Momentos

São onze e quinza da noite… Meu pai e minha mãe dormem. O umidificador está ligado no quarto de minha mãe: a secura do ar ajuda à tosse dela e a neuropatia nos “trigêmeos” não dá tréguas à dor que ela sente. Meu pai ronca um pouco…

Eram onze e quinza da noita… Meu pai e minha mãe dormem. O umidificador está ligado no quarto de minha mãe: a secura do ar ajuda à tosse dela e a neuropatia nos “trigêmeos” não dá tréguas à dor que ela sente. Meu pai ronca um pouco… E muita gente também. As horas passaram e o dia acabou, dando início a outro, completamente novo e absolutamente igual. A não ser pela vitória da Espanha sobre a Alemanha. Em algum lugar do planeta, alguém está, agora, digitando a palavra “fim” ao terminar um ensaio, uma música ou um romance. Gente se casou e morreu, a dois minutos atrás. Músicas tocaram repetidamente nas estações de rádio pelos céus do planeta. Será que vai haver outra tsunami? Quantas crianças acabaram de nascer mundo afora? Quem vai ganhar a copa? Eu fico pensando em tudo que podia ter acontecido e não aconteceu… De outro lado, observar os os acontecimentos leva a gente a se acostumar com a mesmice e com as surpresas do espanto, da novidade, do inesperado!

Encontrei o livro. Vermelho e azul. O conto estava todo riscado, marcado, com codificações pra lá de peculiares: asteriscos, números circulados, trechos inteiros riscados, palavras riscadas, sozinhas, acompanhadas de setas que levam a observações marginais. Muitas observações marginais. Foi muito bom reencontrar Morangos Mofados. Caio Fernando Abreu é um escritor que admiro. Lembro de Ieda e de Sofia. A primeira, adora conversar com os livros que lê, como eu. Ela adora pedir que as pessoas a quem empresta os seus livros, façam marcas, escrevam comentários, perguntas, observações e críticas, igualmente marginais. Sofia também tem um código próprio, com marca única: os rostinhos sorrindo e/ou tristes, conforme o acordo/desacordo da leitora. Saudades de Sofia. Uma das boas conquistas da temporada croata!

Momentos assim fazem valer a pena estar vivo, ter saúde, conviver com familiares e amigos. Sào exatamente isso: momentos!

6 respostas para “Momentos”

  1. Começa parecendo que vai dar em leve depressão: a mesmice, os dias sempre iguais. Porém, aparece o livro cheio de marcas de um outro tempo e, a partir dele, boas memórias, mostrando que os dias não são tão iguais assim, por causa dos momentos. Deus abençoe os momentos: sem eles, o que seria de nós?
    Querido, vou para o sítio amanhã e estou te esperando se quiser aparecer por lá. Só lhe peço para avisar para eu fazer uma comidinha supimpa, ok? Beijos

    • Que bomq ue você gostou! Mais uma vez, acertou na mosca!
      A “comidinha supimpa” já está sendo antecipadamente por minhas “papilas”… 😉
      beijinho

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