“Chamadas”

Meu computador de mesa é da HP. (Eu poderia dizer logo desktop, mas não o faço por birra. Não gosto da língua do tal de tio sam… assim mesmo, em minúsculas. E não renuncio a minha chatice, não neste espaço meu, absolutamente todo meu!). Logo, como soe acontecer, seu sistema é da Microsoft. Assim que abro o Edge, abre-se a página do Bing. Colorida e cheia de notícias, em sua maioria, inócuas, para não dizer inúteis. Hoje pela manhã, entediado e saudoso (matéria, talvez, para outra postagem), me deu vontade de comentar algumas “chamadas”…

“O leitor perfeito é aquele que me lê, opina Paulo Coelho”

Quanta arrogância! Associar uma instância impossível, por subjetiva e volátil, à própria “obra” é de uma petulância que beira o patético. Não condeno quem goste dele, mas não gosto. Li os três primeiros livros e desisti de ler os demais. Uma chatice. A “chamada” pode até funcionar como uma estratégia de propaganda, o que não seria novidade no caso deste “autor”. No entanto, a empáfia escorre de cada letra. Que náusea…

“Como interpretar sonhos. Dez dicas para interpretar o seu subconsciente”

Freud, ou o que restou dele sem seu túmulo, deve se revirar três ou quatro vezes, em direções diversas, ao escutar alguém ler tal “chamada”. que idiotice. Os dois volumes que ele escreveu sobre o assunto, que foram lidos por pouquíssimas pessoas – considerando o número de habitantes deste planeta – parecem coleção de novelas, daquelas publicadas nos anos 50 e 60. Que coisa! (Obrigado, Glícia!). As “dicas” devem ser de uma imbecilidade indescritível e devem satisfazer as mentes mais rasas do planeta. Parece que a inteligência humana regride. Diante de uma coisa como esta, creio não haver outra explicação plausível. Além do mais, o subconsciente ainda é um tanto mais permeável a ações interpretativas humanas que o inconsciente, espaço predileto dos sonhos. A falta de leitura é mesmo uma doença terrível, praticamente mortal.

“Arma de policial dispara sozinha e atinge motorista durante abordagem”

Alguém pode me explicar como é possível ocorrer tal fenômeno: uma arma “atirar” sozinha. Um pedaço de metal torneado e enfeitado, inerte, ter vida própria? Se tivesse caído no chão, talvez ficasse mais plausível o ocorrido. Se tivesse sido jogada por alguém, da mesma forma. Mas “agir” sozinha, autonomamente. Não creio. Ou então, eu, no fundo de minha chatice, estou perdendo o senso… Pode ser…

“Limite de velocidade nas autoestradas alemãs volta ao debate”

Bom. Parece inusitado. E é! Num país que poderia ser malha ferroviária extensa e útil, melhorando todas as condições de trânsito, sobretudo para transporte de cargas, a notícia me parece absolutamente deslocada. A considerar as condições asfálticas das “autoestradas” tupiniquins, a “chamada” beira a chacota gratuita. Quem já andou pelas similares alemãs – e não só elas, mas as francesas, italianas, portuguesas e demais outras – pode rá concordar comigo. ó não o fará para não correr o risco de se alinhar à minha chatice, o que pode ser condenável. Por outro lado, há de haver um gaiato que vai criticar o povo alemão por debater sore assunto tão comezinho e aparentemente sem maiores consequências. Somente um desavisado vai cerrar fileiras com este gaiato. 

“Cidades europeias lideram ranking global de aventuras a viagens”

Uma coisa que sempre me incomodou e continua a me incomodar é essa mania que as pessoas têm de submeter tudo, absolutamente tudo, a abordagens estatísticas. Dá a impressão de que o mundo gira ao redor de disputas e campeonatos de supremacia. Ao fim e ao cabo, que diferença faz se são cidades europeias ou africanas? Umas são melhores que outras? Tudo isso é absolutamente relativo. E eu adoro essa contradição em termos. Pena que nem todo mundo seja capaz de percebê-la e gostar dela também. Será que tudo na existência humana fica melhor, mais claro, mais palatável, menos pejorativo se submetido a prélios estatísticos. Uma espécie de podium eterno e absoluto, sem o qual nada vale apena? Neste caso, o poeta estaria errado (?). Entenda quem for capaz…

“Cidade de São Paulo aplica doses de reforço nesse domingo”

Como no caso da arma autônima, a cidade de São Paulo também anda fazendo das suas! Incrível! Será que custava muito explicitar que a secretaria municipal de saúde resolveu intensificar a vacinação na cidade de São Paulo? Cansa muito escrever isso? Cansa mais ler isso? Eu sou preguiçoso, admito. No entanto, não vejo por que economizar em palavras e perder em clareza, em concisão, em objetividade e até em beleza. Preguiça, nestes casos, não cola! Não pode colar. Ah… esqueci que a “turma” que “redige” essas coisas é “jovem”, logo, crias e discípulos daquele famigerado (como é mesmo o nome dele? Citam tanto e eu não consigo me lembrar)… o que afirma que educação formal é opressão. Vai vendo… Daqui a pouco ninguém escreve mais nada. Só desenha… e olhe lá!

