Aparências

 

BAKHTIN DESMASCARADO

Autor(es): Jean-Paul Bronckart e Cristian Bota

Parábola

Faz alguns dias li o texto da resenha que segue abaixo. Ela foi publicada na página da editora e recebi o link por mala direta eletrônica da mesma. Fiquei impressionado… Pelo sim, pelo não, ainda vale a pena acreditar que alguém é inocente (ou culpado) até que se prove o contrário. A julgar pela morosidade do “sistema” jurídico nacional e pela prodigalidade da “legislação” ( o “Código Penal” é quase centenário…) A assertiva pode causar espécie! O negócio é que o livro anuncia uma “hecatombe”, pelo menos, para aqueles que dizem acreditar de pés juntos e mão beijada naquilo que se supunha ser de autoria do pensador do russo em questão. Pois é… Vai saber o que é certo e o que é errado… Acredito que muita gente já execra o livro, mesmo sem tê-lo lido (o que é de praxe, infelizmente, por aqui). Por outro lado, tem muita gente “gozando” pelos mesmos motivos e com direito às mesmas observações, também, infelizmente… De uma de ou de outra forma, fiquei curioso. Não sei ainda se vale a pena comprar o livro, mas fiquei curioso. De qualquer maneira penso, (feliz e satisfeito)  que nem sempre sou exagerado ou equivocado ou chato quando penso que a relatividade é a mais absoluta das possibilidades… para tudo. Em que pese a contradição “em termos”, não vale a pena acreditar cegamente em tudo o que se lê! Tenho dito!

“Esse livro enfrenta, tentando decidir, a questão dos textos disputados, uma disputa surgida a partir do momento em que Mikhail Bakhtin, apoiado por seus promotores moscovitas, declarou, no decorrer dos anos 1960, ser ele o autor efetivo da obra maior de Medvedev, bem como da quase totalidade dos escritos de Volóshinov. A tese da onipaternidade bakhtiniana constitui uma fábula à qual uma criança de 10 anos não teria concedido crédito e se inscreve no quadro de uma fraude intelectual e talvez, sobretudo, financeira, na medida em que, em suas versões russas e na imensa maioria de suas traduções, as obras de Volóshinov e de Medvedev continuam a ser publicadas sob o nome de Bakhtin, … em benefício dos legatários universais de Bakhtin. Depois de um curto período de ceticismo e de hesitação, essa fábula foi aceita e avalizada por um número crescente de especialistas em literatura. E essa adesão provocou, durante várias décadas, um delírio interpretativo. No decorrer da última década, contudo, foram publicados vários trabalhos que levaram à completa reabilitação de Volóshinov e de Medvedev: é nas obras de Volóshinov e de Medvedev que foi desenvolvido o conjunto de temas que suscitou o interesse dos especialistas em literatura: a genericidade “ampliada”, o dialogismo, a atitude responsivo-ativa, a polifonia etc. No alvorecer do século XX, Volóshinov e Medvedev conceberam, a exemplo do Vigótski de A psicologia da arte, o projeto de desenvolver uma ciência da literatura que faria parte integrante de uma ciência do humano. A publicação de Bakhtin desmascarado é a afirmação de que é tempo voltar aos textos disputados, de questionar a onipaternidade de Bakhtin sobre eles, de dar crédito a quem é dono do crédito, para vencer definitivamente uma impostura intelectual de fundas consequências para a ciência literária e os estudos linguísticos. Bronckart e Bota reconstituem aqui a história do bakhtinismo, mesclando biografia e história das ideias, à maneira de um romance policial, cujo desfecho os leitores se apressarão a conhecer. Eles apontam falhas nos raciocínios científicos, destacam os ilogismos biográficos, metem o dedo nas contradições no discurso de Bakhtin, retomam afirmações incoerentes, criando um suspense que, ao final, acaba por ser elucidado: Bakhtin mentiu. E sua mentira diz respeito à autoria dos textos disputados, às condições de sua redação, ao conteúdo de seu próprio trajeto científico. Bakhtin desmascarado é uma obra inquietante em seu tom severo. Não se poderá negar aos autores o mérito de trazer a polêmica dos textos disputados a um público mais amplo e a coragem de defender posições tão radicais sobre um tema frequentemente silenciado e ainda muito pouco visitado.”

