Para LET874 – 5

 

M_P_Amada

A SOMBRA SOU EU

Almada Negreiros


A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei dó que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e que não me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim!

 

O poema acima é de Almada Negreiros. Escritor e artista plástico, José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe a 7 de Abril de 1893. Foi um dos fundadores da revista “Orpheu”(1915), veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa. Além da literatura e da pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet. Trabalhou em tapeçaria,  gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral. Faleceu a 15 de Junho de 1970 no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa,  no mesmo quarto onde morrera seu amigo Fernando Pessoa.

“As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985). Almada Negreiros foi um pintor-pensador. Foi praticante de uma arte elaborada que pressupõe uma aprendizagem que não se esgota nas escolas de arte; bem pelo contrário, uma aprendizagem que implica um percurso introspectivo e universal. O tema principal de Almada foi o número, a geometria (sagrada) e  os seus significados, declarando que a sabedoria poética e a sabedoria reflectida têm entre elas a fronteira irredutível do número. Almada revela-se assim um neopitagórico sendo este seu lado a fonte mais profunda da sua inspiração e da sua criatividade e, segundo Lima de Freitas, a sua “loucura” central.

Vulto cimeiro da vida cultural portuguesa durante quase meio século, contribuiu mais que ninguém para a criação, prestígio e triunfo do modernismo artístico em Portugal. Na sua evolução como pintor, Almada passou do figurativismo e da representação convencional dos primeiros tempos, para a abstracção geométrica, matemática e numérica que caracteriza as suas últimas obras. A sua preocupação central foi a determinação do enigmático Ponto de Bauhütte. Essa procura ficou registada por vários textos, por numerosos traçados geométricos e por algumas pinturas a preto e branco que Almada foi acumulando, mas sem tornar público o fundo do seu pensamento. Antes de romper o quase segredo da sua busca, Almada realiza, para o Tribunal de Contas de Lisboa, um dos cartões para tapeçaria intitulado «O Número». “

1. Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” de outros dois poetas já citados aqui. Que poetas são esses? Que versos de Almada Negreiros poderiam ser usados como exemplo desta “aproximação”? Justifique sua resposta.

2. No segundo parágrafo do trecho acima, algumas ideias de ordem “filosófica” podem ser apontadas como pontos de articulação da propostas modernistas da poética de Negreiros e uma possível herança “realista”. Que ideias seriam estas? Como VOCÊ vê esta articulaçãp possível? Justifique sua resposta.

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25 comentários sobre “Para LET874 – 5

  1. 1)O autor do referido poema,assim como Mario de Sá carneiro, retrata certa tristeza, uma melancolia e um saudosismo típico português da geração Modernista. Almada negreiro assim como Mario de Sá Carneiro está em busca de um eu lírico que está perdido e amargurado, sem identidade ; isso se retrata na seguinte passagem:
    distância imutável de minha sombra a mim,
    toco-me e não me atinjo,
    só sei dó que seria
    se de minha sombra chegasse a mim.
    2) segundo Almada Negreiro “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” esta filosofia retrata bem o pensamento realista e modernista que propunha a arte pela arte.

    1. 1) O autor do referido poema, assim como Mario de Sá-Carneiro, retrata certa tristeza, uma melancolia e um saudosismo típico português da geração Modernista. Almada Negreiros assim como Mario de Sá-Carneiro está em busca de um eu lírico que está perdido e amargurado, sem identidade; isso se retrata na seguinte passagem:

      “… distância imutável de minha sombra a mim,
      toco-me e não me atinjo,
      só sei dó que seria
      se de minha sombra chegasse a mim.”

      2) Segundo Almada Negreiros “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. Esta filosofia retrata bem o pensamento realista e modernista que propunha a arte pela arte.