“O Novo não vai estar com Bolsonaro, diz o presidente do partido”

Esta chamada deveria vir acompanhada da fotografia do tal “presidente do partido”. Faria jus ao adagiário que prega que uma imagem vale mais que mil palavras. Para quem não me conhece, devo acrescentar que a última oração que escrevi contém ironia. Nunca é demais lembrar. Faço isso porque sei que a escrita trai o sentido, sempre. Voltando à vaca fria… Ainda que eu não seja o que chamam de bolsonarista – faz já alguns anos que declarei publicamente minha alienação ideológica, sobretudo ligada à política partidária, tendo como consequência a minha recusa em voltar a sair de casa para votar – devo dizer que a chamada peca pelo excesso de… de… de… nem sei! Tão poucas palavras para conteúdo tão pouco relevante e tanta “ostentação” discursiva! Sim! Acabei de criar esta categoria, só para celebrar a inutilidade – para mim, claro! – da tal “chamada”…

“Famosos que já foram traídos e não escondem isso”

Ser traído é predicado? Ser traído é passaporte para a fama? Ser traído é requisito para alguma coisa de útil? Eu lá quero saber de quem foi traído? Que relevância tem isso na minha vida? De mais a mais, “famosos” para quem? Por quê? Publicar o fato de já ter sido traído e jactar-se de situação incômoda como esta é algum tipo de estratégia de propaganda? Vende-se mais alguma coisa – para além de tabloides e revistas de fofocas – com esse reclame? Que coisa mais rasteira, pobre, inútil, irrelevante e… chata! Ai que canseira!

“Flávio Bolsonaro compara Bolsonaro com Dória comendo pastel”

Vou me abster de comentar o que quer que seja sobre este Flávio. Este que aparece na “chamada”. Não quero ver narizes torcidos. Não que ter que ler advertências e xingamentos por mencionar este nome, com o sobrenome que o particulariza. No entanto, ri litros (Obrigado Eni!). A comparação, para além de hilária é nauseabunda. Na mesma medida. A comparação procede, pois só de imaginar o agripino (Para quem não sabe, este é o segundo nome daquele que se diz governador de São Paulo, o da calça apertada) comendo pastel numa feira, eu começo a rir, por conta da hipocrisia… que é muita! 

“Celebridades que moram com os pais”

Saí de casa algumas vezes. Voltei outras tantas. As circunstâncias me levaram a isso. Agora, eu me pergunto. O que é que alguém tem que saber ou querer saber alguma coisa sobre isso? De mais a mais, o que é mesmo uma celebridade? Se não me engano, alguém que faz “sucesso” torna-se uma celebridade. Mas o que é mesmo o sucesso? Qual a receita, o roteiro para alcançá-lo? Existe mesmo um roteiro? Uma receita? E depois disso, como fazer para manter o tal de sucesso e não perder o posto de “celebridade”? De mais a mais, essa tal de celebridade deve ser uma chatice. Imagina só não poder sair de casa à tarde pra tomar um sorvete. não pode aparecer numa igreja, de repente, pra rezar um pouquinho. Numa rodoviária, num aeroporto, num posto de gasolina… sempre com gente em volta, alcovitando, pegando, perguntando, gritando… Uma chatice completa. Pra completar: se a tal “celebridade” mora ou não com os pais, é problema dela, de mais ninguém. Punto i basta!

“Saiba onde anda Daniella Cicarelli e outros apresentadores sumidos”

Não me interessa saber o endereço da tal de Daniela. Da mesma forma, estou me lixando para os outros apresentadores sumidos. Que mania desagradável desses “jornalistas”, usarem o imperativo como forma de retroalimentar convenções em tudo e por tudo vazias de qualquer lógica ou sentido. Uma chatice. Mais uma! Se sumiram, deve haver um motivo. Fazem falta? Talvez. Por que sumiram? De fato, não me interessa. Interessa “mesmo” a alguém? Saber isso vai mudar alguma coisa de concreto e útil para a humanidade? Pois é…

“Saiba curiosidades sobre Miguel Falabella”

Olha o imperativo aí de novo! Ai, ai… E eu lá quero saber alguma curiosidade sobre este indivíduo? Ele que viva bem, cm saúde, as suas curiosidades que eu sigo o meu caminho. Não gosto dele, logo, nada que a ele diga respeito me interessa. Presenciei uma cena escabrosa com esse tal de Miguel. Foi na loja da extinta Varig, ao lado do Copacabana Palace. Nos anos 80. O talzinho, se não me engano, estava em “ascensão”. Então… já viu né… Quanta grosseria. Nem vale a pena contar. Fico só imaginado que classe de curiosidade poderia atrair alguma atenção… Eu, fora!

Abraço

O texto do cardeal fala por si. Contundente. Belo.

