Para LET874 – 2

Para hoje, o etxto de base foi retirado de outro blogue (http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.com.br/2009/07/questao-coimbra.html).  O texto trata da cébere questão Coimbrã.

09/07/2009

A Questão Coimbrã

O primeiro sinal da renovação literária e ideológica que acabámos de indicar foi dado na Questão Coimbrã, onde se defrontaram os defensores do statu quo literário e um grupo de jovens escritores estudantes em Coimbra, mais ou menos entusiasmados pelas leituras e correntes indicadas.
Castilho – aliás um pouco incongruentemente – tornara-se em uma espécie de padrinho oficial de escritores mais novos, tais como Ernesto Biester, Tomás Ribeiro ou Pinheiro Chagas. Como já vimos, constelou-se à sua volta um grupo de admiradores e protegidos (“escola do elogio mútuo”, dirá Antero), em que o academismo e o formalismo anódino das produções literárias correspondiam coerentemente à hipocrisia das relações humanas, e em que toda a audácia tendia a neutralizar-se. Este grupo trava diversas escaramuças defensivas desde 1862, e sobretudo em 1864-65.
Em 1865, solicitado a apadrinhar com um posfácio o Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, Castilho aproveitou a ocasião para, sob a forma de uma Carta ao editor António Maria Pereira, inculcar o poeta apadrinhado como candidato mais idóneo à cadeira de Literaturas Modernas no Curso Superior de Letras, e censurar um grupo de jovens de Coimbra, acusando-os de exibicionismo livresco, de obscuridade propositada e de tratarem temas que nada tinham que ver com a poesia. Os escritores mencionados eram Teófilo Braga, autor dos poemas Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras (futuro candidato a essa cadeira de Literatura); Antero de Quental, que então publicara as Odes Modernas ; e um jovem e verboso deputado, Vieira de Castro, o único aliás que Castilho exceptuava da sua ridicularização, um tanto eufemística, da “escola coimbrã”. O desencadeamento da Questão só se compreende se o relacionarmos com uma série de antecedentes que vêm desde a crítica à Conversação Preambular elogiativa do D. Jaime por Castilho, feita em artigos de Ramalho Ortigão, Pereira de Castro e João de Deus, até uma leitura dos poemas, ainda então inéditos, de Antero e Teófilo a Castilho, que os acolheu com hiperbólica ironia, e, finalmente, até escaramuças jornalísticas entre Pinheiro Chagas, crítico dos “coimbrões”, e Germano Meireles, seu apologeta.
Antero de Quental respondeu numa carta aberta a Castilho, que saiu em folheto: Bom Senso e Bom Gosto . Nela defendia a independência dos jovens escritores; apontava a gravidade da missão dos poetas na época de grandes transformações em curso, a necessidade de eles serem os arautos do pensamento revolucionário e os representantes do “Ideal”: metia a ridículo a futilidade, a insignificância e o provincianismo da poesia de Castilho. O que sobressai destes textos de Antero é a constante invocação da integridade moral-social. Pouco depois Teófilo Braga solidarizava-se com Antero no folheto Teocracias Literárias, 1866. Entretanto, Antero desenvolvia as ideias já expostas na Carta a Castilho com o folheto A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, 1865; aí, em termos aliás muito idealistas, reivindicava uma literatura militante dirigida à “Nação verdadeira […] três milhões de homens que trabalham, suam, produzem”, terminando, em apêndice, por uma extensa apreciação da obra de Castilho, redigida em termos que ostentam, e em geral atingem, uma séria ponderação.
Castilho não reagiu publicamente; mas conseguiu a intervenção de amigos seus. Nas intervenções de uma parte e de outra, o problema central levantado por Antero ficou apagado por considerações pessoalistas, mostrando-se alguns dos polemistas impressionados com a irreverência dos jovens em relação aos mestres, sobretudo com a brutalidade das alusões de Antero e de Teófilo à idade e à cegueira física de Castilho. Foi o caso de um folhetinista ecléctico, Ramalho Ortigão, num opúsculo intitulado A Literatura de Hoje, 1866, que deu lugar a um duelo do autor com Antero. Camilo Castelo Branco interveio de forma ambígua, a pedido de Castilho, com o opúsculo Vaidades Irritadas e Irritantes, 1866. Na realidade, pouco se acrescentou aos dois folhetos de Antero durante os meses que a polémica durou ainda. No entanto um ou dois textos são interessantes pelas suas considerações de ordem estética. Nela intervieram, além de muitos outros (alguns solicitados por Castilho), M. Pinheiro Chagas, Júlio de Castilho, Teixeira de Vasconcelos, José Feliciano de Castilho e Brito Aranha.

