Experiência

Mais uma que recebi. Internete também tem coisas boas, interessantes, úteis… Como gosto, fico alegre quando recebo, leio, encontro, alguma coisa que me faz pensar nem que seja um pouquinho só. É diferente da minha vizinha que grita o dia inteiro, gasta água sem controle e reclama da Prefeitura porque a caixa está quase vazia, depois reclama que a caixa está vazando e daí gasta mais e mais jogando água pra fora da varanda. Grita mais um pouco e chama pela vizinha, num tom de voz estridentemente irritante ou irritantemente estridente: você escolhe. Uma tristeza. Fala, fala, fala, fala. Só sai de casa pra falar – a maior parte do tempo a casa está hermeticamente fechada. Mas chega de fuxico e vamos ao que interessa. Mais uma vez, tenho que avisar que desconheço a autoria do texto que segue. Espero que gostem…

“No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: ‘Você tem experiência’? A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

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REDAÇÃO VENCEDORA:

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela.

Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.

Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.

Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.

Já passei trote por telefone.

Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo.

Já confundi sentimentos.

Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.

Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.

Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.

Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.

Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.

Já apostei em correr descalço na rua, Já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ‘para sempre’ pela metade.

Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ‘Qual sua experiência?’.

Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência… experiência…

Será que ser ‘plantador de sorrisos’ é uma boa experiência?

Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!

Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? ‘Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?’”

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Qual dos dois?

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Um contador de histórias é um escritor? Invertendo os termos: um escritor é um contador de histórias? Isso depende… de tanta coisa… Há quem diga que são dois tipos de atividades diferentes. Isto está certo. Há também que considere que são absolutamente iguais, mudando apenas os “meios”. Ambos dependem da linguagem, ora escrita, ora falada. Mas um texto escrito não fala? E o texto falado não pode ser gravado e transcrito? Por que será, então, que alguém cismou de afirmar que s ão diferentes? Será que apenas para causar celeuma e poder inaugurar  mais um capítulo naquilo que se convencionou chamar de Teoria da Literatura? Sei não…

Depois de muitas horas de espera e muita energia elétrica consumida, consegui “baixar” os nove capítulos da série televisiva O tempo e o vento, adaptação do romance homônimo de Erico Verissimo. Li os sete volumes da saga, pouco tempo antes de me mudar para Santa Maria-RS. Qual não foi minha surpresa quando, em lá chegando, sedento por satisfazer minha curiosidade visual, perguntei, para deboche geral, onde ficava Santa Fé. Não contente, ainda acrescentei que queria muito conhecer a cidade em que “tudo” ocorreu. Mais risadas… Santa Fé não “existe”, de fato. cruz Alta é o nome da cidade que, em certa medida, de certo modo, serviu de “base” para a criação romanesca da Santa Fé, cenário de parte importante da saga relatada pela pena do escritor gaúcho, Minha impressão foi muito intensa, muito forte. AP final da leitura, queria muito pisar o mesmo chão de Bibiana, já velha. Rodear a famosa figueira. Olhar para o horizonte embaçado pela névoa, companheira inseparável nas manhãs dominadas pelo minuano. Quem já viveu lá, ou passou por lá no inverno, sabe muito bem do que estou falando… No entanto, Santa Fé não existe. Nas páginas dos sete tomos (três volumes do romance/saga) ela está incólume, assistindo, entre aterrada e esperançosa o desdobramento de uma rixa mais que secular, visceral. Bento e Licurgo encarnam a fase madura de uma luta que começou silenciosa num descampado gaúcho, varrido pelo vento, quando uma menina dos cabelos escorridos e olhar forte respirava a vontade de se ver num espelho de verdade. O índio explicita a sina: quando ela se vir no espelho, ele morre. Dito e feito. Pedro Terra é o primeiro de uma série de homens e mulheres que vão “povoar” o rincão gaúcho, guiados pela mão firme de Ana Terra. Depois vêm Bibiana, Rodrigo, Pedro Terra, Juvenal, Alice, Valéria, Licurgo, Padre Romano e Dr. Winter. Uma galeria de tipos que, na “telinha” ganha carnadura de talento. Lélia Abramo, impecável como a Bibiana velha e um tanto confusa com suas lembranças. José Lewgoy (apesar de não ser muito fã dele) grandioso como Bento Amaral, aquele que ficou se vangloriando pela ausência da perninha do “erre”. Insuperável, o Rodrigo vivido por Tarcísio Meira. Galeria de tipos consistentes e fortes. Cast de respeito, que soube encarnar com delicadeza, sensibilidade, força e determinação a personalidade daquele povo gaúcho, no “raiar” de sua gente, sua terra.

