Faz pensar!

A polêmica é um “gênero” que foi muito praticado na segunda metade do século 19. Bem… Pode ser que tenha sido igualmente praticado em séculos anteriores. Não sei dizer. Mas posso afirmar que minhas balizas cronológicas não estão absolutamente equivocadas. Firulas à parte, a polêmica, quando sadia e inteligente, desenvolve o intelecto e fomenta o conhecimento com suas contribuições argumentativas e contra argumentativas. Nos dias que correm, é pena que o termo sirva para identificar, levianamente, qualquer bate boca rasteiro sobre assuntos os mais variados, em nome da famigerada liberdade de expressão…

Bom…

O que vai escrito em seguida eu recebi por e-mail. As referências estão dadas. Portanto, ninguém pode me acusar de plágio ou de apropriação indébita. Essa “matéria” também alimenta certas… polêmicas! Além disso, a responsabilidade do conteúdo e os deslizes gramaticais também não podem ser reputados a mim!!!

“Danilo Gentili (CQC) e sua resposta:

O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter: ‘King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?’

A ONG Afrobras se posicionou contra: ‘Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal’, diz José Vicente, presidente da ONG. ‘Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade’, avalia Vicente. Alguns minutos após escrever seu primeiro twitter sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog: ‘Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?’ (GENIAL). ‘Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito.’

Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA: ‘Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo? Quem propagou a ideia que ‘negro’ é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: ‘Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra.’ Então, quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, mas sim de burro. Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados. Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:

– O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.

Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota. Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco? Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo ‘preto’ pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: ‘Branco, Amarelo, Vermelho, Negro’?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes. Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: ‘E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!’ Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer ‘Desculpe meu querido, mas já que é um afro-descendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!’ Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra ‘preto’ ou ‘macaco’, que são palavras tão horríveis. Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus ‘defendidos’.

Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, sou ítalo-descendente. Italianos não escravizaram africanos no Brasil. Vieram pra cá e, assim como os pretos, trabalharam na lavoura. A diferença é que Escrava Isaura fez mais sucesso que Terra Nostra. Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.

Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia. Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café-com-leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote. Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo ‘negro’ ou ‘afro-descendente’, tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça – a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita ‘100% humano’, pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão.”

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Exigências

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Li no jornal Estado de Minas, na semana que acabou ontem, numa notinha sobre a volta da obrigatoriedade do diploma em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista. Parece-me que não é a primeira vez que isso acontece. Eu mesmo, em priscas eras, colaborei com o Estado de Minas, escrevendo uma coluna no famigerado suplemento “Gabarito”. Aqui em Contagem, também assinei uma coluna, num jornal chamado Perfil. Bem… Ao que parece, a “coisa” tem que ser aprovada em dois turnos, não sei se ainda na Câmara ou no Senado. De qualquer maneira, essa pequena nota me fez pensar em duas coisas…

Se um professor deve estudar e fazer as disciplinas pedagógicas para obter a “licenciatura” e, assim, poder “ensinar”; se um médico deve investir seis anos de sua vida estudando em tempo integral durante, praticamene, todo o seu curso, para depois fazer a “residência” e, então, poder “clinicar” e/ou “operar”; se um engenheiro civil deve se preparar durante cinco anos, para então poder “construir” os edifícios – industriais e/ou residenciais; se um advogado precisa mergulhar nos tratados de Direito e manter-se atualizado sobre a jurisprudência, para então poder “atacar” ou “defender”, nas “causas” em que trabalha; por que é que “qualquer” um pode se “candidatar” a um cargo público e “desempenhar” a função de “LEGISLADOR”? Há algo de muito, mas muito perverso nisso tudo. Uma situação como essa – independente da área de atuação profissional – é um paradoxo, mais que simples contradição. Certa feita, em conversa com um irmão, falávamos como seria a nossa atitude se fôssemos eleitos para um cargo público, no âmbito do poder legislativo. Eu disse que faria uma proposta: qualquer cidadão que alçasse a posição de  vereador, deputado ou senador, deveria receber o salário que recebia por sua atividade profissional, sem mais nenhum centavo de “auxílio”, “subvenção”, “verba” ou quejandos. Da mesma maneira que o dinheiro é minguado para a execução de muitos “projetos”, da mesma forma o seria para os salários dos legisladores. Tenho a impressão de que, à parte a possibilidade de eu ser vítima de assassinato, pelas “forças ocultas” ou a mando das “eminências pardas”, jamais seria eleito. Não conheço um só “político” que sequer invista alguns segundos de seu “precioso tempo” para pensar nisso… Explica-se!!!

