Viena, janeiro, 23

Ontem foi dia de descobrir, por acaso, o local em que Beethoven está enterrado. Bem ao lado do Hotel, numa igrejinha pequena, dedicada a Santo Antônio, na Alsen Strasse. No mesmo prédio, mas em local diferente – uma pequena capela interma, no claustro do mosteiro franciscano que existe no mesmo prédio, o sítio em que Schubert compôs uma de suas canções. Assim, ao acaso, descobri duas referências que os turistas em geral não se preocupam em procurar. É pena…

Ficheiro:Beethoven.jpg                  Franz Schubert

Hoje, sentindo um frio que variou entre os três graus e os dez graus… negativos, estive no mesmo espaço que ouviu as notas da primeira exeucção p;ublica de uma sinfonia de Mozart… executada pelo próprio, então um menino de oito anos que, ao final, correu ao colo da Rainha, Maria Teresa, e apertou-lhe um abraço no corpete armado, deixando-lhe respeitosamente um beijo ao colo. As mesmas paredes, o mesmo piso que ele pisou, quase toquei a cadeira em que a rainha esteve sentada oucvindo, talvez mais que encantada, o fenômeno que se apresentava bem debaixo de seu nariz. Percorri salas e corredores em uqe Sissi, a legendária princesa também caminhou. Ela e seu marido, usando aquela mobília, comendo com talheres imensos de prata, todos, marcados com a chancela da coroa (com o famoso “K.K.” – Kayser und König – Rei e Imeprador)… herança material e simbólica de séculos passados. O imponente salão em que Kennedy e Krushov deram-se as mãos, ainda que protocolarmente – quem pode dizer? – está lá, guardando sua imponência e alimentando os ecos mudos de uma História que não se repete, apesar de certas aparências dizerem o contrário. Dizem as bocas pequenas que SIssi pode ter sido anoréxica. As máquinas de suas ginásticas diárias, a notícia sobre as constantes doses de um prato de sopa e uma laranja, dieta, dizem, adotada pela Imperatriz para manter sua esbelta silhueta: licitação do fone de ouvuido,c edido coo guia virtual de um tour lento e deliciosamente arrastado pelos corredores do tempo!); tudo isso é documento de um momento vividopor pessoas que hoje são apenas lembranças, nomes, imagens pintadas.

Anteontem, Bergasse 19. A falta que faz um divã – em viagem de amostra por ondres, ara sorte dos visitantes de lá. Por que será… “sorte”??? Mas fez falta. O pequeno museu ficou um pouco mais vazio. Ainda assim,e stavam lá as notas, os papéis, os livros. Via Gradiva, nem tão grande, nem tão pequena. Outras esculturas ainda vivem protegidas por fina parede de vidro, refugiadas, contra o toque desgastante da mão dos curiosos. Os sofás, as cadeiras, um guarda-chuva, a bengala e dois chapéus. O baú que resiste ao tempo e o clima preservado num espaço exíguo, ainda guarnecido com os tapetes pisados pelos pacientes do criador da psicanálise. Visita praticamene inescapável, pelo menos, para certo grupo de turistas… Um filme velho, em que um homem alquebrado fisicamente, com o rosto um tanto deformado, acompanhado por uma mulher de semblante tranquilo, sobe tropegamente três degraus de uma pequena escada casa adentro. A tela fica preta. A voz de Anna murmra alguma coisa num alemão incompreensível…

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3 comentários sobre “Viena, janeiro, 23

    1. Olha… vou contar uma coisa: a “descoberta” do local onde está enterrado o Beethoven é a expressão pura do “espanto” platônico que a gente experimenta, quando vai se transformando num turista, digamos, diferenciado. Em outras palavras, como diz Dona Alice, “em cada esquina, cem anos de História pesam na vista e nos ombros da gente”. A gente anda, descobre coisas, repisa o dejà vu, mas as surpresas e esse sentimento de “ligações” que se podem fazer… hum… não tem, mesmo, preço…

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