E a pergunta continua sem resposta. Erico Verissimo escreveu o romance. Para mim, mais que isso, ele contou uma história. Ambas as atividades, com mão firme e senso de beleza e realidade. Ele foi escritor ou foi contador de histórias? Terá sido ambos? Foi nenhum dos dois? Quem saberá, mesmo, responder? Continuo desconfiando de que, no momento em for possível responder definitivamente a perguntas como estas, a Literatura vai perder a sua “graça”. Já não será preciso decidir entre “isto ou aquilo”. Saudades de Cecília…

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Desabafo

Saudades da Márcia. Ela cuidava de tudo. Eu jamais tive que me preocupar com alguma coisa. Ela sempre dava um jeito. Sua atenção e delicadeza supriam meu ego de tranquilidade. Radicalmente oposta ao que a maioria de seus colegas costuma fazer. Atendia ao telefone, com presteza. Telefonava quando era necessário, inclusive, antecipando-se a alguma situação mais espinhosa. Sempre deixava claras todas as entrelinhas, sem esconder detalhes em “defesa da instituição”. O que acontece hodiernamente é exatamente o contrário. Se você telefona perto das 16 horas, ninguém atende ao chamado. Se você procura por alguém, esta pessoa ainda não retornou do almoço. Claro está que isso só acontece depois de intermináveis minutos de espera: misto de raiva e tédio: raiva porque os créditos do celular ou minutos de telefonia fixa estão sendo gastos inutilmente; tédio por conta das musiquinhas patéticas ou dos reclames a favor da instituição, injetando lixo em cima de lixo sobre as vantagens de ser um cliente assim ou assado. No tempo da Márcia, eu jamais ficaria sabendo que a conta ouro foi cortada, pela retirada de folhas de cheque cor de rosa de um terminal de atendimento. Ela teria alertado para esta possibilidade antes. Melhor, ela teria evitado que isso chegasse a acontecer e entraria em contato comigo depois do problema resolvido. Eu não saberia jamais de algum problema. Sua simpatia e presteza são infinitamente superiores à presunção arrogante daqueles que usam camiseta amarelas com os dizeres “posso ajudar”? Como se pudessem. Pios, como se quisessem, de fato, fazê-lo. O “atendimento” bancário só não é pior que o atendimento em lojas de comércio eletrônico, principalmente no “seguimento” de celulares e computadores. A sensação que se tem é a de que você já entra devendo favores para os vendedores. Eles olham para o cliente como se este fosse um verme alienígena que devesse ser evitado, para que o “sistema” não seja aviltado. Dão informações rasteiras, como se verdades universais estivessem sendo propaladas de suas bocarras…

Você pagas as contas em débito automático, abre uma poupança, deposita mensalmente as parcelas da previdência privada. Faz seguro do carro, da casa, de vida – que vale sempre uma miséria – compra um título de capitalização e tem cartões de crédito de duas, três bandeiras diferentes… Quinze anos como correntista e do nada – das poucas expressões de que realmente gosto em inglês: out of the blue – sua “conta ouro” é cortada, sem a menor cerimônia. Falar em constrangimento é até ofensivo… para essa gente. Afinal de contas é um “banco todo seu”… Vai acreditando, vai…

Para alguém (ens), mesmo sem saber

O que vem a ser a certeza de que as coisas dão certo? Certeza? Penso que esta certeza simplesmente inexiste.

