Antes de ir dormir…

A dona abre um sorriso confiado e diz que a História não pode ser falseada para se criar a ficção. Será que ela sabe a dimensão da bobagem que ela falou? Do outro lado da página, alguns leitores deslumbrados (o nome dela é muito citado, ela publica nas melhores “editoras” e quase ninguém pergunta de fato o que ela pensa… mídia… Mas ela está lá, na página de um jornal, feliz, crente que sabe muita coisa e mais crente ainda em seu próprio potencial para a imortalidade na/da existência humana. E pensar que descobriram que a Bastilha, quando de sua famosa “queda”, abrigava meia dúzia de gatos pingados, ao que parece, nenhum deles de muita “importância” para a Revolução francesa… E depois querem que leve a sério o que a dona disse…

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Lá, naquele lugar, encravado numa outra área que, de tão feia, não me lembro o nome… Pois é, lá mesmo, desenvolveram (compraram de alguma matriz estrangeira, pouco importa) um programa que distribui os encargos de maneira racional, evidentemente sem a pretensão de ser perfeita. Mas distribui. A demanda é chegada e processada pelo tal programa. Afinal, naquele lugar, ainda que não tão seria e completamente assim, entende-se que quem está lá dentro, lá está para trabalhar. Já em outros lugares, a semana continua sendo dividida em duas partes estanques, em nome da”liberdade” e da “autonomia”… Vai entender…

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O difícil não é tentar entender o que se passa. O mais difícil é encontrar ponto de equilíbrio entre a falta de paciência de um lado e a cabeça dura de outro. Mistura explosiva que, com os anos, mostra mais ainda de suas idiossincrasias. E as circunstâncias que colocam um cristão no meio desses dois portentos da existência humana se ri. De foice na mão, a indesejada das gentes (por que será que é assim se o fim é líquido e certo, ainda que por circunstância…?) espera e ausculta, anunciando-se diariamente, em doses homeopáticas. E começa a surgir certa indignação controlada, porque atávica ao ser humano. Ah… a vida!

Besteirol

Nos dias que correm, as calamidades “intelectuais” são tantas que na “academia” alguém há de dizer que a bobagem abaixo (que recebi por e-mail e repasso literalmente) faz sentido em nome da globalização e da pós-modernidade…

Ai que preguiça…

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Análise literária da música AI SE EU TE PEGO, por Edmilson Borret, professor de Português

Já que professor de literatura sou, dediquei alguns minutos do meu precioso tempo para me debruçar sobre a letra desse “fenômeno” de crítica e público que assola as rádios e tv’s, não só do Brasil, mas também do mundo: “Ai, se eu te pego”, desse grande artista chamado Michel Teló. Uma letra de música tão profunda, filosófica e poética como essa merece, sem sombra de dúvida, uma análise literária mais esmiuçada… Então vamos lá!

Delícia, delícia
Assim você me mata”

Nos versos acima, nota-se de imediato que o eu lírico expressa metaforicamente seu deleite sexual, chegando mesmo – pode-se dizer – a um estado de clímax sexual, um orgasmo. Entretanto, à medida que avançamos na leitura da letra da música, percebemos logo no verso seguinte uma ideia parodoxal que nos leva a constatar que talvez o eu lírico, através de um eufemismo muito bem elaborado, aponte para uma das práticas difundidas na tradição literária ocidental, principalmente a partir do Romantismo. Observem o verso:
“Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”
A anáfora presente nesse verso, com a repetição da interjeição “ai”, mais uma vez denota a ideia de deleite, de clímax sexual. Entretanto, através do papel hipotético conferido pela conjunção condicional “se”, percebe-se que o eu lírico não chegou, de fato, a um enlace, a uma conjunção carnal com o objeto de seu desejo: o “ai se eu te pego” signicando algo como “ai, como eu gostaria de te pegar” ou “ai, se eu pudesse te pegar” (levando-se em consideração também o neologismo já absorvida pela linguagem coloquial quando ele usa o verbo “pegar” para significar o ato sexual).
Ou seja: se, nos dois primeiros versos, o eu lírico expressa seu deleite, seu clímax sexual, seu orgasmo; mas, logo imediatamente, nos dá dicas de que o enlace sexual não ocorreu de fato, somos forçosamente levados a considerar que o eu lírico é…
UM PUNHETEIRO DE MARCA MAIOR !!!!!!!

