Feriados

8 de outubro. Dia do Parlamento. Feriado Nacional. As bandeiras perambulam pelos céus croata, já de um azul esmaecido pelos ventos outonais que chegam dos Alpes, dos Cárpatos, de outros inimagináveis lugares desse planeta que anda tão judiado… Dizem que é o progresso, o desenvolvimento, a superação e as melhores condições… Não tenho elementos para discutir isso, pelo menos, aqui e agora. O fato é que as bandeiras croatas estão por aí, soltas no ar, desfraldando seus cubos vermelhos e brancos, emoldurados por um azul sem descrição. Os croatas são nacionalistas… e muito! Nacionalistas para o bem e para o mal, como se costuma dizer… Celebram e cultuam a sua pátria, não sem um certo exagero, elogiando e valorizando as belezas naturais que, diga-se de passagem, não são poucas. São nacionalistas quando usam as bandeiras soltas pelas janelas domésticas, civis e laicas, nas datas nacionais, nos feriados religiosos e nas festas universais em que caiba um pouquinho de civismo… Claro que usam a bandeira nacional nas partidas de water polo, de handball e de basquete, obviamente no famigerado ludopédio – tradução esdrúxula para o “popular” (será que é mesmo???) football ou, na língua dos já citados (e outros!) futebol. Ai que coisa chata esse tal de futebol… Pena que a gente não possa dizer o mesmo, na mesma intensidade “do lado debaixo do Equador”… Mas não tem nada não. O nacionalismo causa suas situações esquisitas – para não falar irritantes – quando uma vendedora, de nariz empinado, peito estufado e usando um Inglês muito pior do que o meu, aponta o cartão de débito do banco croata que uso aqui e diz que na Croácia, “a nossa moeda é a kuna, o senhor entende?”. Não tem a menor graça, esta situação, para quem não esteve aqui, naquele momento. Antes eu tentara comprar umas camisetas, pagando com cartão de crédito (internacional, do Banco do Brasil, claro!). Nem a vendedora que me atendeu nem a citada gerente conseguiram fazer a “maquininha” funcionar. Com esse cartão posso comprar na França, na Inglaterra, na Turquia, na África, até na China, mas não na Croácia… Tirem as próprias conclusões, vocês que me leem, se é que alguém me lê…

A saudade continua apertando. Eu fico inventando coisas para fazer e pensar, tentando despistar esse sentimento tão complexo. O sentimento é universal, como universais são suas causas e, até, suas consequências (saudade do trema…). Só não é universal a palavra. Esta é patrimônio único da Língua Portuguesa, de Camões e Fernando Pessoa, Drummond e Cornélio Penna, Clarice e Lygia, Agustina e Sophia… tantos e tantas…

Uma resposta para “Feriados”.

  1. Que coisa boa voltar a ler teus textos!!! Hoje, na minha vida atribulada de tarefas nem sempre grandiosas, mas algumas vezes cansativas, tirei um tempo para ler José Luiz. Como me faz bem ver tua produção, tuas ideias sempre tão instigadoras de outras ideias.
    Obrigada por se dispor a escrever, dividir, compartilhar emoções, sensações…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: