Pílulas

Na verdade, são tantas as coisas que passam pela cabeça da gente, que fico sem saber o que registrar. Uma outra coisa é a curiosidade de saber quem poderia ler o que eu escrevo. esta curiosidade faz parte do ser humano, como uma construção biológico-cultural. Este misto de coisa e essência, este fenômeno que não se explica, mas que se arvora no direito de procurar e fixar explicações para tudo o mais.

Esse negócio de escrever diário é bom e ruim, ao mesmo tempo. Fazer o quê??? Tenho tanta coisa que gostaria de ver escrita, gravada, para não esquecer ou, mesmo, para deixar de lado, de uma vez por todas. Escrever… uma arte estranha. Estou passando por um momento ímpar, ainda que comum a todo e qualquer ser humano. Estou naquela zona obscura do não saber se faço ou não faço, se falo ou não falo, se é ou não é… todo mundo sabe, ninguém procura saber do outro, mas é uma sensação, boa, de estar vivo. fazia tempo que não sentia isso: arrepio quando o telefone toca, dor na barriga quando vem uma lembrança particular, um calorzinho gostoso quando me lembro de certos detalhes, certos ângulos, inflexões de voz, gestos… uma coisa boa!

Mais uma vez está chegando fim de ano. Tanta coisa me passa pela cabeça sobre esta data… Em duas palavras: não gosto. Já fui uma criança e já gostei do Natal, claro. Há gente que ainda alimenta este espírito. Já fui um revoltado quando se pensa na comercialização da época. Mas ela continua impávida, como o tempo. Não muda e continua… continua… continua… É sempre assim, a gente fica pensando, às vezes, nos comos e nos porquês de todas as coisas serem como são e não encontra solução, resposta, só suposições. Como a crítica, de qualquer coisa, sobre qualquer coisa, feita por qualquer um: é mais uma opinião, nada mais que isso. Não me venham querer convencer de que um crítico sabe mais que o comum dos mortais porque eu vou discordar. E esta minha discordância é, ela também, subjetiva, como tudo o mais. Um ciclo vicioso, de um vício que não corrompe, mas faz a gente caminhar, pensar, amadurecer, conhecer, aprender. Se eu falo isso é porque não quis ou não pude dizer aquilo. Assim é com todo mundo. Há campos do saber que comportam verdades que não podem ser mudadas, mas na maioria dos casos, a RELATIVIDADE é um princípio absoluto, por mais contraditória que seja a expressão, em seus termos. Desejo sempre que o domingo passe logo… E passou! Deixou espaço e tempo e lugar para uma segunda-feira chuvosa, fria, escura, tipicamente outonal à beira dos Balcãs… Zagreb.

Uma resposta para “Pílulas”.

  1. Adorei o blog, querido, sobretudo este último texto, que traduz, em cada linha, o bem que Zagreb tem feito a você. Um simples mortal, meio triste, meio melancólico, mas feliz, e de uma felicidade genuína, encontrada nas coisas simples, como a chuva fina da segunda-feira. Veja bem você torcendo pela chegada da segunda!!!!! Pareceu-me uma canção de trégua, de pazes, de paz. Podemos levar uma vida inteira para descobrir que tudo é relativo, meu bem, e você descobriu isso a tempo de aproveitar muito.

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