Para LET873 – 7

Abaixo seguem trechos de três manifestos vanguardistas que exerceram influência no desenvolvimento do Modernismo brasileiro e um excerto de um poema e Mario de Andrade. O que se pede hoje é o seguinte:

1. Quais são os traços comuns encontrados nos três trechos dos manifestos?

2. Como se pode articular estes “traços comuns” na/pela leitura do excerto do poema?

Redija um comentário que explicite estes aspectos comuns na leitura do excerto do poema.

 

 

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimamos as ideias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

(Manifesto Antropófago)

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6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.

7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.

8. Estamos no promontório extremo dos séculos!… Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente

(Manifesto Futurista)

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O surrealismo, tal como o encaro, declara bastante o nosso não-conformismo absoluto para que possa ser discutido trazê-lo, no processo do mundo real., como testemunho de defesa. Ao contrário, ele só pode justificar o estado completo de distração da mulher em Kant, a distração das “uvas” em Pasteur, a distração dos veículos em Curie são a esse respeito profundamente sintomáticos. Este mundo só relativamente está à altura do pensamento, e os incidentes deste gênero são apenas os episódios até aqui mais marcantes de uma guerra de independência, da qual tenho o orgulho de participar. O surrealismo é o “raio invisível” que um dia nos fará vencer os nossos adversários. “Não tremes mais, carcaça.” Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro. Aterra envolta em seu verdor me faz tão pouco afeito quanto um fantasma. VIVER E DEIXAR DE VIVER É QUE SÃO SOLUÇÕES IMAGINÁRIAS. A EXISTÊNCIA ESTÁ EM OUTRO LUGAR.

(Manifesto Surrealista)

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A meditação sobre o Tietê (excerto)

Mario de Andrade

Água do meu Tietê,
Onde me queres levar?
– Rio que entras pela terra
E que me afastas do mar…
É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água pesada e oliosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite de tão vasta
O peito do rio, que é como si a noite fosse água,
Água noturna, noite líquida, afogando de apreensões
As altas torres do meu coração exausto. De repente
O ólio das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cânticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade… É a emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.
Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens,
Onde me queres levar?…
Por que me proíbes assim praias e mar, por que
Me impedes a fama das tempestades do Atlântico
E os lindos versos que falam em partir e nunca mais voltar?
Rio que fazes terra, húmus da terra, bicho da terra,
Me induzindo com a tua insistência turrona paulista
Para as tempestades humanas da vida, rio, meu rio!…

11 respostas para “Para LET873 – 7”

  1. Os três trechos dos manifestos (Antropófago, Surrealista e Futurista) nos apresentam, em comum, uma atuação radicalmente transformadora nas artes partindo dos vários cenários (políticos, social, econômico) de seus tempos. Estes manifestos são textos os quais objetivam despertar a atenção dos leitores para um problema dentro da sociedade em que vivem, ou mesmo persuadir essas pessoas a determinada ação contra estes problemas, acredito eu. A seguir, destaco partes dos trechos desses manifestos as quais reforçam minha ideia:

    “As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas.”

    “Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem.”

    “Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro.”

    Assim como nos trechos dos manifestos, o poema de Mário de Andrade é um apelo à importância do Rio Tietê para o meio ambiente e para a sociedade, como se verifica em:

    “O ólio das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
    É um susto. E num momento o rio
    Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas…”.

    Com isto, o autor chama a atenção para os danos causados pela poluição:

    “Logo o rio escurece de novo,
    Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
    Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.”

    Mário de Andrade relaciona, em seu poema, o meio ambiente e a sociedade de tal forma que a importância literária de sua obra acaba ficando subentendida, já que o clamor pela mudança de atitude da sociedade em favor do meio ambiente acaba ganhando maior valor.

    • Os três trechos dos manifestos (Antropófago, Surrealista e Futurista) nos apresentam, em comum, uma atuação radicalmente transformadora nas artes partindo dos vários cenários (político, social, econômico) de seus tempos. Estes manifestos são textos os quais que objetivam despertar a atenção dos leitores para um problema dentro interno da sociedade (???) em que vivem, ou mesmo persuadir essas pessoas a determinada ação contra estes problemas, acredito eu. A seguir, destaco partes dos trechos desses manifestos as quais reforçam minha ideia:

      “As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas.”

      “Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem.”

      “Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro.”

