LET 877 – 3

A postagem de hoje tem um caráter particular. Ela tem por objetivo fazer com que vocês leiam um texto que, de certa forma, anuncia o passo final da disciplina. Simultaneamente, a postagem também tem por meta fazer com que vocês reflitam, ainda uma vez, sobre os passos já dados, num exercício que abre a oportunidade para vocês ensaiarem a expressão de sua própria opinião. O texto a ser lido é o de um artigo meu, publicado em Santa Maria cujo título é “Recepção literária: um dos espelhamentos da modernidade”. À parte o fato de ser um texto já com certo temo de publicado, ainda vejo sentido nas coisas que nele digo. A possibilidade a ser aberta, a partir da leitura deste artigo é pensar um pouco sobre um conceito comparatista muito instigante, o de “imagologia”. O segundo texto é um artigo de um professor português, Álvaro Manuel Machado”, intitulado “Repensando a Literatura Comparada: imagologia e estudos culturais”.

Da leitura dos dois textos, vocês poderão se colocar algumas questões sobre o “significado” de “fazer” Literatura Comparada e os desdobramentos desse “fazer”. Numa espécie de “aproveitamento”, retomem os poemas que comentamos por último nas aulas e escrevam alguns parágrafos articulando: o teor dos artigos, as suas dúvidas e tudo o mais que fizer sentido a partir da consideração dos dois tópicos essenciais aqui: “imagologia” e “estética da recepção”.

Boa leitura!

Imagologia

PS: Para ler os artigos, cliquem nos links com os nomes dos textos. Abrir-se-á uma página com o link direto do artigo para “baixar”. Esta atividade poderá ser feita em duas etapas: uma amanhã, outra na terça-feira da semana que vem.

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Argumentação

O texto desta postagem, eu recebi de uma amiga. Não sei quem é o autor, portanto, não estou a cometer crime por anonimato. fato é que o texto me fez pensar numa coisa coisa que costumo dizer a meus alunos de Literatura. Eles sabem o que eu costumo dizer…

Prova de Química – Olha a resposta! Imperdível !!!

Pergunta feita pelo Professor Fernando, da matéria Termodinâmica, no curso de Engenharia Química da FATEC em sua prova final.
Este Professor é conhecido por fazer perguntas do tipo ‘Por que os aviões voam?’
Nos últimos exames, sua única questão nesta prova para a turma foi:

‘O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta’

Vários alunos justificaram suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma.

(*)
Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas.
Agora postulemos que as almas existem; assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume.
Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno?
Podemos assumir seguramente que, uma vez que certa alma entra no inferno ela nunca mais sai de lá. Logo, não há almas saindo.
Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia.
Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno….
Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus, você vai para o inferno.
Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno.
A experiência mostra que poucos acatam os mandamentos.
Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno.
A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a
relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante.
Existem, então, duas opções:
1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO.
2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.
Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da FATEC me disse no primeiro ano: ‘Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar’ e, levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.’

(*) O aluno Thiago Faria Lima tirou o único 10 da turma.
CONCLUSÕES:
1) ‘A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.’  (Albert Einstein)
2) ‘A imaginação é muito mais importante que o conhecimento.’ (Albert Einstein)
3) ‘Um raciocínio lógico leva você de A a B. Imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser.’ 
(Albert. Einstein)

 

Estupidez

Para aqueles que ainda acreditam que a “senhora” que diz ouvir as vozes das ruas está certa, vai aí a pá de cal. Ai, ai, que falta faz uma boa hora de leitura… Li no Facebook e, rapidinho, trouxe pra cá…

UTILIDADE PÚBLICA.
COM MUITA ALEGRIA TENHO A GRATA SATISFAÇÃO DE REPASSAR
À PRESIDENTE E A TODOS OS BRASILEIROS, ESSE ESCLARECIMENTO
QUE FOGE AO ALCANCE DE CERTAS PESSOAS LIMITADAS.
ATÉ QUE ENFIM ALGUÉM CORRIGIU ISSO
(aula de português)
Uma belíssima aula de português!
Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem presidente ou presidenta.
A presidenta foi estudanta? Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?
Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser?
O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.
Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação.

DE HOJE EM DIANTE SÓ PUXA SACO IGNORANTE DIRÁ: PRESIDENTA

LET 874-2

 

Prezados,

Um dos objetivos do blogue é substituir as aulas de sexta-feira no horário horroroso em que a colocaram. Logo, a frequência a esta “aula” será contada a partir da participação de vocês. Outro objetivo é fazer com que a gente DISCUTA o assunto que vai sendo colocado nas postagens. Assim, quando leio os comentários que voc6es fazem, retorno com correções e observações. O desejável é que vocês retornem estes meus comentários, para que a discussão se estabeleça e dúvidas sejam dirimidas, esclarecimentos feitos e estudos se aprofundem. Então, mãos à obra! Não se acanhem! Escrevam o quanto desejarem e/ou necessitarem! Bom final de semana. Segue a postagem para hoje! Bom trabalho!

