Conversando, por e-mail, com um amigo de Juiz de Fora, comentei sobre alguns filmes que me marcaram. Dentre eles, Jesus Christ, superstar. Um filme dos anos 70, se não me engano, de 1973. Neste filme, há uma cena que me faz chorar copiosamente. Trata-se da sequência em que Jesus Cristo questiona a vontade de Deus, pedindo para “afastar o cálice”. A mesma sequência evangélica já rendeu uma belíssima composição da dupla Chico Buarque e Gilberto Gil. No filme, Ted Neeley, então bem jovem, interpreta a música de uma maneira impactante, deixando bem clara a dúvida sobre a capacidade de Jesus cumprir o destino divino e colocando em questão a sabedoria devina sobre a sua capacidade de suportar tudo, até a morte. É de ficar boquiaberto. No entanto, como os bons vinhos, o mesmo ator, trinta anos depois, interpreta a mesma canção, no que parece ser a conclusão de uma road tour do musical que ele mesmo produziu. Supera, em tudo e por tudo, a interpretação “original”. A maturidade (pra não dizer “idade” ou mesmo “velhice”) de Ted confere à performance uma espessura dramática de que ele mesmo era incapaz nos anos 70. Por isso mesmo, o resultado é fenomenal. Todas as vezes que eu vejo esta interpetação choro co-pi-o-sa-men-te! Não há como controlar. O que está sendo dito, a expressão do ator, o arranjo musical, o cenário e a reação dos colegas de cast (o videoclipe comete esta delicadeza para os olhos de quem vê, o que só faz bem). Tudo concorre para a tremenda porrada que a cena dá em nossas mentalidade e sensibilidade. Tomara que vocês gostem!
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Oportunidade e discurso
Bem na “cova da Iria”, nos festejos do treze de maio, no aniversário de inauguração do santuário de Fátima, o papa Bento XVI (por que não Benedito, tradução literal do Latim/Italiano?), mais uma vez, deu provas de sua brilhante inteligência. Calma! Leia até o fim antes de tirar conclusões precipitadas. Necessário é relembrar que o “papa” é mais que um homem. Ele é um “emblema”, a encarnação de um mistério (mito, convenção, etc…. Você escolhe!). Logo, sua “opinião” pessoal não deve ser deduzida de seus pronunciamentos oficiais e vive-versa. Por isso, muita calma nessa hora. Num momento em que Portugal (como utros países da União Europeia, ou, mesmo, por conta deles) atravessa uma “crise” (mais uma!) que vai tomando proporções avassaladoras (como tudo aquilo que o “toque de Midas” dos mass media transforma…), não há como esperar algo diferente. Nesse mesmo momento, mundo afora, a “santa madre” é criticada e, quase, vilipendiada (pelos mesmos mass media), por conta do excessivo número de “casos” de pedofilia (ai, ai… palavrinha danada esta, “caso”!). Claro está que, em aparições públicas de uma visita pastoral, essa palavra jamais seria pronunciada, nem mesmo referência ao “assunto” poderia ser aitorizada pelo staff papal! Alguém duvida disso? E, daqui em diante, as opções seriam muitas e dariam vazão ao desejo de enumerar facetas múltiplas de um fenômeno cultural amplo: a crise… Bem! Nesse momento, Bento XVI, ele mesmo, ex-cadeal Ratzinger (“homem” brilhante) faz entrega pessoal da rosa de ouro e a deposita aos pés da imagem milagrosa de Fátima. Aplausos efusivos. Quebrando o protocolo e causando nervosia nos “seguranças” (por que é que eles sempre andam olhando para todos os lados, como um radar de 360 graus, e só usam preto, e sempre estão de óculos escuros, mesmo nos dias mais “fechados”, ou nos espaços interiores?), ele sai da linha e vai ao encontro do povo. Faz parte do “teatro”. Beijo em cabeça de bebê, afago em rosto de criança, sorriso fixo, aceno de mão da esquerda à direita e vice-versa. Mais um ponto para o “protocolo”. João Paulo II era mais carismático, mas convenhamos, é necessário reconhecer o emblema e sua função, seu efeito, dado que sobrepujam a humanidade de quem o encarna a cada “mandato”. Voltando à vaca fria: num momento em que tudo isso se passa, nada mais apropriado que anunciar a perseverança nos “valores” basais da doutrina social da igreja. Entre muitos itens, o “recitado” casamento en-tre um ho-mem e u-ma mu-lher. Assim mesmo, silabado, compassado e enfático. Foi assim que ele falou. Depois de ter tocado no aborto, a recitação do casamento comme il faut não podia ficar de fora, mas ganhou notoriedade no ritmo mais lento, para dar mais força. Aplauso mais que efusivo, demorado, calororso, acompanhado de tímidos gritos de apoio, com direito ao olhar incisivo do Santo Padre. Fiquei pensando muito nessas imagens, no que estava ouvindo e me lembrei de dois filmes O padre e Do começo ao fim. Imagino, se a Santa Sé exibisse os dois numa sessão privada de Sua Santidade, o que ele, homem, na intimidade, sem pompa nem circunstância, diria? Essa pergunta jamais se calará… Mais constrangedor que isso foi, depois de finalizado o ato público, ouvir os jornalistas portugueses (TODOS os que participaram da transmissão de ontem à tarde) rodeando o vocabulário para falar da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Gay e homossexual eram duas palavras que davam choque: os torneios verbais me fizeram rir a bandeiras despregadas!
