Pausa

Faz um tempinho, a criança entrava na escola e começava a aprender a ler, a escrever e a contar. Depois passava a conhecer os nomes dos Estados brasileiros e suas capitais; as capitais estrangeiras, os sistemas que compõem o corpo humano, os fatos da História (geral, do Brasil e de Minas Gerais), o sistema solar. Mais um pouco e já começava a saber o que eram os elementos químicos, os fenômenos mais simples da Física e por aí vai… No meio disso tudo havia os “Estudos Sociais”, as aulas de religião e de canto orfeônico (Tenho certeza de que há de existir alguém que vai perguntar o que significa isso, antes mesmo de consultar o dicionário. Dicionário, o que é isso mesmo???)

Sou de um tempo em que, terminado o Curso Primário, no Grupo Escolar, a opção enre entrar para um curso de Admissão. No Colégio Salesiano de Belo Horizonte, podia-se escolher entre o curso intensivo de seis meses e o regular, anual. Minha mãe escolheu o segundo. AInda tenho na memória o volume grosso, de capa clara, intitulado “Programa de Admissão”. Toda a matéria a ser estudada estava lá, tim-tim por tim-tim. Comecei o ginário no Salesiano e o terminei no Grupo Escolar Odilon Bherens que, àquela altura, já se chamava “Escola Estadual”. Pouco tempo depois, certo ministro empurrou goela abaixo do MEC e da população a “reforma” do ensino. Penso que foi aí que muita coisa – para não dizer, pretensiosamente, tudo – começou: para o bem e para o mal.

Depois foi a vez do Científico, no lendário Colégio Estadual (hoje, Milton Campos). Ainda me lembro do “chuveirinho”, apelido do professor de Química que cuspia ao falar, do professor Murad, do jaburu, apelido do professor de Física, no primeiro ano: um homem alto e horrororo… Tanta coisa, tanta gente.

No Curso de letras, houve um momento em que eu estudava três ou quatro disciplinas de literatura, simultaneamente. A média de leitura era de 3 a 4 livros por mês, para cada uma delas. Certa vez, a confusão era tanta em minha memória que acertei todas as cinco questões de uma prova de Teoria da Literatura, mas minha nota foi 5. Perguntei ao rofessor o porquê. Ele respondeu que acertei as respostas, mas troquei os romances que deveriam ser usados como referência para elas…

Tudo isso para chegar ao comentário final: hoje li no Estado de Minas, pequena matéria sobre as provas do Enem, realizado no final de semana que passou. Uma coisa me chamou muita atenção: o tom de alívio e de superioridade do texto quando afirmava que (quase literalmente) a prova de “Linguagens” (a que ponto chegamos…) privilegiou questões de Linguística. Dei tratos à bola e refleti sobre a “inuilidade” da Literatura sobre o quê tanto falo… Há que se contextualizar esta “inutilidade”- não vou desenvolver este tópico aqui, agora. O fato é que parece mesmo um alívio não ter que “LER” Literatura para fazer o Enem. Alívio… vai vendo!

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2 comentários sobre “Pausa

  1. Meu percurso foi tal e qual. Até o livro Programa de Admissão era o mesmo e, no ginásio, o Cegalla era o autor dos livros de texto de Língua Portuguesa; lembro-me dele e do Oswaldo Sangiorgi na Matemática. O colégio também foi salesiano: Pio XII. Outros tempos: leitura não era tortura (rimei!), era deleite. Tenho pena de quem não lê mais e sente-se aliviado por fazer um ENEM de tão baixo nível. Tem-se nivelado por baixo em tudo nesse país faz tempo… Até o meu chefe, lá na Medicina, está pasmado com a indigência na capacidade de expressão de seus alunos, que piora, de ano para ano. Fico imaginando que futuro nos aguarda… Beijinhos, Angel

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