  2. 1) Os poetas Sá de Miranda e Mário de Sá Carneiro podem ser relembrados nos versos de Almada Negreiros pelo tom melancólico do seu discurso, a contradição entre a vontade e razão, a tristeza, o sentimento de perda e vazio.
    “A minha sombra sou eu,
    ela não me segue,
    eu estou na minha sombra
    e não vou em mim.
    Sombra de mim que recebo luz.”
    A ideia de permanência e aceitação, fatalista, daquele que prefere seguir um caminho mais cômodo, porém turvo: “eu estou na minha sombra
    e não vou em mim.” que não se propõe a um esforço libertador, um rompimento. Apesar de ter contato com a “luz”, o esclarecimento, expõe a contradição desta com sua vontade: “Sombra de mim que recebo luz.”

    2) Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”, os realistas demonstravam menosprezo a “artificialidade” com que os românticos tratavam a beleza e sabedoria. Seu apelo pela veracidade, a contemporaneidade, pela denúncia e a linguagem aproximada do real são possíveis heranças do Realismo ao Modernismo, afinal, ambos os movimentos estão separados por um pequeno intervalo de tempo na história e ligados por várias ideias, ideologias, escritores, críticos, cenários, contextos que foram pano de fundo de ambos os movimentos.

    1. 1) Os poetas Sá de Miranda e Mário de Sá-Carneiro podem ser relembrados nos versos de Almada Negreiros pelo tom melancólico do seu discurso, a contradição entre a vontade e razão, a tristeza, o sentimento de perda e vazio:

      “A minha sombra sou eu,
      ela não me segue,
      eu estou na minha sombra
      e não vou em mim.
      Sombra de mim que recebo luz.”

      A ideia de permanência e aceitação, fatalista, daquele que prefere seguir um caminho mais cômodo, porém turvo (A frase está solta, desarticulada!):

      “eu estou na minha sombra
      e não vou em mim.”
      … que não se propõe a um esforço libertador, um rompimento. (“Resto” de oração igualmente solto e desarticulado!) Apesar de ter contato com a “luz”, o esclarecimento, expõe a contradição desta com sua vontade: “Sombra de mim que recebo luz.”

      2) Para ele (Qual deles?) “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”, os realistas demonstravam menosprezo a “artificialidade” com que os românticos tratavam a beleza e sabedoria. Seu apelo pela veracidade, a contemporaneidade, pela denúncia e a linguagem aproximada do real são possíveis heranças do Realismo ao Modernismo, afinal, ambos os movimentos estão separados por um pequeno intervalo de tempo na História e ligados por várias ideias, ideologias, escritores, críticos, cenários, contextos que foram pano de fundo de ambos os movimentos.

  3. 1) Os poetas Sá de Miranda e Mário de Sá Carneiro, por ser um texto melancolico, onde ele está perdido a procura de si proprio.
    “Passa-se tudo em seguir-me /e finjo que sou eu que sigo,/ finjo que sou eu que vou /e que não me persigo. /Faço por confundir a minha sombra comigo: /estou sempre às portas da vida, /sempre lá, sempre às portas de mim!”

    2)“As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”
    Seria a identificação do real

  4. 1- Os poetas já vistos por aqui no blog que se assemelham pelo mesmo “eco temático” de Almada Negreiros, são: Mário de Sá-Carneiro e Sá de Miranda. A temática do desalinho, do eu que não se encontra, do eu que não se satisfaz consigo mesmo, presente na poética desses dois poetas também é encontrada no poema A sombra sou eu de Almada Negreiros. Essa temática encontra-se presente em sua totalidade no poema: a começar pelo título sugestivo “A sombra sou eu”. Se a sombra sou eu, quem será mesmo o eu do eu-lírico? E esse questionamento ecoa em cada verso do poema, podendo ser visto nos seguintes versos:
    “eu estou na minha sombra
    e não vou em mim”
    “distância imutável de minha sombra a mim,
    toco-me e não me atinjo”
    “Faço por confundir a minha sombra comigo:
    estou sempre às portas da vida,
    sempre lá, sempre às portas de mim!”

