Quem será?

O médico sai com seu colega de trabalho – na verdade seu único “amigo” ali – convidado para um drinque. Ele diz que precisa passar em outro lugar antes, mas fica no meio do caminho. Eles param. Ele desce e o amigo pergunta se quer que o acompanhe. O médico nega e desce do carro com uma escova de cabelo. Quando chega no jardim da casa, ele vê que a dona da casa (sua chefe e sua ex-namorada – ela terminou com ele) está com amigos, jantando. Ele para, olha, fica sério e volta para o carro. O amigo pergunta porque ele está tão irritado. O médico diz para ele sair. O amigo insiste, ele diz que “botar pra fora” é bom, que relaxa, que faz a pessoa ficar bem. O médico grita para ele sair. O amigo sai e fica observando o médico afastar-se no carro em alta velocidade.

Corta

Dentro do carro, o médico continua com a mesma expressão que tinha quando viu sua ex-namorada com amigos, jantando. Sua expressão agora é de alguém que tomou uma resolução definitiva. Faz uma curva de 180 graus e volta em alta velocidade. Na frente da casa da amiga, ele acelera mais ainda e invade o jardim, quebra a parede da sala e invade a casa dela. Todos os convidados se assustam e se afastam. O médico sai do carro, tropeça entre os escombros e vai até a amiga que, tremendo, olha para ele aparentemente sem entender nada. Ele simplesmente, em silêncio, entrega a escova de cabelo.

Corta

De volta ao lado de fora da casa, o amigo, estupefato, olha para o médico, atônito, sem saber o que dizer. Finalmente ele pergunta o que houve, por que o médico fez o que fez. O médico olha e diz: agora estou bem.

Corta

Quem vê sabe. Quem não vê não pode imaginar. Uma caixa de bombons para quem adivinhar quem é o médico. Vai uma dica: arrogância, inteligência, covardia, sarcasmo, frieza, vileza, indiferença… estes são alguns de seus qualificativos.

Sacou?

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Mais um pedaço de romance

 

Do grupo que dança animado depois da cerimônia, uma das personagens se separa e começa a observar seus amigos com expressão de despedida. Música suave ao fundo. Sorrisos e trocas de pares. A música começa a diminuir fade outIn off, a voz dela diz “Dizem que todo final é um novo começo. Eu gostaria de acreditar que isso é verdade”. A moça está partindo, vai tomar posse numa nova posição profissional. Good for her. Todos os bons e maus momentos repassam por sua cabeça. Corta.

Este poderia ser o início do primeiro capítulo de um romance. (Romance?) Mas a história não tem personagens enredados em episódios que,  combinados em urdidura narrativa, desenvolvem trama que prende o leitor. Não vai haver discussão de teses “interessantes” (Para quem?). De fato o que vai ser escrito é um monte de palavras que, a princípio, só faz sentido para quem escreve. Quem vai ler depois (Vai haver um leitor?) pode até armar sentido que, por natureza, vai ser outro, bem outro. O primeiro, o original, jamais será alcançado. (Existe mesmo o original?) Nada neste texto vai fazer sentido mesmo… Quem escreve vai sempre pensar que é “poeta” porque constrói, com palavras, mundos imaginários que só têm sentido para quem escreve.

Pode haver uma personagem que se sente elegante e muito “na moda”, por que usa sandálias havaianas brancas e frequenta lugares “da moda”. Vai haver outra que passa o dia inteiro fazendo exercícios físicos na busca da manutenção de seu “corpo perfeito” (O que é a perfeição?). Mais uma que fala coisas ininteligíveis para os cérebros comuns e se gaba de falar coisas que ninguém entende. (Pra que falar então?). Tudo pode parecer muito confuso, mas,pensando bem, até que faz sentido. Quem não ler jamais saberá… E o mundo vai continuar girndo em torno do sol…

Assinei embaixo!

 

Sem tirar nem por, a carta abaixo fala por si. assino embaixo e não comento!

 

A coitadinha e a outra face da moeda.

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CALE-SE, XUXA! – por Heloisa Lima

QUANDO O SILÊNCIO É A MELHOR ALTERNATIVA

Não vi a comentada entrevista da Xuxa no Fantástico deste domingo, dia 20/05. Mas não pude ignorá-la por muito tempo, pois a primeira notícia que recebi nesta manhã, logo cedo, foi: “- Cê viu que a Xuxa foi abusada na infância?”