Na sua opinião, a “questão” é matéria externa aos estudos literários ou não? Justifique. Em qualquer dos casos, é possível encontrar no poema abaixo alguma ideia que se relacione com o conteúdo do texto sobre a questão Coimbrã? Caso seja possível, aponte e comente pelo menos duas delas! Segue o poema:

Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo…

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e às vezes choro…
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

(Antero de Quental, in “Sonetos”)

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27 comentários sobre “Para LET874 – 2

  1. Acho que não pois estava influenciando a literatura.
    No poema o eu-lirico quer dizer que evoluiu com o tempo, que já foi pequeno e se tornou grande. Mas não encontrei uma relação com o contéudo do texto.

    1. Acho que não, pois estava influenciando (Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê?) a literatura.
      No poema, o eu-lírico quer dizer que evoluiu com o tempo, que já foi pequeno e se tornou grande. Mas não encontrei uma relação com o contéudo do texto. (Mesmo?)

    2. Acho que não, pois estava influenciando (Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê?) a literatura.
      No poema, o eu-lírico quer dizer que evoluiu com o tempo, que já foi pequeno e se tornou grande. Mas não encontrei uma relação com o contéudo do texto. (Mesmo?)

  2. Em minha opinião a questão Coimbrã é tanto matéria externa como interna ao mundo literário, pois os autores românticos filiados à Castilho defendiam uma estética mais fechada, valorizavam a poesia sem considerar muito os acontecimentos externos ao meio literário. Já os estudantes de Coimbrã traziam novas ideias, que valorizavam as transformações que estavam acontecendo em outros meios (filosóficos, científicos – Darwin -, sociais, etc), eles já não aceitavam mais o uso de uma estética que ignorasse os novos fatos.
    O poema “Evolução” de Antero de Quental possui duas chaves de leitura bastante importantes: a evolução e a aspiração a liberdade. As reivindicações de Antero (e outros autores que defendiam sua ideias) procuravam um espaço para sua nova estética, procuravam independência, eles aspiravam liberdade assim como é exposto no poema. E tal aspiração a liberdade surgiu por causa da evolução do homem e do mundo, das transformações que ocorriam na época da questão Coimbrã.

    1. Em minha opinião, a questão Coimbrã é tanto matéria externa como interna ao mundo literário, pois os autores românticos filiados a Castilho defendiam uma estética mais fechada, valorizavam a poesia sem considerar muito os acontecimentos externos ao meio literário. Já os estudantes de Coimbra traziam novas ideias, que valorizavam as transformações que estavam acontecendo em outros meios (filosóficos, científicos – Darwin (não apenas ele…) -, sociais, etc), eles já não aceitavam mais o uso de uma estética que ignorasse os novos fatos.
      O poema “Evolução”, de Antero de Quental, possui duas chaves de leitura bastante importantes: a evolução e a aspiração à liberdade. As reivindicações de Antero (e outros autores que defendiam sua ideias) procuravam um espaço para sua nova estética, procuravam independência, eles aspiravam à liberdade assim como é exposto no poema. E tal aspiração à liberdade surgiu por causa da evolução do homem e do mundo, das transformações que ocorriam na época da questão Coimbrã.

  3. Em se tratando de estudos da Literatura Portuguesa, a “questão” não pode ser considerada como um fator externo, pois gerou movimentos, reações, debates e críticas, influenciado futuros representantes da literatura, creio eu. No entanto, as ofensas pessoais e demonstração de arrogância e orgulho de alguns oponentes denegriram de certa forma o que poderia ser um debate mais saudável.
    O soneto se relaciona com o texto sobre a “questão” pois Antero, intencionalmente ou não, alude ao primitivismo dos românticos ( “Rugi, fera talvez, buscando abrigo na caverna… monstro primitivo”…), e à evolução proporcionada pela renovação ideológica e literária aspirada pelos jovens escritores ( “Hoje sou homem… e aspiro unicamente à liberdade” ).