Breve introdução à arte do abraço

O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo o que tem de ser dito soletra-se no silêncio

Diz-se que o nosso corpo tem a forma de um abraço. Talvez por isso a tarefa de abraçar seja tão simples, mesmo quando temos de percorrer um longo caminho. O abraço tem uma incrível força expressiva. Comunica a disponibilidade de entrar em relação com os outros, superando o dualismo, fazendo cair armaduras e motivos, cedendo, nem que seja por instantes, na defesa do espaço individual. Há uma tipologia vastíssima de abraços, e cada uma delas ensina alguma coisa sobre aquilo que um abraço pode ser: acolhimento e despedida, congratulação e luto, reconciliação e embalo, afeto ou paixão. Os abraços são a arquitetura íntima da vida, o seu desenho invisível, mas absolutamente presente; são plenitude consentida ao desejo e memória que revitaliza. Todos nos reconhecemos aí: em abraços quotidianos e extraordinários, abraços dramáticos ou transparentes, abraços alagados de lágrimas ou em puro júbilo, abraços de próximos ou de distantes, abraços fraternos ou enamorados, abraços repetidos ou, porventura, naquele único e idealizado abraço que nunca chegou a acontecer mas a que voltamos interiormente vezes sem conta.

No princípio era o abraço, se pensarmos no colo que nos nutriu na primeira infância. Essa foi, para a maioria de nós, a primeira e reconfortante forma de comunicação. Mas a necessidade de um abraço acompanha a nossa existência até ao fim. O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo o que tem de ser dito soletra-se no silêncio, e ocorre isto que é tão precioso e afinal tão raro: sem defesas, um coração coloca-se à escuta de outro coração. “Em teu abraço eu abraço o que existe,/ a areia, o tempo, a árvore da chuva./ E tudo vive para que eu viva” — garantem os versos de Neruda.

Calcula-se que um ser humano precise de 1500 abraços por ano para sobreviver. Dá uns quatro abraços por dia. Mas os números podem subir, pois encontram-se instruídos nessa humaníssima ciência chamada abraçoterapia a defender 12. Está também calculado – para quem ache graça à semântica dos números – que a duração média de um abraço entre duas pessoas é de três segundos. Mas há abraços mais demorados. O dos chamados “amantes de Valdaro”, por exemplo, tem pelo menos 6000 anos. Trata-se de dois esqueletos que remontam ao Neolítico, descobertos, há não muito tempo, numa necrópole perto de Mântua. Crê-se que pertenceram a uma mulher e um homem, entre os 18 e os 20 anos. Representam algo de único no mundo, quer pela antiguidade, quer pela posição em que foram encontrados: os corpos vizinhos e cruzados, o braço dele em torno do pescoço dela, numa espécie de abandono que talvez tenha sido o de um amor. Não há sinais de violência e, por isso, exclui-se a hipótese de terem sido mortos. O mais provável é que tenham perecido a uma doença, de fome ou de frio. Há 6000 anos, porém, o seu abraço permanece inalterado.

Um dos momentos mais extraordinários da arte contemporânea portuguesa é a sequência fotográfica, de Helena Almeida, intitulada “O Abraço”. São sete imagens de grandes dimensões (180 x 100 cm) em que a fotógrafa e o marido se abraçam. Apenas isso. Estão ambos sentados num banco que só dá para uma pessoa e apertam-se, agarram-se, suplicam-se, buscando no outro amarra, como se navegassem numa jangada destinada a um naufrágio irremediável. Por vezes o abraço deles parece uma luta, por vezes um reencontro para sempre. Os corpos dão-se a ver numa fragilidade que dói, num equilíbrio mais do que precário, instáveis e tensos como não se julgaria. Mas são, em todo o tempo, o radical abrigo um do outro, a passagem mais do que a fronteira, o interminável espanto de reconhecer no corpo do outro o nosso, no nosso o do outro.

[José Tolentino Mendonça | A Revista Expresso | Edição 2256 | 22/01/16]

Uma história

Ando tenho sonhos muito confusos. Acordo abatido quando não consigo me lembrar deles com nitidez, com segurança. Fico mesmo chateado. Muitas sequências se repetem em meus sonhos já há algum tempo. De ontem para hoje, eu fugia num automóvel por uma estrada de terra, passando entre casas e morros que se misturavam sem nenhuma lógica. Alguém – no sonho era meu sobrinho – me perseguia e gritava meu nome, avisando a todo mundo que eu fugia. Não vou me por a analisar essa narrativa onírica. passado o dia, resolvi escrever uma história. Quero uma história com muita crueldade. Escrevi dois parágrafos que seguem abaixo. Não sei que solução dar para a história de Apolônia. Aceito sugestões.