Fora o surrealismo da revelação, ocorreu-me que aquela, certamente, não era a notícia que desejava ouvir logo no início da semana. Afinal, como uma mulher de 50 anos, aparentemente esclarecida, só agora, passado todo esse tempo, resolve falar sobre algo tão grave? E por que me irritou tanto esta informação? Parei para refletir sobre o motivo deste sentimento e, confesso, não foi difícil descobrir.

Esta senhora, lá pelos seus primórdios, vivia no mesmo condomínio do meu irmão, no Grajaú, Rio de Janeiro. Lembro-me das minhas sobrinhas, ensandecidas, indo buscar as grotescas sandalinhas cheias de brilhos no apartamento dela, na esperança de encontrar o Pelé que, vira e mexe, dava as caras por lá.

Desde os seus 20 e poucos anos de idade, ela comanda programas infantis cuja tônica é erotizar precocemente as crianças, transformando meninas em arremedos de mulheres sem se preocupar com sua vulgarização.

Os programas que comandou sempre tiveram como mote atropelar o desenvolvimento infantil em sua exuberância repleta de etapas simbólicas. Pasteurizou os encantos desta fase empenhando-se em exaltar a diferença entre possuir e não possuir os produtos que anunciava ou que levavam sua grife tais como sandálias, roupas, maiôs, lingeries, xampus, bonecas, chicletes, cosméticos, álbum de figurinhas, cadernos, agendas, computadores, sopas, iogurtes, etc., num universo insano onde ela, eternamente fantasiada de insinuante ninfeta, faz biquinho e comanda a miúda plebe ignara.

Cientes estamos todos de que esta senhora, durante muitos e muitos anos, defendeu zelosamente seu polpudo patrimônio utilizando-se da fachada de menina meio abobada que sequer sabia quantos milhões possuía. Costumava dizer que era a sua empresária que administrava suas posses cujo montante alegava, candidamente, desconhecer. Pobre menina rica. E burra, com certeza. Como se fosse possível alguém tão tapada tornar-se tão rica.

Talvez para esconder a consciência que tinha acerca do quanto ajudou a devastar a inocência de tantas gerações de meninas que lhe devotavam a mais pura idolatria, posou de inocente útil usando a mesma máscara que agora reedita para falar, emocionada, do seu mais novo pretenso drama/marketing.

Esqueceu-se que sua audiência, formada, na sua massacrante maioria, por meninas, passou a ser considerada como alvo da desumana propaganda colocando-as como mero veículo de consumo.

Esqueceu-se, convenientemente, de comentar que milhares de garotas pelo Brasil afora foram abusadas sexualmente ao mesmo tempo em que eram, por ela, adestradas a vestirem-se e comportarem-se como verdadeiras lolitas.

Esqueceu-se de que ensinou atitudes claramente ambivalentes para crianças que não faziam a mais pálida ideia do que podiam mobilizar em mentes doentias.

Esqueceu-se de que a erotização tem sido ligada a três dos maiores problemas de saúde mental de adolescentes e mulheres adultas: desordens alimentares, baixa autoestima e depressão.

Esqueceu-se também que as crianças, diariamente bombardeadas com imagens de paquitas como modelos de uma beleza simplesmente inalcançável enquanto corpos reais, torturavam-se perseguindo um modo de serem belas, perfeitas, saudáveis e eternas.

Estimulando a sexualidade de forma tão precoce, essas meninas perderam grande e preciosa fase do seu desenvolvimento natural. E reduzir o período da inocência, certamente, acarretou-lhes desdobramentos nefastos.

Daí para ideia, cada vez mais presente, da infância como objeto a ser apreciado, desejado, exaltado, numa espécie de pedofilização generalizada na sociedade foi, apenas, um pequeno passo.

Num país onde as mães deixam suas crias, por absoluta falta de opção, frente à tevê sem qualquer tipo de controle e sem condições para discutir o conteúdo apresentado, encontrou esta senhora terreno mais que propício para disseminar sua perversa e desmedida ganância por audiência e dinheiro.

