Crônicas sobre o cotidiano

Li, gostei, fiqueiindignado e não descobri o autor. Mas divulgo, mais indignado.

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“A Justiça Brasileira!!!
Eis o porquê da expressão: ‘deixar o cachorro passar e implicar com a pulga’
Isso foi exibido em todos os telejornais noturnos na quinta feira.
Paulo, 28 anos, casado com Sônia, grávida de 04 meses, desempregado há dois meses, sem ter o que comer em casa foi ao rio Piratuaba-SP a 5km de sua casa pescar para ter uma ‘misturinha’ com o arroz e feijão, pegou 900gr de lambari, e sem saber que era proibido a pesca, foi detido por dois dias, levou umas porradas. Um amigo pagou a fiança de R$ 280,00 para liberá-lo e terá que pagar ainda uma multa ao IBAMA de R$ 724,00. A sua mulher Sônia grávida de 04 meses, sem saber o que aconteceu com o marido que supostamente sumiu, ficou nervosa e passou mal, foi para o hospital e teve aborto espontâneo. Ao sair da detenção, Ailton recebe a noticia de que sua esposa estava no hospital e perdeu seu filho, pelos míseros peixes que ficaram apodrecendo no lixo da delegacia.
Quem poderá devolver o filho de Sônia e Paulo?
Henri Philippe Reichstul, de origem estrangeira, Presidente da PETROBRAS.
Responsável pelo derramamento de 1 milhão e 300 mil litros de óleo na Baía da Guanabara. Matando milhares de peixes e pássaros marinhos. Responsável, também, pelo derramamento de cerca de 4 milhões de litros de óleo no Rio Iguaçu, destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água em várias cidades da região. Crime contra a natureza, inafiançável.
Encontra-se em liberdade. Pode ser visto jantando nos melhores restaurantes do Rio e de Brasília.
Esta é uma campanha em favor da VERGONHA NA CARA.
Eu já divulguei, e você? Faça sua parte, não demora nada.
Nada mesmo.”

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Silêncios

 

O diário da viagem terminou… Mas não quero deixar de continuar clocando coisas por aqui. Daqui a pouco vou começar a publicar os resultados de um projeto que estou desenvolvendo com um grupo de alunos. Aguardem…

Há momentos em que ficar calado é a melhor opção, sem perder a perspectiva da ação contínua. Esta postagem é um “recado” para o Vereador Dario Bueno, também conhecido como Dario Burro. Será que é muito difícil adivinhar por quê???

“REVOLUÇÃO SILENCIOSA
(Diego Casagrande, jornalista – Porto Alegre/RS)

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio.
Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevês e
as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades.
Não espere tanques nas ruas.
Não espere os oficiais do regime com uniformes verdes e
estrelinha vermelha circulando nas cidades.
Não espere nada diferente do que estamos vendo há pelo menos duas décadas.
Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto.
A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida.
Ela é bem diferente.
É hoje silenciosa e sorrateira.
Sua meta é o subdesenvolvimento.
Sua meta é que não possamos decolar.
Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas.
Corrói a valorização do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem.
Para seus líderes, sociedade, onde é preciso ser ordeiro não é
democrática.
Para seus pregadores, país onde há mais deveres do que direitos não serve.
Tem que ser o contrário para que mais parasitas se nutram do Estado e de suas indenizações.
Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser “humano” e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros.
Ter é incompatível com o ser.
Esse é o princípio que estamos presenciando.
Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por consequência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.
Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem.
A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público.
Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara. A constatação que faço é simples.
Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental
– que é óbvio faz parte da revolução silenciosa – as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário.
Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males.
E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população.
Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.
No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo.
São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa.
Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes
vermelhos.
Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que “tem” e é “dono” de algo, enquanto outros nada têm.
Como se houvesse relação de causa e efeito.
Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro “Geografia”, obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora.
Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro. O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade.
Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de “alguns” e que assentamentos e pequenas propriedades familiares “são de todos”.
Aprendem que “trabalhar livre, sem patrão” é “benefício de toda a comunidade”.
Aprendem que assentamentos são “uma forma de organização mais solidária… do que nas grandes propriedades rurais”.
E também aprendem a ler um enorme texto de… adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso do MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros.
O mesmo líder que incentiva a invasão, destruição e o roubo do que aos outros pertence.
Ele relata como funciona o movimento e se embriaga em palavras ao descrever que “meninos e meninas, a nova geração de assentados… formam filas na frente da escola, cantam o hino do Movimento dos Sem-Terra e assistem ao hasteamento da bandeira do MST”.
Essa é A revolução silenciosa a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas.
Nada mais totalitário. Nada mais antidemocrático.
Serviria direitinho em uma escola de inspiração nazi-fascista.
Tristes são as consequências.
Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio. Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim.
A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles.
O antídoto para A revolução silenciosa? Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa.
Não há silêncio que resista ao barulho.”