Não. Não haveria outra vez. Aquela era a última, a definitiva. Apolônia resolveu que não ia dar chance ao destino de repetir a mesma situação. gritou que não. Não faria mais nada. Não mais interferiria nos negócios daquele que se apresentava como seu pai. Chega de tortura. Chega de sofrimento. Quero apenas o meu filho de volta e mais nada, dizia Apolônia. Ainda muito jovem, mal tinha completado 18 anos, deu à luz a um menino, forte e saudável. Mesmo com medo de não saber como seria seu futuro e de seu filho, resolveu que iria cria-lo da melhor forma possível. Era seu filho que o velho carregava nos braços, com ar de posse. O pai carregava a criança enquanto um brutamontes batia em Apolônia. Ela apanhou até que confessou tudo. Entregue, suja, com o rosto inchado e várias fraturas pelo corpo. Mal conseguia respirar. O pai se deu por satisfeito. Mandou o brutamontes parar. O barulho do vento, do lado de fora do galpão em que estavam, amainou um pouco. Já não fazia tanto calor. O sol empurrava seus raios entre as frestas de parede, os cacos de janelas, qualquer espaço que tive livre passagem. Parecia um dia bonito, pensou Apolônia. Foi quando seu pai sorriu e começou a arrancar as roupas do bebê. Antes de sair do galpão, o brutamontes amarrou bem Apolônia à cadeira. Ela não conseguia se mexer. Ferida como estava, quase não seriam precisas as amarras. O precavido brutamontes obedeceu às ordens. O velho tirou toda a roupa do bebê que despertou e começou a choramingar. O velho aplicou uma injeção na criança que ficou mais calma e começou seu exercício de paciência. Foi enfiando alfinetes entre as unhas de cada um dos dedos dos pés e das mãos do bebê. Ele não reagia. Apolônia, agonizantes, yivava, muda, amordaçada pelo pano sujo e pela dor. Em seguida, o velho começou a esfregar uma espécie de creme na pele do bebê que saí em filetes finos e transparentes. O bebê despertou e gemeu baixinho. Depois o velho continuou em seu exercício até colocar o bebê numa banheira. Neste momento, Apolônia quase desmaiou, tala. força de sue grito estancado. O velho mergulhou o bebê e uma fumaça esbranquiçada subiu da banheira. Em poucos minutos não havia mais o bebê. Apolônia uivava, amordaçada sob o olhar sereno e tranquilo do velho que ela conheceu como pai, assim disseram a ela. De repente, tudo escureceu. Apolônia desmaiou.

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Ao meio-dia, a sineta tocava todos os dias. Sempre à mesma hora. Sem erro. O burburinho da rua aumentava com a saída dos operários que desciam a pequena viela ao lado do prédio de tijolos vermelhos em balbúrdia. Uma alegria incontida e ingênua envolvia aquela população que saía para o almoço. Todos moravam na mesma vila. Todos trabalhavam na mesma fábrica. Todos os dias, a mesma ordem de acontecimentos. O melhor momento do dia era o almoço, mais que o final do expediente. Era nesse momento que Apolônia conversava, ria, retribuía os olhares sequioso dos rapazes que a cortejavam. Ela gostava disso, mas ainda não tinha um namorado. Suas amigas já estavam namorando e, aos finais de semana, convidavam Apolônia A cada semana iam conhecer um lugar novo, nas proximidades da vila. Foi assim que, anos depois, conheceu Justo, que veio a se tornar seu marido. Um homem trabalhador, simples, honesto. Não tiveram filhos. Apolônia perdeu, no passado, a possibilidade de conceber. tacitamente, ambos resolveram cuidar de crianças que perdessem seus pais ainda jovens. Havia uma espécie de orfanato na vila, com oito crianças que lá viviam. quando atingiam a maioridade civil, aos 18 anos, começavam a trabalhar na mesma fábrica em que Apolônia e seu marido trabalhavam. A instituição já estava lá quando ela chegou à vila. Justo também a conhecia. Eram amigos de muitos casais que se formaram no “orfanato”. Uma vida absolutamente simples. Foi quando Apolônia, quando voltou pra casa, viu um envelope azul sob a sua porta.

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Uma carta

Há coisas que acontecem ou tomam lugar na vida gente para as quais não se encontra explicação plausível. Não sei se tudo o que acontece com a gente merece explicação plausível. Nem mesmo sei se a tal explicação plausível procede em qualquer caso. Fato é que, em alguns momentos, a gente é acometido por uma reação, um sentimento, um movimento interno (Dos humores, diriam os antigos, mais antigos que eu!) que paralisa as sinapses mais simples e faz a gente pensar: como assim?! Hoje, vendo um documentário do Brasil Paralelo sobre a educação no Brasil, deparei-me com um depoimento que menciona a carta que segue abaixo. Não sei o que dizer a respeito dela. Sua contundência me cala. Copiei a al carta daqui: https://correioims.com.br/carta/foi-se-a-melhor-parte-da-minha-vida/

Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904

Meu caro Nabuco,

Tão longe, em outro meio, chegou-lhe a notícia da minha grande desgraça, e você expressou logo a sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que lhe agradeci[1] é a mesma que ora lhe mando, não sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo. Note que a solidão não me é enfado­nha, antes me é grata, porque é um modo de viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa companheira de 35 anos de casados tinha comigo; mas não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes que a consolariam das saudades, e eu não tenho nenhum. Os meus são os amigos, e verdadeiramente são os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas preocupações do espírito e na própria carreira que a cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo me lembra a minha meiga Carolina. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei muito tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará.

Não posso, meu caro amigo, responder agora à sua carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do falecimento de minha mulher, e você compreende que apenas posso falar deste fundo golpe.

Até outra e breve; então lhe direi o que convém ao assunto daquela carta, que, pelo afeto e sinceridade, chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este abraço do triste amigo velho

Machado de Assis

Correspondência Machado de Assis & Joaquim Nabuco. Organização de Graça Aranha. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras/Topbooks, 2003, pp. 126-127.

[1] N.E.: “Obrigado”.