Fosse ela uma pessoa minimamente preocupada com a direção que a sexualidade exacerbada e fora de contexto toma, neste país onde mulheres são cotidianamente massacradas, teria falado sobre este suposto drama muito tempo atrás. Teria tido muito mais cuidado com os exemplos de exposição que passava. Teria norteado seu trabalho dentro de parâmetros muito mais educativos e, desta forma, contribuído para que milhares de meninas fossem verdadeiramente cuidadas e respeitadas.

Ou teria simplesmente virado as costas e ido embora.

Logo, frente ao seu histórico, não tem mesmo nenhuma autoridade para sustentar qualquer atitude fundamentada em belos e necessários méritos.

Porque são de grandes valores, bons princípios e atitude exemplares que nossa sociedade necessita de maneira URGENTE.

Portanto, CALE-SE, XUXA!

Heloisa Lima

Psicóloga Clínica – Maio de 2012.

Impressões

 

Protocolar. Este é o adjetivo! Resposta, atitude, mensagem, texto, reação, etc. Isso se dá quando, na falta de alguma coisa mais “efetiva” ou “concreta” e, mesmo, quando se quer “tirar o seu da reta” (Evoé coloquialismos!). Quando li a manifestação do estudante de Letras da PUC-MG (um “filho da puc”, como eu!) fiquei um tanto gratificado. O mesmo não posso dizer hoje, quando leio a resposta “oficial” da instituição que alardeia ser a melhor universidade particular do país. Longe de mim questionar tal título ou, mesmo, colocar em dúvida o seu mérito. No entanto, não consigo conter a pulsação da “preguiça” ao contrapor o texto do estudante (sincero, cheio de verdade e transparente) ao do “secretário”… protocolar. Se não, vejamos… De novo, em vermelho, as minhas intromissões e chatices…

“A PUC Minas, diante da manifestação do leitor (a instituição não se digna reconhecer o “leitor” como parte de sua “comunidade” acadêmica, generaliza, na tentativa de “diminuir” o “valor” de suas assertivas) Luiz Fernando de Andrada Pacheco (Opinião, 12/6/2012), vem informar (“informação” é substantivo que deixa o discurso bem distanciado do comprometimento de quem o exara, denota certa arrogância, deixando leitor a par de sua indiferença ao que possa estar subliminar no discurso que provocou a “informação) que o curso de bacharelado em letras oferecido pela universidade obteve nota máxima na avaliação realizada pelo Ministério da Educação no 2º. semestre de 2011. (Qual o significado e o “valor” efetivos desta “pontuação”. Que critérios basearam a soma final? Que estratégias foram executadas para alcançar esta pontuação?) Essa avaliação, efetivada por comissão externa de especialistas da área (Esta expressão não poderia ser mais generalizada e corporativista. É como se, além desta “área de especialização” ninguém, na face da terra, fosse “capaz” de fazer a mesma avaliação, com igual competência e acuidade!) atesta a excelência acadêmica do curso, cujo projeto pedagógico se constrói em absoluta consonância com os estudos contemporâneos do campo da linguagem (Outra generalização conveniente. Isso quer dizer que qualquer traço de “tradição”, numa chave histórica, deve ser deixada de lado. “Contemporâneo” é adjetivo capcioso que remete sempre à “absoluta relatividade” discursiva dependente de “quem” fala e “quando” fala!) e as reais demandas da sociedade (“Reais”? Poucas lições de Latim poderiam colaborar para evitar a idiossincrasia de tal afirmativa. Idiossincrasia tendenciosa, dado que tomar como pressuposto uma convenção discursiva pode ser estratégia discursiva para encobrir a especificidade de atitudes que têm efeito direto e efetivo sobre o “comum”. Quem pode afirmar com absoluta dade” quais são as “demandas sociais”?) “autor para a atuação dos profissionais do texto.”(Por fim, “profissionais do texto” pode ser lido como outra estratégia de generalização que busca tornar simples e automático o que é, de fato,complexo e muito peculiar!)