Diário de viagem 7– sexta

 

Quem diria… A coordenadora agradou. Texto doce, calmo, claro, abrangente e quase sem os ademanes acadêmicos de praxe. Uma delícia quase ofuscada pelo misto de ogro e sapo. Um sujeito asqueroso, com pronúncia insuportável, lendo texto sem a menor graça, sem sentido. Saí no meio da última comunicação: a da senhora de cabelos brancos e uma experiência que tem feito escola. Sala cheia e atenção silenciosa. Mas saí: total ignorância sobre o assunto.  Foi a chave de ouro. Pensei em ficar para a conferência de encerramento, mas encerrei expediente mais cedo. Voltei para o hotel para me preparar para um jantar maranhense.

O jantar: peixe e camarão, arroz de cuxá, purê de batatas e farofa com farinha seca (a amarela). Creme de bacuri como sobremesa. Delícia. Na volta, um grupo de bumba meu boi dançando em praça pública: turbilhão de cores e energia, um espetáculo para olhos e ouvidos. Arrepio. Projeto reviver. Gratuito, numa das pracinhas do centro histórico, o mesmo que está abandonado, literalmente largado numa cidade que se alcunha de “ilha do amor”. Soube hoje que São Luís corre o risco de perder o título de patrimônio da humanidade: dinheiro da Unesco que flui pelo bueiro da ganância e da imoralidade de alguém que deve, agora, estar dormindo ou festejando alguma coisa por aí… Volto amanhã para a mesmice de sempre. Valeu a pena.

Diário de viagem 6 – quinta

 

Finalmente o dia da apresentação. Faz quase trinta anos que experimentei pela primeira vez a ansiedade da chegada do dia de apresentar um trabalho num congresso. A primeira vez jamais foi esquecida: éramos cinco à mesa e duas pessoas assistindo. Uma delas era minha “desorientadora” de doutorado; a outra, um amigo, ou melhor, ex-amigo. Hoje não sei por onde ele anda: “enlouqueceu” – clinicamente falando – e foi aposentado por invalidez… triste ironia.

Pois não ficou muito diferente. Os “notáveis” só se assistem uns aos outros ou, quando muito, por dever de ofício e obrigação de mútuo favor, aos orientandos dos “pares”. Uma confraria… A madame ficou até o fim da “apresentação” de seu ex-aluno. Havia alguma coisa estranha naquele rapaz, muito estranha. Comecei a ler e com dez minutos ela se retirou enfadada. Mais uns e outros fizeram o mesmo trajeto. Minha ex-aluna e sua orientadora, minha colega, ficaram até o fim, mas nem sequer manifestaram o mínimo desejo de dizer alguma coisa. Menos mal. Mesmo tendo saltado cinco parágrafos, gastei mais tempo que o outro, que veio me cumprimentar ao final. Elogiou protocolarmente e se retirou. Agora estou aqui, a pensar na futilidade disso tudo e um tanto ansioso por ter trocado de pasta com um ex-colega do sul. Peguei a dele por acaso…

Diário de viagem 5 – quarta

 

Dia de “folga acadêmica”. É a primeira vez que vejo isso, um congresso com um dia inteirinho… livre. O chato que conversava durante a conferência de abertura, falando mal de tudo e de todos ofereceu minicurso hoje. Dia especial então… para quem esteve de folga, como eu.

Passeio a Alcântara. A aventura começa atravessando mar aberto num catamarã pequeno e leve, com vinte e cinco pessoas. Imagina… ondas de mais ou menos três metros de altura, sob um sol escaldante e uma mulher passando mal, de tanto que o tal catamarã se jogava. A chegada é bucólica e… quente. Ladeiras não tão íngremes como as mineiras e quase o mesmo abandono que o centro histórico da capital. Tudo muito simples e abandonado, com exceção da primeira Sé, cujas ruínas lembram as missões jesuíticas no norte do Rio Grande do Sul. Há uma curiosidade arquitetônica: as duas ruínas do que teriam sido os dois palácios que seriam construídos para Dom PedroII, que nunca pôs os seus pezinhos reais naquela ilha. Ficaram pela metade… as construções e assim ficaram arruinadas: coisas de cultura… Na igreja mais conservada, com símbolos maçônicos (no lugar da rosácea há uma pequena janela em forma de olho). No topo do altar dois compassos cruzados, estrelas e a coroa do rei no lugar da barba de um bode. O “olho que tudo vê” capta a luz solar que é dirigida diretamente para o sacrário, apenas uma vez no ano entre julho e agosto. Um “evento”. Rosinha, melando os dedos com um picolé que se desintegrava por causa do calor, explicava tudo, até a história da fonte que foi roubada, mesmo pesando quatro toneladas. A “relíquia” foi encontrada por uma arquiteta maranhense, num restaurante do Rio de Janeiro. Em Alcântara também tem uma igreja de Nossa Senhora do Rosário dos pretos. Uma teteia de ingenuidade artística. Três imagens de São Benedito, uma de Santa Efigênia, São Raimundo Nonato (sabiam que ele é o protetor das grávidas?), Nossa Senhora do bom parto… uma graça! O melhor ainda estava por vir… o almoço no restaurante Tijupá, com o papo do Cláudio, uma simpatia! Eu recomendo! Na volta, um banho com as ondas mais altas ainda e as risadas debochadas de aborígenes, duas “locais” e dois casais de turistas. Eles acreditavam que nós, os espanhóis e eu, estávamos com raiva e debochavam, como debochavam… Uma pobreza. Mas o final da tarde foi dourado  com a alta da maré e eu caminhando para secar a roupa… Alcântara agradou!