    2- As ideias de ordem “filosófica” que foram apresentadas no segundo parágrafo e que podem servir de de elo entre a poesia de Almada Negreiros e uma possível herança “realista” são as ideias de beleza e sabedoria, explicitada no trecho “As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985).” Na minha opinião com a pressuposição de uma arte que ultrapasse as escolas de arte, poderíamos pressupor de uma arte que retratasse outros temas e que como arte seria resultado de um processo introspectivo e universal, tal como ocorreu no Realismo, uma arte questionadora, crítica acima de tudo, voltada para o que vinha de fora, o exterior; que em comparação com a poesia de Almada corresponderia a fuga à aprendizagem que se esgota nas escolas de arte. A beleza ignorante é aquela que é só vista em si mesmo e a sabedoria triste e feia corresponderia à sabedoria melancólica, ambas características que refletem a visão realista em torno dos ideais de beleza e sabedoria românticos.

    1. 1- Os poetas já vistos por aqui no blog que se assemelham pelo mesmo “eco temático” de Almada Negreiros são: Mário de Sá-Carneiro e Sá de Miranda. A temática do desalinho, do eu que não se encontra, do eu que não se satisfaz consigo mesmo, presente na poética desses dois poetas também é encontrada no poema “A sombra sou eu”, de Almada Negreiros. Essa temática encontra-se presente em sua totalidade no poema: a começar pelo título sugestivo “A sombra sou eu”. Se a sombra sou eu, quem será mesmo o eu do eu-lírico? E esse questionamento ecoa em cada verso do poema, podendo ser visto nos seguintes versos:

      “eu estou na minha sombra
      e não vou em mim”
      “distância imutável de minha sombra a mim,
      toco-me e não me atinjo”
      “Faço por confundir a minha sombra comigo:
      estou sempre às portas da vida,
      sempre lá, sempre às portas de mim!”

      2- As ideias de ordem “filosófica”, que foram apresentadas no segundo parágrafo e que podem servir de de elo entre a poesia de Almada Negreiros e uma possível herança “realista”, são as ideias de beleza e sabedoria, explicitada no trecho “(Onde terminam estas aspas?) As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985).” Na minha opinião, com a pressuposição de uma arte que ultrapasse as escolas de arte, poderíamos pressupor de uma arte que retratasse outros temas e que como arte seria resultado de um processo introspectivo e universal, tal como ocorreu no Realismo, uma arte questionadora, crítica acima de tudo, voltada para o que vinha de fora, o exterior;(Este argumento é discutível!) que em comparação com a poesia de Almada corresponderia a fuga à aprendizagem que se esgota nas escolas de arte. A beleza ignorante é aquela que é só vista em si mesmo e a sabedoria triste e feia corresponderia à sabedoria melancólica, ambas características que refletem a visão realista em torno dos ideais de beleza e sabedoria românticos. (Bom!)

  5. Este poema de Negreiros dialoga com os poemas vistos aqui de Miranda de Sá e Sá Carneiro. Pode-se ver as mesmas características, a fragmentação do eu, a procura por uma identidade, a falta de um auto-conhecimento. Exemplo:

    “distância imutável de minha sombra a mim,
    toco-me e não me atinjo”

    Nos versos acima, após o discurso nos primeiros versos de que ele é a própria sombra, é paradoxal ao afirmar que se toca e não se atinge, revelando que ele realmente não consegue identificar a si mesmo, como se visse, mas não enxergasse. Isso também é visto nos quatro primeiros versos, em que o eu poético se fragmenta e se torna a sombra, não conseguindo tocar a si mesmo.
    Quanto aos conceitos de beleza e sabedoria, eles estão relacionados aos números, tudo é feito de números, para Negreiros a beleza tenta se aproximar dos números e a sabedoria parte deles. Eu imagino que a articulação dessas ideias com o Realismo seja possível porque os números remetem à exatidão e à lógica, e o Realismo utiliza o saber através da arte de forma realista, portanto, mais exata que as estéticas subjetivas.