Mozahir Salomão Bruck

Secretário de Comunicação da PUC Minas

Economia

Se existe um assunto sobre o qual eu entendo pouquíssimo é sobre a tal de economia. A anedota abaixo (cujo autor desconheço) me divertiu. Parece que faz sentido e reforça uma ideia que tenho acerca do dinheiro… Costumo dizer que dinheiro não “existe”, de fato. A anedota confirma meu silogismo!

 

 

Entenda o que é CAPITAL de GIRO

CURSO RÁPIDO DE ECONOMIA

Um viajante chega numa cidade e entra num pequeno hotel. Na recepção, entrega duas notas de R$100,00 e pede para ver um quarto. Enquanto o viajante inspeciona os quartos, o gerente do hotel sai correndo com as duas notas de R$100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro. Este pega as duas notas e vai até um criador de suínos a quem, coincidentemente, também deve R$200,00 e quita a dívida. O criador, por sua vez, pega também as duas notas e corre ao veterinário para liquidar uma dívida de… R$200,00. O veterinário, com as duas notas em mãos, vai até a zona quitar a dívida com uma prostituta. Coincidentemente, a dívida era de R$200,00. A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, às vezes, levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações. Valor total da dívida: R$200,00. Ela avisa ao gerente que está pagando a conta e coloca as notas em cima do balcão. Nesse momento, o viajante retorna dos quartos, diz não ser o que esperava, pega as duas notas de volta, agradece e sai do hotel. Ninguém ganhou ou gastou nenhum centavo, porém agora toda a cidade vive sem dívidas, com o crédito restaurado e começa a ver o futuro com confiança!

MORAL DA HISTÓRIA: NÃO QUEIRA ENTENDER ECONOMIA!

Entrevista

Não sei ao certo quantas pessoas leram a entrevista. Depois que a recebi de minha amiga Ângela, com a indicação para colocar aqui, aquiesci… que chique! Vai abaixo o texto que ela me enviou e os seus comentários, que subscrevo.

“Depois de ler esta entrevista e, posteriormente, sua última postagem, achei que este material pode interessá-lo para publicação no blog. Gostei muito, embora o nome do programa educacional dos EUA, Race to the Top, me dê preguiça, essa coisa de megalomania de norteamericano. Mas você pode cortar esta parte usando o recurso de sempre […] Depois me conte o que achou. Beijinhos, Angel. Se for publicar, a formatação já está pronta. Colher de chá. rsrsrs.”

Obrigadíssimo angel face darling!

ENTREVISTA COM MICHAEL BARBER

“É preciso enfrentar o fracasso”

O executor da reforma educacional da Inglaterra

fechou as piores escolas da rede.

Ele afirma que o Brasil precisa definir metas de qualidade no ensino.

(Entrevista dada a Camila Guimarães, para a revista Época de 11 de junho de 2012)

Época – Quais as principais características da reforma educacional implantada na Inglaterra?

Michael Barber – A primeira coisa que fizemos foi definir como prioridade melhorar a qualidade do ensino de leitura, escrita e matemática nas escolas primárias, que atendem crianças de 5 até 11 anos. Para isso acontecer, o governo elaborou materiais estruturados de aulas nessas três áreas e treinou todos os professores para que pudessem usá-los em sala. Todos os 190 mil professores aprenderam as melhores práticas de ensino em leitura, escrita e matemática. A forma como lidamos com o fracasso foi o segundo pilar da reforma. Para mudar, é preciso enfrentar o fracasso. Onde havia escolas com baixo desempenho, Londres (o governo britânico) interveio. Onde havia redes locais de ensino ruins, Londres interveio. Muitas redes de ensino não tinham coragem suficiente para enfrentar os pontos negativos do sistema e perpetuavam os pontos falhos. Esse tipo de enfrentamento, sempre centralizado em Londres, foi muito controverso, muito difícil, mas crucial para a reforma dar certo. Com ele, passamos umaa mensagem para autoridades locais, sociedade e professores: havia um padrão mínimo de qualidade de ensino aceitável. Por fim, demos autonomia e cobramos um desempenho transparente e prestação de contas das boas escolas. O diretor pode escolher quem vai contratar, quanto vai pagar de salário, quanto vai gastar em livros, em computadores e como ele organiza a rotina diária da escola. Em compensação, essas escolas são avaliadas regularmente e os diretores se responsabilizam por elas.

