Carências

Dizem que é do Jabor. Sei não. Deixei de lado a vontade de ir procurar a comprovação de autoria. Tanto faz. O texto fala por si, mesmo com todo sexismo tendencioso do “autor”. Sem ofensa. Mas ele pensa só em termos de “ele e ela”. Com inteligência – o que parece não lhe faltar – e um pouco de atenção dá pra escrever sobre o mesmo assunto sem restringir seu campo semântico a uma relação que, necessária e “naturalmente” não é estabelecida em padrões “essenciais”. Todo mundo sabe o que é uma convenção. Então… convenhamos! Mas a ideia é boa. Por isso abro mão de minha chatice e o publico aqui! Tomara que seja do agrado de quem se dispuser a lê-lo!

 

Estamos com fome de amor…

Arnaldo Jabor

(Jornal O dia)

O que temos visto por ai ??? Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes. Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer… mas??? Chegam sozinhas e saem sozinhas… Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos…
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos personal dancer, incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida? Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama … sexo de academia… Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalísticas…
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção… Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós… Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos “ORKUT”, “PAR-PERFEITO” e tantos outros, veja o número de comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra viver sozinho!” Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal “beleza”…

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens  com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez  mais sozinhos… Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário… Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa… Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodé, brega, famílias preconceituosas… Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados…

Mas e daí?  Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado… “Pague mico”, saia gritando e falando o que sente, demonstre amor… Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais… Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida… E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois…
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?

Um ditado tibetano diz: “Se um problema é grande demais, não pense nele… E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?”
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado… O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out… ou in… Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na Playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos. Queira do seu lado a mulher inteligente: “Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”… Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: “amo você”, “fica comigo”, então não se importe com a opinião dos outros, seja você, seja feliz!

Antes ser idiota para as pessoas, que viver infeliz para si mesmo e por que não dizer para sempre!?

Para ler, divulgar e… praticar!

Quem fala demais…

Tenho um amigo que conhece um físico (com doutorado e tudo – pra nenhum membro da república dos “phdeuses” desconfiar!) que afirma – “de pé junto e mão beijada” – que plástico não leva mais que uns 25 a 30 anos se decompor, porque é subproduto do petróleo: uma coisa “natural”. Ele já lançou um desafio: se alguém encontrar algum objeto plástico com mais de 100 anos de vida, ele come o diploma e desiste da profissão. O desafio é mais ou menos este e a história segue o mesmo caminho. Daí eu penso: e então???

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No final de semana tive problemas com a conexão da internete em minha casa. Claro que tinha que ser com a “Claro”. Nada mais óbvio, em se tratando de tecnologia 3G e quejandos. Pois tentei o telefone, cinco vezes. Em uma delas, a atendente simplesmente desligou o telefone enquanto eu procurava o “ número/nome do modelo do modem”! A segunda, ficava repetindo que a chamada ia ser “derrubada” (Coitada da ligação… podia quebrar uma perna ou um braço…). E eu gritando ale, vociferando alô e nada. A tal de ligação foi mesmo derrubada. Será que recebu socorro necessário? Pois… Liguei uma vez mais e registrei queixa, pois tinha anotado tudo, nome “delazinha”, protocolo e hora. Tiro e queda. Hoje recebo telefone da Claro pedindo desculpas, agradecendo pelo registro e informando que as “medidas punitivas necessárias” serão tomadas. E eu pensei comigo: será que acabei de decretar o fim do emprego de uma delas? Ou das duas? Confesso que minha consciência pesou, mas não me arrependi… Tanto que ao ler a mensagem que segue (recebida de uma amiga, sem referência de origem e/ou autoria), voltei a pensar no assunto e decidi colocar a tal mensagem. Se cada um fizer a sua parte… Por mais ingenuidade que se possa por à consideração disso, o fato é inegável: cada um tem parcela de responsabilidade em tudo, direta ou indiretamente. O medo de experimentar a carapuça não nos livra da responsabilidade… Então…!

“Tá Reclamando do quê?”

Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci?  do Delúbio? da Roseanne Sarney? do Jader Barbalho, dos políticos distritais de Brasília, do Jucá, do Kassab, dos mais de 300 picaretas do Congresso?

