Leituras

 

Acabo de reler Aqueles cães malditos de Arquelau, do Isaias Pessotti. Uma delícia. Romance que se desenvolve entre citações pra lá de eruditas – sem o sebo e a soberba de tantas outras congêneres que teimam em grassar no horizonte de expectativas da “academia” –, descrições paradisíacas de regiões italianas e cardápios que enchem a boca de água e o cérebro de desejo. O pecado da gula diz presente! Escrita fluida, atenção e carinho com a palavra e com o leitor . Sim, com o leitor, pasmem! O autor não se impõe com uso de normas e esquemas pré configurados para agradar ao leitor. Ao contrário, faz uso da estratégia mais simples e mais antigs, a da “narração”. Com este gesto, apregoa seu respeito, sua delicadeza e toda sua grandeza de  “escritor”. Claro está que muitos que se dizem “pós-modernos” hão de torcer o nariz argumentando o caráter “rasteiro” do texto que não se aventura por abismos insofismáveis da mais pura falácia narrativa.

Isaias persegue o aparentemente óbvio para construir um relato delicioso que se desdobra na busca de verdadeiras “relíquias” bibliográficas, sustento espiritual de personagens que se constroem a partir de suas obsessões intelectuais e se jogam na busca de tesouros emparedados, enquanto se digladiam com os temas mais arcaicos da existência humana – por gentileza, procurem as raízes etimológicas de “arcaico” para alcançarem o sentido que aqui emprego. O amor é atravessado pela mitologia e a figura dos cães que remetem a Eurípedes, vislumbram um bispo que esconde um segredo que, por sua vez, revela uma história de amor mal sucedida. Tudo isso repassado pelas fímbrias da História da Igreja – Santa Clara é referência bem mais que fortuita. Fiquei atônito com a releitura, tão atônito que vou reler os outros dois que já conheço, mas isso já é assunto para outra postagem!

6 respostas para “Leituras”.

  1. AMEI esse livro! Também gostaria de lê-lo de novo. Você tem? Empresta? Adoro esses gaúchos – o Isaías Pessotti é, pelo que me lembro, ou não?
    A propósito não se esqueça de verificar com o Benedito se ele tem o Catatau, do Leminski, e se me empresta, tá? Beijos, Angel
    Adorei você ter usado ‘fímbrias’. Quando eu uso, o pessoal pergunta: “O quê?” Ui!

    1. Claro que empresto! Tenho mais uns dois ou três dele… em relendo, repasso para sua releitura, se assim for de seu desejo…;-)
      beijinho

  2. Avatar de Teresa Perdigão
    Teresa Perdigão

    Só hoje descobri o seu blog e, imagine! Por via de um poema de F. P.que procurava! Gostei imenso!
    Vou ficar leitora
    Teresa perdigão

    1. Teresa
      Obrigado pela visita. Que bom que gostou! se tiver um blogue também, mande a lingação e eu faço visitas!
      Volte sempre!
      abraço

  3. Avatar de Teresa Perdigão
    Teresa Perdigão

    Será que você já estava em Zagreb em 2010, quando eu fiz, na Universidade, no departamento de português, uma palestra sobre cultura portuguesa?
    Como posso obter o seu mail? Preferia escrever-lhe diretamente.
    TeresaP

    1. Teresa, sou eu mesmo! Que baita coincidência hein?! QUe bom estarmos em contato de novo. Lembro-me bem de sua conferência. Meu e-mail pessoal é foureaux24@yahoo.com. Escreve sempre que quiser e/ou precisar!
      Bom final de semana!
      😉

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