Saudade(s)

Conheci um professor/escritor português que apresentou uma conferência bastante instigante sobre a “saudade”. Metáfora de coisa passageira que fica. Paradoxo que forma e informa sobre o imponderável, porque não se pode prever quando se vai sentir…

Palavrinha difícil essa… A sua tradução para outras fronteiras além da língua de Camões é alguma coisa que atormenta tradutores, ainda hoje. Há camadas e camadas semânticas que se sobrepõem num caleidoscópio de nuances e peculiaridades. Mas como bom português que é, ele estabeleceu uma rota rumo ao “sentido” desse ícone cultural da lusitanidade. Saudade… A gente sente saudade de tanta gente e de tanta coisa. A gente fala de saudade. A gente sofre por saudade. A gente goza com saudade (Viva Lacan!). Às vezes, essa “coisa”, a saudade, aparece assim, de repente… sem avisar. Foi isso o que eu senti quando recebi a mensagem da Katia, comentando uma crônica da Ana Marina, no Estado de Minas. Só não sei qual foi o dia da publicação. Recebi a autorização para copiar e colar aqui. Não digo mais nada…

“Há um tempo que deixei de mandar-lhe meus comentários. Pudera, CADÊ o tempo???

Somos bombardeados com tantas informações ao mesmo tempo que vou dar um PITI a qualquer hora. Já preveni aos meus entes queridos (maridão e filhas) que preciso URGENTEMENTE de férias de tudo, inclusive deles, que amo tanto. Preciso ficar comigo uns dias, sem TV a cabo, sem jornais, talvez um bom e leve livro.

Mas ainda não concebo que isto que estamos vivendo é VIDA. Sinto falta da minha infância e adolescência apanhando legumes e verduras no quintal de casa, acompanhar a ninhada de pintinhos crescendo, de decorar os nomes das constelações no céu, dos pijamas de flanela, do café de coador de pano (enooooorme), da broa do fogão de lenha, do uso de tacho para doces infinitivamente mexidos.

Alías, tinhamos relógio??? nem lembro. Lembro do sino da igreja, pelo qual me guiava.

Atualmente moro no Bairro São Pedro, e estou me deliciando, ninguém imagina quanto: tenho padeiro, PADEIRO NA porta de casa, com seu balaio, buzinando em sua bicicleta. Tenho um verdureiro que vem toda quinta-feira às 8:30h, já com tudo separadinho em saquinhos pequenos, um pouquinho de tudo. Ao lado do prédio tem uma pequena mercearia que mata frango na hora, queijos fabricados por eles e que ainda usa caderneta de anotações e não tem máquina de cartão de crédito… ACREDITA??? TÔ NA ROÇA, a dois quarteirões da Av. do Contorno!!! Um papagaio da vizinha me acorda às 7h da manhã (pontualmente) chamando, “vó, dá café, ô vó!”. E o mais incrível, Anna, é que daqui não se houve NADA, NADINHA, nem de carro, nem de nada. Minto, apenas alarmes de carros: alías, aproveitando o ensejo, não dá para fazer uma crônica sobre estes IDIOTAS de alarmes de carros, que só servem para incomodar TODOS, menos o tal proprietário, que NUNCA aparece??? e os latidos de cachorros? não incomoda o dono, só os vizinhos???”

Minha amiga Katia, minha “tia torta” (!), no melhor dos sentidos, foi demais! Pôs todos os pingos nos “is” e deixou tudo em pratos limpos… principalmente para quem já é sócio vitalício do clube dos 3.0, 4.0, 5.0 e alhures…

3 respostas para “Saudade(s)”.

  1. Juníssimo, isso é verdade ou ficção? Juro que tô na dúvida…rs.
    bjins
    eidia

  2. Jú, isto é verdadeiro rsrs, e é exatamente no quarteirão abaixo da minha casa, a mercearia é, nada menos, que umas das primeiras do bairro, agora os donos criaram o Surpermercado Verde Mar, o melhor de BH, e tenho um deles na rua Viçosa, pertim de mim, pena que meu apto n fica numa rua calma, é na Congonhas, do antigo LuLu, eita saudadessssssssss
    mas ja estou vendo outro ap por aqui mesmo, pois esse bairro de Santos e loucos ainda é demais mesmo..não é ficção rs

    beijos, até breve!

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