “dramas” são tratados não com desdém, mas com naturalidade: não há imposições morais, até prova em contrário. Muita gente vai pensar que é um filme bobo. Quem duvidar, vai ter que ver para conferir!

Forrest Gump

Revi Forrest Gump, pela enésima vez. Filme bobo? Sem graça? Ingênuo? Sem importância? Água com açúcar? Quem pode dizer? Essa mania de dizer que isso é assim ou assado, como eu já disse, é uma aparência. O filme é lindo. Quem não se emociona não está vivo, quem não sente a ingenuidade do protagonista como um pouco de cada um de nós mesmos, também não está vivo. Qualquer outra discussão é cabível, claro. No entanto, não me venham dizer que o filme não presta só porque não tem uma trama complicada. Não venham tentar me convencer que a ausência de efeitos especiais faz com que o filme perca em “qualidade”. De mais a mais, a interpretação de Tom Hanks não é apenas convincente, é soberba, assim como a de muitos outros grandes atores em outros grandes filmes. Aliás, por que será que a gente tem a mania esquisita de dizer que uma coisa é “grande” quando a gente gosta dela, ou quando reconhece seu valor e sua importância? Esquisito, muito esquisito… Na verdade, a pergunta que não quer calar é aquela que os “filósofos” de plantão  não conseguem responder. Penso que jamais conseguirão: o destino (como coisa a ser cumprida) já existe ou é a gente que o faz… As possibilidades são muitas, as perspectivas, variadas e a dúvida, imensa, absoluta, interminável… Não há como responder sem viver. Penso que ao se chegar perto da resposta esta tal de vida se acaba e a resposta se mantém intocável e intocada à espera de uma possível eternidade para ser desvendada. Quem poderá negar? É como o cheiro que sobre do chão quando chove, depois de um tempo de seca. O cheiro é úmido. A sinestesia da experiência fica na memória, entra ano, sai ano, o cheiro é o mesmo e com ele as lembranças, muitas lembranças…

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Babel

O título é sugestivo. Lembra uma passagem bíblica, da mesma forma que lembra um conto de Borges. No fundo, essas duas coisas são mais próximas do que parecem não ser! Um filme delicado, violento, deslumbrante, revelador. Pode ser que alguém não concorde com a mistura inesperada de tantos adjetivos. Mas não conseguiria dormir sem escrever alguma coisa sobre essa “babel” de imagens, de cortes temporais, de línguas, de sentimentos, de reações, de preconceitos e de pecados, muitos pecados. Esse tipo de pecado que a humanidade, de tão careca de cometer, já não se dá mais conta. Um filme DES-LUM-BRAN-TE!!! Não há como não gostar dele. O impacto maior fica por conta da edição primorosa que consegue recortar o tempo narrativo em pedaços desconexos que fazem com que a “história” seja apresentada já em curso. Ela começa em andamento, pelo meio, e termina do mesmo jeito. No final de sessão tem-se a impressão de se ter visto uma história muito bem contada, com um linearidade inquestionável, que faz a gente pensar… e muito!

A história da empregada mexicana que, ilegalmente, cria duas crianças e vai presa, depois é deportada, porque levou as crianças para a festa do casamento de seu filho, não muito longe da fronteira entre San Diego e Tecate. Uma revelação do preconceito, da empáfia, da soberba e da humilhação a que um ser um humano “estrangeiro” pode ser submetido, sem, nem ao menos, saber o motivo. Ou, sabendo, não ter sequer a oportunidade de se explicar “devidamente”. A “lei” a silencia! O casal em crise, por conta da perda de um filho, e a crise é atravessada por uma bala perdida, no meio do deserto do Marrocos. Acidentalmente. A crise se resolve com muita parafernália da mídia norte-americana que, em tudo e por tudo, principalmente por força da ”boçalidade oficial”, vê em cada acidente uma tentativa de quebra do american way of life… Quando era para ver o que estava óbvio, fez “ouvidos” de mercador e não “viu” nada… O heroísmo do irmão mais novo, libido em alta, orgulhoso de sua mira que acaba por se entregar aos policiais truculentos do Marrocos, para tentar salver a vida do rimão, terminada brutalmente pela mesma truculência. Foi dessa mira certeira que veio o rito que acertou a mulher que sofre por conta da perda do filho, que tem dois irmãos, que são criados pela babá mexicana. “No meio do caminho tinha uma pedra”. O rifle. Aí é que faz sentido a história da filha surda-muda de um japonês viúvo. O desejo incontido e incompreendido, uma inocência difícil de explicar na “babel” da pós-modernidade… Inesperada mistura de culturas, de línguas, de situações. Urdidura acidentalmente tramada por um destino que usa e abusa de enredar o ser humano em situações e lugares os mais impensados, numa ciranda de acontecimentos que fazem a gente pensar… e pensar muito. DES-LUM-BRAN-TE!!! Não se deve perder a oportunidade de ver!

Lembrei-me desse filme hoje por conta do Croaticum, o centro de ensino de línguas estrangeiras da faculdade em que trabalho aqui, em Zagreb: mexicanos, colombianos, brasileiros, chineses, canadenses, estado-unidenses, jordanianos, ucranianos, argentinos, alemães, peruanos e mais… mais… gente de todo lado aprendendo essa língua um tanto… estranha, o croata (=hrvatski)

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