      Assim como nos trechos dos manifestos, o poema de Mário de Andrade é um apelo à importância do Rio Tietê para o meio ambiente e para a sociedade, como se verifica em:

      “O ólio das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
      É um susto. E num momento o rio
      Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas…”.

      Com isto, o autor chama a atenção para os danos causados pela poluição:

      “Logo o rio escurece de novo,
      Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
      Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.”

      Mário de Andrade relaciona, em seu poema, o meio ambiente e a sociedade de tal forma que a importância literária de sua obra acaba ficando subentendida, já que o clamor pela mudança de atitude da sociedade em favor do meio ambiente acaba ganhando maior valor. (Interessante)

  2. Em comum nos três trechos, podemos identificar que a estrutura é uma dissertação, pois os manifestos contestam uma postura de reação dos leitores frente as manifestações artísticas, pois quem escreveu os manifestos, encarava a arte como ferramenta de transformação da sociedade, pois através dela seria possível alertar as pessoas sobre os problemas que acontecia realmente no meio social.

    No excerto de Mário de Andrade, podemos encontrar “traços comuns”, podemos perceber que o caráter de denúncia e clamor, buscando por uma justiça ou respeito por um rio que é importante para as pessoas. Alertando para a poluição que acaba com o meio ambiente e principalmente com as pessoas. Para exemplificar podemos citar esses versos:
    “Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
    E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
    Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
    Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
    Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
    É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
    É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.”

    Nessa obra, Andrade, relata a poluição que esta acabando com sociedade, em forma de poesia ele tenta alertar para esse mal que esta cada vez maior no mundo.

    • Em comum nos três trechos, podemos identificar que a estrutura é uma dissertação, pois os manifestos contestam uma postura de reação dos leitores frente as manifestações artísticas, pois quem escreveu os manifestos, encarava a arte como ferramenta de transformação da sociedade, pois através dela seria possível alertar as pessoas sobre os problemas que acontecia realmente no meio social.

      No excerto de Mário de Andrade, podemos encontrar “traços comuns”, podemos perceber que o caráter de denúncia e clamor, buscando por uma justiça ou respeito por um rio que é importante para as pessoas. Alertando para a poluição que acaba com o meio ambiente e principalmente com as pessoas. Para exemplificar, podemos citar esses versos:
      “Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
      E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
      Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
      Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
      Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
      É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
      É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.”

      Nessa obra, Andrade, relata a poluição que está acabando com sociedade. Em forma de poesia, ele tenta alertar para esse mal que está cada vez maior no mundo.

  3. 1 e 2) Os três trechos nos apresentam em comum a concepção de arte e de poesia como rompimento das barreiras, grito de liberdade, desejo de desbravar, de combater. A concepção de fabricar o novo, de fugir de modelos, de tirar a arte e a poesia de um aquário e a lançarem num oceano, cheio de perigos, mas também, de encantos.

    “As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas.”

    “Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem.”

    “Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro.”

    3) O poema de Mário de Andrade é um uso claro da poesia para a crítica, para o alerta, para o combate e a denúncia:
    “Do meu Tietê são abjetas e barrentas,
    Dão febre, dão morte decerto, e dão garças e antíteses”.

    O autor procura exaltar o meio ambiente e mostrar a importância do rio para a sociedade, a necessidade do homem de valorizar as questões ecológicas.

  4. Tendo em vista os três manifestos vanguardistas ( Antropófago, Futurista e Surrealista) acima apresentados e fazendo uma relação entre eles, podemos encontrar traços comuns à eles tais como: a preocupação em não se ater ao tradicional, ao passado; e se ater ao presente (representado pelo cotidiano)de tal forma que se modifique o futuro ou de não se ater a tempo e espaço nenhum. E podemos ver, esse traço em especial nos trechos:
    “Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D.João VI.” (Manifesto Antropófago) – A oposição ao clássico/tradicional representados por Goethe, pela metonímia “mãe dos Gracos” numa possível alusão à herança greco-latina e por Portugal representada por D. João VI. A arte independente, voltada para a sua época.
    “Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente.”(Manifesto Futurista) -De novo a quebra da barreira do tempo, o desligamento do que se foi e a ânsia do agora representado pela verdade omnipresente que está em todos os ligares ao mesmo tempo: passado, presente e futuro, o que pode ser interpretado como uma equivalência na predominância do tempo e sua importância para nós na qual passado, presente e futuro tenham o mesmo “peso”.
    “Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro. Aterra envolta em seu verdor me faz tão pouco afeito quanto um fantasma.” (Manifesto Surrealista)- Seria plausível numa interpretação bem “sensorial” ( uma vez que o argumento não é tão consistente) pensar na nova significação em torno das rosas e da madeira, em uma quebra a respeito do que se imagina, o que poderia aludir a uma diferenciação entre o passado (o passado aqui corresponde a talvez uma rosa vermelha) e o futuro (aqui as rosas já não mas vermelhas, são azuis); o mesmo processo se daria na transição da madeira que é madeira e da madeira que é vidro. Até mesmo a colocação do substantivo ” fantasma” poderia contribuir para a interpretação.

