Contraste

Ronaldo, em Belo Horizonte, juntou seus desenhos e as coisas que escreveu, assim, sem mais. Juntou tudo e montou um “livro”, com direito a divulgação no jornal de maior circulação no Estado… Tenho quase absoluta certeza de que o lançamento do tal de livro vai ser “concorrido” e muita gente vai comparecer, para aparecer na foto, pegar o autógrafo e se dizer muto antenado, descolado, “in”…

Antônio de Pádua, em Campina Grande, escreveu e publicou um romance. Texto enxuto, instigante, poético. Esquecido lá no “nordeste”, no interior do nordeste, para ser mais exato. Quase ninguém – comparando com o tal de Ronaldo – o leu. Não sei se foi feito um lançamento e, se o foi, quanta gente comprou e pegou o autógrafo. De um jeito ou de outro, os “descolados”, “antenados” e “in” de plantão vão passar o resto da vida sem se deliciar com as páginas do romance… Quem será que saiu ganhando?

Pasmado, leio nas páginas do jornal neste domingo a notícia de que escolas da capital das alterosas impõem a seus “clientes” – é assim que todo mundo é considerado hoje em dia, nos moldes de uma economia “globalizada” de verve “Partidário-Trabalhista”… que pena – um “termo de compromisso” como garantia do “sucesso” do estudante, antes mesmo de se matricular. Que horror, que vergonha. Imagina só: as escolas já estão a exigir que os estudantes venham “prontos”. De fato, nesta óptica, a escola não tem outra obrigação – imposta por seus padrões mercadológicos que incluem as estatísticas de “sucesso” e “vitória”, no que diz respeito ao ingresso naquela é tida e havida “maior universidade de Minas” – que não a de constar nas peças publicitárias que anunciam os vencedores, os que ficaram em primeiro lugar nas engenharias, na medicina e/na fonoaudiologia. Alguém já parou pra pensar no porquê da ausência de “vencedores” em cursos como Serviço Social, Letras, Filosofia ou Economia doméstica – sim, existe esse curso… Parece que há alguma coisa fora de lugar ou, como já disse Caetano – cantando e compondo ele é perfeito, mas falando… – “alguma coisa fora de ordem”…

Trecho de romance

“Nas paredes do quarto, os certificados, diplomas, fotos e títulos recobrem as marcas do tempo. O perímetro da emoção, conservado pela maré dos dias que leva e traz recordações nem sempre luminosas. Mas a sensação de deja vu não passa e a certeza esvai-se nas sombras da névoa outonal que recobre a grama do jardim que a infância não esquece. Permanece a dúvida, os papeis espalham-se com o vento e a tarde cai, sonolenta. Fim de agosto…”

Dia dos pais

 

Faz pouco tempo que meu pai morreu. Desde então, obviamente, as coisas não são mais do jeito que eram…

Faz quase um mês que não escrevo aqui. Sem explicações!

Hoje, li mensagem recebida com um videoclipe que reproduzo aqui. Com ele, digo tudo o que desejo dizer. Espero que quem vier até aqui goste…

Feliz dia dos pais!