    1. Este poema de Negreiros dialoga com os poemas vistos aqui de Miranda de Sá e Sá Carneiro. Pode-se ver as mesmas características, a fragmentação do eu, a procura por uma identidade, a falta de um auto-conhecimento. Exemplo:

      “distância imutável de minha sombra a mim,
      toco-me e não me atinjo”

      Nos versos acima, após o discurso nos primeiros versos de que ele é a própria sombra, é paradoxal ao afirmar que se toca e não se atinge, revelando que ele realmente não consegue identificar a si mesmo, como se visse, mas não enxergasse. Isso também é visto nos quatro primeiros versos, em que o eu poético se fragmenta e se torna a sombra, não conseguindo tocar a si mesmo.
      Quanto aos conceitos de beleza e sabedoria, eles estão relacionados aos números, tudo é feito de números; para Negreiros, a beleza tenta se aproximar dos números e a sabedoria parte deles. Eu imagino que a articulação dessas ideias com o Realismo seja possível porque os números remetem à exatidão e à lógica, e o Realismo utiliza o saber através da arte de forma realista, portanto, mais exata que as estéticas subjetivas.

  6. 1) Os dois poetas são Sá de Miranda e Mário de Sá Carneiro. Eles se assemelham ao poemas pois, ambos utilizam um tom melancólico e um desconforto consigo mesmo. Para exemplificar podemos utilizar os versos: A minha sombra sou eu,
    ela não me segue,
    eu estou na minha sombra
    e não vou em mim. Pois o autor parece viver preso numa escuridão que o torna confuso, inquieto e triste com sua presença.

    2) Podemos perceber pontos de articulação da propostas modernistas da poética de Negreiros e uma possível herança “realista” na seguinte ideia: “As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985). Pois para criar algo novo e moderno é possível utilizar coisas banais e cotidianas na formulação, pois tudo depende do modo de articular a realidade.

    1. 1) Os dois poetas são Sá de Miranda e Mário de Sá Carneiro. Eles se assemelham ao poemas pois ambos utilizam um tom melancólico e um desconforto consigo mesmo. Para exemplificar, podemos utilizar os versos:
      “A minha sombra sou eu,
      ela não me segue,
      eu estou na minha sombra
      e não vou em mim.”
      O autor parece viver preso numa escuridão que o torna confuso, inquieto e triste com sua presença.

      2) Podemos perceber pontos de articulação da propostas modernistas da poética de Negreiros e uma possível herança “realista” na seguinte ideia: “As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985). Pois para criar algo novo e moderno é possível utilizar coisas banais e cotidianas na formulação, pois tudo depende do modo de articular a realidade. (Bom!)

  7. 1. Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” de Mário de Sá-Carneiro, com certeza. E, o outro poeta, eu suponho que poderia ser Sá de Miranda. Acredito que todo o poema seja um “eco temático” destes dois autores, porém, como exemplo desta aproximação, destaco apenas os seguintes versos:
    “Faço por confundir a minha sombra comigo:
    estou sempre às portas da vida,
    sempre lá, sempre às portas de mim!”
    Tanto no poema de Almada Negreiros quanto nos autores aqui citados, principalmente no que se trata de Mário de Sá-Carneiro, são constantes a dispersão do eu, a inadequação ao meio, a confusão mental, um eu que não se encontra etc.

    2. As ideias expressas no segundo parágrafo que poderiam ser apontadas como ponto de articulação da proposta modernista da poética de Negreiros e, uma possível herança “realista”, seriam as ideias “filosóficas” de que “As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985).
    O apelo pelo verossímil, pela reflexão da realidade na literatura e, assim sendo, o apelo pela eliminação da artificialidade e exageros demasiados, etc., são possíveis heranças “realistas” ao Modernismo. Neste sentido, a beleza só pode ser bela e a sabedoria bonita e feliz, uma filosofia “realista”, sem distorção.