Brasileiro reclama de quê
?
O Brasileiro é assim:
A- Coloca nome em trabalho que não fez.
B- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
C- Paga para alguém fazer seus trabalhos.
1. – Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. – Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. – Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. – Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. – Fala no celular enquanto dirige.
6. – Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno…) – assim o amigo não gasta nada.
7. – Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
8. – Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
9. – Viola a lei do silêncio.
10. – Dirige após consumir bebida alcoólica.
11. – Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
12. – Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
13. – Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
14. – Faz “gato” de luz, de água e de TV a cabo.
15. – Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisório, só para pagar menos impostos.
16. – Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
17. – Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
18. – Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
19. – Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
20. – Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
21. – Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se
fosse pouco rodado.
22. – Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
23. – Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
24. – Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
25. – Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
26. – Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
27. – Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis… como se isso não fosse roubo.
28. – Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
29. – Falsifica tudo, tudo mesmo… só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
30. – Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
31. – Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos… Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra  das passagens aéreas… Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não? Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário! Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

“Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos…”

Amigos!
Esse é um dos e-mails mais verdadeiros que recebi.
Colhemos o que plantamos! A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!

Inteligência e espírito

Eu, simplesmente, adoro pessoas inteligentes. Quando uma dessas pessoas me é particularmente querida então… o prazer de saber que posso conviver com essa inteligência sempre que quiser aumenta incalculavelmente. Há pessoas que “aparecem” pelo caminho, inicialmente, sem explicação plausível, de início. Se os laços se estreitam e a amizade se consolida, a certeza de que essas pessoas foram e são imprescindíveis se faz mais que consistente. Esse é o caso do Gerson. De aluno, passou a orientando, depois amigo e  agora colega de profissão. Não necessariamente nessa ordem, o processo o tem colocado como uma das referências na minha vida profissional e particular. Um sujeito dimplesmente brilhante. É dele o texto que segue: mensagem que enviou por e-mail. Gostei tanto que não resisti, nem um pouco… Partilho agora pois gosto de dividir coisas boas!

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“Caros Amigos:

Harold Bloom, em suas obras Gênio e Onde encontrar a sabedoria discorre argutamente sobre a noção de sabedoria e onde supostamente ela pode ser encontrada. O crítico norte-americano apóia esse percurso crítico no encontro com os grandes textos literários da tradição ocidental. Em seu livro Gênio, os capítulos são estruturados com base na Kabalah judaica com suas dez Sefirot (emanações da essência divina, compartilhadas e presentes na vida de todo ser humano). A segunda sefirot é a sabedoria, Hokmah. Claro está que a reflexão acerca da sabedoria não nasce com Bloom, mas se constitui em uma busca que tem canalizado as forças do ser humano de todas as culturas e credos. Acerca disso, no Primeiro livro de Reis da Bíblia, ocorre um emblemático diálogo entre Deus e Salomão, o segundo rei de Israel. Essa conversa é, não só uma das mais belas expressões da literatura sapiencial hebraica, mas uma possibilidade de interpretação dos dias em que vivemos, marcados pelo apego materialista, pela superficialidade, pelo mecanicismo impessoal, pasteurizado e interesseiro que tem conduzido as relações humanas nesses nossos dias tão fluídos.

Diz o texto bíblico, que apareceu Deus a Salomão e lhe disse: “Pede o que desejares que te darei, pois muito mérito encontraste diante dos meus olhos?” Diante da tarefa de conduzir o povo hebreu, na seqüência do Rei Davi, seu pai, e contrariando a mesquinha e prepotente ótica nascida do poder, respondeu Salomão: “Concede ao miserável que eu sou Hokmah, a Sabedoria necessária para conduzir o meu povo e agir com justiça”. Diz a tradição que esse pedido humilde, vindo de um grande rei, agradou ao Todo Poderoso, que lhe devolveu: “Já que não pediste o aumento do teu poder, nem ouro, nem prata, nem riquezas, nem a dominação sobre outros povos, mas a iluminação que procede de mim, eu te concedo a Sabedoria como tua maior riqueza! E como escolheste a melhor parte que cabe ao ser humano ter, tudo o mais terás em abundância, mesmo que não tenhas pedido”. E Deus cumpriu sua promessa, pois nenhum governante em tempo algum se igualou em sabedoria, conhecimento, justiça e riqueza a Salomão.