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Falácia

Os jornais insistem em afirmar que o reajuste para os professores universitários é de 45%. Outra insistência: o salário de R$ 17.000,00. Os mais desavisados (são tantos…) logo caem na esparrela de acreditar que somos preguiçosos ou marajás (como afirmou um famigerado Fernando, cuja esposa botocuda veio a público pedir aumento de pensão, em nome de Jesus: cheirava a mofo). Entre mortos e feridos, pelo andar da carruagem, ninguém vai se salvar e as coisas vão continuar exatamente do jeito que estão agora… Bom, depois de saber que a mulher do bicheiro foi casada com o atual suplente do senador cassado e que este, pasmem, vai continuar mamando nas tetas do erário público, candidamente, eu vou dizer que estou prontinho (saudade da Ieda) pra acreditar em Papai Noel, cegonha e coelho da Páscoa. Seguem abaixo, dois textos de um amigo querido, o Dito, que tergiversa (com inteligência, sagacidade e ironia) sobre o assunto em pauta. Espero que gostem…

Engodos oficiais

J. B. Donadon-Leal – UFOP

Associado III – ICSA

É prática comum dos governos jogar a população contra o funcionalismo público, como forma de escamotear os graves erros estruturais que inviabilizam o trabalho desse funcionalismo. Essa estratégia sórdida de jogar a população contra uma classe de funcionários públicos está sendo utilizada pelo atual governo, com a publicação, na grande mídia, de uma proposta de acordo que enfatiza um salário fictício de R$ 17.100,00 a professores titulares.

Primeiro engodo: esse salário é apenas para o ano de 2014.

Segundo engodo: o número de professores titulares nas IFES é mínimo. A UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), por exemplo, tem apenas 01 professora titular e a possibilidade de ter mais é remotíssima.

É importante que a população brasileira saiba a categoria de Professor Titular, embora apareça na lista de carreira, não faz parte da carreira. O topo da carreira é o de Professor Associado IV. Para ser professor titular, o doutor deverá prestar concurso público para esse nível exclusivo. A UFOP não tem autorização para abrir concurso para professor titular há mais de 30 anos. A única professora titular da UFOP ingressou nesse nível em outra instituição federal.

Os professores das instituições federais querem um Plano de Carreira que represente conquistas dignas ao longo da vida profissional, que permita visualizar o reconhecimento pela produção acadêmica. O que o governo oferece é uma “bolsa carreira”, isto é, um empurrão para que os professores doutores possam chegar no ano das próximas eleições presidenciais ao patamar dos salários dos motoristas de senadores e dos ascensoristas dos palácios de Brasília.

 

 

Você sabe o que é manipulação?

J. B. Donadon-Leal – UFOP

Associado III – ICSA

O governo teve uma grande vitória neste final de semana: fez o povo brasileiro crer que professor de universidade federal ganha 17 mil reais. Os jornais da Globo e o G1 agora fazem com que o povo brasileiro acredite que o “sindicato QUER que professor rejeite a proposta do governo”.

O governo, com sua proposta inescrupulosa, de migalhas anuais de reajuste, para escamotear a obrigação de negociar um Plano de Carreira justo, joga cizânia nas relações de professores com a sociedade brasileira, como se esses, ganhando 17 mil reais, formassem um sindicato que é capaz de peitar esse governo tão sério e disposto a negociar.

Você sabe o que é manipulação?

Se você vai à próxima assembleia convocada pelo comando de greve, achando que a proposta do governo é a melhor que ele pode oferecer, ou que você tem chance de ganhar 17 mil reais por mês em 2014, você é a mais recente vítima da manipulação do governo; do mesmo governo que já faz o povo acreditar que:

o Brasil pagou a dívida externa

consumir mais evita que a crise internacional chegue ao Brasil

o que importa é o domínio tecnológico e não a teoria

é preciso endurecer a lei

não é ele (governo), mas você, o responsável pela qualidade da educação

o país está no rumo certo

o REUNI e o PROUNI resolveram os problemas do ensino superior no Brasil

as cotas eliminam os preconceitos

investir em formação de cientista é dar bolsa para o doutorado no exterior

etc.. etc.. etc…

Alterosas

 

Recebi do querido Luiz Fernando, por e-mail e colo aqui para que os visitantes possam saborear essas palavras que tão bem desenham a tal de mineiridade, ainda que eu não possa atestar a autoria…

