Para LET873 – 8

Abaixo, vocês têm três micro histórias de Dalton Trevisan e dois poemas concretos de Augusto de Campos. Tente fazer um comentário, falando sobre aspectos que podem ser considerados comuns entre os dois conjuntos de textos. Acrescente alguma coisa sobre a relevância de ambos os conjuntos para o desenvolvimento da Literatura Brasileira.

 

Criança

 Dalton Trevisan

 

— Tua professora ligou. De castigo, você. Beijando na boca os meninos. Que feio, meu filho. Não é assim que se faz.

— …

— Menino beija menina.

— Você é gozada, cara.

— …

— Pensa que elas deixam?

 

oo0oo

 

Ele sai do banheiro, a toalha na cintura.

— Pai, deixa eu ver o teu rabo.

É a tipinha deslumbrada no baile da debutante de três anos.

— Rabo, filha? Ah, sei. O bumbum do pai?

— Seu bobo.

— …

— Esse pendurado aí na frente.

 

oo0oo

 

O pai telefona para casa:

— Alô?

— …

Reconhece o silêncio da tipinha. Você liga? Quem fala é você.

— Alô, fofinha.

Nem um som. Criança não é, para ser chamada fofinha. Cinco anos, já viu.

— Oi, filha. Sabe que eu te amo?

— Eu também.

“Puxa, ela nunca disse que me amava”.

— Também o quê?

— Eu também amo eu.

 (Textos extraídos do livreto “Crianças (seleção)”, editado pelo próprio autor em Curitiba (PR), 2001, págs. 5, 15 e 31.)

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9 comentários sobre “Para LET873 – 8

  1. Os conjuntos de textos tem em comum o fato de trazerem formas diferentes, inusitadas e surpreendente. As histórias de Dalton Trevisan, usa um estilo sintético com palavras simples e objetivas. Seus contos são fatos do cotidiano que mostram como o meio social, cultural e financeiro influenciam na vida do ser humano, além de que mostra uma carência e miséria humana, pois os personagens não demonstram afeto nem sensibilidade com os outros, o que denúncia a realidade de várias famílias espalhadas pelos país e que não tinha sido explorada pela literatura.
    Já os poemas de Augusto de Campos, usa recursos visuais como a disposição geométrica das palavras na página, a aplicação de cores nas letras. Ele como um dos criadores da poesia concreta, quebrou a antiga forma de estruturar a poesia e despertou o interesse por criar formas que fugissem do convencional.
    Para a Literatura Brasileira esses conjuntos serviram para desenvolverem novos olhares e maneiras de expressão.

    1. Os conjuntos de textos têm em comum o fato de trazerem formas diferentes, inusitadas e surpreendentes. As histórias de Dalton Trevisan, usa apresentam um estilo sintético com palavras simples e objetivas. Seus contos são fatos do cotidiano que mostram como o meio social, cultural e financeiro influenciam na vida do ser humano, além de que mostra uma carência e miséria humana, pois os personagens não demonstram afeto nem sensibilidade com os outros, o que denúncia a realidade de várias famílias espalhadas pelos país e que não tinha sido explorada pela literatura.
      Já os poemas de Augusto de Campos usam recursos visuais como a disposição geométrica das palavras na página, a aplicação de cores nas letras. Ele, como um dos criadores da poesia concreta, quebrou a antiga forma de estruturar a poesia e despertou o interesse por criar formas que fugissem do convencional.
      Para a Literatura Brasileira, esses conjuntos serviram para desenvolver novos olhares e maneiras de expressão. (Só isso?)

  2. Em ambos podemos notar a originalidade e a arte. O interesse em chamar a atenção do leitor não pela escrita mais pela forma com que esta é realizada. No texto de Dalton Trevisan pode-se notar uma linguagem elíptica, rápida e uso de linguajar chulo, quase pornográfico.
    Os poemas de Augusto de Campos nos envolve pela utilização dos efeitos graficos, valorização do conteúdo visual e possibilidade de diversas leituras através de diferentes ângulos. Todo esse conjunto de caracteristicas faz com que ambos os conjuntos sejam relevantes para o desenvolvimento da Literatura Brasileira.

    1. Em ambos, podemos notar a originalidade e a arte. O interesse em chamar a atenção do leitor não pela escrita, mas pela forma com que esta é realizada. No texto de Dalton Trevisan, pode-se notar uma linguagem elíptica, rápida e uso de linguajar chulo, quase pornográfico.
      Os poemas de Augusto de Campos nos envolvem pela utilização dos efeitos gráficos, valorização do conteúdo visual e possibilidade de diversas leituras através de diferentes ângulos. Todo esse conjunto de caracteristicas faz com que ambos os conjuntos sejam relevantes para o desenvolvimento da Literatura Brasileira. (Ultra sintética, a argumentação)

  3. Tanto os contos de Dalton Trevisan quanto os poemas de Augusto de Campos são um tanto inusitados, pois quebram a expectativa dos leitores que possuem gosto pelo gênero e, eu acredito que, as primeiras publicações destes estilos de textos tenham gerado bastante polêmica entre os leitores comuns e, também entre os artistas da época.