É de Salomão a oração abaixo transcrita e que pode ser feita ainda hoje, em meio às trevas e sombras de um tempo que nos exige cada vez mais o contraponto da paz, do conhecimento e da iluminação:

ORAÇÃO DE SALOMÃO PARA PEDIR A SABEDORIA

Deus de nossos pais, e Senhor de misericórdia, que todas as coisas criastes pela vossa palavra, e que, por vossa sabedoria, formastes o homem para ser o senhor de todas as vossas criaturas, governar o mundo na santidade e na justiça, e proferir seu julgamento na retidão de sua alma, dai-me a Sabedoria que partilha do vosso trono, e não me rejeiteis como indigno de ser um de vossos filhos.

Sou, com efeito, vosso servo e filho de vossa serva, um homem fraco, cuja existência é breve, incapaz de compreender vosso julgamento e vossas leis; porque qualquer homem, mesmo perfeito, entre os homens, não será nada, se lhe falta a Sabedoria que vem de vós.

Ora, vós me escolhestes para ser o profeta de vosso povo e o evangelizador de vossos filhos e vossas filhas.

Vós me ordenastes para cuidar do templo do meu corpo e cuidar do altar do meu coração em que habitais: imagem da sagrada habitação que preparastes desde o princípio.

Mas, ao lado de vós está a Sabedoria que conhece vossas obras; ela estava presente quando fizestes o mundo, ela sabe o que vos é agradável, e o que se conforma às vossas ordens.

Fazei-a, pois, descer de vosso santo céu, e enviai-a do trono de vossa glória, para que, junto de mim, tome parte em meus trabalhos, e para que eu saiba o que vos agrada.

Com efeito, ela sabe e conhece todas as coisas; prudentemente guiará meus passos, e me protegerá no brilho de sua glória.

Assim, minhas obras vos serão agradáveis; evangelizarei o vosso povo com amor, e serei digno do trono de meu pai.

Que homem, pois, pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor?

Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções; porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a morada terrestre oprime o espírito carregado de cuidados.

Mal podemos compreender o que está sobre a terra, dificilmente encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem, portanto, pode descobrir o que se passa no céu?

E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos céus vós não lhe enviais vosso Espírito Santo?

Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra; os homens aprenderam as coisas que vos agradam e pela sabedoria foram salvos.”

Texto d emensagem recebida de Gerson Luiz Roani, em 25 de junho de 2011. Evoé Santo Antônio, São João e São Pedro!

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Diferenças

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As diferenças entre Religião e Espiritualidade
A religião não é apenas uma, são centenas, a espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem, a espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados, a espiritualidade é para os que prestam atenção à sua voz interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas, a espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta, a espiritualidade lhe dá paz interior.

A religião fala de pecado e de culpa, a espiritualidade lhe diz: “aprenda com o erro”.

A religião reprime tudo, te faz falso, a espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus, a espiritualidade é tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa, a espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona, a espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras, a espiritualidade é divina, sem regras.

A religião é causa de divisões, a espiritualidade é causa de união.

A religião lhe busca para que acredite, a espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado, a espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo, a espiritualidade se alimenta na confiança e na fé.

A religião faz viver no pensamento, a espiritualidade faz viver na consciência.

A religião se ocupa com fazer, a espiritualidade se ocupa com ser.

A religião alimenta o ego, a espiritualidade nos faz transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo, a espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração, a espiritualidade é meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso, a espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro, a espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória, a espiritualidade liberta nossa consciência.

A religião crê na vida eterna, a espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte, a espiritualidade é encontrar Deus em nosso interior durante a vida.

(AUTOR DESCONHECIDO)

Um ano depois

Hoje é doze de junho, dia dos namorados. Parece que no calendário litúrgico o dia de Santo Antônio é amanhã, mas vai tudo na mesma leva. Deve ser dia de muitas outras coisas, que a sabedoria popular não se cansa jamais. ALém disso, cada um sabe o que significa cada dia, sem a necessidade “globalizada” (?) de marcar a data com alardes comerciais e propaganda, muita propaganda,mas bota propaganda nisso.

