Retorno, 21 de janeiro

Depois de quase um mês sem eescrever uma linha sequer… Muito tempo… Muita água rolou debaixo de um monte de pontes. Na mesma medida, muita neve caiu. Faz duas semanas, Zagreb parou por conta da neve. Só se andava a pé. Nada mais se movia… Deve ter sido uma coisa pra se observar, quase se admirar. Mas eu não vi, não observei, mas me admirei de saber que isso ocorre, e de maneira inesperada. Nenhuma novidade até aqui…

Mal cheguei, já saí de novo. Hoje e amanhã vivo uma verdadeira torre de babel, ao vivo e acores, sem o colorido sarcástico de Saramago em Caim, seu útlimo romance. Delicioso. Deliciosamente irônico: o velho retomou a sua própria verve… Pois! Estou em Viena, aquela que já foi a cidade-coração de uma Europa que hoje habita os livros e museus e álbuns de fotografia. Claro, também resiste na memória de miríades de sujeitos perambulando mundo afora! Viena, a cidade de Freud; em parte, de Mozart também, e da inesquecível Sissi, a Imperatriz. Uma cidade charmosíssima que hoje, quarta-feira, quase submergiu na neve que não deu trégua até as quatro da tarde, desde a madrugada anterior. “Uma brancura Rinso”. Bem… nem tanto: nas cidades a neve logo escurece e fica suja, sem charme. Participo de um colóquio lusófono. Gente de todo o canto do mundo. Tem uma menina de Luxemburgo, filha de carioca com espanhola, que viveu na Alemanha e trabalha em Luxemburgo – sua terra natal – hoje está em Viena, com um namorado alemão e quer se mudar pra cá. Um outro veio de Fortaleza para Lisboa, cuidar dos negócios da família, na indústria têxtil, praticamente ameaçada pelos chineses que vêm tomando conta da Europa, aos pouquinhos, quase em silêncio absoluto. Há também um carioca, metido a besta, locupletando-se de alguma “bolsa de estudos” a falar bobagens sobre os viajantes europeus que visitaram o Brasil entre os séculos 18 e 19: um monte de bobagens, com aquele sotaque irritante… Mas há o matogrossense que vive em Niterói, que roteirizou delicadamente e brilhantemente vários versos de Manoeld e Barros. Tanspôs em linguagem fílmica, o universo poético-ecologico desde senhor que, “de repente, não mais que de repente”, brilha nos umbrais da “academia”, como solar maginificência da originalidade. O danado é mesmo original. Faz em verso, o que Guimarães Rosa fez em prosa, sem demérito para nenhum dos dois. Um nome a se lembrar e, claro, a se ler! Para completar, sem esgotar o dramatis personae desse “evento” com dezesseis participantes – isso é para dar uma cutucada naqueles que adoram o gigantismo dos congressos de “associações” – o português que terminou seu doutorado em terras austríacas: hilária e divertida análise de “falsos cognatos” e suas consequências… na vida dos falantes de Português mundo afora. A imagem de Santo Antônio em Literatura Infanto-juvenil portuguesa; estatísticas de ocorrências da elisão do “d” em formas verbais do século 18; a subjetividade e a autoridade no discurso da academia e mais, um pouco mais. Amanhã a segunda rodada, e a saudade que já vai ficar desses momentos nevados numa cidade charmosa da Europa, mais uma … Evoé!!!

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