Quem diria… A coordenadora agradou. Texto doce, calmo, claro, abrangente e quase sem os ademanes acadêmicos de praxe. Uma delícia quase ofuscada pelo misto de ogro e sapo. Um sujeito asqueroso, com pronúncia insuportável, lendo texto sem a menor graça, sem sentido. Saí no meio da última comunicação: a da senhora de cabelos brancos e uma experiência que tem feito escola. Sala cheia e atenção silenciosa. Mas saí: total ignorância sobre o assunto. Foi a chave de ouro. Pensei em ficar para a conferência de encerramento, mas encerrei expediente mais cedo. Voltei para o hotel para me preparar para um jantar maranhense.
O jantar: peixe e camarão, arroz de cuxá, purê de batatas e farofa com farinha seca (a amarela). Creme de bacuri como sobremesa. Delícia. Na volta, um grupo de bumba meu boi dançando em praça pública: turbilhão de cores e energia, um espetáculo para olhos e ouvidos. Arrepio. Projeto reviver. Gratuito, numa das pracinhas do centro histórico, o mesmo que está abandonado, literalmente largado numa cidade que se alcunha de “ilha do amor”. Soube hoje que São Luís corre o risco de perder o título de patrimônio da humanidade: dinheiro da Unesco que flui pelo bueiro da ganância e da imoralidade de alguém que deve, agora, estar dormindo ou festejando alguma coisa por aí… Volto amanhã para a mesmice de sempre. Valeu a pena.