Desse nicho particular, íntimo, pessoal, o dia de hoje marca um ano do meu retorno à terra brasilis, depois de dois anos vivendo num outroe xtremo do planeta. Foram dois anos em Zagreb a capital de um milhão de corações. Bem, um ano depois, esse milhão deve ter aumentado… Vai saber… Assim, o texto que segue é duplo. Um relato solicitado pela embaixada brasileira em Zagreb, para publicação em sua página oficial – eu fui o primeiro (mais uma vez nesses quase 55 anos de existência – e um texto lido na Universidade de Zagreb, um mês antes de meu retorno, durante o Dia da Cultura Brasileira, iniciativa do International Cooperation Office, comandado pela doce e querida Tamara Sveljo, quem colaborou comigo no encaminhamento de um convênio de cooperação acadêmica entre a univesidade croata e a UFOP. Saudades de muitas pessoas queridas que lá conheci e de muitas situações que lá vivi…

PS; não se assustem com os olhos arregalados na foto… eue stava irritado pois a plateia não se calava e o grupo de capoeira (pasmem, eles têm lá um grupo… e grande!), comandado por dois brasileiros, ajudava na agitação.

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O texto que aqui começa tem a pretensão de relatar o meu percurso como primeiro leitor brasileiro em Zagreb. Claro está que se trata de texto precário, por impossível que é relatar a totalidade dos fatos. Por outro lado, o que aqui se lê é apenas uma apresentação de percurso, sem outra pretensão, como a de “analisar” os fatos, dando-lhes interpretação definitiva. Ainda não é tempo…
Tudo começou em 24 de setembro de 2007, quando recebi o telefonema do Fábio Meneghetti Chaves, do Itamarati, informando que meu curriculum vitae fora pré-selecionado e que seria enviado a Zagreb. Perguntava, àquela altura, se era de meu interesse continuar disputando o posto. Respondi que sim e, algumas semanas depois, recebi a informação de que fora escolhido para ser Leitor de Português, na Universidade de Zagreb, na Croácia.
O processo referente ao visto de trabalho – com o qual eu deveria entrar na Croácia – foi muito tumultuado. Houve mudança na legislação da Croácia sobre o assunto. Isso levou quatro meses. A minha chegada a Zagreb estava prevista para fevereiro de 2008. No entanto, só conseguir vir para cá apenas em maio, devido aos problemas com o referido processo. Durante esse tempo, por meio eletrônico, trocando mensagens diárias, comecei a enviar atividades de escrita e de leitura para aqueles que seriam os meus alunos: estudantes de terceiro ano do curso de Português, na Faculdade de Filosofia, da Universidade de Zagreb. Finalmente, cheguei e dei aulas intensivas até o meio de junho. Contrato assinado. Visto reconhecido. Trabalho começado.
O trabalho do Leitor é, basicamente, ministrar aulas de Língua Portuguesa, na sua variante brasileira. Os alunos, no terceiro ano, já tiveram aulas de Língua Portuguesa, na variante europeia. A presença de apenas um leitor brasileiro e um português fez com que o grupo de professores do Curso de Português optasse por colocar as atividades com a variante brasileira apenas a partir do terceiro ano. Havendo dois leitores, de cada um dos países, haveria possibilidade técnica de trabalhar com as variantes brasileira e europeia desde o início do processo de “alfabetização” dos alunos croatas em Língua Portuguesa, como eu costumo falar. Isso ofereceria a oportunidade de trabalhar com essas variantes durante todo o curso. O ideal seria que houvesse também leitores de outras variantes, notadamente a africana e a asiática. Quem sabe, num futuro próximo, os países dos governos envolvidos consigam promover esta integração.