Época – Como acontecia a intervenção nas escolas ruins?

Barber – As escolas do governo são inspecionadas a cada quatro anos por uma agência independente. Essa agência determina se o desempenho de uma escola é insatisfatório. Nesses casos, com as autoridades locais, nós fechamos algumas escolas. Outras foram fechadas, melhoradas e depois reabertas. Houve ainda casos em que tivemos de transferir alunos para escolas melhores. O tempo todo a questão era sempre como educar essa criança melhor e o mais rápido possível. Essa é a única questão que importa. Todo o resto é subjetivo.

Época – Durante o período da reforma, houve resistência por parte dos sindicatos dos professores?

Barber – Obviamente, havia diferentes visões entre os professores. Nem todos apreciaram a política assertiva de Londres. Mas o número de professores a favor da reforma cresceu ao longo dos anos. Isso porque os treinamentos eram de alta qualidade e eles viam por si mesmo os resultados positivos em suas salas de aula.

Época – O senhor acredita que o Reino Unido tenha liçõe a ensinar ao Brasil?

Barber – Pelo tamanho do sistema educacional brasileiro, Brasília não conseguiria executar uma reforma da maneira como Londres fez (a reforma britânica não atingiu a Escócia, que tem um sistema educacional próprio). Fica mais fácil se a parte operacional ficar a cargo dos governos locais. Ao governo central cabe estimular a sociedade, os pais, os professores e estabelecer expectativas e metas de qualidade. Em países com estrutura federal similar à do Brasil, acontece isso. A Austrália acaba de criar um currículo nacional unificado. Na Alemanha, o governo federal não controla os Estados, mas estabeleceu alguns padrões. Nos Estados Unidos, o governo teve um papel fundamental na reforma dos últimos anos com o programa Race to the Top. No Canadá, o governo central é fraco, mas os ministros se reúnem regularmente num comitê para trocar experiências.

Época – Como o senhor vê a educação brasileira?

Barber – Durante o período da ditadura militar, não houve muito interesse em investir na qualidade da educação pública. Isso gerou uma demanda por escolas particulares, e o setor privado cresceu consideravelmente. O Brasil fez progressos importantes nos últimos dez anos. No Pisa (avaliação internacional de estudantes feita pela OCDE), o Brasil ainda tem um desempenho muito baixo, mas sua evolução é significativa. Há bons exemplos de sistemas estaduais com bons resultados, como o de Minas Gerais. Vejo muitos projetos educacionais isolados dos quais as escolas podem se orgulhar.

Época – Projetos isolados são o suficiente para a ambição brasileira de mudar de patamar econômico e social?

Barber – De jeito nenhum. O Brasil teve um grande crescimento econômico recente e tem grandes aspirações, tanto internamente como no que diz respeito ao papel que ocupará globalmente. Mas o Brasil só terá influência mundial se melhorar a qualidade da educação como um todo.

Época – O senhor arrisca um palpite de como fazer isso?

Barber – É um desafio imenso. Há duas coisas fundamentais que precisam ser feitas: aumentar muito a média do desempenho dos estudantes brasileiros – e isso exigirá anos e anos de trabalho. Em segundo lugar, e mais difícil ainda, é preciso reduzir urgentemente a desigualdade do ensino. Um dos caminhos para isso é investir na carreira de professor. Foi o que fizemos no segundo mandato de Tony Blair. Foi feito investimento de capital e foram criadas políticas públicas para a formação e seleção de professores melhores. Garantir profissionais com alta qualificação e com características pessoais adequadas ao ensino é crucial para que o Brasil continue melhorando o desempenho de seus alunos. A carreira do professor tem de ser valorizada para atrair as melhores cabeças para a profissão. As pessoas precisam escolher seguir a carreira de professor – e não virar um deles só porque não tinham nada melhor para fazer.

Época – Essa mudança de patamar na qualidade dos professores leva tempo…

Barber – Na reforma educacional da Inglaterra, fizemos isso com alguma rapidez. Uma das principais medidas foi melhorar o estágio feito pelos futuros professores. Para um professor se formar na Inglaterra, é preciso estudar três anos e depois fazer mais um ano de estágio. Nesse estágio, o futuro professor passa pelo menos dois terços do tempo dentro da escola. Não em salas de aula de universidades, não assistindo a palestras, mas de fato trabalhando com outros professores, dentro das salas de aula iguais às que assumirão mais tarde. As universidades tiveram de construir parcerias com as escolas para que isso acontecesse, e o governo apoiou essas parcerias com dinheiro. Formar bons professores nunca é rápido o suficiente. Um dos conselhos que eu daria ao governo brasileiro é persistir. Fazer uma reforma na educação não é tarefa de um ou dois anos, mas de cinco a dez anos. Com a liderança certa, as diretrizes certas e persistência, a mudança para melhor acontecerá.

Leituras…

 

Não sou muito amigo de ler todo o jornal. Do Estado de Minas, eu leio algumas partes: todas as manchetes da primeira página, a página “Opinião” (às vezes o editorial me interessa…), o “Segundo caderno”, alguma coisa do “Gerais” e, invariavelmente a secção “segunda via” – às segundas-feiras – e o caderno “Pensar”, aos sábados. Hoje, li uma carta (pelo menos um trecho dela) de um estudante de Letras, da PUC-MG, onde me licenciei. O texto, irado/irônico, me fez voltar no tempo e lembrar dos semestres durante os quais frequentei os corredores do antigo seminário onde fica a “sede” da universidade. Eram muitas leituras. Das disciplinas de literatura, em média, de três a cinco livros por mês (e havia provas para cuja solução a leitura era imprescindível… entenderam? Por mês!!!) Tivemos cinco semestres de Literatura Brasileira (abordagem historiográfica), mais três cuja abordagem era por gênero: narrativa, teatro e poesia. Dois semestres de Literatura Portuguesa. Durante TODO o curso (de quatro anos), tivemos Língua Portuguesa (as disciplinas numeradas, de 1 a 5, abordavam os capítulos da Gramática Normativa; mais um semestre só fazendo análise sintática e outros dois dedicado à redação: um texto por semana. Além disso, ainda houve três semestres de Linguística, com direito a História externa da Língua Portuguesa (“coisa” de desconhecimento absoluto nos dias que correm) e as principais vertentes da Línguística (então). Para a licenciatura, ainda havia as famigeradas disciplinas pedagógicas e os estágios. Alguma semelhança, obrigatoriamente, com o que se “ensina” hoje, é apenas mera coincidência. Acreditem…

 

Por isso, a carta do estudante da PUC me impressionou tanto. Eu poderia discutir algumas ideias, mas abro meu direito de fazer isso para exaltar a verdade das palavras dele e subscrever seu protesto.


 

 

“Registro um protesto contra o bacharelado em revisão de textos, curso de letras da PUC Minas, campus Coração Eucarístico, por ser um curso medíocre e, quiçá, o pior da universidade. O conteúdo que, teoricamente, visa preparar revisores de texto, é espremido em apenas três anos, e o ensino da gramática normativa é muito superficial. As razões talvez estejam no fato de que o corpo docente do curso está repleto de linguistas e sociolinguistas progressistas, ou seja, aquele tipo de profissional da língua que ofereceu todo apoio às absurdidades monstruosas do material didático de língua portuguesa do MEC – o livro Por uma vida melhor –, que ensina ao aluno que é correto dizer ‘nós pega o peixe’, ou ‘os livro ilustrado mais interessante estão emprestado’. É justamente esse tipo de profissional que detesta a gramática normativa porque a considera opressora, burguesa, elitista. Além disso, na área da literatura a ênfase é unicamente nas literaturas brasileira, portuguesa e africana. Parece que não há no universo literário outras opções tão ou mais importantes. A universidade do nosso país é um abismo repleto de mediocridade. E o curso de letras da PUC Minas é reflexo dessa pobreza intelectual. Sinto-me roubado duas vezes: pela impossibilidade de receber uma formação acadêmica digna e por investir financeiramente um valor muito alto em um curso tão medíocre.”

Luiz Fernando de Andrada Pacheco

Aluno condena curso de letras da PUC

Belo Horizonte

 

PS: depois de reler a carta, fico pensando onde anda um bom senso quando é possível deparar-se com um edital para seleção de “professor” substituto, no qual se “exige” o diploma de “bacharel”… Calo-me!