    1. 1. Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” de Mário de Sá-Carneiro, com certeza. E, o outro poeta, eu suponho que poderia ser Sá de Miranda. Acredito que todo o poema seja um “eco temático” destes dois autores (Como? Em que medida? Através de que elementos?), porém, como exemplo desta aproximação, destaco apenas os seguintes versos:

      “Faço por confundir a minha sombra comigo:
      estou sempre às portas da vida,
      sempre lá, sempre às portas de mim!”

      Tanto no poema de Almada Negreiros, quanto nos autores aqui citados, principalmente no que se trata de Mário de Sá-Carneiro, são constantes a dispersão do eu, a inadequação ao meio, a confusão mental, um eu que não se encontra etc.

      2. As ideias expressas, no segundo parágrafo, que poderiam ser apontadas como ponto de articulação da proposta modernista da poética de Negreiros e, uma possível herança “realista”, seriam as ideias “filosóficas” de que “As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” (Freitas, 1985).
      O apelo pelo verossímil, pela reflexão da realidade na literatura e, assim sendo, o apelo pela eliminação da artificialidade e exageros demasiados, etc., são possíveis heranças “realistas” ao Modernismo. Neste sentido, a beleza só pode ser bela e a sabedoria bonita e feliz, uma filosofia “realista”, sem distorção. (Bom!)

  8. 1) 1) Mário de Sá-Carneiro e Sá e Miranda. Os poemas possuem um eco semelhante, no que diz respeito à fragmentação, duplicidade, angústia e confusão notável do eu lírico sempre em uma busca e sem nenhum senso de entendimento, como podemos observar nos trechos:

    “distância imutável de minha sombra a mim,/ toco-me e não me atinjo,/só sei dó que seria/ se de minha sombra chegasse a mim.”

    “Não posso viver comigo/ Nem posso fugir de mim.”

    “Eu não sou eu nem sou o outro,/ Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio/ Que vai de mim para o Outro.”

    2) 2) Para Almada: “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” É uma articulação bem aceitável, uma vez que podemos apontar que uma das maiores características do realismo é a sua supremacia da materialidade e seu contexto de inserção social crítica, contrapondo o artificialismo dos ideais românticos, que podemos dizer ser uma “herança” do realismo para o modernismo aplicado a poesia de Almada.

    1. 1) Mário de Sá-Carneiro e Sá e Miranda. Os poemas possuem um eco semelhante, no que diz respeito à fragmentação, duplicidade, angústia e confusão notável do eu lírico sempre em uma busca e sem nenhum senso de entendimento, como podemos observar nos versos:

      “distância imutável de minha sombra a mim,/ toco-me e não me atinjo,/só sei dó que seria/ se de minha sombra chegasse a mim.”

      “Não posso viver comigo/ Nem posso fugir de mim.”

      “Eu não sou eu nem sou o outro,/ Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio/ Que vai de mim para o Outro.”

      2) Para Almada: “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste” É uma articulação bem aceitável, uma vez que podemos apontar que uma das maiores características do Realismo é a sua supremacia da materialidade (O que significa isso?) e seu contexto de inserção social crítica, contrapondo o artificialismo dos ideais românticos, que podemos dizer ser uma “herança” do realismo para o modernismo aplicado a poesia de Almada. (A frase ficou sem sentido… reveja redação!)

  9. 1)Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como “eco temático” de Mário de Sá-Carneiro e Sá de Miranda. O que nos leva a crer em tal afirmação são os seguintes versos que apresentam conflitos internos, a insatisfação do eu lírico consigo mesmo e o tom melancólico, assim como nas obras dos poetas supracitados: “eu estou na minha sombra/e não vou em mim”, “distância imutável de minha sombra a mim,/toco-me e não me atinjo” e “estou sempre às portas da vida,/sempre lá, sempre às portas de mim!”.