Então, por que será que tantos andem atrás dela, pelos mais variados subterfúgios, arranhando-se nos mais emaranhados roteiros, acreditando na possibilidade de atalhos que jamais levam a porto seguro? Será que era assim que pensava “um certo capitão Rodrigo?”. Anos depois de ter lido a saga gaúcho, revejo a adaptação televisiva. São mais de 20 anos de distância entre o agora e o estágio televisivo. Mais uns tantos desde a primeira vez que minhas retinas percorreram aquelas linhas, para acreditar que Santa Fé existia de fato. Hoje é quase impossível imaginar Ana Terra com cara diferente que a da então jovenzinha Glória Pires. Ou um capitão Rodrigo mais garboso que o posudo Tarcísio Meira. A falecida Lilian Lemmertz, se não me falha a memória, faz a Bibiana na terceira fase sua vida. Depois de passar por poucas e boas. Lembro-me vagamente de algumas passagens, mas jamais me esquecerei dos ataques de asma de Mario Lago, na pele do pároco de Santa Fé. Coitado. Figura emblemática, que pena nas mãos do capitão. Ops… uma rima!

Ler. Uma das aventuras mais sem limite que a existência do homem pode experimentar. Às vezes, do lado de lá da mesa, penso no que poderia ser feito se todo mundo viajasse por entre as letras de uma página, como acredito fazer. Observando os olhos dos que estão do lado de lá, às vezes, sobrevém sentimento de decepção, impaciência e até  raiva. Por que será que deixei de escolher outra carreira? Será que experimentaria o que experimento hoje, se assim tivesse acontecido? Jamais saberei. Esse é o verdadeiro inferno de que fala Sartre. Será mesmo? Quantos equívoco em nome de uma suposta verdade, de uma presunçosa certeza de que é assim e não assado. Há que ter tolerância. Eles jamais saberão o que de fato se passa no íntimo de qualquer um outro. Existem mais coisas importantes, ainda que não se saiba nomeá-las todas. Então, de fato, para quê solfejar hosanas para alguma coisa que vai ser esquecida daqui a pouco tempo? Todas as palavras já foram ditas, literalmente. As combinações entre elas é que mudam. Pode mudar também o contexto. A entonação, com absoluta certeza, muda a cada fração de segundo. Isso, para ver as coisas de um lado. Se o outro lado se oferecer à observação, ou for buscado para tanto, outro tanto de constatações também irão ter lugar. Uma certa mulher disse que um certo homem era preconceituoso. Ela justificou a acusação dizendo que ele dizia isso e mais aquilo. Mas como é que ele pode ser acusado se quem disse não foi, literalmente, ele. O fato dele ter escrito alguma coisa e colocado esse dito na boca de uma personagem, não faz dele o responsável direto sobre o conteúdo do que foi dito. Estarei errado? Ou minha ingenuidade insiste em me pragar ais uma peça. Penso que jamais saberei.

Clarice descreve a cena de uma mulher que amassa uma barata com o armário, contra a parede do quarto. Não satisfeita, ela faz a tal mulher comer o que sobrou da barata. Em outro lugar, ela descreve uma retirante que guarda frango frito debaixo do travesseiro, para gozar o momento de intimidade e triunfo comendo a carne sozinha. De quebra, a retirante chora ao ouvir ária de uma ópera. Transgressões… Graciliano pinta um homem amarelo como símbolo de um poder decadente: Fabiano não sabe disso. Eça, esmiúça a hipocrisia e a insensibilidade paroquial de um candidato a monsenhor, quando engravida moça beata, sem o menor escrúpulo. Machado devaneia sobre o ciúme e a dúvida, apresentando a faca e o queijo, mas ninguém consegue comer. Mistérios…

Isso é para meus alunos, aqueles que me acompanham nessa experiência diária de tentar fazer valer a pena…

Por essas e por outras

Pode ser que o autor do “repente” seja um dos telespectadores que gastam dinheiro telefonando para retroalimentar a boçalidade do programa de televisão (?). Acredito que não: seria muita hipocrisia! Causa-me espécie uma pessoa tida e havida como “inteligente” se vangloriar de ganhar dinheiro fazendo o que faz e se prestar ao papel – patético –de ficar na frente da televisão fazendo caras e bocas, em nome de uma suposta popularidade. Essa tal de lei de gerson é uma falácia e só não viu isso quem não quer ver. Se eu fosse ele, eu voltava pra casa e ficava quieto, gastando os rendimentos da fortuna amealhada à custa da imbecilidade alheia que, mórbida, acredita fazer parte de um mundo “muderno” e globalizado… Argh! Ah…, e não venham me dizer que esta minha “reação” é coisa de gente com inveja ressentida por conta do “sucesso” alheio!!! Se “isso” é mesmo “sucesso”, fico mais feliz atendo-me à minha insignificância: mais saudável e tranquila, não fazendo mal a ninguém, absolutamente ninguém!

BIG BROTHER BRASIL

Autor: Antônio Barreto (Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador)

                                Curtir o Pedro Bial
                                E sentir tanta alegria
                                É sinal de que você
                                O mau-gosto aprecia
                                Dá valor ao que é banal
                                É preguiçoso mental
                                E adora baixaria.

                                Há muito tempo não vejo
                                Um programa tão ‘fuleiro’
                                Produzido pela Globo
                                Visando Ibope e dinheiro
                                Que além de alienar
                                Vai por certo atrofiar
                                A mente do brasileiro.

                                Me refiro ao brasileiro
                                Que está em formação
                                E precisa evoluir
                                Através da Educação
                                Mas se torna um refém
                                Iletrado, ‘zé-ninguém’
                                Um escravo da ilusão.

                                Em frente à televisão
                                Lá está toda a família
                                Longe da realidade
                                Onde a bobagem fervilha
                                Não sabendo essa gente
                                Desprovida e inocente
                                Desta enorme ‘armadilha’.

                                Cuidado, Pedro Bial
                                Chega de esculhambação
                                Respeite o trabalhador
                                Dessa sofrida Nação
                                Deixe de chamar de heróis
                                Essas girls e esses boys
                                Que têm cara de bundão.

                                O seu pai e a sua mãe,
                                Querido Pedro Bial,
                                São verdadeiros heróis
                                E merecem nosso aval
                                Pois tiveram que lutar
                                Pra manter e te educar
                                Com esforço especial.

                                Muitos já se sentem mal
                                Com seu discurso vazio.
                                Pessoas inteligentes
                                Se enchem de calafrio
                                Porque quando você fala
                                A sua palavra é bala
                                A ferir o nosso brio.

                                Um país como Brasil
                                Carente de educação
                                Precisa de gente grande
                                Para dar boa lição
                                Mas você na rede Globo
                                Faz esse papel de bobo
                                Enganando a Nação.

                                Respeite, Pedro Bienal
                                Nosso povo brasileiro
                                Que acorda de madrugada
                                E trabalha o dia inteiro
                                Dar muito duro, anda rouco
                                Paga impostos, ganha pouco:
                                Povo HERÓI, povo guerreiro.

                                Enquanto a sociedade
                                Neste momento atual
                                Se preocupa com a crise
                                Econômica e social
                                Você precisa entender
                                Que queremos aprender
                                Algo sério – não banal.

                                Esse programa da Globo
                                Vem nos mostrar sem engano
                                Que tudo que ali ocorre
                                Parece um zoológico humano
                                Onde impera a esperteza
                                A malandragem, a baixeza:
                                Um cenário sub-humano.