E essa porcaria vende, meus amigos!!!!

Intervalo

Fazendo uma pausa no que já está lento (a publicação dos contos), para relaxar no início do final de semana:

A ONU enviou uma carta para cada país com a questão:
Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre
a escassezde alimentos no resto do mundo.

A pesquisa foi um fracasso.
Os Europeus não entenderam o que era escassez.
Os africanos não sabiam o que era alimento.
Os cubanos não entenderam o que era opinião e os argentinos,
o significado de por favor.
Os norte-americanos nem imaginam o que seja resto do mundo.
Enquanto isso, o congresso brasileiro está debatendo o que é honestamente.

PS: desconheço a autoria!
Poderá também gostar de:
Inteligência e espírito
Seminário 1
Perdidos no tempo

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Relógio

Quem sou eu

Minha foto

Aquecendo os tamborins

 

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O carnaval está na esquina e boa parte da população brasileira se prepara para mais um feriado… como se fossem, poucos: os feriados! Mais um ano de exageros, descontrole, algazarra e até alegria… pouca, mas alegria… Nesse “clima” é que me intrometo para cumprir o prometido. Pouquíssimas pessoas irão ler, o que pode ser considerado sinal de insignificância… Cada um tem direito a uma opinião. Pra semana começo a publicar os contos que meus alunos escreveram no semestre passado como parte das atividades de um “seminário” de narrativa. As aspas se justificam. Afinal, chamar de “seminário” a dois pífios encontros semanais de hora e meia cada, durante três meses e meio é um tanto… um tanto… ah… deixa pra lá. Eu e minhas chatices. Mas numa de aquecimento, deixo duas “pérolas” (virão outras de quando em vez). Não faço a mínima ideia se existe autoria para elas, mas, aí vão:

“Antigamente as mulheres cozinhavam igual à mãe… Hoje , estão bebendo igual ao pai!”


“Antigamente os cartazes com rostos de criminosos ofereciam recompensas; atualmente, pedem votos”.

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Parábolas

Nos dias que correm, parece cada vez menos importante a atenção aos detalhes, a acuidade das entrelinhas e o olhar de lince para o que não está na superfície. Qualquer semelhança com o comportamento desvairado do gênero humano, em busca de “um lugar ao sol”, não é, de fato, mera coincidência. Assim sendo, fiquei bastante tocado depois que li a parábola que segue. Recebida numa mensagem de e-mail, sem referência de autoria e/ou fonte, repasso-a. Aviso: serve apenas para o deleite de olhares inteligentes, sensíveis e livres de qualquer espécie de preconceito e/ou intolerantes.

O CÉTICO E O LÚCIDO

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:

- Você acredita na vida após o nascimento?

- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?

- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento

está excluída – o cordão umbilical é muito curto.

- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.

- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.

- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

Caos

 

Li com a referência de que a fonte é a coluna do José Simão, na Folha de São Paulo. É triste e engraçado ao mesmo tempo. E o pior é quem bem pode ser assim mesmo… Ai que vergonha!

 

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Previsões de Pai J osé Simão (Colunista Folha de São Paulo), para as Olímpíadas no Rio – 2016.

De 2010 a 2015
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira.
3. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lamê dourado representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitoria”.
4. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.
5. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chamada Kathy Mileine Suellen da Silva.

Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra com urgência para um carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê “GALVÃO FILMA NÓIS”, “100% FAVELA DO RATO MOLHADO”.
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em um inglês de merda elogiando o povo carioca e, ao final, vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.
6. O Hino Nacional Brasileiro será entoado a capella por uma arrependida Vanuza, que jura que “não bota uma gota de álcool na boca desde a última copa”. A platéia vai errar a letra, em homenagem a ela, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada varias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira dos jogos pintada na cara. Ela posará para a Playboy sem o top e sem o shortinho e com a bandeira pintada na bunda.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.
9. Setenta e quatro passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao mundo: a bala perdida, o trafico, o funk, o sequestro-relâmpago e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vão continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará para a capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.

Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda.
2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV.
3. No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 64.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas desconhecidos no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação. A Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posarem mordendo a medalha, e nunca mais se ouvirá deles.
5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldo Fenômeno vai chegar como favorita. Passará fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo para a seleção de Sumatra.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 57º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê: JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em ‘slow motion’ e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.

Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô para pagar as despesas que teve para estar nos jogos e por não obter patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, e outras besteiras.
3. No início do ano seguinte, vários bebês de olhos azuis virão ao mundo e as filas para embarque nos voos para a Itália, Portugal e Alemanha serão intermináveis, com mães “ofendidas”, segurando seus rebentos…

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Tese(s)

UMA TESE É UMA TESE

Mário Prata

Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.

São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspeta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha.

Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se auto decreta. O mundo para, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientadores (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonnne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.

Em tese ( e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.

Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa em nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?

Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?

E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza.

Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.

Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou: – Não vou mais estudar! Não vou mais estudar na escola. Os dois pararam – momentaneamente – de pensar nas teses.- O quê? Pirou? – Quero estudar mais não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?

Pensando bem, até que não é uma má ideia! Quando é que alguém vai ter a prática ideia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história? Acho que seria um tesão.

(Fonte: PRATA, Mário. Minhas tudo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 52-54)

Mário Prata in Cem Melhores Crônicas
originalmente publicada em 7/1998 – O Estado de S. Paulo

Se a moda pega…

Na “onda” do “seleciona, copia e cola”… Como não tenho encontrado estímulo e vontade de escrever alguma coisa mais criativa – de que adianta???!!! – tudo o que leito na “rede” e me faz pensar, rir, ficar espantado, irritado ou…, seleciono, copio e colo aqui. Nos dias que correm, qualquer bobagem serve de motivo para um jornalismo tacanho – que anda decrescendo, em vez de melhorar – graças à pasteurização “global” – atentem para a duplicidade de sentido aqui, por favor!. Pois é… Some-se a isto a minha chatice, que anda mostrando ganas de se tornar proverbial… Tudo junto dá no pasmo que me causa acompanhar a querela sobre o que andam chamando de “livro didático”.  Vou cometer uma blasfêmia: não li e não gostei. Como é que alguém, em uso de suas faculdades mentais – a autora tem alguma? – tem a cara de pau de vir a público defender um monte de barbaridades, de asneiras, de tonterías – Evoé España! – como as que escorreram da bocarra de tamanha anta? O pior é encontrar eco em outras antas que andam ruminando sua burrice por aí. “DR” na frente ou “PHD” atrás – do nome! – não é certificado de inteligência, competência, brilhantismo, originalidade e/ou sabedoria. Não é certificação ISO 9000. Chega! Li o que segue abaixo e quase engasguei de rir – de nervoso… Realmente, inteligente é o homem que sabe rir de si mesmo! Quem foi que disse pela primeira vez???

Livros pra inguinorantes

Carlos Eduardo Novaes

Jornal do Brasil


Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Edu cassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues! A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português. A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei – como se diz? – magna. Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar. Texto baseadu na resssente aquisiçaum de livrus didráticos pelo Ministér da Edu cassão, que contén erros groçeiros de português, tipo “Amanhã nóis vai passear …” e a tau fessora disse q é assin mermo q o nossu povim se expreça!