Idiossincrasias

Muito irritante a maneira como os famigerados condutores de veículos automotores de duas rodas, vulgarmente conhecidos como motoqueiros, se esgueiram por entra os automóveis, em ruas e avenidas, sobretudo quando superlotadas. São de uma desfaçatez que impressiona. Sentem-se no direito de se enfiar em labirintos que põem em perigo os automóveis e ainda se dizem proprietários de um “direito” supostamente amparado por lei regulamentar. Vai vendo… É de notar que, quanto mais estúpido e pobre, mas fina é a roda do tal veículo de duas rodas e mais sujo o par de sandálias havaianas branco que os condutores, com canelas finíssimas, insistem em usar… vai vendo.

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Uma escola pequena tem dez turmas de trinta alunos cada, que funcionam em dois turnos. Esta escola vai aplicar um teste para quantificar qualquer coisa que interesse a qualquer organismo institucional para financiar o que quer que seja do interesse de um político geralmente populista e vagabundo. O teste é aplicado em duas das dez turmas de um dos turnos de funcionamento da escola. Feitos os cálculos, a notícia é publicada. A porcentagem encontrada que sustenta a qualificação negativa da escola é encontrada através de cálculos estatísticos que levam em consideração o número total de estudantes da escola e não apenas o número totalizado pelas duas turmas que participaram do teste. A pergunta que fica é: isso está certo?

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Um sujeito contrata os serviços de uma prestadora de serviços de saúde, vulgarmente conhecida como “plano de saúde”. O médico desse sujeito pede um exame de imagem. A prestadora de serviços de saúde considera este exame como sendo de “alta complexidade”. Quais os critérios para essa “altitude”? Ninguém sabe… Para se submeter ao exame por conta da prestadora, o sujeito tem que pedir uma autorização à prestadora. É bom lembrar que o sujeito paga mensalmente pelos serviços supostamente prestados pela… prestadora! Então. O sujeito faz o pedido de autorização. Imediatamente, este sujeito recebe a informação de que a prestadora tem “até” dez dias úteis para aprovar ou não o pedido de autorização, segundo uma tal “resolução 259”. Alguém, de fato, sabem o que é isso? Alguém, em sã consciência, já leu a tal resolução? Pois é. Passados os dez dias, o sujeito recebe a informação de que a autorização ainda não foi dada porque o ‘setor clínico” ainda não concluiu a análise para determinar qual o “material” o paciente deverá apresentar para a realização do exame. Mas o exame é de imagem… Pois é…

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Alguém liga para o serviço de transporte. O carro chega. O motorista, educado, pergunta se o passageiro que que feche as janelas e ligue o ar-condicionado O passageiro diz que não. Passa álcool em gel nas mãos compulsivamente. A corrida é aparentemente tranquila. O carro chega a seu destino. O passageiro agradece e desce do carro. Minutos depois, o passageiro avalia o motorista com o nível mais baixo. Acrescenta um comentário dizendo que o motorista não ligou o ar-condicionado e deixou as janelas abertas. O que é que se faz com um animal desses?

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Fulano quer comprar um apartamento. Procura uma imobiliária. Um funcionário da imobiliária o acompanha, por duas visitas, em visita ao apartamento desejado. Desiste da compra. O proprietário do apartamento desiste de vender o imóvel. Vai à imobiliária e pega as chaves de volta. O dono da imobiliária entrega as chaves, mas não lavra o documento comprobatório do encerramento da relação comercial. O possível comprador entra em contato com o proprietário. Estabelecem uma relação de compre e venda entre eles e dão andamento ao processo, três meses depois da retirada das chaves da imobiliária. O proprietário não sabe que o possível comprador tinha ido visitar seu apartamento. A venda se consolida. O proprietário recebe o dinheiro do comprador. Caso encerrado. Ledo engano. Meses depois, o dono da imobiliária abre processo contra o proprietário e o comprador, alegando conluio e má fé de ambos. Reclama a “comissão” a que julga ter direito. O dono da imobiliária, surpreendentemente, ganha o processo. O proprietário é “obrigado” a pagar a comissão acrescida de juros, correção e uma taxa mensal de um por cento sobre o valor inicial, retroativo ao dia do início do processo. Outra pergunta que continua irrespondida: existe mesmo “justiça”?