    1. Em se tratando de estudos da Literatura Portuguesa, a “questão” não pode ser considerada um fator externo, pois gerou movimentos, reações, debates e críticas, influenciado futuros representantes da literatura, creio eu. No entanto, as ofensas pessoais e demonstração de arrogância e orgulho de alguns oponentes denegriram de certa forma o que poderia ser um debate mais saudável.
      O soneto se relaciona com o texto sobre a “questão”, pois Antero, intencionalmente ou não, alude ao primitivismo dos românticos ( “Rugi, fera talvez, buscando abrigo na caverna… monstro primitivo”…), e à evolução proporcionada pela renovação ideológica e literária aspirada pelos jovens escritores ( “Hoje sou homem… e aspiro unicamente à liberdade” ). (Podia ter cescrito mais um pouco. Ambos os textos são ricos e sua argumentação inspira certa segurança!)

  4. Na minha opinião não, pois através dela veio discussões, debates mostrando que havia pessoas a favor e contra.
    No poema é possível perceber uma relação de evolução da forma de pensar, saindo da forma rigidez e inquestionável de uma pedra para a forma mais ideológica e racional. Assim vejo, uma relação com o texto, pois a forma convencional dos românticos foi questionada e renovada trazendo uma visão diferente para a literatura, inspirando novos escritores.

    1. Na minha opinião não, pois através dela vieram discussões, debates, mostrando que havia pessoas a favor e contra.
      No poema, é possível perceber uma relação de evolução da forma de pensar, saindo da forma rígida e inquestionável de uma pedra (O que você quer dizer com esta expressão? Uma pedra metaforiza inquestionabilidade de pensamento? Como assim?) para a forma mais ideológica e racional. Assim, vejo uma relação com o texto do poema, pois a forma convencional dos românticos foi questionada e renovada trazendo uma visão diferente para a Literatura, inspirando novos escritores. (Escreveu tão pouco… Dá a impressão de que o texto de base não é assim tão rico e instigante…)

  5. A questão coimbrã não pode ser considerada fator externo da Literatura, pois ela pode ser tratada como uma revolução na área das letras contra o romantismo no século XIX. Em relação ao poema podemos encontrar alguns traços dessa “revolução”, tais como: a ideia de evolução histórica e a referência à ciência e a filosofia.

    1. A Questão coimbrã não pode ser considerada fator externo àLiteratura, pois ela pode ser tratada como uma revolução na área das letras contra o Romantismo no século XIX. Em relação ao poema podemos encontrar alguns traços dessa “revolução”, tais como: a ideia de evolução histórica e a referência à Ciência e a Filosofia. (Escreveu tão pouco… Será que o texto de base é assim tão pouco instigante? penso que não…)

  6. Creio que a Questão Coimbrã não seja externa aos estudos literários portugueses, pelo contrário, ela está presente – ainda que de maneira indireta- na formação do Realismo português. Os estudantes de Coimbra que se rebelaram contra o Ultra Romantismo de Castilho pretendiam aliar a literatura à sociedade, uma vez que amparados pelas idéias liberais e filosóficas em vigor na Europa- principalmente em Paris- buscavam uma renovação literária, tanto no papel do escritor como sujeito independente e porta-voz das críticas à sociedade na qual estavam inseridos; em oposição aos moldes tradicionalistas presentes nas obras de Castilho e sua “escola do elogio mútuo”- como dizia Quental, principal porta-voz da Questão.

    Feitas essas ressalvas acerca da importância de tal movimento para os estudos literários portugueses e tendo como base o poema “Evolução” a ser analisado, podemos inferir que seja possível encontrar alguma ideia que se relacione com o texto acerca da “questão”:a começar pelo título deste que sugere mudanças, transformações, passagem de um estado para outro estado. De acordo com minha compreensão do texto seria uma possível alusão a evolução do pensamento poético, passando de acontecimentos triviais e rígidos como expresso em ” no início fui rocha”, ou seja, do pensamento estagnado, solidificado antigo para uma nova forma de pensamento, que é aquele no qual a busca pelo conhecimento científico, racional está presente e que é dotado de idéias revolucionárias; podemos observar isso no terceto final: ‘interrogo o infinito e às vezes choro…/ mas estendendo as mãos no vácuo, adoro e aspiro unicamente à liberdade”.

