Perspectivas

Se você esmiuça um texto imitando Jack, o estripador, você deve estar preparado. Você pode analisar uma frase, um período, um parágrafo em suas facetas: sintática, semântica, morfológica e discursiva. Você pode conseguir algum resultado interessante e, mesmo, iluminado. Sempre vai haver um eco contrário, dizendo que você está muito “colado” ao texto. Sua análise vai ser chamada de primária. Sua hermenêutica vai ser acusada de ingênua. Sua interpretação vai cair na boca de certas Matildes que não querem – sob o argumento de que não precisam mais – “ler” o “texto” analisado.

Uma outra possibilidade é você desenvolver um raciocínio, quem sabe, superficial, mais panorâmico. Suas referências serão, no máximo, parafrásicas, exigindo, de quem o lê, uma atenção redobrada, para fazer as ilações necessárias à compreensão de suas ideias. Mais: o “seu” leitor deverá ter lido o texto sobre o qual você escreve, objeto de suas elucubrações. Há dois riscos nesta atitude: seu trabalho ser desconsiderado, por superficialidade; sua análise ser profunda e radicalmente prejudicada por conta da exigência da leitura do “objeto”: seu leitor pode ser um tanto preguiçoso, como costuma acontecer, infelizmente!

Em qualquer das situações, o mesmo problema: sem ler o texto sobre o qual se quer dizer alguma coisa, nada é possível, absolutamente nada! Esta situação, ao que parece, é semelhante àquela que vivem músicos de uma orquestra sinfônica e seu condutor, o maestro – se um músico resolver não tocar certa nota, no tom certo e no andamento imposto pelo regente, põe em risco toda a harmonia da música e a orquestra pode seguir rumo errado. Já viu né!!! Outra maneira de dizer a mesma coisa é pensar como no roteiro de um filme: advogado tem crise de consciência ética quando percebe que seu cliente (milionário e esbanjador) é culpado pelo assassinato de uma mulher de programa (porque não se diz moça de programa?!). O juiz aue preside o julgamento pensa ter o advogado “nas mãos” por conta da série de casos “bem resolvidos”. Ledo engano. O advogado, ao atacar seu cliente (a quem “defendia” do assassinato) tem sua licença cassada e não pode praticar sua profissão. Vai para outro Estado e conhece um velho que dá a ele os originais de seu romance. Inesperadamente, o velho morre. Em seguida, o delegado da pequena cidade, investiga a morte e entrevista o ex-advogado que, homem ambicioso, apresenta os originais do romance para uma editora que publica o livro: sucesso estrondoso. Inexplicavelmente, numa tarde qualquer, de um dia qualquer, o falso escritor é preso sob suspeita de assassinato do velho que conhecera. O detetive responsável pelo caso recebera um exemplar do livro e verificara que os cinco assassinatos ficcionalizados eram idênticos às cinco mortes de cinco advogados que estavam na mesma situação que o acusado. Este escapa da prisão e, fugitivo, começa a “correr atrás” de possíveis provas que o inocentassem. Neste périplo, chega à casa de um professor de teatro e lá encontra um relógio de bolso que toca um musiquinha suave quando aberto. Bingo! Fica pergunta: quem matou os cinco advogados?

Está montado ao jogo: quem não “leu” as regras, não tem condições de responder

2 respostas para “Perspectivas”.

  1. Não sou boa detetive, li o texto algumas vezes e vou dar um palpite: o livro, por revelar o segredo! Errei? Então depois você me conta. Beijos

    1. Cartou e errou, ao mesmo tempo!
      O livro foi escrito pelo assassino – o professor de teatro. No fim, o advogado “cassado” é inocentado pelo juri. O dito cujo matou o escritor que, no encontro final, matou o detetive que recebeu o livro. Gostei da trama!
      beijinho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: