Desabafo

Saudades da Márcia. Ela cuidava de tudo. Eu jamais tive que me preocupar com alguma coisa. Ela sempre dava um jeito. Sua atenção e delicadeza supriam meu ego de tranquilidade. Radicalmente oposta ao que a maioria de seus colegas costuma fazer. Atendia ao telefone, com presteza. Telefonava quando era necessário, inclusive, antecipando-se a alguma situação mais espinhosa. Sempre deixava claras todas as entrelinhas, sem esconder detalhes em “defesa da instituição”. O que acontece hodiernamente é exatamente o contrário. Se você telefona perto das 16 horas, ninguém atende ao chamado. Se você procura por alguém, esta pessoa ainda não retornou do almoço. Claro está que isso só acontece depois de intermináveis minutos de espera: misto de raiva e tédio: raiva porque os créditos do celular ou minutos de telefonia fixa estão sendo gastos inutilmente; tédio por conta das musiquinhas patéticas ou dos reclames a favor da instituição, injetando lixo em cima de lixo sobre as vantagens de ser um cliente assim ou assado. No tempo da Márcia, eu jamais ficaria sabendo que a conta ouro foi cortada, pela retirada de folhas de cheque cor de rosa de um terminal de atendimento. Ela teria alertado para esta possibilidade antes. Melhor, ela teria evitado que isso chegasse a acontecer e entraria em contato comigo depois do problema resolvido. Eu não saberia jamais de algum problema. Sua simpatia e presteza são infinitamente superiores à presunção arrogante daqueles que usam camiseta amarelas com os dizeres “posso ajudar”? Como se pudessem. Pios, como se quisessem, de fato, fazê-lo. O “atendimento” bancário só não é pior que o atendimento em lojas de comércio eletrônico, principalmente no “seguimento” de celulares e computadores. A sensação que se tem é a de que você já entra devendo favores para os vendedores. Eles olham para o cliente como se este fosse um verme alienígena que devesse ser evitado, para que o “sistema” não seja aviltado. Dão informações rasteiras, como se verdades universais estivessem sendo propaladas de suas bocarras…

Você pagas as contas em débito automático, abre uma poupança, deposita mensalmente as parcelas da previdência privada. Faz seguro do carro, da casa, de vida – que vale sempre uma miséria – compra um título de capitalização e tem cartões de crédito de duas, três bandeiras diferentes… Quinze anos como correntista e do nada – das poucas expressões de que realmente gosto em inglês: out of the blue – sua “conta ouro” é cortada, sem a menor cerimônia. Falar em constrangimento é até ofensivo… para essa gente. Afinal de contas é um “banco todo seu”… Vai acreditando, vai…

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3 comentários sobre “Desabafo

  1. Cara, levei susto: daqui a pouco acabam com meu cheque especial da CAIXA só porque também tiro folhas de cheque no terminal. Banquetas do governo federal… esquecem que há outras instituições bancárias e que a gente pode se bandear para elas e ser tratado com respeito e, por vezes, até com deferência… Um horror! Fica aqui meu apoio ao seu protesto. Beijos, Angelest faced

    1. Pois é… Depois de quinze anos… esta!
      Mas não passa desta semana. Conforme for… fico só com a conta salário e um cartão de crédito!
      beijinho
      🙂

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