                                A moral e a inteligência
                                Não são mais valorizadas.
                                Os “heróis” protagonizam
                                Um mundo de palhaçadas
                                Sem critério e sem ética
                                Em que vaidade e estética
                                São muito mais que louvadas.

                                Não se vê força poética
                                Nem projeto educativo.
                                Um mar de vulgaridade
                                Já tornou-se imperativo.
                                O que se vê realmente
                                É um programa deprimente
                                Sem nenhum objetivo.

                                Talvez haja objetivo
                                “professor”, Pedro Bial
                                O que vocês tão querendo
                                É injetar o banal
                                Deseducando o Brasil
                                Nesse Big Brother vil
                                De lavagem cerebral.

                                Isso é um desserviço
                                Mal exemplo à juventude
                                Que precisa de esperança
                                Educação e atitude
                                Porém a mediocridade
                                Unida à banalidade
                                Faz com que ninguém estude.

                                É grande o constrangimento
                                De pessoas confinadas
                                Num espaço luxuoso
                                Curtindo todas baladas:
                                Corpos “belos” na piscina
                                A gastar adrenalina:
                                Nesse mar de palhaçadas.

                                Se a intenção da Globo
                                É de nos “emburrecer”
                                Deixando o povo demente
                                Refém do seu poder:
                                Pois saiba que a exceção
                                (Amantes da educação)
                                Vai contestar a valer.

                                A você, Pedro Bial
                                Um mercador da ilusão
                                Junto a poderosa Globo
                                Que conduz nossa Nação
                                Eu lhe peço esse favor:
                                Reflita no seu labor
                                E escute seu coração.

                                E vocês caros irmãos
                                Que estão nessa cegueira
                                Não façam mais ligações
                                Apoiando essa besteira.
                                Não deem sua grana à Globo
                                Isso é papel de bobo:
                                Fujam dessa baboseira.

                                E quando chegar ao fim
                                Desse Big Brother vil
                                Que em nada contribui
                                Para o povo varonil
                                Ninguém vai sentir saudade:
                                Quem lucra é a sociedade
                                Do nosso querido Brasil.

                                E saiba, caro leitor
                                Que nós somos os culpados
                                Porque sai do nosso bolso
                                Esses milhões desejados
                                Que são ligações diárias
                                Bastante desnecessárias
                                Pra esses desocupados.

                                A loja do BBB
                                Vendendo só porcaria
                                Enganando muita gente
                                Que logo se contagia
                                Com tanta futilidade
                                Um mar de vulgaridade
                                Que nunca terá valia.

                                Chega de vulgaridade
                                E apelo sexual.
                                Não somos só futebol,
                                baixaria e carnaval.
                                Queremos Educação
                                E também evolução
                                No mundo espiritual.

                                Cadê a cidadania
                                Dos nossos educadores
                                Dos alunos, dos políticos
                                Poetas, trabalhadores?
                                Seremos sempre enganados
                                e vamos ficar calados
                                diante de enganadores?

                                Barreto termina assim
                                Alertando ao Bial:
                                Reveja logo esse equívoco
                                Reaja à força do mal…
                                Eleve o seu coração
                                Tomando uma decisão
                                Ou então: siga, animal…

                                FIM
                                Salvador, 20 de fevereiro de 2011.

Conto o milagre, mas não o santo!

Recebi mensagem de um amigo muito querido. Um desabafo. Ele diz coisas que também penso e com as quais concordo. Pedi a ele para colocar seu desabafo aqui. Ele autorizou com algumas restrições que vão marcadas pelas reticências entre parênteses. Se algum dia as pessoas citadas se reconhecerem na mensagem, talvez uma miríade de almas libertar-se-ão do purgatório…

“No meu modesto entendimento e muito modesto mesmo, pois não dou aulas na portentosa (…) ou em outras [instituições] mais prestigiosas. É triste constatar que a literatura pesarosamente vem perdendo terreno e as Letras, enquanto estudo, estão definitivamente mortas. Mortas e sepultadas pela impostura de plantão e o pior de tudo financiadas com o apoio das instituições do saber e manipuladas pelos vivaldinos de plantão.