Conceitos

O professor está na sala de aula explicando uma passagem de uma obra qualquer. Faz seus comentários enquanto os alunos escutam atentamente. Ele para e chama por um aluno. Ele não está. Chama por uma moça. Ela também não está. Então, o professor, com muita clama, faz uma brincadeira e pergunta se os dois alunos chamados – intensamente infrequentes – não seriam dois fantasmas. A palavra em inglês é spooks, e dá uma risadinha. Nenhum aluno reage. Há que explicar que este professor chegou à universidade em que trabalha – e da qual é o reitor – num momento de absoluto descrédito da instituição. Ao longo de algumas décadas, transformou a universidade numa das referências nacionais. “Nesse processo, fez alguns inimigos, como era de se esperar”. Já, já, as aspas serão explicadas. Um pouco mais adiante, no tempo, o conselho superior da universidade se reúne para questionar o reitor por conta do uso da palavra spooks e do consequente processo legal contra o que os dois alunos (aqueles infrequentes) interpuseram alegando racismo. Detalhe. Os dois alunos infrequentes eram negros. A palavra spooks, numa de suas acepções dicionarizadas, segundo um dos membros do conselho, tem o significado de “negro” (nigro, em inglês, o que é muito pejorativo, todo mundo sabe). O professor se altera, afirma que aquilo era um exemplo acabado da idiotice a que chamavam “politicamente coreto”. Rebate as acusações de uma colega de departamento que afirma que a moça ficou “devastada” com a ofensa e grita. Grita muito. Sai batendo portas e chega em casa furioso à cata de documentos para processar o conselho. Sua mulher reage assustada e acaba por morrer, ali mesmo, em seus braços. Esta é a sequência inicial de The human stain (No Brasil, o título é A marca humana e em Portugal, A mancha humana – mais literal, do outro lado do Atlântico, como soe acontecer. Eu, se fosse o tradutor, colocaria “A marca do humano”. E de novo, mais não digo. Vejam, o filme e, penso, do fundo de minha envaidecida ignorância, que minha tradução faz sentido!). Este filme, de 2003, foi dirigido por Robert benton, dirigido por e estrelado por ninguém menos que Anthony Hopkins e Nicole Kidman. Há ainda a participação instigante de Gary Sinise, que acaba por ser o narrador da história. Mais não digo sobre o enredo, para não tirar o prazer de quem quiser ver a película. Vale muito a pena. Ah, Ed Harris e Ana Deavere Smith, também participam, de maneira impecável e tocante, do filme. Uso o filme como desculpa. Quero falar de outra coisa. Há uma cena em que as personagens de Anthony Hopkins e Gary Sinise estão na casa do primeiro. Já se fizeram amigos e o professor vai dizer ao amigo que está apaixonado por uma mulher trinta anos mais jovem. Trocam impressões sobre o tópico. Ao fundo, a música de Irvin Berlin (já não me lembro qual delas – aliás, há de se ressaltar que a trilha sonora do filme é qualquer coisa de deliciosa, elegante, eficaz, sofisticada, impecável. desculpem, me excedi. Vou contra o conselho de Ezra Pound para desconfiar dos adjetivos. Mais longe ainda fico do horror que Graciliano Ramos tinha deles. Como não sou escritor fanhoso, e ainda que fosse, vou deixar os adjetivos. Em paz. Voltando ao meu comentário. Na cena a que me refiro, a certa altura da conversa, o professor convida seu amigo para dançar. Ele, nem, não vou comentar. Ele resiste, mas acaba por dar uns passos com o professor. Os dois rodopiam pela varanda da casa, rindo e se deliciando. A cena é comovente. Bem, parece bobagem né?! Pois é… Nos últimos 10 ou 15 anos de minha “carreira profissional”, estudei, li, discuti e escrevi alguma coisa sobre o conceito de homoerotismo. O temo, salvo engano meu, foi cunhado por um psicólogo brasileiro, Jurandyr Freire Costa, como opção para substituir “homossexualismo”, palavrinha já desgastada, velha, capenga e carregada de sentido pejorativo. Esta é outra vereda pela qual não vou caminhar aqui. Chamei a atenção para a cena por considerar que ela, na sua aparente inocência e, por que não, mesmo que contraditoriamente, no seu moralismo mais tacanho é um exemplo fílmico do que seja o tal de homoerotismo. Está tudo ali, naqueles poucos momentos de delírio, delícia, prazer. Não há muito o que dizer em acréscimo. Não faço ideia se o roteirista ou, mesmo, o diretor do filme passaram os olhos sobre qualquer texto que versasse sobre o tal de homoerotismo. Isso também não interessa. O que me vale é afirmar que esta pequena cena deu conta de deixar claro e evidente o mais profundo sentido do termo homoerotismo. Quem quiser que v;a confirmar, buscar as fontes, retrucar e até me atacar. Continuarei recolhido à minha insignificância, com as barbas de molho, a violinha no saco e o rabo entre as pernas. Quietinho e calado. Ainda assim, corro o risco de estar errado. Vai saber!

Perdido

Estava procurando um arquivo com trechos de um livro que li. Passei os trechos pelo scanner. Não o encontrei. No lugar dele, apareceu um arquivo com o mesmo nome. á não me lembro se foi eu mesmo quem o escreveu ou se o copiei de algum lugar, de alguém. Já não me lembro. Pelo sim, pelo não, coloco aspas. Não quero que alguém me denuncie para o cabeça de ovo (Minha vontade é de usar a outra expressão que identifica esse energúmeno!) e, por isso, o “uber black” venha me buscar no recôndito do meu lugar. Sim, eu sei, é lugar comum, cliché (com sotaque parisino, pra ficar mais chique!). De acordo com o Luiz Antônio de Assis Brasil, em seu último texto no jornal Rascunho, pontifica que não se deve usar o lugar comum sob hipótese alguma. Gostaria que ele me dissesse o nome de um autor, um só, sobre a face da terra, que não faz uso desse recurso da linguagem coloquial. Mas sou um chato… Deixando pra lá as firulas, publico o texto que encontrei em meu computador por dele ter gostado. Com aspas ou sem, parece-me bem utilizá-lo em meu próximo livro que já vai em gestação na minha cabeça, mas só lá! Segue o texto.