O outro pensamento que me ocorreu, quando da leitura da nota, foi: quando se trata de assegurar a veracidade de qualquer coisa que seja, a gente se acostumou a oscilar entre duas possibilidades de acesso a esta mesma verdade – o “senso comum” e o “conhecimento científico”. Para explicitar o que penso sobre o assunto, faço uso de uma parábola que inventei durante um concurso para professor adjunto de “Literaturas de Língua Portuguesa”, numa das universidades “públicas, gratuitas e de qualidade” que se espalham pelo território nacional. Durante o concurso, fui questionado por um dos membros da banca, sobre a incoerência entre duas afirmativas que fiz num projeto de pesquisa, sobre o qual estava sendo sabatinado. Primeiro, comentei que não era possível acusar tal discrepância, dado que as frases utilizadas pelo “inquisidor” referiam-se ao mesmo tema, em circunstâncias discursivas diferentes, impossibilitando uma comparação em termos absolutos. Disse a ele o que segue: uma gata tem uma ninhada de dois filhotes; um médico veterinário, especializado em felinos, ganha um dos filhotes; um gari, sem nenhuma instrução, vivendo na faixa da miséria, ganha o outro filhote. A pergunta: quem trata melhor o gato? Do ponto de vista do senso comum, o gari não teria o preparo “profissional” para tratar do gato, mas poderia dar a ele o que fosse necessário para a sua sobrevivência. Por outro lado, o veterinário daria, sem dúvida, os melhores alimentos e medicamentos, o que garantiria a balanceada sobrevivência do felino. A resposta definitivamente à pergunta feita só pode ser dada pelo gato. Pelo menos, na minha parábola, se alguém trocar “gato” por “literatura”, vai poder entender o que eu queria dizer para quem me questionou sobre o pretenso equívoco crítico.

Num e noutro caso, a nota de jornal, para mim, coloca em questão a impossibilidade que quem quer que seja se auto-nomear “legislador da verdade”. Esta é uma imperatirz, absoluta e poderosa que, em sua relatividade, deixa confusos os seus súditos, para todo o sempre!

Homem

Homem é um substantivo masculino. No âmbito da Biologia, a palavra significa: mamífero da ordem dos primatas, único representante vivente do gênero Homo, da espécie Homo sapiens, caracterizado por ter cérebro volumoso, posição ereta, mãos preenseis, inteligência dotada da faculdade de abstração e generalização; e capacidade para produzir linguagem articulada. Em outras palavras: bípede desemplumado, às vezes imberbe, com polegar opositor. No âmbito da Antropologia, significa: qualquer outra espécie extinta do gênero Homo, como o Homo habilis e o Homo erectus.

O homem é um animal curioso. É capaz de sentir arrepios quando outro de sua espécie, do mesmo sexo ou não, passa um dedo por seu corpo; quando troca um beijo ou entra numa cachoeira num dia de verão. Sente prazer e alegria depois de uma boa noite de sono. Esse mesmo animal é capaz de matar, mandar matar, pagar para que outro mate. Isso, para mim não se explica…

Alguém poderia me explicar porque é que o homem grita e faz cara de bravo (como se estivesse atacando uma fera perigosa, para tentar espantá-la) quando atinge o primeiro lugar do podium? Por que será que o homem, principalmente aquele que pratica o ludopédio (alô pai dos burros!!!), cospe o tempo todo? Coçar o saco, emposrar a voz num tom mais grave, dar risadas canalhas, em tom alto, quando está em “bando”… práticas que expressam papeis sociais que, aparentemente, representam o gênero masculino… macho! Ai que palavra chatinha…

Em Zagreb, quando um homem passa, acompanhado de sua mulher, namorada, amiga ou mãe, por uma porta “vai e vem”, ele passa e larga a porta. Quando um casal entra num tramvaj, se há um lugar vago, ele se assenta e ela o acompanha. A exceção são os casais “jovens”: naturalmentem ela se senta no colo dele – é moderno! Outra das exceções era o casal de senhorios, de quem aluguei o apartamento. Explica-se: casal é vivido, viajou por boa parte do mundo, adquiriu um pouco de “verniz”!!!

Com o tempo e a idade, tenho exercitado a paciência e a tolerância, mas ainda custo a acreditar em alguma coisa como as atitudes do “Macarrão”, ou do ex-policial, ou do caseiro. Inacreditável…

Perspectivas

Se você esmiuça um texto imitando Jack, o estripador, você deve estar preparado. Você pode analisar uma frase, um período, um parágrafo em suas facetas: sintática, semântica, morfológica e discursiva. Você pode conseguir algum resultado interessante e, mesmo, iluminado. Sempre vai haver um eco contrário, dizendo que você está muito “colado” ao texto. Sua análise vai ser chamada de primária. Sua hermenêutica vai ser acusada de ingênua. Sua interpretação vai cair na boca de certas Matildes que não querem – sob o argumento de que não precisam mais – “ler” o “texto” analisado.