    Outro traço que podemos distinguir nos trechos dos três manifestos diz respeito à arte aliada as transformações sejam elas de cunho social, político, cultural. Há a procura de estabelecer através da arte um diálogo que vise incitar a sociedade a refletir sobre os seus problemas e a reagir contra eles. E isso podemos ver nos trechos:
    “As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimamos as ideias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.” (Manifesto Antropofágico)
    “7 .Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.”(Manifesto Futurista)
    “”Este mundo só relativamente está à altura do pensamento, e os incidentes deste gênero são apenas os episódios até aqui mas marcantes de uma guerra de independência da qual tenho o orgulho de participar. (Manifesto Surrealista)

    Abordados esses traços em comum aos três trechos dos manifestos e os articulando ao excerto de um poema de Mário de Andrade podemos perceber a temàtica do presente, apresentada aqui pelo cotidiano, exemplificada pelo tema do Rio Tiête, o falar sobre as suas águas, descrever o seu percurso. E também podemos perceber a arte aliada as transformações no discurso de cunho ambiental voltado à preservação do ambiente, visando à reflexão e reação de transformação de um possível problema para a sociedade.

    • Tendo em vista os três manifestos vanguardistas (Antropófago, Futurista e Surrealista) acima apresentados e fazendo uma relação entre eles, podemos encontrar traços comuns a eles tais como: a preocupação em não se ater ao tradicional, ao passado e se ater ao presente (representado pelo cotidiano) de tal forma que se modifique o futuro ou de não se ater a tempo e espaço nenhum. E podemos ver esse traço em especial nos trechos:
      “Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D.João VI.” (Manifesto Antropófago) – A oposição ao clássico/tradicional representados por Goethe, pela metonímia “mãe dos Gracos” numa possível alusão à herança greco-latina e por Portugal representada por D. João VI. A arte independente, voltada para a sua época. (Bom)
      “Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente.”(Manifesto Futurista) – De novo, a quebra da barreira do tempo, o desligamento do que se foi e a ânsia do agora representado pela verdade omnipresente que está em todos os ligares ao mesmo tempo: passado, presente e futuro, o que pode ser interpretado como uma equivalência na predominância do tempo e sua importância para nós na qual passado, presente e futuro tenham o mesmo “peso”. (Bom)
      “Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro. Aterra envolta em seu verdor me faz tão pouco afeito quanto um fantasma.” (Manifesto Surrealista) – Seria plausível numa interpretação bem “sensorial” (uma vez que o argumento não é tão consistente) pensar na nova significação em torno das rosas e da madeira, em uma quebra a respeito do que se imagina, o que poderia aludir a uma diferenciação entre o passado (o passado aqui corresponde a talvez uma rosa vermelha) e o futuro (aqui as rosas já não mas vermelhas, são azuis); o mesmo processo se daria na transição da madeira que é madeira e da madeira que é vidro. Até mesmo a colocação do substantivo ” fantasma” poderia contribuir para a interpretação. (Bom)

      Outro traço que podemos distinguir nos trechos dos três manifestos diz respeito à arte aliada às transformações sejam elas de cunho social, político, cultural. Há a procura de estabelecer através da arte um diálogo que vise incitar a sociedade a refletir sobre os seus problemas e a reagir contra eles. E isso podemos ver nos trechos:
      “As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimamos as ideias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.” (Manifesto Antropofágico)
      “7 .Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.”(Manifesto Futurista)
      “Este mundo só relativamente está à altura do pensamento, e os incidentes deste gênero são apenas os episódios até aqui mas marcantes de uma guerra de independência da qual tenho o orgulho de participar.” (Manifesto Surrealista)
      (Bom)

