Oportunidade e discurso

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Bem na “cova da Iria”, nos festejos do treze de maio, no aniversário de inauguração do santuário de Fátima, o papa Bento XVI (por que não Benedito, tradução literal do Latim/Italiano?), mais uma vez, deu provas de sua brilhante inteligência. Calma! Leia até o fim antes de tirar conclusões precipitadas. Necessário é relembrar que o “papa” é mais que um homem. Ele é um “emblema”, a encarnação de um mistério (mito, convenção, etc…. Você escolhe!). Logo, sua “opinião” pessoal não deve ser deduzida de seus pronunciamentos oficiais e vive-versa. Por isso, muita calma nessa hora. Num momento em que Portugal (como utros países da União Europeia, ou, mesmo, por conta deles) atravessa uma “crise” (mais uma!) que vai tomando proporções avassaladoras (como tudo aquilo que o “toque de Midas” dos mass media transforma…), não há como esperar algo diferente. Nesse mesmo momento, mundo afora, a “santa madre” é criticada e, quase, vilipendiada (pelos mesmos mass media), por conta do excessivo número de “casos” de pedofilia (ai, ai… palavrinha  danada esta, “caso”!). Claro está que, em aparições públicas de uma visita pastoral, essa palavra jamais seria pronunciada, nem mesmo referência ao “assunto” poderia ser aitorizada pelo staff papal! Alguém duvida disso? E, daqui em diante, as opções seriam muitas e dariam vazão ao desejo de enumerar facetas múltiplas de um fenômeno cultural amplo: a crise… Bem! Nesse momento, Bento XVI, ele mesmo, ex-cadeal Ratzinger (“homem” brilhante) faz entrega pessoal da rosa de ouro e a deposita aos pés da imagem milagrosa de Fátima. Aplausos efusivos. Quebrando o protocolo e causando nervosia nos “seguranças” (por que é que eles sempre andam olhando para todos os lados, como um radar de 360 graus, e só usam preto, e sempre estão de óculos escuros, mesmo nos dias mais “fechados”, ou nos espaços interiores?), ele sai da linha e vai ao encontro do povo. Faz parte do “teatro”. Beijo em cabeça de bebê, afago em rosto de criança, sorriso fixo, aceno de mão da esquerda à direita e vice-versa. Mais um ponto para o “protocolo”. João Paulo II era mais carismático, mas convenhamos, é necessário reconhecer o emblema e sua função, seu efeito, dado que sobrepujam a humanidade de quem o encarna a cada “mandato”. Voltando à vaca fria: num momento em que tudo isso se passa, nada mais apropriado que anunciar a perseverança nos “valores” basais da doutrina social da igreja. Entre muitos itens, o “recitado” casamento en-tre um ho-mem e u-ma mu-lher. Assim mesmo, silabado, compassado e enfático. Foi assim que ele falou. Depois de ter tocado no aborto, a recitação do casamento comme il faut não podia ficar de fora, mas ganhou notoriedade no ritmo mais lento, para dar mais força. Aplauso mais que efusivo, demorado, calororso, acompanhado de tímidos gritos de apoio, com direito ao olhar incisivo do Santo Padre. Fiquei pensando muito nessas imagens, no que estava ouvindo e me lembrei de dois filmes O padre e Do começo ao fim. Imagino, se a Santa Sé exibisse os dois numa sessão privada de Sua Santidade, o que ele, homem, na intimidade, sem pompa nem circunstância, diria? Essa pergunta jamais se calará… Mais constrangedor que isso foi, depois de finalizado o ato público, ouvir os jornalistas portugueses (TODOS os que participaram da transmissão de ontem à tarde) rodeando o vocabulário para falar da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Gay e homossexual eram duas palavras que davam choque: os torneios verbais me fizeram rir a bandeiras despregadas!

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7 respostas para “Oportunidade e discurso”.

  1. Amore mio, já falamos sobre isso hoje à tarde num rápido, mas sempre saboroso PPD (Papo Direto a Distância): muitos risos, mas, também, muita perplexidade. Falamos um pouco do ‘emblema’, do preparo intelectual e cultural do homem-papa e de algo mais, que transcende tudo isso, que é o peso, ainda significativo, da Igreja Romana e da investidura de poder por parte de quem enverga o anel de Pedro. Tudo isso é a fé midiática, de aplausos encomendados, porque a igreja com ‘i’ minúsculo, ou seja, o cenáculo primordial, é uma outra coisa, que prevalece mesmo a despeito da intolerância, do conservadorismo, da perfídia.
    Para além de qualquer crise avassaladora, as angústias humanas permanecem as mesmas – e as idiossincrasias também. Felizmente, há lugar para todos no coração de Deus… Muito bom o seu texto e o desabafo. Os Papas passam mas as palavras Dele não passarão. Muito beijos

    1. Não preciso dizer muito mais: o “post” foi efeito do nosso papinho!
      beijinho

  2. Esse papa tem cara de safado. Não a confiaria a ele nem meus peixinhos.
    eidia
    http://www.oquevivipelomundo.bloggspot.com

  3. E realmente com pena da classe pela compania, devo dizer mais:é gay.Posso apostar.
    eidia
    http://www.oquevivipelomundo.bloggspot.com

    1. Não é por nada não, mas sempre pensei nesse ar “safado” que ele estampa, pirncipalmente quando sorri. Também, logo depois da eleição, ouvi muitos comentários sobre o possível “caso” entre o papa e o secretário “particular”. Não sei… Não posso afirmar, não posso negar. Fico sempre na dúvida. Fico como você: aposto!
      De uma tacada só arrematei seus dois comentários: ui!
      Bom domingo querida e bom descanso!
      beijinho

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