Acasos

 

Uma semana depois. Parece que tem mais tempo. Hora do almoço. A letargia do início da tarde do dia mais bobo da semana não dava sinais de arrefecimento. Comida no carro e, de repente, não mais que de repente… bum! O rapaz voou sobre o carro e caiu. Bateu três vezes no chão, como uma bola murcha. Susto. Morto! Não, ele se mexia e já queria se levantar. Não! Quieto. Você não sabe o que aconteceu! Fica quieto! Num piscar de olhos magotes de motoqueiros cercavam a cena. Carro arrebentado. Motocicleta apenas arranhada e com um dos faroletes arrancado. A expressão era de indignação, Fiquei quieto. Pedi auxílio a um dos passantes: chamar SAMU, Polícia. Ofereceram chamar os bombeiros. Agradeci. Pedi para chamarem meu irmão. Tudo ao lado de casa. Susto, mas calma. Impressionante e inexplicavelmente, calma. Os olhares acusadores continuavam. Apenas uma dupla de garotos perguntou como eu estava, se havia me machucado. Agradeci. Obserrvaram que o motociclista devia estar correndo. Concordei. Mais transeuntes curiosos. Trânsito lento. Música alta, de mau gosto, retumbando nos autofalantes automotivos. Será que tem hífen aqui? Ai que preguiça de estudar o novo acordo da Língua Portuguesa. Ai que calor. A senhora falava sem parar, sua preocupação era com quem iria pagar: remédios, hospital, cirurgia, conserto, enterro. O policial entregou os pontos: “perdi o fio, não sei mais o que escrever”. Minutos depois ocorrência registrada, almoçar. Um susto. Daí a burocracia: sinistro, seguradora, posto policial sem internete: não há como entregar o boletim. Não fosse a cordialidade do oficial presente ainda estaria esperando, uma semana depois. Tenho certeza quase absoluta. Uma semana depois, nenhum notícia do carro. O seguro contra terceiros acionado. Alguma vergonha em admitir responsabilidade para prestar assistência e se livrar da chatice do processo em tribunal de pequenas causas? Não se trata de “poder” aqui, mas de bom senso. Não quero confusão, gente falando, reclamações, exigências: “quero os meus direitos”! Ai como tenho nojo dessa frase… Um acidente. Apenas isso, um acidente, nada mais. Preço final: incontáveis dias sem carro, sem saber quando vou dirigir de novo, quando vou poder voltar a uma vida “normal”. Normal?

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Um comentário sobre “Acasos

  1. Foi por isso que você sumiu? Que calamidade. Motoqueiros estão perdendo o juizo e a vergonha no afã de ganhar dinheiro. São suicidas. E não hesitam em avançar o sinal e atropelar gente como eu, que ia atravessando a rua com o sinal verde aberto para mim e levei uma pancada feia na canela. Hoje fiquei impressionada com a quantidade de gente e carros nas ruas. BH vai parar completamente, porque aqui a coisa é mais feia: um cruzamento a cada 100 m. É isso: o mundo enlouquecendo e a gente levando susto. Merda! Beijinhos solidários, Angel Face.

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