“Meu nome é Ezequiel. Para ser sincero, não tenho sobrenome. Meu pai desapareceu meses antes de eu nascer. Minha mãe não quis me dar o nome dele. Então, chamo-me Ezequiel. E só. Estou num lugar que não conheço. É todo cimentado. Tem uma janela grande e gradeada mais para o alto da parede que deve medir uns dois metros e meio. Não tenho condições de medir com exatidão. São 8 passos no lado mais comprido e 5 passos, no mais curto. Neste, diametralmente oposta à janela, há uma porta de ferro com duas janelinhas. Ainda não consegui descobrir para que servem ou, se descobri, neste exato momento não me lembro. Há tanta coisa de que não me lembro. Para quem entra neste espaço, à direita há uma espécie de balcão, a um metro e meio do chão, também de cimento, à direita. Está repleto de livros e papéis. Não posso garantir sua origem, nem propriedade. Uma cadeira e uma luminária completam a “decoração”. Do lado esquerdo, há uma cama, também cimentada à parede, a uns oitenta centímetros do chão. Não sei dizer ao certo se o colchão que está sobre ela é macio. Ao pé da cama, há uma meia parede de uns dois metros de altura. Entre o pé da cama, onde está este meia parede, e a porta há um vaso sanitário e um chuveiro. Parece não haver água quente. Há apenas uma torneira e sobre a meia parede, um cabo de aço, muito fino esticado, que travessa todo o espaço. Nele, algumas peças de roupa penduradas. Ao que parece, são minhas. Não posso garantir. Tudo é ainda muito confuso. Preciso manter a calma para não me perder em suposições absurdas. De vez em quando, escuto vozes abafadas de um e de outro lado do espaço que ocupo. Não sinto calor nem frio. Ainda é dia, vejo pela janela. De repente, uma das portinholas se abre e vejo um rosto que me observa. Isso dura alguns segundos. A janelinha se fecha e logo a porta é aberta. Dois homens sem rosto fiam parados, um a cada lado da porta. Silentes. Não estão armados. Logo entra uma freira, com um sorriso amarelo no rosto. Ela me convida a acompanhá-la. Vira-se e sai andando. Sigo a freira, ainda sem entender muito bem o que se passa. Não faço ideia de que lugar é esse. Não sei dizer se o que se passa é real ou apenas um sonho. O silêncio é quase absoluto, quebrados apenas, às vezes, por passos rápidos, um outro abrir e fechar de portas e sussurros noturnos. Devagar, chegam da minha memória alguns momentos em que escutei esses sussurros. No entanto, outra vez, não posso afirmar que os ouvi dentro do espaço em que me encontrei assim que abri os olhos. Esses pensamentos ocorrem enquanto sigo a freira por um corredor enorme. Há muitas portas iguais. Todas com duas janelinhas. A cada três portas, do teto, pende uma luminária. Agora elas estão apagadas. Na direção dessas luminárias, em cada uma das paredes laterais, há uma janela grande gradeada, como a que descrevi antes. Não há insetos. O cheiro não é desagradável, mas não consigo identificar o que seja. As portas e janelas são de ferro e as paredes cimentadas. Tudo milimetricamente igual. Contei 45 luminárias. Devem haver, então, mais de quarenta portas. Ou seja, mais de quarenta cubículos como o que descrevi e onde estava antes da chegada da freira. Tenho preguiça de fazer as contas. Você que me leu até aqui que as faça se quiser. A freira não diz nada. Segue o corredor silente, em passo cadenciado pelo balançar do rosário que pende de sua cintura. Seu hábito é preto, com um véu cor de creme. Mais nada. Quase não vi seu rosto. Também, isso pouco importa. Pressinto que ela seja apenas uma mensageira. Segue ordens. Depois de percorrer todo o corredor, ela abre uma porta imensa de madeira, fica de lado e com o mesmo sorriso amarelo aponta o caminho que devo seguir. Entro num salão oval, não muito grande. Há apenas uma mesa e uma cadeira. Uma em frente à outra. Será que vou ser interrogado? Mas não me lembro de nada, mito menos se cometi algum crime ou fiz algo de errado. O que será? A sala não é muito iluminada. Não há janelas, apenas a porta por onde entrei que se fechou abruptamente em seguida. O barulho de chaves a trancar esta porta foi alto. Depois disso, silêncio absoluto. Não consegui sequer escutar os sussurros que suponho ter ouvido no espaço em que estava, quando a freira apareceu. Nada. A pouca luz não me deixa identificar muita coisa no salão oval, mas creio não haver nada as paredes. Olho para o teto: apenas uma abóbada escura. Nada. Ontem… Será que foi ontem mesmo? O sabor do vinho que tomava no jardim de minha casa era forte. Eu me sentia tranquilo, como de costume, e escrevia alguma coisa. Tento me lembrar mas não consigo. Do nada, uma voz de homem, grave a macia me diz “bom dia”. Respondo, mas não vejo ninguém, tão pouco identifico de onde vem a voz. O silêncio continua. De repente, a mesmo voz diz meu nome. Respondo “sim”. E a voz fica muda de novo.” 

Bem feito!

