Para LET873 – 1

Pois bem. Segue abaixo o texto sobre o qual vocês vão comentar. Trata-se de um texto de Olavo Bilac. O comentário deve se desenvolver a partir da seguinte proposição:

O posicionamento de Olavo Bilac é contrário à contribuição romântica para a Literatura Brasileira? Se sim ou se não, como VOCÊ vê a relação do que o poeta diz e a proposta (mais generalizada) do Realismo para nossa literatura?

Segue o texto:

“Os paladinos de 1830 [os românticos] apenas tinham pretendido dar seiva nova de idealizações e de elocuções à planta da poesia, mirrada e anêmica, empobrecida pela secura do Classicismo. E os de 1865 [os parnasianos], rebelando-se contra os últimos discípulos daqueles, somente quiseram restaurar estas qualidades, tão simples e tão belas, que estavam a ponto de ser esquecidas: a simplicidade e a correção. A extravagância da imaginação e o desalinho da forma iam expelir dos poemas a sobriedade, a clareza e a justeza, virtudes máximas do gênio greco-latino. Porque já eram sóbrios, claros e justos, na rudeza da vida pastoril, os primeiros poetas da nossa civilização, apercebidos de cajado e avena, sonhando, ao pé da montanha da Phócida, consagrada a Apollo e às Musas; aqueles foram os primeiros e verdadeiros parnasianos; e parnasianos foram, pelas idades fora, todos os artistas que amaram e praticaram as ideias límpidas, os sentimentos altos e as expressões puras. Os poetas franceses, arregimentados no Parnasse Contemporain, não quiseram estabelecer uma teoria, em que se pregasse ‘a poesia sem paixão e sem pensamento, o desprezo dos sentimentos humanos, o culto dos versos bem feitos e ocos, e, em suma, a forma pela forma’. Quiseram apenas lembrar que, em matéria de arte, não se compreende um artista sem arte; que, sem palavras precisas, não há ideias vivas; que, sem locução perfeita, não há perfeita comunicação de sentimento; e que não pode haver simplicidade artística sem trabalho, e mestria sem estudo.”

(BILAC, Olavo. A Alberto Oliveira. In: ________. Últimas conferências e discursos. São Paulo: Francisco Alves, 1924, p. 23.)

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14 comentários em “Para LET873 – 1

  1. Sim é contrária a contribuição do Romantismo, pois com sua visão bem detalhista, objetiva e impessoal buscando sempre a perfeição com as palavras, Bilac se assemelha um pouco com o Realismo, pois ambos dão muita importância aos detalhes, porém sua narrativa busca a total perfeição das palavras e o culto da arte pela arte valendo por si só, sendo diferente do Realismo que tem uma linguagem clara e próxima a realidade.

    1. Sim é contrária a contribuição do Romantismo, pois com sua visão bem detalhista, objetiva e impessoal (Tem certeza desta objetividade/impessoalidade? É necessário nãoe squecer de que se trata da “lirica”, logo…) buscando sempre a perfeição com as palavras, Bilac se assemelha um pouco com o Realismo, pois ambos dão muita importância aos detalhes, porém sua (De quem? De Bilac? Do Realismo?) narrativa busca a total perfeição das palavras e o culto da arte pela arte valendo por si só, sendo diferente do Realismo que tem uma linguagem clara e próxima da realidade. (A clareza e a proximidade em relação à realidade são elementos suficientes para distanciar a prosa realista da lírica parnasiana?)

  2. Não,Literatura romântica estabeleceu um marco na história do nosso país, ela
    apontou o início da autonomia na produção intelectual e cultural brasileira mostrando como
    nosso país saiu do colonialismo e entrou na produção da grande era moderna que fora,
    talvez, a grande essência definidora da nossa literatura. A poética romântica pode ser considerada simples e singela, mas não é por acaso,
    pois já que a palavra de ordem era liberdade, o poeta romântico não estava preso ás formas
    fixas e clássicas outrora vigentes.

    Rosilene do N. da Silva Teixeira

    1. Não, a literatura romântica estabeleceu um marco na História do nosso país, ela
      apontou o início da autonomia na produção intelectual e cultural brasileira mostrando como nosso país saiu do colonialismo e entrou na produção da grande era moderna que fora, talvez, a grande essência definidora da nossa literatura. (“Fora”? Por que o uso do mais que perfeito?) A poética romântica pode ser considerada simples e singela, mas não é casual, pois já que a palavra de ordem era liberdade, o poeta romântico não estava preso ás formas fixas e clássicas outrora vigentes. (Faltou concluir sua argumentação?)