    1. Creio que a Questão Coimbrã não seja externa aos estudos literários portugueses, pelo contrário, ela está presente – ainda que de maneira indireta (Penso eu que não tem nada de “indireta”… muito pelo contrário…!) – na formação do Realismo português. Os estudantes de Coimbra que se rebelaram contra o Ultra Romantismo de Castilho pretendiam aliar a literatura à sociedade, uma vez que, amparados pelas ideias liberais e filosóficas em vigor na Europa – principalmente em Paris -, buscavam uma renovação literária, tanto no papel do escritor como sujeito independente e porta-voz das críticas à sociedade na qual estavam inseridos (Faltou o “quanto” para dar sentido ao seu período!); em oposição aos moldes tradicionalistas presentes nas obras de Castilho e sua “escola do elogio mútuo”- como dizia Quental, principal porta-voz da “Questão”.

      Feitas essas ressalvas acerca da importância de tal movimento para os estudos literários portugueses e tendo como base o poema “Evolução” a ser analisado (Você promete a análise e não a apresenta!), podemos inferir que seja possível encontrar alguma ideia que se relacione com o texto acerca da “questão”, a começar pelo título deste que sugere mudanças, transformações, passagem de um estado para outro. De acordo com minha compreensão do texto, seria uma possível alusão à evolução do pensamento poético, passando de acontecimentos triviais e rígidos como expresso em “no início fui rocha”, ou seja, do pensamento estagnado, solidificado antigo, para uma nova forma de pensamento, que é aquela pela qual a busca pelo conhecimento científico, racional se faz presente e que é dotado de ideias revolucionárias. Podemos observar isso no terceto final: ‘interrogo o infinito e às vezes choro…/ mas estendendo as mãos no vácuo, adoro e aspiro unicamente à liberdade”. (Faltou concluir sua argumentação!)

  7. A “questão” colocada em pauta nos folhetins da época acerca dos debates em torno do romantismo, de fato fazem parte dos estudos literários da época, pois representam aspectos de uma poética impressa nos romances da época, e por isso não é questão externa. Sobre as referências do poema de Antero de Quental, em relação ao debate entre românticos e ultra-românticos, podem ser encontradas em trechos como “Hoje sou homem, e na sombra enorme
    Vejo, a meus pés, a escada multiforme,”, trecho que parece questionar o provincianismo propagado pela poesia de Castilho.

    1. A “questão” colocada em pauta nos folhetins da época acerca dos debates em torno do Romantismo, de fato, fazem parte dos estudos literários da época, pois representam aspectos de uma poética impressa nos romances da época (Somente nos romances?), e por isso não é questão externa. As referências do poema de Antero de Quental, em relação ao debate entre românticos e ultra-românticos, podem ser encontradas em trechos como “Hoje sou homem, e na sombra enorme
      Vejo, a meus pés, a escada multiforme,”, trecho que parece questionar o provincianismo propagado pela poesia de Castilho. (Podia ter escrito mais…)

  8. Lendo o texto a respeito da questão Coimbrã, passo a acreditar que essa “questão” é matéria diretamente ligada aos estudos literários. A “questão” faz parte de um processo amplo de redução do subjetivismo e sentimentalismo ultra-romântico, de ataque à influência do catolicismo e do regime político. Neste sentido, suponho que tenha sido um período de grandes revoluções nos estudos literários, pois a “questão” sobre a qual falamos, foi de contribuição essencial à renovação da cultura e das ideias portuguesas no século XIX, deixando trabalhos relevantes para a literatura.
    É possível sim, encontrar no poema supramencionado, ideia que se relaciona com o conteúdo do texto sobre a questão Coimbrã, pois o poema trata da transformação do pensamento, de uma evolução que, a meu ver ataca o estilo romântico, pois este seria um tanto arcaico. – “Na caverna que ensombra urze e giesta…”- penso que a caverna esteja fazendo menção ao Romantismo.
    Desta forma, podemos notar que o poema possui, basicamente, o mesmo pensamento do texto aqui estudado, isto é, os dois tratam da transformação das ideias literárias.