 

A Questão Coimbrã

O primeiro sinal da renovação literária e ideológica que acabámos de indicar foi dado na Questão Coimbrã, onde se defrontaram os defensores do status quo literário e um grupo de jovens escritores estudantes em Coimbra, mais ou menos entusiasmados pelas leituras e correntes indicadas.

Castilho – aliás um pouco incongruentemente – tornara-se em uma espécie de padrinho oficial de escritores mais novos, tais como Ernesto Biester, Tomás Ribeiro ou Pinheiro Chagas. Como já vimos, constelou-se à sua volta um grupo de admiradores e protegidos (“escola do elogio mútuo”, dirá Antero), em que o academismo e o formalismo anódino das produções literárias correspondiam coerentemente à hipocrisia das relações humanas, e em que toda a audácia tendia a neutralizar-se. Este grupo trava diversas escaramuças defensivas desde 1862, e sobretudo em 1864-65.

Em 1865, solicitado a apadrinhar com um posfácio o Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, Castilho aproveitou a ocasião para, sob a forma de uma Carta ao editor António Maria Pereira, inculcar o poeta apadrinhado como candidato mais idóneo à cadeira de Literaturas Modernas no Curso Superior de Letras, e censurar um grupo de jovens de Coimbra, acusando-os de exibicionismo livresco, de obscuridade propositada e de tratarem temas que nada tinham que ver com a poesia. Os escritores mencionados eram Teófilo Braga, autor dos poemas Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras (futuro candidato a essa cadeira de Literatura); Antero de Quental, que então publicara as Odes Modernas ; e um jovem e verboso deputado, Vieira de Castro, o único aliás que Castilho excetuava da sua ridicularização, um tanto eufemística, da “escola coimbrã”. O desencadeamento da Questão só se compreende se o relacionarmos com uma série de antecedentes que vêm desde a crítica à Conversação Preambular elogiativa do D. Jaime por Castilho, feita em artigos de Ramalho Ortigão, Pereira de Castro e João de Deus, até uma leitura dos poemas, ainda então inéditos, de Antero e Teófilo a Castilho, que os acolheu com hiperbólica ironia, e, finalmente, até escaramuças jornalísticas entre Pinheiro Chagas, crítico dos “coimbrões”, e Germano Meireles, seu apologeta.

Antero de Quental respondeu numa carta aberta a Castilho, que saiu em folheto: Bom Senso e Bom Gosto . Nela defendia a independência dos jovens escritores; apontava a gravidade da missão dos poetas na época de grandes transformações em curso, a necessidade de eles serem os arautos do pensamento revolucionário e os representantes do “Ideal”: metia a ridículo a futilidade, a insignificância e o provincianismo da poesia de Castilho. O que sobressai destes textos de Antero é a constante invocação da integridade moral-social. Pouco depois Teófilo Braga solidarizava-se com Antero no folheto Teocracias Literárias, 1866. Entretanto, Antero desenvolvia as ideias já expostas na Carta a Castilho com o folheto A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, 1865; aí, em termos aliás muito idealistas, reivindicava uma literatura militante dirigida à “Nação verdadeira […] três milhões de homens que trabalham, suam, produzem”, terminando, em apêndice, por uma extensa apreciação da obra de Castilho, redigida em termos que ostentam, e em geral atingem, uma séria ponderação.

Castilho não reagiu publicamente; mas conseguiu a intervenção de amigos seus. Nas intervenções de uma parte e de outra, o problema central levantado por Antero ficou apagado por considerações pessoalistas, mostrando-se alguns dos polemistas impressionados com a irreverência dos jovens em relação aos mestres, sobretudo com a brutalidade das alusões de Antero e de Teófilo à idade e à cegueira física de Castilho. Foi o caso de um folhetinista eclético, Ramalho Ortigão, num opúsculo intitulado A Literatura de Hoje, 1866, que deu lugar a um duelo do autor com Antero. Camilo Castelo Branco interveio de forma ambígua, a pedido de Castilho, com o opúsculo Vaidades Irritadas e Irritantes, 1866. Na realidade, pouco se acrescentou aos dois folhetos de Antero durante os meses que a polémica durou ainda. No entanto um ou dois textos são interessantes pelas suas considerações de ordem estética. Nela intervieram, além de muitos outros (alguns solicitados por Castilho), M. Pinheiro Chagas, Júlio de Castilho, Teixeira de Vasconcelos, José Feliciano de Castilho e Brito Aranha.

Na sua opinião, a “questão” é matéria externa aos estudos literários ou não? Justifique. Em qualquer dos casos, é possível encontrar no poema abaixo alguma ideia que se relacione com o conteúdo do texto (acima) sobre a questão Coimbrã? Caso seja possível, aponte e comente pelo menos duas delas! Segue o poema:

Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo

tronco ou ramo na incógnita floresta…

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

O, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso paúl, glauco pascigo…

Hoje sou homem, e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro

E aspiro unicamente à liberdade.

(Antero de Quental, in “Sonetos”)

 

LET 877 – 2

Carta

“De ponta a ponta é toda praia… muito chã e muito fremosa. (…) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata… porém a terra em si é de muitos bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela deve lançar” (…).

