Semelhanças II

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20 de julho, foi o “dia do amigo”. Há tantos “dias” ano afora, todos os anos… Isso daria matéria para um romance ou, quem sabe, para uma pesquisa de História. A História dos dias especiais. Falando nisso, perguntei a uma colega do curso de História se ela conhecia alguma obra intitulada História do dinheiro. Alguém já parou para pensar, como eu – bem, pensar é um verbo elegante aqui- que, de fato, ao fim e ao cabo, o dinheiro não existe, é praticamente uma abstração? Pois é… Posso estar perdendo o juízo, mas penso nisso. E sempre que penso nisso, lembro-me de um livro do Michel Foucault: Ceci n’est pas un pipe. Tradução possível: Isso não é um cachimbo. O interessante é que o tal livro traz na capa (pelo menos, na tradução que li, em priscas eras…) um desenho de um cachimbo desenhado sobre um flip sharp – nem sei se é assim mesmo que se escreve!. Pois é. Desenho e título se contradizem e aí está todo o charme e o achado do autor, que admiro pacas … Hum, que antigo!

O interessante é que dessa ideia me alimento quando penso na convencionalidade do dinheiro. Vejam bem, não estou a me referir ao “conceito” de dinheiro, mas ao “objeto” dinheiro. Quem foi o inventor da “moeda” e da “nota”? Se é que houve mesmo um… Como foi que começou essa história de que um pedaço de papel e/ou um objeto metálico têm esse ou aquele “valor”. Os marxistas de plantão vão logo “zoar” comigo. Antiquado ou não, gostaria muito de saber dessa “origem”, se é que é possível determinar uma! Daí eu passaria a especular sobre o “dia do dinheiro”! Na verdade, é delírio, quase alucinação – sem a ajuda de psicotrópicos -, que dinheiro, de fato, não existe? Que convenção mais sofismática essa de estabelecer um “valor” para pedaços de papel e moedinhas metálicas… Mais um fato: fazer cada uma dessas peças, em qualquer “moeda”, até prova em contrário, custa mais. Há um romance português que narra a trajetória de uma nota de banco. (Joaquim Paço d’Arcos, Guimarães Editores, 1962) O autor dá vida a uma nota de banco e maravilha-nos com o realismo da sua escrita. para esta obra: uma boa “nota”!). Trajetória inusitada que reflete o que pensa o bicho homem e o que faz com o dinheiro. Metáfora mais que instigante, numa proposta narrativa cujo foco se volta para o passar de mão em mão da nota. As situações, entre inusitadas e banais, fazem o leitor pensar sobre o uso do dinheiro e, mais, pensar nas relações interpessoais que uma mísera “nota” estabelece, urde e articula… Interessantíssimo. Se não me engano, já escrevi alguma coisa em outra ocasião, no meu blogue… Vai saber… A gente se repete…

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4 comentários sobre “Semelhanças II

  1. Para Semelhanças I já deixei meu comentário no outro blog. Quanto ao dinheiro e suas divagações a respeito, penso que vivemos num mundo muito mais abstrato que real. Muito mais imaginação que concretude. Até as relações ‘humanas’ vão ficando cada vez mais virtuais. É como aquela pessoa que afirma:” Não acredito que o homem pisou na lua… Não será apenas mais um daqueles filmes de ficção científica???” De real mesmo, as dívidas, o envelhecimento, a imensa preguiça de tudo e uma ou outra mazela que ainda nos puxa para baixo, senão ensandeceríamos de vez e por vontade própria, concorda?
    Seu texto é engraçado e rir é a salvação. Valeu. Beijinhos, Angela

    1. Pois é… Essas divagações eu já tinha considerado quando escrevi sobre o livro, ainda na capital das gravatas. Ainda vou lê-lo uma vez mais…
      Bom final de semana, darling.
      beijinho

  2. Tem um lance recorrente em certas obras de ficção que eu adoro, quando no meio do fudevu escatológico aparece um ricaço oferecendo dinheiro pra comprar sua salvação e a gente não contém o riso: tá todo mundo pisoteando as cédulas porque aquilo não vale mais nada.

  3. Você está certo. A recorrência é que me fez atentar para o caráter “naturalista” da ficção do Nelson. Além do que, ele é um baita ficcionista. Muito além do dramaturgo, pois faz drama em narrativa, de uma forma cortante, e muito sólida. Penso que a obra dele merece um estudo mais aprofundado na busca da constatação destes insights. Pena que a gente não tenha a certeza de que a publicação é certa, se não eu me meteria a fazer isso!
    Bom domingo!

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