    1. Lendo o texto a respeito da Questão coimbrã, passo a acreditar (Então você não “acreditava” antes? Por quê?) que essa “questão” é matéria diretamente ligada aos estudos literários. A “questão” faz parte de um processo amplo de redução do subjetivismo e sentimentalismo ultra-romântico, de ataque à influência do catolicismo e do regime político. Neste sentido, suponho que tenha sido um período de grandes revoluções nos estudos literários, pois a “questão” sobre a qual falamos, foi de contribuição essencial à renovação da cultura e das ideias portuguesas no século XIX, deixando trabalhos relevantes para a Literatura.
      É possível sim, encontrar no poema mencionado, a ideia que se relaciona com o conteúdo do texto sobre a questão Coimbrã, pois o poema trata da transformação do pensamento, de uma evolução que, a meu ver, ataca o estilo romântico, pois este seria um tanto arcaico. – “Na caverna que ensombra urze e giesta…”- penso que a caverna esteja fazendo menção ao Romantismo. (Como assim? Por que não “explicou” mais detalhadamente?)
      Desta forma, podemos notar que o poema possui, basicamente, o mesmo pensamento do texto aqui estudado, isto é, os dois tratam da transformação das ideias literárias.

  9. Na minha concepção, a “Questão Coimbrã” – a qual foi desencadeada em Coimbra por um grupo de jovens intelectuais que vinham reagindo contra a degenerescência romântica e o atraso cultural do país – está relacionada aos estudos literários, uma vez que esta “Questão” foi um dos primeiros sinais da renovação literária e Ideológica ocorrida no século XIX e uma das mais importantes polêmicas literárias portuguesas que, como explica Margarida Vieira Mendes, “alastrou de forma explosiva, de novembro de 1865 a julho do ano seguinte, em cartas, crônicas e artigos de imprensa, opúsculos, folhetins, poesias e textos satíricos, alusões em conferências (…) ou mesmo discursos parlamentares”. (in Dicionário do Romantismo Literário Português, Editorial Caminho, 1997).

    No que se refere ao poema “Evolução”, penso que há ideias que se relacionam com o conteúdo do texto sobre a “Questão Coimbrã”, uma vez que o título do poema nos sugere a ideia de alternação, transformação, da renovação literária. Posteriormente, podemos perceber, a meu ver, a passagem de um determinado pensamento para outro, ou até mesmo a concepção de uma evolução, de uma renovação literária, na busca por um conhecimento racional, explicitado em: “Interrogo o infinito e às vezes choro… Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
    E aspiro unicamente à liberdade.”

    1. Na minha concepção, a “Questão Coimbrã” – a qual foi desencadeada em Coimbra por um grupo de jovens intelectuais que vinham reagindo contra a degenerescência romântica e o atraso cultural do país – está relacionada aos estudos literários, uma vez que esta “Questão” foi um dos primeiros sinais da renovação literária e ideológica ocorrida no século XIX e uma das mais importantes polêmicas literárias portuguesas que, como explica Margarida Vieira Mendes, “alastrou de forma explosiva, de novembro de 1865 a julho do ano seguinte, em cartas, crônicas e artigos de imprensa, opúsculos, folhetins, poesias e textos satíricos, alusões em conferências (…) ou mesmo discursos parlamentares”. (in Dicionário do Romantismo Literário Português, Editorial Caminho, 1997).

      No que se refere ao poema “Evolução”, penso que há ideias (Quais seriam elas?) que se relacionam com o conteúdo do texto sobre a “Questão Coimbrã”, uma vez que o título do poema nos sugere a ideia de alternação, transformação, da renovação literária. Posteriormente, podemos perceber, a meu ver, a passagem de um determinado pensamento para outro (Que “pensamentos” seriam estes?), ou até mesmo a concepção de uma evolução, de uma renovação literária, na busca por um conhecimento racional, explicitado em: “Interrogo o infinito e às vezes choro… Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
      E aspiro unicamente à liberdade.” (Só faltou concluir a argumentação!)

  10. Acredito que a “questão” não é uma questão externa, pois desencadeou uma série de questionamentos e fomentou mudanças significativas, além de servir de influência para o meio literário da época.

    Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
    tronco ou ramo na incógnita floresta…
    Onda, espumei, quebrando-me na aresta
    Do granito, antiquíssimo inimigo…

    Na primeira parte do soneto notamos a metáfora da onda (água) que vai de encontro a aresta do do granito (pedra), trazendo a ideia da necessidade e do anseio de mudança e renovação.

    Interrogo o infinito e às vezes choro…
    Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
    E aspiro unicamente à liberdade.

    Na última parte é possível inferir a aclamação que o poeta faz a liberdade, a estar a produzir algo novo “estendendo as mãos no vácuo” e a ter como sua única preocupação o seu direito de fazê-lo.

    1. Acredito que a “questão” não é uma questão externa, pois desencadeou uma série de questionamentos e fomentou mudanças significativas, além de servir de influência para o meio literário da época.

      “Evolução

      Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
      tronco ou ramo na incógnita floresta…
      Onda, espumei, quebrando-me na aresta
      Do granito, antiquíssimo inimigo…”

      Na primeira parte do soneto, notamos a metáfora da onda (água) que vai de encontro a aresta do do granito (pedra), trazendo a ideia da necessidade e do anseio de mudança e renovação.

      “Interrogo o infinito e às vezes choro…
      Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
      E aspiro unicamente à liberdade.”

      Na última parte, é possível inferir a aclamação que o poeta faz à liberdade, a estar a produzir algo novo “estendendo as mãos no vácuo” e a ter como sua única preocupação o seu direito de fazê-lo. (Só faltou mesmo uma “conclusão” para sua argumentação… ops, uma rima!)

  11. A Questão Coimbrã não pode ser considerada matéria externa aos estudos literários justamente por trazer à tona uma discussão sobre o papel da Literatura na sociedade. Não é plausível, porém, desconsiderar o fato de que havia, ao menos superficialmente, uma disputa de egos e orgulhos entre os escritores envolvidos. Mas se a discussão era sobre a própria Literatura e suas variações estilísticas e sociais, também não é plausível excluir este assunto da história portuguesa. O primeiro verso do poema, que diz “Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo […]” já alude a um pensamento sólido e inflexível sobre as questões literárias. E como vimos no próprio título do poema (Evolução), os pensamentos e atos sobre a escrita da Literatura poderiam evoluir socialmente e aspirar à liberdade, como pode-se notar nos trechos “Hoje sou homem, e na sombra enorme […] e “E aspiro unicamente à liberdade.”

    1. A Questão Coimbrã não pode ser considerada matéria externa aos estudos literários justamente por trazer à tona uma discussão sobre o papel da Literatura na sociedade. Não é plausível, porém, desconsiderar o fato de que havia, ao menos superficialmente, uma disputa de egos e orgulhos entre os escritores envolvidos. Mas se a discussão era sobre a própria Literatura e suas variações estilísticas e sociais, também não é plausível excluir este assunto da história portuguesa. O primeiro verso do poema, que diz “Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo […]” já alude a um pensamento sólido e inflexível sobre as questões literárias. E como vimos no próprio título do poema (Evolução), os pensamentos e atos sobre a escrita da Literatura poderiam evoluir socialmente e aspirar à liberdade, como pode-se notar nos trechos “Hoje sou homem, e na sombra enorme […] e “E aspiro unicamente à liberdade.” (Bom!)

  12. A meu ver, a “Questão Coimbrã” pode ser compreendida como um marco na Literatura Portuguesa, sendo assim, não pode ser considerada como uma matéria externa aos estudos literários. A “Questão” gerou uma intensa polêmica em torno do confronto literário entre os ultrarromânticos, bajuladores de Castilho, e os jovens estudantes de Coimbra, que já haviam assimilado as novas ideias que corriam a Europa e na forma como vinha sendo concebida a Literatura Portuguesa.
    O poema em questão, “Evolução” de Antero de Quental, trata da evolução do poeta, uma das características dessa fase da Literatura: “Fui rocha em tempo”, “Rugi, fera talvez, buscando abrigo/ Na caverna que ensombra urze e giesta”, por fim, “Hoje sou homem”. Aponto também a busca pela liberdade que o poeta traz em “E aspiro unicamente à liberdade”, algo que os realistas da época almejavam como forma de diferenciação entre eles e os românticos.

