Lições

 

Recebi o texto abaixo numa mensagem de um amigo. A assinatura (que não posso garantir) é do Padre Fábio de Melo, aquele bonitinho… Bem… Mais “apresentável” que o tal de Padre Marcelo é… desculpem os fãs do segundo… Gostei e repasso.

Ostra feliz não faz pérolas!

As pérolas são feridas curadas, são produtos da dor. Resultado de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar.
Quando um grão de areia penetra as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérola, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Você já sentiu que seu mundo está para desmoronar, que nada dá certo, que os problemas rondam você? Você já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas? Então produza uma pérola!
Cubra sua dor, suas mágoas, suas rejeições sofridas com camadas de amor. Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida jamais poderá produzir pérolas. E que as pérolas são feridas cicatrizadas.
O processo de produzir a pérola é a resposta que um pequeno ser pode dar ao insulto que recebe, ao estranho que entra no seu mundo e que o machuca. Podemos dizer então que a pérola é a resposta da ostra quando machucada.
Eu não sei o que você faz das suas dores. Eu não sei o que você faz dos insultos que recebe. Eu não sei o que você faz das dificuldades na sua vida. Eu não sei como é que você lida com aquilo que nós consideramos sofrimento. Eu só sei que a sabedoria nos ensina que quando uma dor nos toca, de alguma forma, uma redenção já se aproxima, porque a redenção só é possível no momento em que a gente descobre o significado do sofrimento.
Há pessoas que sofrem por sofrer. Há pessoas que descobrem o significado do sofrimento. E você já parou para pensar que, quanto mais uma pessoa sofre, mais histórias ela tem para contar depois? E que quanto maior é o sofrimento maior é o ensinamento que fica dele?
Eu sei que é difícil, eu sei que não é fácil utilizar-se dessa linguagem. Eu sei que na prática, quando o sofrimento nos envolve, é difícil a gente descobrir um significado para ele. Mas nós não podemos negar que a gente vai ficando sábio à medida que a gente vai descobrindo o jeito de lidar com a vida. Que todas as suas feridas possam, em breve, se transformar em pérolas!

Padre Fábio de Melo

Exigências

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Li no jornal Estado de Minas, na semana que acabou ontem, numa notinha sobre a volta da obrigatoriedade do diploma em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista. Parece-me que não é a primeira vez que isso acontece. Eu mesmo, em priscas eras, colaborei com o Estado de Minas, escrevendo uma coluna no famigerado suplemento “Gabarito”. Aqui em Contagem, também assinei uma coluna, num jornal chamado Perfil. Bem… Ao que parece, a “coisa” tem que ser aprovada em dois turnos, não sei se ainda na Câmara ou no Senado. De qualquer maneira, essa pequena nota me fez pensar em duas coisas…

Se um professor deve estudar e fazer as disciplinas pedagógicas para obter a “licenciatura” e, assim, poder “ensinar”; se um médico deve investir seis anos de sua vida estudando em tempo integral durante, praticamene, todo o seu curso, para depois fazer a “residência” e, então, poder “clinicar” e/ou “operar”; se um engenheiro civil deve se preparar durante cinco anos, para então poder “construir” os edifícios – industriais e/ou residenciais; se um advogado precisa mergulhar nos tratados de Direito e manter-se atualizado sobre a jurisprudência, para então poder “atacar” ou “defender”, nas “causas” em que trabalha; por que é que “qualquer” um pode se “candidatar” a um cargo público e “desempenhar” a função de “LEGISLADOR”? Há algo de muito, mas muito perverso nisso tudo. Uma situação como essa – independente da área de atuação profissional – é um paradoxo, mais que simples contradição. Certa feita, em conversa com um irmão, falávamos como seria a nossa atitude se fôssemos eleitos para um cargo público, no âmbito do poder legislativo. Eu disse que faria uma proposta: qualquer cidadão que alçasse a posição de  vereador, deputado ou senador, deveria receber o salário que recebia por sua atividade profissional, sem mais nenhum centavo de “auxílio”, “subvenção”, “verba” ou quejandos. Da mesma maneira que o dinheiro é minguado para a execução de muitos “projetos”, da mesma forma o seria para os salários dos legisladores. Tenho a impressão de que, à parte a possibilidade de eu ser vítima de assassinato, pelas “forças ocultas” ou a mando das “eminências pardas”, jamais seria eleito. Não conheço um só “político” que sequer invista alguns segundos de seu “precioso tempo” para pensar nisso… Explica-se!!!

O outro pensamento que me ocorreu, quando da leitura da nota, foi: quando se trata de assegurar a veracidade de qualquer coisa que seja, a gente se acostumou a oscilar entre duas possibilidades de acesso a esta mesma verdade – o “senso comum” e o “conhecimento científico”. Para explicitar o que penso sobre o assunto, faço uso de uma parábola que inventei durante um concurso para professor adjunto de “Literaturas de Língua Portuguesa”, numa das universidades “públicas, gratuitas e de qualidade” que se espalham pelo território nacional. Durante o concurso, fui questionado por um dos membros da banca, sobre a incoerência entre duas afirmativas que fiz num projeto de pesquisa, sobre o qual estava sendo sabatinado. Primeiro, comentei que não era possível acusar tal discrepância, dado que as frases utilizadas pelo “inquisidor” referiam-se ao mesmo tema, em circunstâncias discursivas diferentes, impossibilitando uma comparação em termos absolutos. Disse a ele o que segue: uma gata tem uma ninhada de dois filhotes; um médico veterinário, especializado em felinos, ganha um dos filhotes; um gari, sem nenhuma instrução, vivendo na faixa da miséria, ganha o outro filhote. A pergunta: quem trata melhor o gato? Do ponto de vista do senso comum, o gari não teria o preparo “profissional” para tratar do gato, mas poderia dar a ele o que fosse necessário para a sua sobrevivência. Por outro lado, o veterinário daria, sem dúvida, os melhores alimentos e medicamentos, o que garantiria a balanceada sobrevivência do felino. A resposta definitivamente à pergunta feita só pode ser dada pelo gato. Pelo menos, na minha parábola, se alguém trocar “gato” por “literatura”, vai poder entender o que eu queria dizer para quem me questionou sobre o pretenso equívoco crítico.

Num e noutro caso, a nota de jornal, para mim, coloca em questão a impossibilidade que quem quer que seja se auto-nomear “legislador da verdade”. Esta é uma imperatirz, absoluta e poderosa que, em sua relatividade, deixa confusos os seus súditos, para todo o sempre!

Mais uma parábola

Um dia, peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando, de repente, um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente. O taxista pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz! O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. O taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. Ele o fez de maneira bastante amigável. Indignado, lhe perguntei: Por que você fez isto? Esse cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital! Foi quando o motorista do táxi me ensinou o que eu agora chamo de “A lei do caminhão de lixo.” Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e, às vezes, descarregam sobre a gente. Não  tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu! Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa ou nas ruas. Fique tranquilo… respire e DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódios e frustrações. Ame as pessoas que o tratam bem e trate bem as que não o fazem. A vida é, dez por cento, o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!

Tenham uma ótima semana, livre de lixo!

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