MINAS GERAIS – por Bruna Lombardi

“Assim como as pedras preciosas escondem seu brilho dentro, Minas
Gerais esconde infinitos tesouros, que vão se mostrando aos poucos a
todos aqueles que a descobrem. Essa sensação de que Minas é pra dentro
vem de sua própria natureza, da extraordinária beleza de seu interior.
Dessa atmosfera onde todo amor é sagrado.Aqui se respira o mistério.
Aqui a gente se interioriza. E sente a presença de Deus.
O olhar perdido no horizonte nem alcança. O silêncio parece que
atravessa séculos. Atravessa grandes extensões, cavernas e cachoeiras,
serras, nascentes, o percurso de grandes rios. Atravessa a mata, o
cerrado, o sertão. O silêncio atravessa paredes de casas caiadas,
igrejas barrocas, vilas coloniais. A Travessia. O Tempo. Uma lição de
fé. A arte atravessa esse lugar como o vento que bate nas folhas das
árvores. E ficam marcas da história em cada esquina.
Esse silêncio mineiro diz tudo. Ele vem da sabedoria. Dentro dele tem
tudo o que precisa ser dito. E se você prestar atenção, dentro do
silêncio você vai ouvir música. Vai escutar novenas, cantos
gregorianos, poesia. Dentro do silêncio o sopro da prosa. Alguém
sussurra toda essa bela literatura.
Revelam-se histórias de família. Segredos antigos. Lendas.Vai ouvir os
cascos dos cavalos, o homem no cavalo tocando o gado, os meninos. O
canto das mulheres. Parece que nesse silêncio tem sempre alguém
cantando. Mil tons. Tem estórias de assombração ao pé da fogueira, tem
uns causos que se contam ao pé do fogão. Tem causo de tudo nesse mundo
de Deus. E tome café com leite, pão, uma branquinha, dois dedos de
prosa e umas mentiras, que ninguém é de ferro, uai! Eta trem bom!
Deveria se dar muito mais valor para esse tipo de saber.
Minas é uma experiência de espiritualidade. Ser mineiro é uma espécie
de encantamento. Você pode deixar Minas, mas ela nunca te deixa. Você
vai embora e a carrega consigo. E onde quer que você vá, Minas
continua dentro de você. Minas é um lugar que fica dentro pra sempre.”

Saudade

No lugar de ficar me lamentando ou destilando sarcasmo por sobre situações do cotidiano, vou na maré da saudade dos amigos que fiz aos longo destes (quase já!) 56 anos. Pego carona numa postagem da querida Márcia Leandro, de quem tenho saudades e a quem pretendo encontrar em próxima visita ao Rio Grande do Sul. A carona me embala ao som de um soneto de Vinícius de Moraes, dedicado, aqui, àqueles amigos que sabem quem são e que sabem que são importantes pra mim, mesmo que eu não os procure so often

 

 

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…
Vinícius de Moraes

Absurdo

 

O sujeito vive 81 anos, seis meses e quinze dias. Desse tempo, trabalha, pelo menos, uns 60 anos. Enquanto isso, pelo menos durante uns 50 anos, ele paga o tal de “seguro de vida”. Pronto. Um dia, como com todo mundo, ele morre. Seu dinheiro já começa a ser gasto com as despeses de sepultamento (isso sem contar o simultâneo início da burocracia). Paga-se pela ambulância, no transporte de um hospital para o outro. Paga-se para o sepultamento, depois paga-se para encerrar a conta bancária. Paga-se o ITBI e paga-se, paga-se, paga-se. O que mais deixa os “herdeiros” injuriados é que o tal de “seguro de vida”, pago suadamente durante anos e anos, deixa apenas R$ 9.000,00. Este é o valor da vida do cidadão. Se isso “couber no possível” de alguém…

Se você não pagar seus impostos prediais corre o risco de perder sua casa! Já os “donos” de igrejas por aí são isentos… e ainda cobram “dízimo”, com promessas, entre outras, de um “terreno” no céu!

Você paga um plano de saúde com reajustes “previstos em lei”. Um dia, você tenta marcar uma consulta e descobre que tem que esperar quase o mesmo tempo que esperaria se desejasse ser atendido por um médico vinculado ao SUS… É possível?

Prefeitos, governadores, deputados, senadores e vereadores “legislam” sobre construção de escolas, compra de equipamentos para inclusão digital e chamam isso de “investimento em educação… Alguém acredita?

Palavras

 

DO LATIM:
O vocábolo “maestro” vem do latim “magister” e este, por sua vez, do adjectivo “magis” que significa “mais” ou “mais que”. Na antiga Roma o “magister” era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!
Por exemplo um “Magister equitum” era um Chefe de cavalaria, e um “Magister Militum” era um Chefe Militar.
Já o vocábolo “ministro” vem do latim “minister” e este, por sua vez, do adjectivo “minus” que significa “menos” ou “menos que”. Na antiga Roma o “minister” era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.
COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO PORQUE QUALQUER IMBECIL PODE SER MINISTRO … MAS NÃO MAESTRO !!!

 

E eu acrescentaria (por que não sou o autor da peça acima e não faço ideia de quem seja!): “professor” também não!

Tempo

 

Ontem foi domigo, pé de cachimbo,

O cachimbo era de ouro, batia no touro.

O touro era valente, batia na gente.

A gente era fraco, caía no buraco.

O buraco era fundo, acabava o mundo.

As palavras não são mesmo, literalmente, estas, mas a memória é…

E eu já vou fazer 56 anos…