Páscoa
A carta que segue abaixo, eu recebi como mensagem de Páscoa. A Páscoa, data de calendário, já passou. Mas a “Páscoa” pode ser todo dia, mesmo sem “comemoração”.
Páscoa = Pâques (Francês) = عيد الفصح (Árabe) = Ostern (Alemão) = Páscuas (Espanhol) = Pasqua (Italiano) = Uskrs (Croata) = Easter = Inglês = Pessach (Hebraico) = PASSAGEM. Em toda a espessura semântica do termo, a Páscoa não é apenas uma data, é um rito, um processo. Portanto pode ser diário, contínuo, sempre! Boa Páscoa!******************************************************************* Em defesa do fracasso
“O sucesso constrói o caráter, o fracasso o revela.”
Querida(o) amiga(o)
O maior medo do ser humano não é falar em público. O maior medo do ser humano é se ver associado com o fracasso. Ninguém, absolutamente ninguém, quer se ver associado ao fracasso. Ninguém adiciona os fracassos que cometeu ao seu currículo profissional. Nenhuma empresa dedica uma área d seu web site aos “casos de fracasso”. Todos procuramos esconder todo tipo de ponto fraco que temos ou fracasso que tivemos na vida, porque acreditamos que o sucesso é resultado de um conjunto de bem sucedidas etapas nas nossas vidas onde não pode haver espaço para o fracasso. Pura ilusão.
Você vê isso claramente nos esportes e nas artes. Na grande maioria das vezes, a equipe campeã leva o caneco porque ganhou mais vezes do que os seus concorrentes, mesmo tendo em seu currículo diversas derrotas e empates ao longo do campeonato que venceu. Nem todas as músicas dos Beatles, Rolling Stones e U2 atingiram o topo das paradas, mas isso não os impediu de arrebentar em outras dezenas de petardos. A grande maioria dos vendedores ganha apenas 10% dos negócios de que participam. No baseball, um esporte pelo qual sou apaixonado, o melhor rebatedor é aquele que consegue rebater uma boa três vezes em dez tentativas. O restante dos jogadores não consegue rebater nem duas vezes. Nas outras oito tentativas o cara passa vergonha na frente de milhões de pessoas.
E daí?
O importante é compreender que você, e somente você, é responsável pelo seu sucesso e pelo seu fracasso, portanto, é tudo uma questão de assumir que você precisa modificar o que não está funcionando. O verdadeiro fracasso na vida não é pisar na bola, mas fugir de tentar viver desafios que valem a pena serem vividos sem nem tentar vivê-los ou quando nos recusamos a aprender com nossos erros. Não é fácil aprender com os nossos próprios erros. É muito mais fácil e comum jogar a culpa nos outros por aquilo que acontece conosco. É realmente muito difícil mudar a nossa perspectiva de ver as coisas para que possamos encontrar sucesso nos nossos fracassos. Mas precisamos tentar.
