Opções

 

Fosse eu a escrever a trama, não deixaria passar barato a provocação da loura. Depois de desafiar o garanhão de periferia, fazia-o lascar um tapão na cara da gaja. Era tudo o que precisaria para poder reverter uma situação, já, sem graça. A reação dele, como macho latino disfarçado em turista nada acidental, seria logo percebida por todos os que estariam por ali, sem fazer nada, esperando alguém, simplesmente matando tempo. Era o chavão. E deste, a cena partiria para a esculhambação mais tacanha. A reação dos circundantes não poderia ser mais óbvia e, logo, dois ou três policiais atacariam o macho enraivecido que, babando, tentaria negar tudo o que compõe a acusação das duas fêmeas que ousaram desafiar sua autoridade. Hilário. Obviamente, os desdobramentos poderiam seguir um de dois outrês caminhos: um desfecho mais careta, fazendo prender o tal monstro, depois que as acusações fossem comprovadas; uma das moças cairia desmaiada e morreria imediatamente ou, ainda, já na prisão, um dos “policiais” revelaria sua verdadeira identidade e daí a trama continuaria por um sem fim de possibilidades.

 

Fosse eu… mas não sou. Então, desenxabido, fico a observar por onde anda a tal de criatividade de quem escreve. Claro está que, no caso presente, não se trata de trama comum, constituída no reino abissal da ficção, em suas águas mais profundas e densas. Nada disso! Assim fosse, os pontos de audiência não alcançariam os patamares necessários para a manutenção do patrocínio e, consequente, a retro-alimentação de um “sistema” que, em tudo e por tudo, preza pelo privilégio de sustentar suas “celebridades” numa aura confusa que as faz passar por personagens perambulando pelas avenidas e ruelas do balneário famoso. Que triste. Material rico que se transforma em quase lixo narrativo, de tão raso. Tão raso que nem para reciclagem poderia se prestar. Tudo pelo dinheiro e pela “fama”.

 

Entre um capítulo e outro do enredo as novidades do dia, algumas já repetidas à exaustão continuam a alimentar a hiância de educação e de inteligência: panis et circus ad aeternum… Outra edição da podridão mais mefítica que o cérebro humano é capaz de criar: sempre com o aplauso da “galera” que se considera “moderna”, guiada por alguém que se passa por “descolado”, informado e inteligente… Ai, ai… Mais da língua pátria a preencher as vagas movimentações faciais dos estrangeiros que aparecem sedutores, em películas importadas: tudo sob a égide da manutenção da soberania linguística e do apelo popular… E as horas passam, o tédio aumenta, a preguiça se espalha e la nave va

 

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2 comentários sobre “Opções

  1. Ou seja, pauperismo em moda. Tendência! E nós, quando escreveremos nosso livro a quatro mãos? Afinal, ambos amamos a última flor do Lácio…
    Já ouviu a última canção de um tal Michel Teló(go)? Tô boba com o assassinato de qualquer coisa que se pareça com língua portuguesa. Afffff… Entendo a preguiça. Beijinhos, Angel

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