Entrevista

Vi na internet e fiquei embasbacado. Não sei se é para rir ou para chorar…

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Entrevista de Emprego
– Seu nome?
– Moises Lima.
– Escolaridade?
– Terceiro grau completo!
– Vamos começar com perguntas simples, conhecimentos gerais, história,geografia, ciências, personalidades.
– Quem foi Stalin?
– Um cara que cantava estalando os dedos.
– E Lênin?
– Tocava nos Beatles.
– O senhor não quer dizer Lennon?
– Esse fazia dupla com a Lilian.
– Ah… Leno!
– Não… Cantano.
– Vamos mudar de assunto. O que é equação?
– É a arte de montar uma égua.
– E equitação?
– É quando a gente paga todas a nossas dívidas.
– O que é um quelônio?
– É um tipo de mineral radioativo.
– Não seria plutônio?
– Não… esse é o nome completo do cachorro do Mickey.
– O que é fotossíntese?
– Denominação técnica para um retratinho 3 x 4.
– O que é um símio?
– Um cara que nasceu na Símia.
– Na Símia? E qual é a capital da Símia?
– Nessa tu me pegou: não me lembro agora.
– Quem era Pancho Vila?
– Companheiro de Dom Caixote.
– O que é um caudilho?
– Um osso que tem na ponta da coluna e segundo os cientistas, comprova que o homem tinha rabo e descende do macaco.
– Onde fica a vesícula?
– Debaixo da clavícula.
– Onde ficam os glúteos e para que servem?
– Ficam na garganta e servem para engolir.
– Onde fica o baço?
– Não é baço. É braço. São dois e ficam antes das mãos.
– Para que servem as fibras óticas?
– Para movimentar os olhos.
– Onde fica o Triângulo das Bermudas?
– Qualquer costureira sabe: entre o cós e o gavião.
– Quem descobriu a Lei da Gravidade?
– Um médico ginecologista francês, o Dr.Jeckyl.
– Putz! E quem foi Sócrates?
– Sócrates? Jogou na seleção. Tá vendo? Também conheço futebol; não é por ser eleitor da Dillma que tenho que ser ingnorante!

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Para quem gosta de ler III

Em História universal da destruição dos livros, os leitores têm a oportunidade de conhecer os motivos, modos e sujeitos que causaram esse tipo de assassinato da memória a sangue frio. Atitude tomada, inexplicavelmente, ao longo de 55 séculos. Os modos vão dos desastres naturais ou provocados, passando pela omissão de autoridades em relação a bens e equipamentos culturais como bibliotecas, arquivos e museus de onde são furtados títulos os mais diversos, até os saques e roubos, estes também feitos com o objetivo de alimentar uma rede de compradores espalhados pelo mundo. O livro em questão está repleto desses exemplos e eles não são privilégio de um país ou de um povo em determinado tempo: acompanham tristemente a humanidade em seu percurso histórico, social e político.

Báez dá exemplos ocorridos na Antiguidade e cita o nome de Platão como o de um representante desta índole destruidora por tentar, segundo ele, “acabar com os tratados de Demócrito”. No Egito, não foi diferente. O país dos faraós e escribas foi também responsável pela queima de inúmeros papiros. O faraó Aknhatón, que era monoteísta, “foi um dos primeiros a queimar livros”. Ao fugir do Egito em direção à terra proibida, Moisés também destruiu livros: “num acesso de cólera, ele atirou as tábuas e as quebrou ao pé da montanha (Êxodo, 32:19)”, o que não impediu os judeus de guiarem a sua vida pelos ensinamentos da Torá sagrada. A idéia de ter a vida guiada pelos ensinamentos de um livro expandiu-se para o Cristianismo, que no seu início condenou os evangelhos e doutrinas gnósticos.