Sucesso, por outro lado, não é sobre ser visto como bem sucedido por outras pessoas. Sucesso tem a ver com você fazer o que acredita ser o certo fazer. Somente você sabe do que você é capaz de fazer, ou o quanto você foge das coisas que tem que fazer. O que interessa é o que você considera sucesso e não o que os outros pensam sobre o que é sucesso. Você acredita que fez o que tinha que fazer? Você está consciente sobre tudo que poderia ser feito? Então, você pode se considerar bem sucedido, independente da opinião das outras pessoas. Quando tentamos fazer o melhor e estamos ansiosos por aprender, nós sempre seremos bem sucedidos, mesmo que não consigamos atingir os resultados esperados. Por medo do fracasso, a grande maioria das pessoas deixa a vida passar sem tentar empreender seus sonhos. O caminho para o sucesso não é uma linha reta. É claro que todos iremos passar por diferentes fracassos até conseguir algum tipo de sucesso. O cara espera décadas até escrever o seu primeiro livro porque acha que não está preparado para escrever o seu primeiro livro. O outro espera se aposentar para acumular algum dinheiro para abrir uma empresa perfeita. Legal, mas o fato é que todos irão fracassar. Dificilmente o primeiro livro do cara será bem sucedido como ele imagina; dificilmente a empresa do cidadão será líder de mercado como ele imagina. Todos fracassamos em nossas primeiras tentativas. Todos. Por isso, é muito importante colocar em prática nossos sonhos o mais rápido possível para que possamos aprender o mais cedo possível como adaptar nossos modelos de negócios à realidade do mundo, e voltar a carga até que consigamos o sucesso que esperamos. Quanto mais cedo você escrever o seu livro, mais tempo terá para escrever novos livros para ser bem sucedido; quanto mais cedo quebrar a sua primeira empresa, mais tempo terá para ser bem sucedido na próxima.
Escola nenhuma ou dinheiro nenhum do mundo ensinará como ser bem sucedido na vida. Esse tipo de coisa você aprende passando pelas mais sérias dificuldades que tiver coragem de se submeter na sua vida. Uma vez que todos procuram se afastar o máximo possível de qualquer chance de fracassar na vida, o número de chances das pessoas serem bem sucedidas é cada vez menor. Sem fracassos, não há sucesso, sem queda, não há glória, sem morte não há ressurreição.
A minha mensagem de Páscoa é em defesa do fracasso. Defendo o fracasso por experiência própria. Eu já fiz tanta besteira e fracassei tanto na vida que sei que a melhor maneira de aprender é fracassando; a melhor maneira de ser bem sucedido é saber o mais cedo possível o que não funciona; a melhor maneira de acertar é depois de ter tentado acertar de tantas maneiras diferentes que te obriga a conhecer novos modelos e opções que não conhecia em primeiro lugar.
Sonhar, sonhar, sonhar, e sonhar mais, até que não tenhamos mais sonhos para sonhar.
NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!
Ricardo Jordão Magalhães Fracassado, mas de pé.
Semana Santa
A “semana grande”
As aspas servem para exigir o sotaque espanhol… La semana grande, diriam os peninsulares que se separaram de Portugal! A festa religiosa de Espanha, depois do Natal. Mas acontece que o carnaval também ocupa um lugar especial, em Espanha.
Se pensarmos no carnaval carioca, que se transformou num espetáculo hollywoodiano, para usar o termo corrente, há, pelos quadrantes do mundo, outras manifestações que chamam tanto (ou mais!) atenção! A Semana Santa, por exemplo, principalmente na região de Andalucía.
Os pasos, decoradíssimos, barrocamente decorados, chegam a pesar 3 toneladas. Os homens e mulheres carregam, literalmente nos ombros, as grandes alegorias que, ao contrário de suas similares carnavalescas cariocas, levam o público ao silêncio, quase contrito, numa praça pública, na tarde do primeiro domingo da primavera europeia. As hermandades se esmeram na decoração de los pasos para que o cortejo leve o público a experimentar, simultaneamente, a admiração estética e a contrição espiritual, necessária e típica desta época do ano: a conclusão da Quaresma.
La cena, El Dulce nombre de Jesús, La virgen de las penas, María Santísima de los angeles, La virgen de la gracia y de la esperanza, María Santísima del amor, La cena, Paso de la humildad e de la paciencia, Jesús del prendimiento, Cristo de los desamparados, La oración en el huerto, María de la Candelaria, María Santísima del gran perdón. Estas são as denominações de alguns “carros alegóricos” em diversas locações de Andalucía, neste domingo de Ramos.
A noite vai caindo e a luz das velas, na frente das imagens de Nossa Senhora, fazem um efeito dramático ao percurso. Uma maravilha. Talvez, como o carnaval, esta manifestação cultural espanhola seja a mais impactante.