    1. A meu ver, a “Questão Coimbrã” pode ser compreendida como um marco na Literatura Portuguesa, sendo assim, não pode ser considerada como uma matéria externa aos estudos literários. A “Questão” gerou uma intensa polêmica em torno do confronto literário entre os ultrarromânticos, bajuladores de Castilho, e os jovens estudantes de Coimbra, que já haviam assimilado as novas ideias que circulavam pela Europa e na forma como vinha sendo concebida a Literatura Portuguesa. (A partir de “… e na” … até “… Portuguesa”, a frase perdeu o sentido, o nexo, a articulação com o restante do período!)
      O poema em questão, “Evolução”, de Antero de Quental, trata da evolução do poeta, uma das características dessa fase da Literatura: “Fui rocha em tempo”, “Rugi, fera talvez, buscando abrigo/ Na caverna que ensombra urze e giesta”, por fim, “Hoje sou homem”. Aponto também a busca pela liberdade que o poeta traz em “E aspiro unicamente à liberdade”, algo que os realistas da época almejavam como forma de diferenciação entre eles e os românticos. (Podia ter escrito mais…)

  13. Na minha opinião, a “Questão Coimbrã” não pode ser considerada matéria externa aos estudos literários, visto considerar que os primeiros anos do Romantismo português coincidem com as lutas civis entre liberais e conservadores protagonizadas por Antero e Castilho, respectivamente. A crise que poria fim ao Romantismo teve início com as primeiras manifestações de rebeldia de um grupo de jovens que não queriam sujeitar-se aos velhos ensinamentos românticos. Antero delineou, então, um novo conceito da missão do escritor, reivindicando a liberdade, a independência de espírito, o lirismo social, humanitário e crítico insurgido contra a tirania do gosto literário protagonizada por Castilho, conforme sugerem os dois tercetos do soneto em questão: “Hoje sou homem…/Vejo…a escada multiforme…/Interrogo o infinito…adoro/E aspiro unicamente à liberdade.”
    No entanto, a questão não foi só literária, pois denunciou incompatibilidades mais profundas, espelhando um movimento político, histórico e filosófico de grande amplitude. Sacudiu também o marasmo da vida cultural ora impetrado em Portugal para a introdução do Realismo, demarcando as fronteiras entre os autênticos românticos e o Ultra-Romantismo obsoleto e convencional, com a necessidade de transformação e evolução das letras, conforme sugerem o título e o contraste entre os quartetos e os tercetos: primitivismo dos românticos conservadores e a liberdade defendida pelos liberais.

    1. Na minha opinião, a “Questão Coimbrã” não pode ser considerada matéria externa aos estudos literários, visto considerar que os primeiros anos do Romantismo português coincidem com as lutas civis entre liberais e conservadores protagonizadas por Antero e Castilho, respectivamente. (Eles não são os “únicos” protagonistas…) A crise que poria fim ao Romantismo teve início com as primeiras manifestações de rebeldia de um grupo de jovens que não queriam sujeitar-se aos velhos ensinamentos românticos. Antero delineou, então, um novo conceito da missão do escritor, reivindicando a liberdade, a independência de espírito, o lirismo social, humanitário e crítico insurgido contra a tirania do gosto literário protagonizada por Castilho, conforme sugerem os dois tercetos do soneto em questão: “Hoje sou homem…/Vejo…a escada multiforme…/Interrogo o infinito…adoro/E aspiro unicamente à liberdade.” (Quatro versos apenas, para a argumentação?)
      No entanto, a questão não foi só literária, pois denunciou incompatibilidades mais profundas, espelhando um movimento político, histórico e filosófico de grande amplitude. Sacudiu também o marasmo da vida cultural, ora impetrado em Portugal para a introdução do Realismo, demarcando as fronteiras entre os autênticos românticos e o Ultra-Romantismo obsoleto e convencional, com a necessidade de transformação e evolução das letras, conforme sugerem o título e o contraste entre os quartetos e os tercetos: primitivismo dos românticos conservadores e a liberdade defendida pelos liberais. (Faltou a segunda parte começada pelo segundo “ora”, necessário para a conslusão do período…)

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