    2)As ideias de ordem “filosófica” que podem ser apontadas como pontos de articulação da proposta modernista da poética de Negreiros e uma possível herança “realista” são as de beleza e sabedoria, que seriam as duas orientações do poeta que acreditava que: “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. Acredito que essa articulação seja possível, pois assim como no modernismo, esse ideal de Negreiros aponta a necessidade de se substituir aquilo que era considerado ultrapassado nas artes por novas marcas que pudessem ser consideradas boas e belas, e como no realismo, buscam retratar a vida e os problemas sociais de forma crítica e questionadora, com uma arte voltada para o exterior.

    1. 1) Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como “eco temático” de Mário de Sá-Carneiro e Sá de Miranda. O que nos leva a crer em tal afirmação são os seguintes versos que apresentam conflitos internos, a insatisfação do eu lírico consigo mesmo e o tom melancólico, assim como nas obras dos poetas supracitados: “eu estou na minha sombra/e não vou em mim”, “distância imutável de minha sombra a mim,/toco-me e não me atinjo” e “estou sempre às portas da vida,/sempre lá, sempre às portas de mim!”.

      2) As ideias de ordem “filosófica” que podem ser apontadas como pontos de articulação da proposta modernista da poética de Negreiros e uma possível herança “realista” são as de beleza e sabedoria, que seriam as duas orientações do poeta que acreditava que: “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. Acredito que essa articulação seja possível, pois assim como no Modernismo, esse ideal de Negreiros aponta a necessidade de se substituir aquilo que era considerado ultrapassado nas artes por novas marcas que pudessem ser consideradas boas e belas, e como no realismo, buscam retratar a vida e os problemas sociais de forma crítica e questionadora, com uma arte voltada para o exterior. (Interessante!)

  10. 1)Os poetas que aqui já foram citados, são Mário de Sá Carneiro e Sá de Miranda. Os poemas dos três autores se co – relacionam pela semelhança de estilos, pois falam da melancolia, e da sensação de confusão e de estar perdido perante as ‘dificuldades’ da vida.
    “distância imutável de minha sombra a mim,
    toco-me e não me atinjo,
    só sei dó que seria
    se de minha sombra chegasse a mim.”

    ‘Passa-se tudo em seguir-me
    e finjo que sou eu que sigo,
    finjo que sou eu que vou
    e que não me persigo.’

    2) Para Almada Negreiro,“a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. isso demonstra a sensibilidade dele como artista, e mostra que uma característica não precisa ser uma coisa só, podem se mesclar, como citado acima. Esse é um dos princípios do realismo, a mudança do belo e ideal para o real e objetivo.

    1. 1) Os poetas que aqui já foram citados são Mário de Sá-Carneiro e Sá de Miranda. Os poemas dos três autores se correlacionam pela semelhança de estilos, pois falam da melancolia e da sensação de confusão e de estar perdido perante as ‘dificuldades’ da vida:
      “distância imutável de minha sombra a mim,
      toco-me e não me atinjo,
      só sei dó que seria
      se de minha sombra chegasse a mim.”

      ‘Passa-se tudo em seguir-me
      e finjo que sou eu que sigo,
      finjo que sou eu que vou
      e que não me persigo.’

      2) Para Almada Negreiros,“a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. Isso demonstra a sensibilidade dele como artista e mostra que uma característica não precisa ser uma coisa só, pode se mesclar, como citado acima. (Onde exatamente?) Esse é um dos princípios do Realismo, a mudança do belo e ideal para o real e objetivo.

  11. 01) Na minha concepção, os poetas que podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” das obras de Almada Negreiros são: Mário de Sá Carneiro e Sá de Miranda.
    Em seu poema “A sombra sou eu”, Negreiros retrata sinais de pessimismo, característica essa que também é encontrada nas obras dos outros dois autores supracitados; ainda, tal autor revela uma constante busca de seu próprio eu e um certo desespero, como se verifica nas passagens, respectivamente:

    “finjo que sou eu que vou
    e que não me persigo.”