Uma outra possibilidade é você desenvolver um raciocínio, quem sabe, superficial, mais panorâmico. Suas referências serão, no máximo, parafrásicas, exigindo, de quem o lê, uma atenção redobrada, para fazer as ilações necessárias à compreensão de suas ideias. Mais: o “seu” leitor deverá ter lido o texto sobre o qual você escreve, objeto de suas elucubrações. Há dois riscos nesta atitude: seu trabalho ser desconsiderado, por superficialidade; sua análise ser profunda e radicalmente prejudicada por conta da exigência da leitura do “objeto”: seu leitor pode ser um tanto preguiçoso, como costuma acontecer, infelizmente!

Em qualquer das situações, o mesmo problema: sem ler o texto sobre o qual se quer dizer alguma coisa, nada é possível, absolutamente nada! Esta situação, ao que parece, é semelhante àquela que vivem músicos de uma orquestra sinfônica e seu condutor, o maestro – se um músico resolver não tocar certa nota, no tom certo e no andamento imposto pelo regente, põe em risco toda a harmonia da música e a orquestra pode seguir rumo errado. Já viu né!!! Outra maneira de dizer a mesma coisa é pensar como no roteiro de um filme: advogado tem crise de consciência ética quando percebe que seu cliente (milionário e esbanjador) é culpado pelo assassinato de uma mulher de programa (porque não se diz moça de programa?!). O juiz aue preside o julgamento pensa ter o advogado “nas mãos” por conta da série de casos “bem resolvidos”. Ledo engano. O advogado, ao atacar seu cliente (a quem “defendia” do assassinato) tem sua licença cassada e não pode praticar sua profissão. Vai para outro Estado e conhece um velho que dá a ele os originais de seu romance. Inesperadamente, o velho morre. Em seguida, o delegado da pequena cidade, investiga a morte e entrevista o ex-advogado que, homem ambicioso, apresenta os originais do romance para uma editora que publica o livro: sucesso estrondoso. Inexplicavelmente, numa tarde qualquer, de um dia qualquer, o falso escritor é preso sob suspeita de assassinato do velho que conhecera. O detetive responsável pelo caso recebera um exemplar do livro e verificara que os cinco assassinatos ficcionalizados eram idênticos às cinco mortes de cinco advogados que estavam na mesma situação que o acusado. Este escapa da prisão e, fugitivo, começa a “correr atrás” de possíveis provas que o inocentassem. Neste périplo, chega à casa de um professor de teatro e lá encontra um relógio de bolso que toca um musiquinha suave quando aberto. Bingo! Fica pergunta: quem matou os cinco advogados?

Está montado ao jogo: quem não “leu” as regras, não tem condições de responder

Momentos

São onze e quinza da noite… Meu pai e minha mãe dormem. O umidificador está ligado no quarto de minha mãe: a secura do ar ajuda à tosse dela e a neuropatia nos “trigêmeos” não dá tréguas à dor que ela sente. Meu pai ronca um pouco…

Eram onze e quinza da noita… Meu pai e minha mãe dormem. O umidificador está ligado no quarto de minha mãe: a secura do ar ajuda à tosse dela e a neuropatia nos “trigêmeos” não dá tréguas à dor que ela sente. Meu pai ronca um pouco… E muita gente também. As horas passaram e o dia acabou, dando início a outro, completamente novo e absolutamente igual. A não ser pela vitória da Espanha sobre a Alemanha. Em algum lugar do planeta, alguém está, agora, digitando a palavra “fim” ao terminar um ensaio, uma música ou um romance. Gente se casou e morreu, a dois minutos atrás. Músicas tocaram repetidamente nas estações de rádio pelos céus do planeta. Será que vai haver outra tsunami? Quantas crianças acabaram de nascer mundo afora? Quem vai ganhar a copa? Eu fico pensando em tudo que podia ter acontecido e não aconteceu… De outro lado, observar os os acontecimentos leva a gente a se acostumar com a mesmice e com as surpresas do espanto, da novidade, do inesperado!

Encontrei o livro. Vermelho e azul. O conto estava todo riscado, marcado, com codificações pra lá de peculiares: asteriscos, números circulados, trechos inteiros riscados, palavras riscadas, sozinhas, acompanhadas de setas que levam a observações marginais. Muitas observações marginais. Foi muito bom reencontrar Morangos Mofados. Caio Fernando Abreu é um escritor que admiro. Lembro de Ieda e de Sofia. A primeira, adora conversar com os livros que lê, como eu. Ela adora pedir que as pessoas a quem empresta os seus livros, façam marcas, escrevam comentários, perguntas, observações e críticas, igualmente marginais. Sofia também tem um código próprio, com marca única: os rostinhos sorrindo e/ou tristes, conforme o acordo/desacordo da leitora. Saudades de Sofia. Uma das boas conquistas da temporada croata!

Momentos assim fazem valer a pena estar vivo, ter saúde, conviver com familiares e amigos. Sào exatamente isso: momentos!