A historieta que segue, li na postagem de um amigo querido, o Segismundo Pinto, de Lisboa. Gostei imenso, como se diz por lá. Há que esclarecer, para aqueles que porventura (ainda) não saibam, que, em Portugal, “talho” é o mesmo que açougue. Creio que em matéria de vernáculo, esta é a única observação a fazer. Quanto à historieta, é exatamente o que eu faria se pudesse, se a circunstância o permitisse e se a ocasião se apresentasse. A lição que fica tem minha absoluta concordância…

Joao Correia

3 de setembro às 04:44. 

“Hoje, o Director do meu banco veio comprar ao meu talho. Em primeiro lugar, fiz com que ele se sentasse numa cadeira cerca de trinta minutos enquanto fazia outras coisas. Quando me apeteceu, perguntei-lhe o que queria, ao que ele respondeu que queria hambúrgueres.

Respondi-lhe que agora, SÓ vendemos hambúrgueres às sextas-feiras.

Ele pediu salsichas e eu disse-lhe que SÓ as vendemos das 8h30 às 10h00 às terças e quintas-feiras.

Face a isto, ele pediu um frango cortado em quatro.

Dei-lhe o frango, as facas e a tesoura e disse-lhe que tinha de cortá-lo sozinho. Tal como eu esperava, ele respondeu que não sabia fazê-lo e que esse era o meu trabalho.

A minha resposta foi que, por ser a primeira vez, iria ajudá-lo, mas de agora em diante ele deveria fazer isso sozinho, porque as instruções sobre como fazer isso, estão disponíveis no site e na App móvel. Então, ele pediu-me para falar com o gerente, e respondi-lhe que, se ele não solicitasse uma reunião, seria completamente impossível falar com ele.

No fim, ele pegou no frango e num chouriço, mas cobrei-lhe, além do custo dos dois, a respectiva Comissão de Manutenção pelo corte do frango e pela atenção dispensada por ele não ter a conta *ENTRECOSTO MEGA GOLD PLUS* que o compromete a comprar dois entrecostos master gold a cada 15 dias.

Consegue imaginar que lá no talho, tratamos os clientes assim?

Bem, é exactamente assim que os bancos nos tratam, além de lhes confiarmos o nosso dinheiro, quando ELES vão para a “m€rd@”, temos que ser nós a resgatá-los com o dinheiro de todos.

Eles deveriam ter-nos um pouco mais de respeito, digo eu.

Deixe a história circular um pouco para ver se chega à Banca e se ganham um pouco de vergonha.

*O talhante do seu bairro sempre consigo!*

LIBERDADE!!!


Se eu fosse um empresário da indústria, assinaria este manifesto por concordar com ele. Isto não quer dizer que eu esteja defendendo ou atacando ninguém. Defendo apenas a ideia de liberdade e o que expressa o manifesto. Liberdade é a palavra-chave aqui. E a coisa identificada por esta palavra está em sério risco. Seriíssimo! Punto i basta!

Manifesto pela liberdade


Os direitos individuais, como a liberdade de expressão, pilares fundamentais de um Estado Democrático de Direito, estão sob ameaça no Brasil e precisam ser defendidos com veemência. É o que faz agora e seguirá fazendo, sempre, como princípio básico de sua atuação, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).

Nas últimas semanas, assistimos a uma sequência de posicionamentos do Poder Judiciário, que acabam por tangenciar, de forma perigosa, o cerceamento à liberdade de expressão no país. Falamos de investigações e da possibilidade de desmonetização de sites e portais de notícias que estão sendo acusados em inquéritos contra as fake news. Em nosso entender, impor sanções sem o devido processo legal, contraditório e ampla defesa é uma precipitação, além de inequívoca afronta à Constituição Federal.

Conforme previsão constitucional, “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”. Fica claro o propósito da Carta Magna de resguardar a todo e qualquer cidadão, sem distinção, o direito à livre manifestação.

A FIEMG espera que a exacerbação desta interpretação por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) seja revisada. Atuar, assim, será fundamental para resguardar o Estado Democrático de Direito, em que as liberdades individuais devem ser sagradas e asseguradas permanentemente. Elas são condição para um país prosperar, garantindo segurança jurídica e institucional para investidores e empreendedores.

É preciso deixar claro: a defesa dos direitos individuais é o único caminho para construir um futuro de desenvolvimento e prosperidade para o Brasil. É fundamental garantir que todos os brasileiros tenham assegurado seu direito à liberdade de expressão. Não queremos que hoje aqueles que celebram eventuais censuras sejam os censurados de amanhã. Neste sentido, consideramos oportuna a citação do ministro Marco Aurélio Mello (ADPF 572) que, ao relembrar a festejada lição do professor Adilson Abreu Dallari, assim afirmara: “Supremo não é sinônimo de absoluto; é um dos Poderes que integra um dos Poderes da República”.

Lutar pela segurança jurídica e institucional é fundamental, principalmente neste momento em que o país está combalido pela pandemia e busca retomar o crescimento econômico. Lutamos pela geração de oportunidades para milhões de brasileiros, que buscam viver com dignidade em um país que garante a cada um, no pilar da Separação dos Poderes, o respeito às individualidades, às opiniões e aos direitos fundamentais.

Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG)

Texto copiado de: Em aceno ao bolsonarismo, Fiemg lança manifesto com críticas ao STF (domtotal.com)