  3. De acordo com o texto Olavo Bilac não se posiciona contra os românticos, pelo contrário, ele diz que os parnasianos tentam recuperar “estas qualidades, tão simples e tão belas, que estavam a ponto de ser esquecidas: a simplicidade e a correção”.
    Em relação ao Realismo, acho que Olavo Bilac foge um pouco da proposta de “fotografia da realidade” no excerto em que ele diz “a forma pela forma” está se referindo basicamente ao Parnasianismo, que se preocupa mais com a forma do que o conteúdo.

    1. De acordo com o texto, Olavo Bilac não se posiciona contra os românticos, pelo contrário, ele diz que os parnasianos tentam recuperar “estas qualidades, tão simples e tão belas, que estavam a ponto de ser esquecidas: a simplicidade e a correção”.
      Em relação ao Realismo, acho que Olavo Bilac foge um pouco da proposta de “fotografia da realidade” no excerto em que ele diz “a forma pela forma” está se referindo basicamente ao Parnasianismo, que se preocupa mais com a forma do que o conteúdo. (Podia ter continuado nesta linha de argumentação e concluído de forma mais consistente!)

  4. Nem pato nem ganso. Bilac, com a sobriedade típica de sua época, nas entrelinhas exalta e execra, pontua e rabisca os traços românticos. De fato, com a lucidez em alta, é prudente ruminar, assim, não obstante à consideração sobre os românticos, o poeta nos oferece suas lentes, lúcidas, mas não cruas ou nuas, simplesmente “corretas”.
    Me parece que não seria descabido definir a poesia como o ápice da desenvoltura linguística, a forma mais elaborada e sublime da linguagem. Com isso, temos na forma – métrica, ritmo etc – uma configuração palpável deste panorama, entretanto, o sublime é exigente. Bilac, no texto em questão, deixa claro que é leviano pensar que o Parnasianismo se resume à forma pela forma – em detrimento ao Realismo, o qual se preocupara em retratar a realidade em prosa. O poeta não desconsidera o Romantismo, apenas observa a ausência de algo que lhe parece essencial: clareza, objetividade.
    Obviamente, todo discurso, ao apresentar seus termos, configura seus juízos de valor, assim, o teor pejorativo nas referências aos românticos nada mais é do que o seu próprio marketing pessoal; Repare, se por um lado ele os considera extravagantes, por outro os chama paladinos… Temos, então, segundo Bilac: a “transgressão” romântica, a insuficiência realista e a eficiente simplicidade parnasiana. Enfim, para o Realismo basta realidade, simples e objetiva; para o Parnasianismo pura poesia, real, simples, porém uma simplicidade indefectível, sublime.

    1. Nem pato, nem ganso. (Conheci ditado similar no Rio Grande do Sul: De pato a ganso, pouco avanço!) Bilac, com a sobriedade típica de sua época, nas entrelinhas, exalta e execra, pontua e rabisca os traços românticos. De fato, com a lucidez em alta, é prudente ruminar, assim, não obstante à consideração sobre os românticos, o poeta nos oferece suas lentes, lúcidas, mas não cruas ou nuas, simplesmente “corretas”. (Para ele, bem claro!)
      Parece-me que não seria descabido definir a poesia como o ápice da desenvoltura linguística, a forma mais elaborada e sublime da linguagem. Com isso, temos na forma – métrica, ritmo etc – uma configuração palpável deste panorama, entretanto, o sublime é exigente. (Considerando a “tradição”, é isso mesmo!) Bilac, no texto em questão, deixa claro que é leviano pensar que o Parnasianismo se resume à forma pela forma – em detrimento ao Realismo, o qual se preocupara em retratar a realidade em prosa. O poeta não desconsidera o Romantismo, apenas observa a ausência de algo que lhe parece essencial: clareza, objetividade.
      Obviamente, todo discurso, ao apresentar seus termos, configura seus juízos de valor, assim, o teor pejorativo nas referências aos românticos nada mais é do que o seu próprio marketing pessoal. Repare, se por um lado ele os considera extravagantes, por outro os chama paladinos… Temos, então, segundo Bilac: a “transgressão” romântica, a insuficiência realista e a eficiente simplicidade parnasiana. Enfim, para o Realismo basta realidade, simples e objetiva; para o Parnasianismo pura poesia, real, simples, porém uma simplicidade indefectível, sublime. (Gostei!)