Enfim, pertenço teimosamente à escola do pessimismo ressentido de um Steiner e de um Bloom, de um Benjamin e de um Adorno. Posso fazer uma ou outra concessão ao Bhabha, mas nunca ninguém me verá cortejar Deleuze, (…), Angel Rama, Derrida ou Beatriz Sarlo e todas as coisas ditas sobre o intelectual da e na América Latina. Só faltou eu mencionar o Silviano Santiago, que é a única coisa que aquele outro o (…) conhece bem. São exatamente as discussões enfadonhas sobre as margens e as fronteiras, sobre o escritor e a formação da América Latina, a cultura do colonizador, as assimetrias de poder, os grupos literários minoritários, de países pequenos etc., etc., que fazem a literatura da América latina (em espanhol) com exceção de Borges, Cortázar e Carpentier ser o que é: pobre. Os latino-americanos poderiam ter aprendido algumas coisas com esses três monstros, que sempre pensaram e agiram como escritores de fato e nunca se sentiram à margem de nada. Machado de Assis já prefigurava isso no século XIX. E ainda se fala de uma crítica literária e teoria latino-americana. O mundo vai de mal a pior e sem solução para os impasses. Vivemos tempos desgraçadamente enfadonhos. Quem me dera poder ver ressurgir um Balzac ou um Tolstói, um Flaubert ou Dostoievski. Infelizmente, morrerei e não verei. Nem ao menos terei o consolo de pensar na morte à maneira de Tolstói, com um aguçado senso de aprendizagem do agônico. Inicio amanhã um curso insignificante de Teoria da Literatura sobre a Literatura. A insignificância reside no fato de focalizar uma coisa fora de moda: literatura, pois será empreendido com base em Homero (Ilíada e Odisseia), Stendhal (O vermelho e o negro), Kafka (A metamorfose), Sophia de Melo (Dual), João Cabral de Melo Neto (O auto do frade) e A poesia de Konstantinos Kávafis. Ainda não descobri como encaixar nesses autores uma possibilidade de abordagem multiculturalista ou pós-colonial ou pós-moderna. Será um problema me deixar seduzir pelos avatares do pós-moderno. Vou modestamente oferecer um curso de crítica literária, pois sou da roça e a roça é sempre canônica, sem concessões. Só o cânone é passível de renovação, de rejuvenescimento, de causar deslumbre impactante. Mas essa é a modesta opinião de um professor da roça. Na roça, as modas literárias como as roupas e outros costumes chegam mais tarde. Enfim, não sou velho, mas pertenço a um tempo em que se estudava Literatura com Letras maiúsculas não esse emaranhado de autores sem irradiação ou de abordagens de ponta, de vanguarda, que nada mais fazem do que traduzir a nossa atávica mediocridade, a nossa preguiça de ler e de pensar. Tolstói dá muito mais trabalho do que José Mauro de Vasconcelos ou o Cerco de Paissandu da literatura uruguaia. Enfim, desculpe-me o desabafo,mas é assim que penso e pensarei.”

Assino embaixo das palavras do colega, ex-aluno e, acima de tudo e mais importante, amigo querido!

No frigir dos ovos

Na falta (praticamente absoluta) de vontade para procurar mais vontade de pensar em escrever alguma coisa “original” (alguém pode me dizer o que é isso, de fato?!), vai mais uma cópia. Recebi de um amigo, mas não tenho a menor ideia de quem seja o “autor” (outra “instância” misteriosa). Tomara que gostem, como gostei!

Quá!

“Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão <no frigir dos ovos>”?

Resposta:

Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.

E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco…

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Entendeu o que significa <no frigir dos ovos>”?”