As aulas, na faculdade, seguem o esquema proposto pela “carta” de Bolonha que, no caso do curso de Língua Portuguesa (um bacharelado) se realiza no que se convencionou denominar de esquema 3+2. Três anos com disciplinas obrigatórias e algumas optativas, o que constituiria a formação básica (mais ou menos o equivalente à graduação no Brasil); acrescidos de dois anos com mais disciplinas optativas e duas obrigatórias. Nesta fase, os estudantes devem preparar uma monografia final, a ser defendida publicamente, o que constituiria o grau de “mestrado”, guardadas as devidas proporções. O currículo do curso, atualmente, está passando por um processo de reavaliação e reformulação, em vista dos resultados dessa fase inicial de implementação. O leitorado brasileiro contribuiu na execução das atividades da primeira turma no novo “esquema”. Daí a necessidade de se reavaliar e fazer as necessárias modificações e adaptações.
Administrativamente, na faculdade, a relação do leitorado é tranquila. As instalações são mais que adequadas, o material de trabalho, disponível, e o pessoal de apoio é atencioso e igualmente disponível. Correlativamente, quanto à relação coma Embaixada do Brasil em Zagreb também não há o que tenha que ser criticado. Como se trata do primeiro leitorado, ambos os lados – leitor e embaixada – passaram por um processo de exercício e descoberta, uma espécie de treinamento compulsório. Tenho certeza de que o prosseguimento do convênio para o leitorado só terá sucesso. Entendo que houve integração entre os dois pólos e que as atividades comuns foram coroadas de êxito. O então embaixador do Brasil, Sr. Haroldo Teixeira Valladão Filho, recebeu-me simpaticamente com um almoço e deu-me o prazer de uma visita à Faculdade, para assistir a uma de minhas aulas, juntamente com sua esposa e com Helga Dworschak Arantes, do setor cultural da embaixada. As alunas, então, sentiram-se muito importantes! Penso que tal atitude demonstrou o interesse da embaixada em manter o leitorado e de se integrar com ele.
A convite do setor cultural da embaixada, apresentei conferência em sua sede, pelas comemorações dos 200 anos de chegada da família real ao Brasil. Outras promoções, como a apresentação de filmes brasileiros na última quarta-feira de cada mês, contaram com minha presença e de minhas alunas. Sempre as levei, fazendo do evento uma aula, a partir da qual elas tinham que escrever um pequeno “relatório” comentando a exibição. Mais um ponto para a integração!
A experiência vivida, social e profissionalmente na Croácia, foi coroada de sucesso. Claro está que há problemas “internos” a serem resolvidos, junto à administração da faculdade. No entanto, penso que as relações acadêmicas entre o governo brasileiro – aqui representado pela embaixada – e a Universidade de Zagreb, através do meu trabalho como leitor, estabeleceram um patamar razoavelmente consistente para o prosseguimento do convênio. Eu espero que, sinceramente, o(a) professor(a) que vier a me substituir como leitor tenha a oportunidade de desfrutar de tudo de bom que experimentei nesses dois anos muito gratificantes.
Até aqui, tentei apresentar uma espécie de relato mais analítico sobre a experiência do leitorado. Foi o primeiro – espero que de uma série longa e duradoura. Gostaria, então, de dar um toque mais “pessoal” a este relato, para expressar a subjetividade que marca cada uma das experiências humanas. Fica o desejo de continuar, de uma forma ou de outra, contribuindo para o enriquecimento dessa relação acadêmico-diplomática. Aí vai:

O Brasil não é longe daqui! Basta um clique na tela do Windows Explorer ou do Firefox, ou qualquer outro browser e você chega lá! Rapidinho!

O Brasil é longe daqui. São exatos 9452 quilômetros entre Zagreb e Belo Horizonte, a cidade em que nasci. É muito longe!

Como qualquer país do mundo, o Brasil é diferente. Assim como a China é diferente do Sudão, a França é diferente do Alaska, a Rússia é diferente do Paraguai. Assim mesmo, diferente, nem melhor nem pior, apenas diferente.

No Brasil, porém, a gente tem o carnaval que o resto do mundo admira. Lá come-se galinha com angu e quiabo, sem medo; tucunaré na brasa, parrillada gaudéria, sarapatel e pato no tacacá; pão de queijo, pé de moleque e papo de anjo com baba de moça. Em lugar algum do mundo se come isso. Em outros lugares do mundo se comem outras coisas e se lá eu estivesse, diria a mesma coisa. Tudo é uma questão de perspectiva.