      Abordados esses traços em comum aos três trechos dos manifestos e os articulando-os ao excerto de um poema de Mário de Andrade, podemos perceber a temática do presente, apresentada aqui pelo cotidiano, exemplificada pelo tema do Rio Tietê, o falar sobre as suas águas, descrever o seu percurso. E também podemos perceber a arte aliada as transformações no discurso de cunho ambiental voltado à preservação do ambiente, visando à reflexão e reação de transformação de um possível problema para a sociedade. (Bom)

  5. Os manifestos Futurista, Surrealista e Antropófago representados acima relacionam-se entre si com o propósito de romper com o passado e com o que é tradicional, e procura, ainda, valorizar o tempo presente e o quotidiano.
    Os três trechos remetem à arte como forma de denúncia, ou seja, instiga a sociedade a refletir e a sair da inércia quanto às questões políticas, sociais ou culturais. Pode-se perceber que no poema intitulado “A meditação sobre o Tietê”, Mário de Andrade, faz uso da sua arte para alertar o leitor quanto à preservação ambiental como mostram os trechos:
    “É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
    Da ponte das Bandeiras o rio
    Murmura num banzeiro de água pesada e oliosa.”

    “Luzes e glória. É a cidade… É a emaranhada forma
    Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
    E se acalma e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
    Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
    Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
    Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.”

    Nota-se que além de narrar o percurso do Tietê o autor se preocupa em alertar a população quanto a poluição das águas do rio de forma crítica e inteligente através da sua arte, abordando um tema atual e voltado para a população paulistana rompendo com o moldes tradicionais de contexto poético.

    • Os manifestos Futurista, Surrealista e Antropófago, representados acima, relacionam-se entre si com o propósito de romper com o passado e com o que é tradicional, e procura, ainda, valorizar o tempo presente e o quotidiano.
      Os três trechos remetem à arte como forma de denúncia, ou seja, instiga a sociedade a refletir e a sair da inércia quanto às questões políticas, sociais ou culturais. Pode-se perceber que no poema intitulado “A meditação sobre o Tietê”, Mário de Andrade, faz uso da sua arte para alertar o leitor quanto à preservação ambiental como mostram os trechos:
      “É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
      Da ponte das Bandeiras o rio
      Murmura num banzeiro de água pesada e oliosa.”

      “Luzes e glória. É a cidade… É a emaranhada forma
      Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
      E se acalma e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
      Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
      Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
      Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.”

      Nota-se que além de narrar o percurso do Tietê o autor se preocupa em alertar a população quanto a poluição das águas do rio de forma crítica e inteligente através da sua arte, abordando um tema atual e voltado para a população paulistana rompendo com o moldes tradicionais de contexto poético.

      (Bom)

  6. Três traços em comum nos fragmentos saltam aos olhos, embora no manifesto surrealista eles estejam menos evidentes:

    Certo repúdio pela tradição, evidenciado nos trechos:
    “Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI”. – Antropófago.
    “Por que haveremos de olhar para trás”. – Futurista.
    “episódios até aqui mais marcantes de uma guerra de independência”. – Surrealista.

    A violência é outra característica fortemente presente, como se pode ver nestes trechos:
    “queimam gente nas praças públicas”. – Antropófago.
    “Já não há beleza senão na luta”. – Futurista.
    “o “raio invisível” que um dia nos fará vencer”. – Surrealista.

    O terceiro traço que os três manifestos compartilham é um movimento em direção ao individualismo:
    “A experiência pessoal renovada”. – Antropófago.
    “A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.” – Futurista.
    “Este mundo só relativamente está à altura do pensamento”. – Surrealista.

    No excerto do poema de Mário é possível perceber esses elementos, alguns deles exercem papel fundamental no poema, outros são apenas apontados pelo autor, tornando-se pouco perceptíveis, como é o caso destes versos que transmitem a ideia de interiorização, de afastamento do comum, enfim, de individualização. Rio que entras pela terra / E que me afastas do mar…
    A imagem marcante da tempestade, ao final do excerto, expressa bem a violência como elemento poético. O próprio ambiente criado pelo poema é violento e insalubre, poluído e corrupto. É noturno e citadino, puxando muito para os preceitos futuristas nesses aspectos, mas sem deixar de flertar com o surrealismo, criando imagens como dinossauros nas ruas e gatos verdes.

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