Cachorro velho

1. Parábola: substantivo feminino, é uma espécie de narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia. Essa narrativa alegórica pode encerrar um preceito religioso ou moral, exemplo disso são as encontradas nos Evangelhos.

2. Fábula: substantivo feminino, é uma espécie de narração popular ou artística de fatos puramente imaginados. Essa narrativa curta, em prosa ou verso, tem entre as personagens animais que agem como seres humanos, podendo também ilustrar preceito moral. Trata-se, de fato, de uma narração de aventuras e de fatos (imaginários ou não), no romance, na epopéia, no conto. É o que se chama fabulação – no reino da Teoria da Literatura – em que a história narra ações dos deuses e heróis greco-romanos: mitologia. Por extensão de sentido é o relato de um fato inventado, podendo ou não dar margem a críticas ou zombarias.

3. Apólogo: substantivo masculino, é uma espécie de narrativa em prosa ou verso, geralmente dialogada, que encerra uma lição moral, e em que figuram seres inanimados.

Depois desta pequena “lição” (ai como eu sou metido!), segue um texto cuja autoria é, por mim, desconhecida. Mais uma vez, repito o adagiário popular: vendo o peixe pelo preço que me venderam… Se quiser, escolha a espécie a que pertence o texto, mas não deixe de ler, pois é divertido…!

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O cachorro velho

Um dia, passeando na floresta, um velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido. Vagando a esmo, procurando o caminho de volta para casa, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço. O cachorro velho pensa:
– Oh, oh! Estou mesmo enrascado!

Olhou à volta e viu, por perto, ossos espalhados no chão. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador…

Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto:

– Cara, este leopardo estava delicioso! Será que há outros por aí?
Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.
– Caramba! Pensa o leopardo, essa foi por pouco! O velho vira-lata quase me pega!
Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum. E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa:

– Aí tem coisa!
O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo. O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz:

– Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!
Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:
– E agora, o que é que eu posso fazer?
Mas, em vez de correr (sabe que suas pernas doloridas não o levariam longe), o cachorro se senta mais uma vez dando costas aos agressores, fazendo de conta que ainda não os viu e, quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz:
– Cadê aquele macaco filho da puta? Tô morrendo de fome! Ele disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca!

Moral da história: não mexa com cachorro velho: idade e habilidade se sobrepõem à juventude e à intriga. Sabedoria só vem com idade e experiência!

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4 respostas para “Cachorro velho”.

  1. Avatar de Marcia Leandro
    Marcia Leandro

    E é muito bom quando descobrimos isso.
    Muito bom texto, meu querido.
    Beijo

    1. Mas não é mesmo uma delícia? Pena que só venha com o “tempo”… Mas está ótimo assim mesmo! beijinho 😉

      1. Avatar de Marcia Leandro
        Marcia Leandro

        Está sim, aprendemos o valor da tolerância, da paciência, o prazer da sensibilidade… o valor dos amigos e perceber quem realmente merece esse qualificativo porque faz a diferença.

        Bom, muito bom!!!

        Um abraço daqueles e a saudade de sempre

      2. Meu bem, Uma das boas heranças desses dois anos no Leste é o exercício cotidiano da paciência. Efetivo e eficaz. A diferença é assim: inesperada e tão óbvia, que ofusca! beijinho

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