  5. Apesar de se tratar de um texto pequeno e até certo ponto alusivo, é possível perceber que Bilac endossa o movimento romântico em certos aspectos ao passo que corre contrário a esse em relação a certa orientação que o movimento tomou com “os últimos discípulos daqueles [românticos]”. Aos românticos de “1830” Bilac reconhece a intenção de tentar renovar a poesia brasileira dotando-a de novos temas e “elocuções”. Contudo, Olavo Bilac exalta ainda mais os parnasianos de 1865 por sua retomada de características caras ao classicismo árcade, como a simplicidade e a correção, que estavam sendo deixadas de lado pelos poetas românticos em favor da subjetividade fantasiosa e da experimentação forma.

    Dessa maneira penso ser pertinente dizer que à ideia de poesia demonstrada por Bilac nesse pequeno texto se equipara os ideias realistas de clareza e objetividade que encontramos no simples e comumente correto. Além disso, é possível traçar um paralelo entre as ultimas frases do texto de Bilac: “não se compreende um artista sem arte; que, sem palavras precisas, não há ideias vivas; “, e toda a discussão presente em “Poesia e Composição” de João Cabral de Melo Neto, onde o autor trata da inspiração e do trabalho de Arte. Apesar de estar inserido já no modernismo, João Cabral desenvolve uma hipótese parecida a de Bilac, onde o valor da poesia está na própria poesia, na sua forma e na suas palavras, e não na inspiração subjetiva e volúvel que não consegue se materializar numa forma objetiva capaz de representar essa inspiração. Dessa maneira, é possível notar que Bilac está mais alinhado às premissas realistas, que talvez sejam na verdade classicistas, do que à orientação subjetivista do romantismo, que se de um lado colaborou para uma renovação na poesia nacional, por outro priorizou valores que afastaram o artista do objeto de arte e do trabalho de composição que ele exige.

    1. Apesar de se tratar de um texto pequeno e até certo ponto alusivo, é possível perceber que Bilac endossa o movimento romântico em certos aspectos ao passo que corre contrário a esse em relação a certa orientação que o movimento tomou com “os últimos discípulos daqueles [românticos]”. Aos românticos de “1830” Bilac reconhece a intenção de tentar renovar a poesia brasileira dotando-a de novos temas e “elocuções”. Contudo, Olavo Bilac exalta ainda mais os parnasianos de 1865 por sua retomada de características caras ao classicismo árcade, como a simplicidade e a correção, que estavam sendo deixadas de lado pelos poetas românticos em favor da subjetividade fantasiosa e da experimentação forma.
      Dessa maneira, penso ser pertinente dizer que à ideia de poesia demonstrada por Bilac nesse pequeno texto se equiparam os ideias realistas de clareza e objetividade que encontramos no simples e comumente correto. Além disso, é possível traçar um paralelo entre as ultimas frases do texto de Bilac: “não se compreende um artista sem arte; que, sem palavras precisas, não há ideias vivas; “, e toda a discussão presente em “Poesia e Composição”, de João Cabral de Melo Neto, texto em que o autor trata da inspiração e do trabalho de Arte. (Muito bem lembrado e referido!) Apesar de estar inserido já no Modernismo, João Cabral desenvolve uma hipótese parecida à de Bilac, em que o valor da poesia está na própria poesia, na sua forma e na suas palavras, e não na inspiração subjetiva e volúvel que não consegue se materializar numa forma objetiva capaz de representar essa inspiração. Dessa maneira, é possível notar que Bilac está mais alinhado às premissas realistas, que talvez sejam na verdade classicistas, do que à orientação subjetivista do romantismo que, se de um lado colaborou para uma renovação na poesia nacional, por outro, priorizou valores que afastaram o artista do objeto de arte e do trabalho de composição que ele exige. (Muito bem argumentado! Gostei!)

  6. Bilac é o maior representante do estilo parnasiano no Brasil, sabendo disto e fazendo a leitura deste texto do autor, é possível afirmar que sim, o posicionamento de Olavo Bilac é contrário à contribuição romântica para a Literatura Brasileira.