O Brasil tem Drummond, Vinícius e Guimarães Rosa; Ângela Maria, Elis Regina e Adriana Calcanhoto; Portinari, Niemayer e Iberê Camargo; Garrincha e Pelé; Fernando de Noronha e Ilha do mel.

No Brasil, a gente vê a pororoca, visita as ruínas jesuíticas, passeia pelas ruelas do barroco colonial e desemboca na contemporaneidade de Brasília.

O português é uma das línguas mais falados no mundo, mas nem por isso o Brasil tem mania de grandeza. Não há necessidade de mania: o Brasil é grande… Oito milhões de quilômetros quadrados: é muita terra, é muito mar, é muito mato.

Selva amazônica, Pantanal, Pampa, Sertão: o Brasil é quase um continente inteiro. Não é a perfeição, mas é onde eu nasci, onde eu me criei, para onde estou voltando. O Brasil é muito bom e muito ruim. Já tive vontade de abandoná-lo de vez: foram delírios adolescentes. Nada como a terra da gente!

Eu gosto de ser brasileiro!

José Luiz Foureaux de Souza Júnior

Zagreb, maio de 2010

Tese(s)

UMA TESE É UMA TESE

Mário Prata

Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.

São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspeta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha.

Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se auto decreta. O mundo para, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientadores (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonnne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.

Em tese ( e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.

Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa em nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?

Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?

E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza.

Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.

Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou: – Não vou mais estudar! Não vou mais estudar na escola. Os dois pararam – momentaneamente – de pensar nas teses.- O quê? Pirou? – Quero estudar mais não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?

Pensando bem, até que não é uma má ideia! Quando é que alguém vai ter a prática ideia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história? Acho que seria um tesão.

(Fonte: PRATA, Mário. Minhas tudo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 52-54)

Mário Prata in Cem Melhores Crônicas
originalmente publicada em 7/1998 – O Estado de S. Paulo

Devaneios

Por que será que a bengala dos cegos é branca e ele usa óculos escuros?

E se Tom Cruise tiver frieiras entre os dedos pés?

Já imaginou se Brad Pitt tem mau hálito?

Quem já pensou no George Clooney, no vaso sanitário, com piriri?

E se Mozart tivesse nascido rico, teria sido genial como foi?

As sinfonias de Beethoven seriam tão grandiosas, caso ele não tive ficado surdo progressivamente?

O que aconteceria se fossem descobertos baús nos quais Machado de Assis guardou os originais dos livros que porventura tivesse copiado?

Vai ver o mundo acabou em 2000, como Nostradamus predisse (foi ele mesmo, né?!) e a gente ainda não se deu conta…

Não é interessante pensar como a gente é assaltado, às vezes, por ideias inesperadas, inusitadas e até sem sentido? O que é que a gente faz com elas? Os devaneios podem ajudar o sujeito a ser criativo, Freud já comentou isso. Ainda assim, certas ideias pegam a gente de surpresa… a contrapelo! A gente estuda, estuda, estuda e ainda se deparara com a campeoníssima estupidez sendo premiada, invejada, incensada e mantida como modelo de atitude de quem faz sucesso, de quem faz a diferença (ai como esta expressão me irrita), de quem é celebridade, está na moda… Quanta pasmaceira. Há quem estude engenharia porque deseja construir casas populares e ajudar os sem teto. Há quem estude medicina, para acabar com as endemias mais comuns em sua terra. Mas aqueles que fazem arquitetura para posar de “artista”, e/ou os que querem se tronar escritores, cursando Letras. Tenho pena desses dois últimos. Do primeiro deles, pela ignorância de pensar que uma coisa é a outra. Não é o adagiário popular que diz que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”? Santa sabedoria… Do segundo, porque errou de endereço. Os cursos de Letras estão se petrificando como espaços de sacralização do vazio, do discurso sobre o nada, da criatividade zero: nomes, datas e eventos, quinquilharias características disso e daquilo. Tudo é engano, conforme o poeta luso. E a minha chatice continua…