Mudanças

Há alguma coisa mudando, realmente. Pode ser que os apocalípticos de plantão estejam certos: estamos em maio, e 2012 está perto, cada vez mais perto. Às vezes, brincando, digo que o mundo acabou-se mesmo em 2000, como previu Nostradamus. Foi ele mesmo não foi? Digo que o que estamos vivendo, desde então, é meramente memória guardada do que se chamava, e ainda se insiste em chamar de “vida”. Digo isso, lembrando (ops!) de uma aula de Estética da Literatura, na UnB, em 1986, quando fiz mestrado. A professora começou com a observação de que o que estávamos vivendo ali, naquele momento poderia ser apenas rememoração e outra dimensão existencial, que não estávamos “realmente” ali e que ainda não nos tínhamos dado conta desse fato. O delírio durou umas cinco horas, pois quando nos demos conta, eram quase sete da noite, e a aula tinha começado às duas e meia! Pois…

Outro dia, no início de uma partida de voleibol, a televisão mostrou a “indecisão” de todos os envolvidos, sobre se a partida deveria acontecer ou não. Motivo: com as chuvas de então, corria-se o risco de haver algumas escorregadelas na quadra, o que poderia causar danos às atletas que “profissionais” não poderiam ser expostas a este “risco”. Quando meus pais jogavam voleibol, os jogos aconteciam em quadras de cimento. Muita gente boa já ganhou campeonatos jogando em condições bem inferiores… Tudo bem, o progresso… Eu jamais soube de alguém que tenha encerrado carreira por conta de um escorregão, algumas esfoladelas e, até, pernas e braços quebrados. Que eu saiba, nenhum jogar morreu em quadras de cimento.

Mais uns dias e… Um grupo grande de adolescentes é assassinado brutalmente por um rapaz desequilibrado. Uma tragédia, sem dúvida. O rapaz mata e depois se mata. A “mídia” exalta-se, corre atrás de depoimentos de sobreviventes e de parentes dos mortos. As perguntas continuam estupidamente as mesmas. Tanto que não merecem sequer um comentário. A polícia diz isso, os políticos dizem aquilo, a imprensa, em nome da sociedade, “exige” medidas de segurança. Mas ninguém se lembrou de dar proteção à família do assassino que, com medo de ser linchada – o que fatalmente aconteceria dado o nível de histeria coletiva que envolveu o imbróglio – não foi resgatar o corpo para enterrá-lo. De acordo com as “leis” há um prazo para isso. Findo este, o defunto é enterrado como indigente”, ainda que o termo n a taxonomia legal não seja exatamente este!

Para ficar só com dois “casos”, lembro apenas o fato de que o esporte “amador” morreu. Irrevogavelmente. Ninguém mais pratica esporte por gosto, prazer, espírito desportivo. O que “manda” é o dinheiro, a fama, o patrocínio, o desconto no imposto de renda, a mudança para o exterior, a disputa por “um lugar ao sol” ou a capa da revista, ou o cheque de milhares de reais. Claro está que o “mérito” pela vitória – ainda que questionável, muito questionável mesmo, na minha modesta e quase inútil opinião – não se pode deixar de destacar. Numa expressão só: que pena!

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