Na Europa medieval e cristã não foi diferente. Apesar do significativo trabalho dos religiosos copistas, é bastante conhecido o efeito de censura e de destruição de livros pela Santa Inquisição. Hoje, a Igreja aconselha aos seus fiéis a não lerem O código da Vinci, de Dan Brown, como também já o fizeram as autoridades religiosas islâmicas em relação a Versos satânicos, de Salman Rushdie, considerado um inimigo do Islão, que se pauta pelos ensinamentos do santo Alcorão. A destruição veio para a América a bordo das caravelas, provocando o desaparecimento de códices pré-hispânicos. O Nazismo, antes do Holocausto judeu, praticou uma espécie de desintegração bibliográfica, iniciada em 30 de janeiro de 1933. Os livros lançados na fogueira parecem ter influenciado a criação dos crematórios. Para Báez, a poesia de Heinrich Heine tinha caráter profético: ”Onde queimam livros, acabam queimando homens.” À poesia de Heine juntamos a de Mário Quintana, que lembra que os livros só estariam a salvo com a destruição dos homens. Além do caráter de denúncia, o livro de Báez se destaca pelas informações a respeito da milenar aventura do homem de fixar a memória através da escrita, o que também parece significar destruí-la.

Por essas e por outras é que a História universal da destruição dos livros prima pela riqueza de informações e surpreende, pois o autor tem apenas 36 anos. Apaixonado por livros desde garoto, Fernando Báez fez de sua obra uma verdadeira homenagem aos livros. Homenagem que destaca como, ao longo dos séculos, o medo, o ódio, a soberba, a intolerância e a sede de poder foram combustíveis para destruir não só os livros do título, mas também todo o vínculo com a memória e o patrimônio das idéias que eles representam.

Para quem gosta de ler II

 

Partindo da antiguidade, Fernando Báez avança no tempo e relata como e porque, em diversas épocas de nossa História, a humanidade destruiu milhares de livros e documentos. Até o filósofo Platão queimou alguns de seus próprios livros, e livros de outros autores: seu raciocínio o levava a afirmar que o conhecimento deveria se restringir à mente; a manutenção do conhecimento por escrito poderia impedir que o homem buscasse mais saber. Muitas obras foram destruídas por pura vaidade de seus autores, ou de seus rivais. Até James Joyce foi alvo da sanha destruidora que dizimou todo um acervo bibliográfico. Seu livro de contos, Dublinenses, teve a primeira edição publicada em 1912. Mil exemplares foram impressos, e 999 foram queimados pelo impressor, John Falconer “porque lhe pareceu que o livro não tinha linguagem apropriada.” O livro foi reeditado em 1914.

Báez conta também que Jorge Amado teve problemas com uma de suas obras. Depois de citar que o peruano Mario Vargas Llosa e o irlandês James Hanley passaram por dificuldades com a censura e tiveram obras destruídas. O autor venezuelano diz que “O terceiro autor (a ter problemas com a censura) é o marxista brasileiro Jorge Amado, autor de Dona Flor e seus dois maridos. Mil e setecentos exemplares de um romance seu foram queimados por ordem direta do ditador Getúlio Vargas.” O estudioso também fala da recente destruição de livros no Iraque, resultado dos bombardeios norte-americanos no país, que também destruiu museus, universidades e outros centros culturais. Com eles, muitos documentos com centenas e até milhares de anos de existência (e informação!) foram “exterminados”. Perda irreparável para a humanidade…

A difusão da leitura, da escrita e do livro tornou-se diretriz da política cultural do Estado e de inúmeras ONG’s. Editais, feiras, festas e bienais, leis de incentivo, subsídios públicos e privados, bem como pesquisas acadêmicas são o termômetro desse fato. As temperaturas aferidas têm apontado para o alto, o que não significa que essa política seja uniforme e de resultados efetivos.

Livros, leitura e escrita, como objetos e práticas, têm a sua História e nela estão inclusas criação e destruição. É desta que trata o livro do venezuelano Fernando Báez: História universal da destruição dos livros. O período analisado é longo e serve de subtítulo: “Das tábuas sumérias à guerra no Iraque”, conferindo à obra um caráter panorâmico e político, dado que a guerra citada motivou, paradoxalmente, a sua criação. O conceito de livro, para Báez, é sinônimo de impresso, independentemente da técnica ou do suporte, expandindo, assim, os conceitos de escrita e leitura.