Sagacidade

Humor inteligente é uma das boas coisas da vida. Recebi mensagem eletrônica com os “ditos” abaixo como sendo de autoria do Oscar Niemeyer. Não sei se a autenticidade da autoria se verifica. Pelo sim, pelo não, partilho. Nada como ler coisas inteligentes, com humor refinado, referências elegantemente irônicas e senso de realidade impecável. Seria perfeito se realmente o arquiteto fosse o autor…

PÉROLAS DE OSCAR NIEMEYER (102 ANOS)

- Ganhei um convite para ver o filme da Bruna Surfistinha. Espero que seja MESMO um filme sobre surf. O filme da Bruna Surfistinha é uma apologia ao baixo meretrício e aos mais baixos instintos humanos. Mas pelo menos “rolou” uns peitinhos.

- Meu médico me proibiu de tomar vinho todos os dias. Sorte que ele não falou nada sobre Smirnoff Ice.

- Fui convidado para ver o pessoal do Comédia em Pé. Só não vou porque minha artrite não me deixa ficar em pé muito tempo.

- Esse humor do Zorra Total já era antigo quando eu era criança.

- Sem sono e a fim de sair pro agito. Quem embarca?

- Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade: o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro.

- Ivete Sangalo me encomendou o primeiro trio elétrico de concreto armado do mundo. O pessoal aqui no escritório já apelidou de “Sangalão”. A proposta era fazer o “Sangalão” de madeira para ficar mais leve. Aí eu disse pra Ivete: “Quer de madeira? chama um MARCENEIRO!”.

- Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como PENICO.

- Caro Sarney: ser imortal na Academia Brasileira de Letras é mole. Quero ver é tentar ser aqui fora!

- Nunca penso na morte, NUNCA. Vou deixar para pensar nisso quando tiver mais idade.

- Perto de mim, Justin Bieber ainda é um espermatozoide. (Justin Drew Bieber (Stratford, Ontário, 1º de março de 1994) é um cantor de pop e ator canadense)

- Odeio praias lotadas aos domingos. Não dá pra surfar direito.

- Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião. O de camburão seria mais adequado. Na verdade quem projetou Brasília foi Lúcio Costa. Eu fiz uns prédios e avisei que aquela merda não ia dar certo. Sim, ela é aquele avião que não decola NUNCA. Segundo a NASA, Brasília é inconfundível vista do espaço.

- Duro admitir, mas atualmente Marcela Temer é o monumento mais comentado de Brasília.

- Todos ficam falando Zé Alencar é isso, Zé Alencar é aquilo. Mas quem fez pilates e caminhou na praia hoje? EU!

- O frevo foi criado há 104 anos. Ou seja: só tive um ano de sossego desse pessoal pulando de guarda-chuvinha.

- Segredo da Longevidade: Não viva cada dia como se fosse o último. Viva como se fosse o primeiro.

- Na minha idade, a melhor coisa de acordar de madrugada para ir ao banheiro é ter acordado.

- Alguns homens melhoram depois dos 40. E eu mesmo só comecei a me sentir mais gato depois dos 90.

- Queria muito encontrar um emprego vitalício. Só pra garantir o futuro, sabe? Andei comprando apostilas para Concurso do Banco do Brasil. Não quero viver de arquitetura o resto da vida.

- Foi-se o John Herbert, 81 anos. Essa molecada da área artística se acaba rápido demais.

- Só me arrependo de UMA coisa na vida: de não ter cuidado melhor da minha saúde para poder viver mais.

- São Paulo mostrou ao Brasil como se urbanizar com inteligência: basta fazer o exato contrário do que aconteceu lá.

- Fato: o meu edifício Copan aparece em 50% dos cartões postais de São Paulo. DE NADA.

- A quem interessar possa: eu NÃO estive presente na fundação de São Paulo há 457 anos. Na verdade eu não fui nem convidado.