    “[…] distância imutável de minha sombra a mim,
    toco-me e não me atinjo…”

    Em seu poema, o autor também exalta um tom de melancolia e solidão, como verifica-se nos trechos:

    “sombra atrelada ao que eu nasci,
    distância imutável de minha sombra a mim,[…]”

    O poeta mergulha no seu mundo interior, e desta maneira, as obras de Sá de Miranda e de Carneiro, como verificamos nas postagens anteriores do blog, assemelham-se á de Negreiros:

    “Não posso viver comigo
    Nem posso fugir de mim…” e
    “Agora já fugiria
    De mim, se de mim pudesse.”

    “Eu não sou eu
    nem sou o outro”.

    Ambos os trechos, conotam uma certa depressão, melancolia. Portanto, é perceptível a aproximação temática entre os poemas de Miranda e Carneiro, ao poema de Negreiros.

    02) Nas ideias de ordem “filosófica” exaltadas por Negreiros, no segundo parágrafo do seu poema, considero que há pontos de articulação das propostas modernistas e uma possível herança “realista”.
    No que tange à articulação das propostas modernistas é perceptível uma atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos, além de um certo subjetivismo, como podemos verificar quando o autor ressalta:

    “Faço por confundir a minha sombra comigo:
    estou sempre às portas da vida,
    sempre lá, sempre às portas de mim!”

    Ao passo que, no que se refere ao Realismo é perceptível uma narrativa minuciosa pormenorizada, relativa a “ideia da sombra”, através do tema do poema “A sombra sou eu”, em que sugere-se a noção de obscurantismo, escuridão, trevas, noite.

    Assim, as ideias de ordem “filosófica” explícitas no poema seriam que “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. Esta articulação é possível, porque a arte de Negreiros pressupõe um ultrapasse nas escolas de arte, a qual retrata outros temas, os quais não são universais, reitero.

    Neste sentido, Almada Negreiros, insere-se, num movimento artístico-literário que veio permitir uma liberdade ou libertação da forma, independentemente do conteúdo tratado, e, ao mesmo tempo, se constituiu como uma nova fase para a cultura, em Portugal.

    1. 01) Na minha concepção, os poetas que podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” das obras de Almada Negreiros são: Mário de Sá-Carneiro e Sá de Miranda.
      Em seu poema “A sombra sou eu”, Negreiros retrata sinais de pessimismo, característica essa que também é encontrada nas obras dos outros dois autores supracitados; ainda, tal autor revela uma constante busca de seu próprio eu e um certo desespero, como se verifica nas passagens, respectivamente:

      “finjo que sou eu que vou
      e que não me persigo.”

      “[…] distância imutável de minha sombra a mim,
      toco-me e não me atinjo…”

      Em seu poema, o autor também exalta um tom de melancolia e solidão, como verifica-se nos trechos:

      “sombra atrelada ao que eu nasci,
      distância imutável de minha sombra a mim,[…]”

      O poeta mergulha no seu mundo interior, e desta maneira, as obras de Sá de Miranda e de Carneiro, como verificamos nas postagens anteriores do blog, assemelham-se á de Negreiros:

      “Não posso viver comigo
      Nem posso fugir de mim…” e
      “Agora já fugiria
      De mim, se de mim pudesse.”

      “Eu não sou eu
      nem sou o outro”.

      Ambos (Só os dois últimos ou todos?) os trechos, conotam uma certa depressão, melancolia. Portanto, é perceptível a aproximação temática entre os poemas de Miranda e Carneiro, ao poema de Negreiros.

      02) Nas ideias de ordem “filosófica” exaltadas por Negreiros, no segundo parágrafo do seu poema (???), considero que há pontos de articulação das propostas modernistas e uma possível herança “Realista”.
      No que tange à articulação das propostas modernistas, é perceptível uma atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos, além de um certo subjetivismo, como podemos verificar quando o autor ressalta:

      “Faço por confundir a minha sombra comigo:
      estou sempre às portas da vida,
      sempre lá, sempre às portas de mim!”