    É notável que tanto o que o poeta diz como a proposta do Realismo para a nossa literatura são oposições ao idealismo romântico.

    Porém, os poetas do Realismo representavam a realidade da forma mais fiel possível, ou seja, descreveram tudo o que acontecia de fato na sociedade. Sendo assim, possuíam uma visão voltada à crítica e com uma linguagem simples, natural, clara e equilibrada, entre outros princípios.

    Enquanto os poetas parnasianos iriam considerar estes e todos os princípios adotados pelos poetas do Realismo como sendo algo que desprestigiava as verdadeiras qualidades da poesia. Então, a proposta dos parnasianos era a de uma literatura com um vocabulário mais elaborado, ou seja, um vocabulário de difícil compreensão por ser tão culto, além disto, a literatura se voltaria para temas universais. Para tanto, os poetas parnasianos inspiraram-se nos modelos clássicos e, isto não tem nada haver com o Realismo.

    1. Observando as diferenças citadas entre o Romantismo e o Realismo Português, é possível sim, afirmar que o Realismo é mais importante para a consolidação da Literatura Portuguesa, embora o Romantismo também não deixe ser importante. (Veja que, em certa medida suas duas observações quase se anulam. O mais importante é reforçar posição argumentada, sem deixar de reconhecer a importâncias de ambas as estéticas.)
      No entanto, o Realismo pauta-se por interesse mais social, voltado à crítica política, à hipocrisia burguesa, à sociedade, à vida urbana, à religião, enfim, o Realismo é todo marcado pela representação da realidade de Portugal no século XIX. Tais características vieram como revide à artificialidade do Romantismo, ou seja, ao sentimentalismo demasiado, aos exageros e formalidades desmedidas. (Estas particularuidades românticas não anulam, de fato, as características realistas.)
      Neste sentido, torna-se possível afirmar que o Realismo, por estar mais próximo à realidade do mundo exterior, tornou-se mais importante para a consolidação da Literatura Portuguesa, já que este foi um movimento que abarcava a todas as pessoas daquela época (As outras estéticas não fazem o mesmo?), pelo fato de ele estar mais associado ao nível social e linguístico (Como assim, nível linguístico?) destas pessoas.

    2. Bilac é o maior representante do estilo parnasiano no Brasil, sabendo disto e fazendo a leitura deste texto do autor, é possível afirmar que sim, o posicionamento de Olavo Bilac é contrário à contribuição romântica para a Literatura Brasileira.
      É notável que tanto o que o poeta diz como a proposta do Realismo para a nossa literatura são oposições ao idealismo romântico. (Esta frase não faz sentido…)
      Porém, os poetas (???) do Realismo representavam a realidade da forma mais fiel possível, ou seja, descreveram tudo o que acontecia de fato na sociedade. Sendo assim, possuíam uma visão voltada à crítica e com uma linguagem simples, natural, clara e equilibrada, entre outros princípios.
      Enquanto os poetas parnasianos iriam considerar estes e todos os princípios adotados pelos poetas do Realismo como sendo algo que desprestigiava as verdadeiras qualidades da poesia. (Faltou completar o sentido intático desse período!) Então, a proposta dos parnasianos era a de uma literatura com um vocabulário mais elaborado, ou seja, um vocabulário de difícil compreensão por ser tão culto, além disto, a literatura se voltaria para temas universais. Para tanto, os poetas parnasianos inspiraram-se nos modelos clássicos e, isto não tem nada haver com o Realismo. (E este argumeto levaria a que conclusão?)

  7. No texto, Olavo Bilac não deixa explícito que é contrário à contribuição romântica na literatura brasileira, entretanto, podemos perceber no primeiro parágrafo quando ele diz que os românticos “apenas tinham pretendido dar seiva nova…”, ou seja, não conseguiram concretizar esse propósito na literatura brasileira, sugerindo, então, uma postura anti-romântica. Dando ênfase na contribuição do Arcadismo.
    Podemos considerar apenas alguns elementos do texto de Bilac(parnasianismo) que se enquadram na proposta do realismo, tais como objetividade, a linguagem equilibrada, o gosto pelo detalhe, entre outros. Mas este se difere daquele, extremamente, na medida em que critica os valores e costumes da época, sendo uma arte socialmente participativa, enquanto o parnasianismo focou-se mais nas formas, ainda que isso não signifique necessariamente uma superficialidade e sim outro ponto de vista.

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