    Dalton Trevisan escreve seus contos com linguajar um tanto chulo. Lê-lo é como ouvir pessoas comuns conversando entre si no cotidiano. É… é esquisito, porém inovador.
    Neste mesmo sentido, Augusto de Campos escreve seus poemas com formas geométricas, ás vezes me dá a impressão de que ele está mais preocupado com o visual do poema do que com a mensagem que ele pretende passar aos leitores. É surpreendente e chama muito a atenção.

    Estes estilos de escrita impactou a Literatura Brasileira e transformou o olhar das pessoas sobre a mesma e, acredito que toda renovação, de certa forma, é desenvolvimento, uma vez que tudo que se atualiza se amplia. Mas, ainda assim, considero importante ressaltar que, nem sempre renovar é agradar a todos.

    1. Tanto os contos de Dalton Trevisan quanto os poemas de Augusto de Campos são um tanto inusitados, pois quebram a expectativa dos leitores que possuem gosto pelo gênero e, eu acredito, que as primeiras publicações destes estilos de textos tenham gerado bastante polêmica entre os leitores comuns e, também entre os artistas da época.

      Dalton Trevisan escreve seus contos com linguajar um tanto chulo. Lê-lo é como ouvir pessoas comuns conversando entre si no cotidiano. É… é esquisito, porém inovador.
      Neste mesmo sentido, Augusto de Campos escreve seus poemas com formas geométricas, ás vezes me dá a impressão de que ele está mais preocupado com o visual do poema do que com a mensagem que ele pretende passar aos leitores. (Este foi um dos objetivos estéticos do grupo da poesia concreta no Brasil) É surpreendente e chama muito a atenção.

      Estes estilos de escrita impactaram a Literatura Brasileira e transformaram o olhar das pessoas sobre a mesma e, acredito que toda renovação, de certa forma, é desenvolvimento, uma vez que tudo que se atualiza se amplia. Mas, ainda assim, considero importante ressaltar que, nem sempre renovar é agradar a todos. (verdade!)

  4. Tendo em vista os três contos (considerei o micro-história como conto) de Dalton Trevisan e os dois poemas de Augusto Campos apresentados acimas, podemos perceber que há entre eles uma quebra de expectativas quanto a estruturação e composição dos poemas e dos contos.

    Em Dalton Trevisan encontramos a proximidade da linguagem com o cotidiano, nesse caso exemplificado pelo linguajar de uma criança e sua interação com um adulto e de relatar casos cotidianos dentro desse gênero. Outro ponto a destacar está nas escolhas em torno da pontuação na construção textual, exemplificada pelo uso dos três pontos como equivalente a uma palavra, adquirindo significação da mesma dentro do texto de gênero conto.

    Em Augusto Campos e seus poemas concretos também observamos a presença forte do cotidiano, expressa tanto no tema quanto na linguagem; e a pontuação como elemento construtor do primeiro poema, uma vez que a pontuação se torna um código que atribui sentido a ele. No segundo poema podemos ver não a pontuação, mas a letra em si que será o condutor da significação do mesmo.

    É interessante e plausível pensar que em ambos os autores e suas composições encontramos a língua ou partes dela (como a pontuação e a letra) falando dela mesma e também podemos ir além da língua e adentrarmos no âmbito da literatura, no sentido dela ser uma arte que é capaz de refletir sobre si mesma e produzir algo em torno de sua reflexão, o que nos direciona in(diretamente) ao Modernismo, como movimento a princípio reacionário, iconoclasta; que veio depois a se tornar um movimento que irá pregar a incorporação de diversos elementos afim de construir uma Literatura propriamente dita, Brasileira, o que confere relevância à ambos os textos no desenvolvimento da Literatura Brasileira.

  5. Tendo em vista os três contos (considerei as micro-histórias como conto) de Dalton Trevisan e os dois poemas de Augusto Campos apresentados acima, podemos perceber que há entre eles uma quebra de expectativas quanto à estruturação e à composição dos poemas e dos contos.

    Em Dalton Trevisan, encontramos a proximidade da linguagem com o cotidiano, nesse caso exemplificado pelo linguajar de uma criança e sua interação com um adulto e de relatar casos cotidianos dentro desse gênero. Outro ponto a destacar está nas escolhas em torno da pontuação na construção textual, exemplificada pelo uso dos três pontos como equivalente a uma palavra, adquirindo significação da mesma dentro do texto de gênero conto.

    Em Augusto Campos e seus poemas concretos, também observamos a presença forte do cotidiano, expressa tanto no tema quanto na pela linguagem; e a pontuação como elemento construtor do primeiro poema, uma vez que a pontuação se torna um código que atribui sentido a ele. No segundo poema, podemos ver não a pontuação, mas a letra em si que será o condutor da significação do mesmo.

    É interessante e plausível pensar que em ambos os autores e suas composições encontramos a língua ou partes dela (como a pontuação e a letra) falando dela mesma e também podemos ir além da língua e adentrarmos no âmbito da literatura, no sentido dela ser uma arte que é capaz de refletir sobre si mesma e produzir algo em torno de sua reflexão, o que nos direciona in(diretamente) ao Modernismo, como movimento a princípio reacionário, iconoclasta; que veio depois a se tornar um movimento que irá pregar a incorporação de diversos elementos afim de construir uma Literatura propriamente dita, Brasileira, o que confere relevância à ambos os textos no desenvolvimento da Literatura Brasileira. (Muito bom!)

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