Surpresas

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Aranha. Substantivo feminino. Aqui já existe uma provocação. A personagem que leva esse nome é homem. Estabelece-se certa fantasia e um fantasma se concebe: o médico e o monstro(?). A aranha aprisiona um homem e depois começa a “conviver” com uma mulher. Mulher? Bem… há controvérsias. A experiência a que Tarântula submete seu prisioneiro resulta na transformação deste: transgender. Ou seria mais politicamente correto dizer “transsexualidade”. Os sentidos se movem e podem distorcer a comunicação. Isso fica a critério de quem lê. De fato, a narrativa, aparentemente leve e descompromissada, enseja trama quase diabólica, para ultrapassar o estreito limite do “incômodo”. O itálico para fazer falar o protagonista cede lugar ao tipo comum de letra, como se a narrativa seguisse os trâmites do dejà vu. Ledo engano. Nada é linear. Nada é superficial. As sugestões se elevam à enésima potência fazendo com que uma “historinha” simples se transforme numa narrativa intrincada em que segredos e artimanhas do desejo se manifestem. Basta ter “olhos de ver”…

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Aranha é um aracnídeo da família dos licosídeos, que se movem rapidamente e possuem coloração marrom ou negra. Seu nome científico é Lycosa narbonensis, mede mais ou menos 25 mm de comprimento, vive em cova e caça no solo. Um insetoperigoso, aparentemente. As associações que se fazem a partir do nome desse bicho são inumeráveis. O dia a dia está coalhado de exemplos e as situações se multiplicam às miríades. Aqui, porém, a situação é única. O substantivo comum nomeia uma personagem da trama de ficção homônima: Tarântula, de Thierry Jonquet, tradução de André Telles, publicação da Record. Jamais tinha ouvido falar no nome deste senhor… já falecido. Fico imaginando que reação e que pensamentos foram suscitados na mente de Pedro Almodóvar, quando ele leu este livro. Sim. Informa a capa do livro (de gosto discutível, diga-se de passagem) que o texto do romance “deu origem ao filme A pele que habito, de Pedro Almodóvar”. Vale conferir.

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Dar origem. Ser baseado em. Adaptação. Três expressões diferentes que se tomam por iguais e que diuturnamente são usadas como se nada houvesse de diferente entre elas. A chatice acadêmica poderia entrar em campo agora e discorrer sobre as diferenças “teóricas”. Vou deixar isso de lado. Anuncio apenas, para um próximo passo, meus comentários obre o filme. Quem não viu… DEVE ver!!!

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6 comentários sobre “Surpresas

  1. Não tive, ainda, a oportunidade de ler o livro que deu origem a esse filme fascinante que é ‘A Pele que Habito’. Eu assisti a ele no comecinho desse ano, e assisti de novo na semana passada e se, porventura, surgir uma terceira oportunidade, eu assistiria novamente. Eu achei incrível o cuidado que o Almodóvar teve em discutir a psique e o corpo nesse filme – não entrarei em detalhes para que ninguém tenha o desprazer de ler um comentário com spoiler sem antes assistir ao filme; um dia, quem sabe, conversamos sobre ele no redondo do ICHS, rs. Quem não viu, DEVE REALMENTE assistir! Um abraço!

    1. Ricardo,
      O livro é bem inferior ao filme, se é que eu posso dizer isso. O filme é genial, no que concordo com você. Tenho o livro e posso emprestá-lo, no início do semestre. No mais, obrigado pela visita! Volte sempre! Abraço

  2. Olá! Cheguei ao teu blogue por acaso, procurando alguma coisa sobre Zagreb, e, depois de umas tantas postagens, resolvi parar para te dizer que gostei do que li! Escreves bem, de uma maneira agradável! E com um olhar talvez parecido com o que tenho quando vou a lugares diferentes (estou na minha segunda passagem pela Croácia e aprendendo a língua). Então… Obrigado por compartilhar tuas impressões!

    1. Eduardo, obrigado pela visista. Volte sempre. É sempre bom saber que as pessoas gostamdo que a gente escreve. Gostei de seu comentário! Segunda passagem pela Croácia/ Que bom~Vivi em Zagreb por dois anos e aprendi um pouco da língua (de que,c onfesso, não gosto!). Abraço

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