Visitando o Iraque em 2003, para investigar a destruição de bens culturais daquele país após a invasão dos Estados Unidos, Báez deparou-se com Emad, um jovem estudante de História na Universidade de Bagdá, que lhe perguntou: “Por que o homem destrói tantos livros?”. Apesar de ser um especialista, Báez silenciou naquele momento e a resposta veio em forma de livro um ano depois. O seu relato é o de uma autoridade no campo da História das bibliotecas e também o de um apaixonado pelos livros desde a infância.

Para quem gosta de ler I

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O que dizer de um livro que conta uma história da destruição de livros? Enlouqueceu o autor, poderia ser dito… mas não. Ele não enlouqueceu! Disse “uma” história, porque, na verdade, esta não precisa ser, necessariamente “a” História, sobre esse assunto. Debate longo, sinuoso, que, aqui, não vai levar ninguém a lugar nenhum. O que interessa é despertar o interesse pela leitura de um livro que parece desejar a morte da leitura, denunciando os processos – às vezes grosseiros, às vezes sofisticados – de destruição dos livros. Assunto polêmico, no máximo; instigante, no mínimo. O autor passou 12 anos estudando, viajando, pesquisando. Fez um trabalho de paleontólogo. Ele é venezuelano. Seu nome: Fernando Báez.

Recentemente teve seu livro, História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque. (Tradução de Léo Schlafman. Rio de Janeiro: Edirouro, 2006, 440 p.), publicado no Brasil. O livro começa contando a História dos livros. “Os primeiros livros da humanidade apareceram na ignota e semi-árida região da Suméria, no mítico Oriente Médio e eram feitos de argila”. Esta observação sustenta a ousadia do autor: contar uma História da destruição desse objeto tão discutido, num arco cronológico que começa com as tábuas sumérias e chega à guerra no Iraque. Livros ou tábuas desapareceram por causa da frágil estrutura que tinham, como consequência de fenômenos naturais e, também, da “mão violenta do homem.” Algumas dessas tábuas datam dos anos 4.100 a.C. ou 3.300 a.C. Não há como se saber com exatidão a idade desses primeiros livros. Mas o que se sabe, com certeza, é que eles são muito antigos. Podem, inclusive, ser mais antigos ainda, pois as pesquisas que desenterraram esses documentos não podem ser consideradas definitivas. Como, aliás, nada no mundo pode ser considerado definitivo.

O livro de Báez já seria interessante apenas pelo fato de ser um estudo sobre a “destruição de livros em massa”, ou o “extermínio de livros”, como ele, às vezes, define o ato de destruir livros. Além do mais, dos 12 anos de pesquisa, das citações de autores da antiguidade, de contar uma História do surgimento dos livros, Fernando Báez consegue fazer do seu livro uma leitura agradável para qualquer um. E esta expressão, aqui, não vai carregada de sentido pejorativo. Ao contrário, celebra a abertura de horizonte de expectativas da leitura, como deveria sempre ser. Em vez disso, ao que parece, os autores desejam sempre escrever livros que sejam, ainda que aparentemente, alvo de estudiosos. Que bom que não é esse o caso aqui!

Nesta obra, Báez divide com o leitor um pouco de suas próprias experiências, como quando ele entrou em uma livraria em Madri, a fim de procurar um livro de Miguel de Unamuno. Nessa livraria, o autor não encontrou o que queria, mas se deparou com outro livro: uma antologia de poemas de Federico Garcia Lorca, que estava em frangalhos: o livro praticamente virava pó na medida em que era manuseado. Nas suas últimas folhas, uma nota oficial, que dizia “Livro proibido. Astúrias, El Infierno”. Báez procurou o dono da livraria e perguntou o valor daquele exemplar. Ouviu o seguinte: “Leve-o, não sei quem trouxe esse livro de comunista”. O impacto daquele acontecimento – ter encontrado um livro tão importante, pelo seu conteúdo proibido, pelas circunstâncias de sua publicação e pelas consequências dela (Garcia Lorca, para quem não sabe, foi assassinado em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola) –, motivou o venezuelano a iniciar seus estudos sobre a destruição de livros.

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