Leituras…

 

Não sou muito amigo de ler todo o jornal. Do Estado de Minas, eu leio algumas partes: todas as manchetes da primeira página, a página “Opinião” (às vezes o editorial me interessa…), o “Segundo caderno”, alguma coisa do “Gerais” e, invariavelmente a secção “segunda via” – às segundas-feiras – e o caderno “Pensar”, aos sábados. Hoje, li uma carta (pelo menos um trecho dela) de um estudante de Letras, da PUC-MG, onde me licenciei. O texto, irado/irônico, me fez voltar no tempo e lembrar dos semestres durante os quais frequentei os corredores do antigo seminário onde fica a “sede” da universidade. Eram muitas leituras. Das disciplinas de literatura, em média, de três a cinco livros por mês (e havia provas para cuja solução a leitura era imprescindível… entenderam? Por mês!!!) Tivemos cinco semestres de Literatura Brasileira (abordagem historiográfica), mais três cuja abordagem era por gênero: narrativa, teatro e poesia. Dois semestres de Literatura Portuguesa. Durante TODO o curso (de quatro anos), tivemos Língua Portuguesa (as disciplinas numeradas, de 1 a 5, abordavam os capítulos da Gramática Normativa; mais um semestre só fazendo análise sintática e outros dois dedicado à redação: um texto por semana. Além disso, ainda houve três semestres de Linguística, com direito a História externa da Língua Portuguesa (“coisa” de desconhecimento absoluto nos dias que correm) e as principais vertentes da Línguística (então). Para a licenciatura, ainda havia as famigeradas disciplinas pedagógicas e os estágios. Alguma semelhança, obrigatoriamente, com o que se “ensina” hoje, é apenas mera coincidência. Acreditem…

 

Por isso, a carta do estudante da PUC me impressionou tanto. Eu poderia discutir algumas ideias, mas abro meu direito de fazer isso para exaltar a verdade das palavras dele e subscrever seu protesto.


 

 

“Registro um protesto contra o bacharelado em revisão de textos, curso de letras da PUC Minas, campus Coração Eucarístico, por ser um curso medíocre e, quiçá, o pior da universidade. O conteúdo que, teoricamente, visa preparar revisores de texto, é espremido em apenas três anos, e o ensino da gramática normativa é muito superficial. As razões talvez estejam no fato de que o corpo docente do curso está repleto de linguistas e sociolinguistas progressistas, ou seja, aquele tipo de profissional da língua que ofereceu todo apoio às absurdidades monstruosas do material didático de língua portuguesa do MEC – o livro Por uma vida melhor –, que ensina ao aluno que é correto dizer ‘nós pega o peixe’, ou ‘os livro ilustrado mais interessante estão emprestado’. É justamente esse tipo de profissional que detesta a gramática normativa porque a considera opressora, burguesa, elitista. Além disso, na área da literatura a ênfase é unicamente nas literaturas brasileira, portuguesa e africana. Parece que não há no universo literário outras opções tão ou mais importantes. A universidade do nosso país é um abismo repleto de mediocridade. E o curso de letras da PUC Minas é reflexo dessa pobreza intelectual. Sinto-me roubado duas vezes: pela impossibilidade de receber uma formação acadêmica digna e por investir financeiramente um valor muito alto em um curso tão medíocre.”

Luiz Fernando de Andrada Pacheco

Aluno condena curso de letras da PUC

Belo Horizonte

 

PS: depois de reler a carta, fico pensando onde anda um bom senso quando é possível deparar-se com um edital para seleção de “professor” substituto, no qual se “exige” o diploma de “bacharel”… Calo-me!

 

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2 comentários sobre “Leituras…

  1. O mundo virou um asilo de loucos e os que ainda pensam, mesmo que, digamos, insanamente, escancaram a boca e arregalam os olhos diante dos desatinos, da estultice generalizada, da realidade estapafúrdia. Imagine só: se os profissionais de todas as áreas do conhecimento estiverem sendo assim ‘preparados’; se língua é o que o povão fala, ainda que o povão fale muito mal – e, de quebra, também os acadêmicos de outras especialidades; se a coisa vai de roldão, vertiginosamente, morro abaixo, em direção a um buraco negro? Vou dar o sinal e descer do bonde. Vamos? Beijinhos, Angela

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