Retorno

 

Reproduzo aqui um texto do colega Flávio Rezende, com meus pitacos em vermelho, como já fiz outras vezes. O texto dele (mantido aqui na íntegra, sem nenhuma “intervenção” de minha parte) me deu coceira no cérebro e eu decidir coçar-me, intrometendo-me em seara alheia, por solidariedade e concordância. O texto dele foi-me enviado por e-mail, por ele mesmo!

 

A mediocridade ainda é necessária

Flávio Rezende
escritorflaviorezende@gmail.com
     Para que possamos viver cada vez melhor em nossa amada casa, o planeta Terra, precisamos estar sempre em processo evolutivo. Diante desta necessidade, surgem muitas discussões no entorno do assunto, com uns achando que a materialidade exagerada não se constitui em evolução, uma vez que leva o ser a escravidão em torno de objetos e de posses, afastando o mais importante, sua essência espiritual da divindade. (A dúvida persiste e é marca da inteligência humana. Se bem que, às vezes, isso a que denominamos “inteligência” não seja dessa forma percebido tão claramente.)
     Tem ainda aqueles que não estão interessados em espiritualidade e querem mesmo é que mais e mais objetos sejam inventados, facilitando cada vez mais a vida do homem, ao ponto dele não precisar mais fazer quase nada a não ser apertar botões e ter acesso a um mundo de informações, entretenimento virtual, comidas em casa e, já uma realidade, sexo com bonecos e afeto com aparelhinhos diversos. (Eis um exemplo disso que pode ser confundido com “inteligência”. Os índices e ícones do que se convencionou chamar de conforto, felicidade, comodidade e quejandos não podem, simplesmente, ser tomados em grau absoluto, fazendo tábula rasa da diversidade!)
     Como devemos sempre respeitar a vontade de cada um, vamos indo cada qual com sua posição. (Não é isso respeito à liberdade indivisual e à diversidade, como dito acima?) Diante desta questão e de muitas outras, temos pessoas em vários níveis. Umas que só reproduzem comportamentos e repetem opiniões alheias (Infelizmente esse “padrão” tem grassado na face do planeta…) e, outros, com discernimento próprio e pesquisas pessoais em várias direções. A vida na Terra sempre foi assim, com pessoas de nível elevado vivendo junto com outros que são chamadas por uns de boi de presépio ou de Maria vai com as outras. (Feliz ou infelizmente, cada um tem direito à sua opinião!)
     Recentemente, ao ler um estiloso e bem escrito artigo sobre Baudelaire, o realmente inspirado escritor chamou outros escritores aqui da cidade de medíocres. (Atenção, etimologicamente, como bem sabe o Flávio, tem o sentido de mediano, comum, que está na média… A pejoração vem – ou pode vir – depois, só depois!!! Afinal, linguagem e discurso são universos concorrentes, em todos os sentidos!) A palavra é pesada, mas, seu julgamento pode ser verdadeiro. Entre outros companheiros de escritos, citou meu nome, provocando reflexões em meu ser. Depois de pensar um pouco, cheguei à conclusão de que nós, os medíocres, também temos nossa importância e merecemos ocupar espaços literários e jornalísticos. (O que seria da realidade se não fossem suas duas faces? Moedas não têm face única, dia e noite, branco e preto, a duplicidade é condição mínima de existência da ideia de equilíbrio…)
     Levando em conta que a grande maioria da população não é tão avançada em termos de letramento e de aprofundamento em textos mais bem escritos, (Como “medir” isso? Parâmetros não são convencionados? O que é, no fundo, no fundo, mais bem escrito ou menos bem escrito? Evoé, subjetividade!)  tendo certa dificuldade de compreender o pensamento daqueles mais inteligentes, cabe aos ditos medíocres exercerem seus tributos de escrevinhadores de uma maneira mais próxima da média, contribuindo assim para que muitos possam ter acesso e entendimento a reflexões diversas. (Tenho preguiça e quase nenhuma paciência com quem “se julga” mais “inteligente”. Mais uma vez, parece-me absurdo elevar o “relativo” à categoria axiomática de “absoluto”!)
     Pode ser um consolo ou a simples aplicação do “jogo do contente”, aquele em que Pollyanna Whittier, uma jovem órfã utilizava como filosofia de vida, tendo sempre uma atitude otimista, encontrando algo para se estar contente, em qualquer situação. (Síndrome de Pollyanna pode, sim – e é disso sintoma –, ser arma de fracos e covardes, presunçosos que não acreditam que um dia também vão ser esquecidos e virar pó!) Fraco para uns e entendível e claro para outros, não devemos, nós – os medíocres – nos intimidar diante de colocações públicas de nossas fragilidades literárias, afinal, acredito que nós também somos necessários. (Amigo, medíocres são os que conseguem ver bem “além do jardim”, para blaguear certo filme instigante de tempos outros…!)

Flávio Rezende, escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN

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