      Ao passo que, no que se refere ao Realismo é perceptível uma narrativa minuciosa pormenorizada (???), relativa à “ideia da sombra”, através do tema do poema “A sombra sou eu”, em que é sugerida a noção de obscurantismo, escuridão, trevas, noite.

      Assim, as ideias de ordem “filosófica” explícitadas no poema, seriam que “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. Esta articulação é possível porque a arte de Negreiros pressupõe uma ultrapassagem das escolas de arte, a qual retrata outros temas, os quais não são universais, reitero.

      Neste sentido, Almada Negreiros, insere-se, num movimento artístico-literário que veio permitir uma liberdade ou libertação da forma, independentemente do conteúdo tratado e, ao mesmo tempo, se constituiu como uma nova fase para a cultura, em Portugal. (Não apenas em Portugal!)

  12. 1) Assim como Sá de Miranda e Mário de Sá Carneiro, Negreiros demonstra nesse poema seu desacerto, desconsolo e uma certa melancolia frente ao mundo e à vida.

    2) Nada é mais realista e ao mesmo tempo modernista que a Matemática, sempre presente em todos momentos e situações do cotidiano, desde tempos remotos. O autor revela sua tendência, segundo o texto, de assumir em suas obras caracteres relacionados a números e geometria, o que, creio eu, responde a essa pergunta.

    1. 1 – Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” dos autores Sá de Miranda e Mário de Sá Carneiro por conter pessimismo, melancolia e sensação de desconcerto com o mundo, como podemos notar nos seguinte versos:
      “Passa-se tudo em seguir-me / e finjo que sou eu que sigo, / finjo que sou eu que vou / e que não me persigo.”

      2 – As ideias de ordem “filosófica” que podem ser apontadas como pontos de articulação da propostas modernistas da poética de Negreiros e uma possível herança “realista” são as ideias de beleza e sabedoria. Com o conceito de que “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”, Almada Negreiros recorre à toda criticidade ácida do Realismo para refutar a sabedoria que gera melancolia (ideia romântica de que o conhecimento pode nos levar à solidão e à tristeza) e a beleza padronizada, que assim torna-se ignorante e idiota. Assim, o autor perpassa a ideia inflexível e engessada das escolas literárias e torna possível a articulação das ideias modernistas com as realistas.

      1. 1 – Os versos de Almada Negreiros podem ser lidos como uma espécie de “eco temático” dos autores Sá de Miranda e Mário de Sá-Carneiro por conterem pessimismo, melancolia e sensação de desconcerto com o mundo, como podemos notar nos seguinte versos:

        “Passa-se tudo em seguir-me / e finjo que sou eu que sigo, / finjo que sou eu que vou / e que não me persigo.”

        2 – As ideias de ordem “filosófica” que podem ser apontadas como pontos de articulação da propostas modernistas da poética de Negreiros e uma possível herança “realista” são as ideias de beleza e sabedoria. Com o conceito de que “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”, Almada Negreiros recorre à toda criticidade ácida do Realismo para refutar a sabedoria que gera melancolia (ideia romântica de que o conhecimento pode nos levar à solidão e à tristeza) e a beleza padronizada, que assim torna-se ignorante e idiota. Assim, o autor perpassa a ideia inflexível e engessada das escolas literárias e torna possível a articulação das ideias modernistas com as realistas. (Bom!)

    2. 1) Assim como Sá de Miranda e Mário de Sá-Carneiro, Negreiros demonstra, nesse poema, seu desacerto, desconsolo e uma certa melancolia frente ao mundo e à vida.

      2) Nada é mais realista e ao mesmo tempo modernista que a Matemática, sempre presente em todos momentos e situações do cotidiano, desde tempos remotos. O autor revela sua tendência, segundo o texto, de assumir em suas obras caracteres relacionados a números e geometria, o que, creio eu, responde a essa pergunta. (Podia ter se estendido mais…!)

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