Relatório de viagem 3

 

Quinze dias. Onze e meia da manhã, aqui. Seriam quinze e trinta lá, na terra de Camões, poeta que supostamente está enterrado nos Jerônimos, nome de um convento monumental, construído às margens do Tejo. Hoje, este distancia um tanto dele por conta dos aterros sucessivos. Jamais soube que a Torre de Belém foi construída, originalmente, em pleno leito do rio, para guardar a foz que se espraia pelo Atlântico, uma visão que deveras impressionou os portugueses ao longo dos séculos, colocando-os como referência do que se conhecia como “mundo” até o século XVI, quando fomos “descobertos”, mas essa história fica para outra hora…

Os Jerônimos     Entrada dos Jerônimos

Nos Jerônimos

Quando é que eu ia sonhar que exciste na terra uma cidade chamada Vila Franca de Xira? A pergunta respondeu-se pela memória de quinze anos passados, quando estive em Portugal pela primeira vez: deslumbramento! Foi quando conheci Coimbra (um dia apenas, desta vez, pois voltaria dois anos depois para ficar oito dias inteiros nesta joia à beira do Mondego!). Entre Lisboa e Coimbra, passa-se por Vila Franca de Xira, um lugarzinho mais que charmoso, mais que bucólico, mais que romântico, revestido pela diáfana melancolia: espinha dorsal de certa portugalidade, de que gosto imenso. Lá passamos pela praça do campino – a versão lusa do cowboy – e entre vielas estreitas e ruas calmas chegamos ao Clube Taurino Vilanfranquense onde comemos “Carne de toiro bravo à panela de campino”. Carne de toiro bravo? Quem diria!!! E de um sabor até delicado, harmonizado com os legumes, o pão, as azeitonas, deslizando pelas papilas já excitadas pelo sabor dos peixinhos grelhados na entrada, e aveludadamente misturados aos efúvios etílicos de uma safra especial, igualmente servida em jarras de vidro, vidro mesmo, nada da frescura de cântaros de cristal parae decantação. A rusticidade eleva a alma, como o Paulo, presidente que, à mesa, deu mais uma lição de cultura, civilidade, simplicidade e alegria: aprendeu quem quis. Até fiz um brinde…

Brinde em Vila Franca de Xira

 

Com Paulo Silva na Tertília de Vila Franca de Xirea

Depois do lauto almoço, a visita ao Museu do Neo-realismo onde, de fato, me reencontrei com esta estética que, na Literatura, por dever de ofício, tenho que visitar, apesar de não me agradar muito. Mas confesso: a visita ao museu produziu algumas mudanças…

Nu museu do neo-realismo em Vila Franca de Xira

A conclusão do dia ficou a cargo do pessoal da Tertúlia Cirófila, uma espécie de clube de amantes da tauromaquia – o caminho até a estante para consultar o dicionário não é assim tão longa. Miguel, em nome de todos, nos recebeu. Não é o mesmo Miguel, Infante de Portugal, mas um homem comum, bonito, elegante, educado, divertido e… casado com uma mulher divertidíssima. Chave de ouro com mais uma etapa da cultura mais que rica que sobeja em território lusitano e que as miríades de “turistas” não fazem ideia do que estão perdendo…

Com a ceifeira em Vila Franca de Xira     Mais uma com Miguel (2)

O toureiro

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Um comentário sobre “Relatório de viagem 3

  1. Quantos saberes e sabores! Inveja, que não mata, não da viagem em si, mas da viagem apreciada, saboreada, e das histórias a contar. Você sabe viver, amigo! Aguardando o próximo capítulo, Beijinhos, Angel

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