Tempos modernos…

Ele anda em velocidade elevada e diz que não se importa com os outros, que passam ou, no mínimo, que tentam passar. Não sinaliza todas as conversões, seja para direita ou esquerda. Nas ultrapassagens, segue sempre querendo provar que “pode mais”. Conversa com os demais, ainda que eles sequer saibam que estão sendo interpelados. Bem… Qualquer um pode fazer o que bem quiser, é fato; mas cada um também tem a responsabilidade e a liberdade para não concordar e/ou não gostar! Como dizia o mote daquela propaganda de cigarro: cada um na sua…

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Um jogador de futebol, casado, envolve-se num imbroglio que envolve o desaparecimento de sua amante e a busca de seu filho com esta. O avô protagoniza a guarda. A amante desaparece. O jogador continua atuando (muitos outros vão dizer que ele continua “trabalhando”: não vou dar vazão a esta bobagem… O que será desta criança? Como falar de seus pais no futuro? Será que esse rapaz dorme direito???

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O grupo pode fazer as escolhas que quiser. Junta-se e trabalha em equipe, consegue ultimar o tão esperado projeto. Começa a fase de espera. Não se sabe quem vai analisar a proposta, não se sabe se a aprovação virá. Alguns nomes ficaram de fora, mesmo que a colaboração, evidente, represente perda de pontos na avaliação. O ritmo normal da existência continua pulsando na vida de todos. Uma diferença apenas: os que ficaram de fora, para participar da “festa” (ainda há gente que acredita que se trata de uma festa), têm que “pedir” para entrar. É bom deixar claro que o estatuto é o mesmo, para todo o grupo…

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Casamento elegante, na recepção. A cerimônia foi… comum, com um ponto alto, quase hilário: o padre, jovem, depois de consagrar o matrimônio, anuncia que os pombinhos podiam se beijar, se assim o quisessem, enquanto a audiência aplaudia. Palmas e mais palmas, e os noivos trocam um selinho e dois beijos nas faces. O padre, com um sorrisinho de Gioconda estampado embaixo dos óculos de grossas lentes, comenta que de Cajuru (sua cidade natal e, coincidentemente, da noiva, no estado de São Paulo), “só vem coisa boa”. Daí a surpresa: ele comenta que o beijo não valeu porque era um selinho e pede, marotamente, aos pimpolhos, que trocassem um “beijo de verdade”, sob nova salva de palmas. Desta vez, os risos enriqueceram as palmas… Uma delícia! Na recepção, os noivos chegaram dançando, ao som de Gloria Gaynor – claro que não cantando “I will survive”… – Comida de altíssimo nível, com queijos finos e molhos suaves e saborosos… Vinho tinto chileno e pro seco do Rio Grande do Sul. Uma nota ruim: a cerveja era Skol… Argh!

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Já faz um tempinho, mas consegui recuperar os comentários de um amigo, ex-aluno, sobre a morte de José Saramago. Os tempos passam trazendo algumas surpresas e muitas confirmações do já sabido, cmo o talento do Gerson. É só ler para conferir:

“Dom José acabou de fazer a grande passagem! Foi uma grande perda humana e literária. Humana, pois perdemos o humanista inveterado e combativo que nunca dissociou a necessidade intervir com veemência naquelas situações em que a condição humana era aviltada. Literária, pois o mundo de língua portuguesa perde uma das suas mais significativas expressões artísticas da Literatura Portuguesa, desde sempre. Estou triste, pois o horizonte da espera do livro por vir de suas habilidosas mãos se fecha para sempre. Permanece agora a obra, como projeto escritural aberto, instigante e desafiador. A obra da vida se concluiu como livro que se fecha. Saramago não acreditava em horizontes outros, senão os da nossa condição do aqui e do agora. Seja como for, continua a existir como virtualidade, de forma semelhante a Blimunda, a Baltasar, a Ricardo Reis, a Lídia, Raimundo e Maria Sara, ao seu Caim e a tantos outros. Pego-me a pensar que a morte de Dom José foi um despregar-se da vontade. Blimunda talvez lá ao pé estivesse para dizer: Vem!”

Evoé Saramago!!!

2 respostas para “Tempos modernos…”.

  1. Pois é: você já tinha esquecido como a vida é animadinha e sui generis na terra brasilis! Adorei a descrição do casamento em Ribeirão Preto e o emocionado texto de Gerson: curto e denso. Estava com saudades de suas postagens. Já eu… preguiça!… Beijin

  2. Num curso que faço – já te falei sobre isso – puseram, numa disciplina de Filosofia, um trecho de Ensaio sobre a cegueira, entrevistas dele, outros trechos e passamos a comentar nos fóruns. Foi encantador ver as pessoas descobrindo Saramago. Sempre é tempo, José Luiz, sempre.

    Quanto ao texto de Gerson, o que é bom é imortal mesmo.Posso imaginar o tamanho da tristeza e da saudade. Quanto a mim, acredito em “horizontes outros”.

    Beijos meu querido amigo.
    Tenha uma excelente semana!

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