Diário de viagem 4 – terça

Meio dia de atividades “acadêmicas”… Meu estômago anda fraco e com o calor que faz por aqui… Algumas gostas de chuva amenizaram o caldeirão da tarde de céu cinza e carregado, baixo, gordo… logo dissipado pelo vento constante. Vento que fez Jorge desistir do passeio de barco a Alcântrara. A recepcionista de seu hotel o alertou sobre os perigos do vento que faz o barco jogar e “rodar”. Vou vencer o quase medo e vou amanhã, com fé em Deus e pé na tábua.

Almoço no shoping. Um andar só, amplo e alto. Corredores largos e iluminação abundante. Por dentro um frescor mecânico delicioso, já lá fora… Tudo muito simples e… vazio. Quase ninguém comprando, pouca gente andando pra lá e pra cá. Uma lonjura só, fui de ônibus. Estarrecido, com as condições dos ônibus. Se em Belo Horizonte reclamam… as pessoas deveriam passar um dia aqui. Um dia só é suficiente para se constatar que a família Sarney não quer mesmo nada com a sua própria terra, para além de dominar os meios de comunicação e coronelizar a céu aberto a “política” estadual. Uma pena. Quem sai perdendo é a população e os turistas, como eu, que gostam de andar de ônibus, a pé, para sentir o cheiro e o pulsar da cidade… Uma experiência inolvidável e reveladora! Foi uma experiência e tanto. Até me senti bem esperto usando a vantagem da integração no Terminal da praia grande, bem em frente ao Centro Histórico – abandonado e sujo… Você desce de um ônibus e entra no outro, por trás, sem pagar. Não há novidade, mas me “senti em casa”… Ainda que pense que jamais viveria aqui: muito quente.

À tarde, a sessão. Jorge, Elza e Gilda. O primeiro não me agradou: trocou alhos por bugalhos, e com pose de “phdeus”! A segunda, uma senhora quatrocentona, nos modos e na aparência. Divertidíssima em sua apresentação atravessada por comentários jocosos e passagens hilárias de sua longa trajetória transatlântica: pesquisa lá e dá aulas aqui. A terceira, o encanto de sempre. E a mesma verve daquela que homenageou o escritor na “antessala” do congresso. Muita lábia e a humildade estudadas: comum a quem não larga o osso! Valeu a pena pelas risadas durante os comentários, depois das apresentações. Punto i basta!

Diário de viagem 3 – segunda

 

Primeira sessão de fato “acadêmica”. Quando o campus da universidade ficar pronto, vai ficar até interessante. Prédios de apenas dois ou três andares, formas regulares em posições angulares diferenciadas e jardins. Por enquanto é só poeira, entulho, máquinas, tapumes e mato seco, mas quando ficar pronto… A surpesa ficou por conta do extremo conforto do auditório. Iluminação adequada, acústica razoável e amplidão marrom e bege. Claro está que o som do videoclipe apresentado pela conferencista não funcionou… Pena. A ex-ministra, catedrática de Literatura Portuguesa no Porto, fez a leitura de um texto amplo, abrangente, ousado, bem ao gosto lusitano; mesmo tendo começado de maneira claudicante. Quase uma chatice, o começo. Ficou mesmo a vontade de ver os dois filmes anunciados pela conferencista. Palmas e a saída da audiência. Nada de perguntas, nada de comentários, nada de provocações. Nisso é que dá esses congressos “internacionais” gigantescos. Ninguém ouve ninguém, ninguém fala com ningém, as “ideias” não têm continuidade… Os rapapés sobejam… As falas cifradas e os conluios ocorrem quase que espetacularmente. Parece que a moda agora é se fazer acompanhar por orientandos de pós-graduação. Importante: tem de ser de “pós-graduação”! Além disso, outra característica importante: o fato de estar acompanhado do tal de orientando tem que ser anunciado num tom de voz entre o histérico e o dramático. Não tão alto que todo mundo escute, mas o suficiente para que ouvidos alheios ao derredor possam escutar e se incomodar. Parece que a patuleia começou a acreditar que esta atitude dá “crédito”… Coisas de celebridade instantânea…

A comida. Arroz de cuxá. Se entendi direito. Um prato feito com arroz miúdo, escuro. Mistura de uma folha (a vinagreira), temperos e camarão. Uma delícia. Certa amiga já disse que não sirvo para referência em relação a comidas pois gosto de tudo. Mas sou do tipo que come o que  não conheço para saber se gosto ou não… Faz sentido, uai! A experiência do primeiro almoço “local” completa o ciclo aberto com os sucos e sorvetes de frutas locais: cajá, cupuaçu, caju… O sorvete de tapioca encheu minha boca de saliva… delícia!