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“Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa de cobrir nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostrar no rosto. (…) Eles porém contudo andam muito bem curados e muito limpos e naquilo me parece ainda mais que são como as aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais ser.”

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“(…) Ali andavam entre eles três ou quatro moças bem novinhas e gentis, com cabelo mui pretos e compridos pelas costas e suas vergonhas tão altas e tão saradinhas e tão limpas das cabeleiras que de as nós muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha.”

(Pero Vaz de Caminha, A carta)

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Macunaíma

“Haveis de saber que este vocábulo, tão familiar às vossas trompas de Eustáquio, é quase desconhecido por aqui. Por estas paragens mui civis, os guerreiros chamam-se polícias, grilos, guardas-cívicas, boxistas, legalistas, masorqueiros, etc; sendo que alguns desses termos são neologismos absurdos — bagaço nefando com que os desleixados e petimetres conspurcam o bom falar lusitano. Mas não nos sobra já vagar para discretearmos “sub tegmine fagi”, sobre a língua portuguesa, também chamada lusitana. O que vos interessará mais, por sem dúvida, é saberdes que os guerreiros de cá não buscam mavórticas damas para o enlace epitalâmico; mas antes as preferem dóceis e facilmente trocáveis por pequeninas e voláteis folhas de papel a que o vulgo chamará dinheiro — o “curriculum vitae” da Civilização, a que hoje fazemos ponto de honra em pertencermos. Assim a palavra muiraquitã, que fere já os ouvidos latinos do vosso Imperador, é desconhecida dos guerreiros, e de todos em geral que por estas partes respiram. Apenas alguns “sujeitos de importância em virtude e letras”, como já dizia o bom velhinho e clássico frei Luís de Sousa, citado pelo doutor Rui Barbosa, ainda sobre as muiraquitãs projetam as suas luzes, para aquilatá-las de medíocre valia, originárias da Ásia, e não de vossos dedos, violentos no polir.”

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“Andam elas vestidas de rutilantes jóias e panos finíssimos, que lhes acentuam o donaire do porte, e mal encobrem as graças, que, a de nenhuma outra cedem pelo formoso do torneado e pelo tom. São sempre alvíssimas as donas de cá; e tais e tantas habilidades de­monstram, no brincar, que enumerá-las, aqui seria fàstiendo porventura; e, certamente, quebraria os mandamentos de discreção, que em relação de Imperator para súbditas se requer. Que beldades! Que elegância! Que cachet! Que degagé flamífero, ignívomo, devorador!! Só pensamos nelas, muito embora não nos descuidemos, relapso, da nossa muiraquitã.

Nós, nos parece ilustres Amazonas, que assaz ganharíeis em aprenderdes com elas, as condescendências, os brincos e passes do Amor. Deixaríeis então a vossa orgulhosa e solitária Lei, por mais amáveis mesteres, em que o Beijo sublima, as Volúpias encandecem, e se demonstra gloriosa, “urbi et orbe”, a subtil força do Odor di Femina, como escrevem os italianos.”

(Mário de Andrade, Macunaíma)

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Considerando o que já lemos, discutimos e pensamos até aqui, tente escrever dois ou três parágrafos, comentando estas duas passagens na perspectiva dos estudos de Literatura Comparada, principalmente no que concerne à ideia de “fontes e influências” e de “tradução”.

Vox populi, vox dei

sem palavras (minhas!)

 

O BRASIL EM CHAMAS

“Brasil só é futebol…”

Milton Nascimento e Fernando Brant

Waldo Luís Viana*

Um dos livros que mais me encantou, do escritor Henri Lefevbre, sobre os dois anos anteriores à revolução francesa, falava sobre o povo com a falta de pão. A rainha lhes dizia, que comessem brioches, a Igreja dizia vamos lhes falar sobre o inferno e eles se acalmarão. O rei de nada tinha noção. Preguiçoso, corno e broxa. Pois bem o povo saiu às ruas, católico e devoto, e queimou a Bastilha. E libertou os prisioneiros, que saíram correndo para não serem ceifados vivos nas masmorras…

Isso foi nos idos de 1789… E está se repetindo no Brasil. O povo cracudo está com fome, cheio de drogas, sem dinheiro pra nada, sob um governo de canalhas como jamais se viu na história.

As tarifas mais altas do mundo: celular, educação, segurança, bombeiros, luz, gás, energia, os impostos mais altos da terra, uma derrama para matar dez Tiradentes…

Uma “presidenta” que fica gritando com seus subordinados e não sabe de nada, não sabe governar e fica cagando normas até pra outros países, como se aqui houvesse racionalidade administrativa com 39 ministérios… Um ministro da Fazenda que é um capacho daqueles que a gente usa em cinema… Um ministro da Educação com aquele bigode, tipo escova de vagina, que não sabe nada de coisa alguma… outro capacho…

Enfim, uma mulher cercada de capachos administrando um país, sem ESTRADAS, FERROVIAS, com o Nordeste falecendo… as cidades com a segurança destruída…

Ah, mas somos o país do futebol, como eles criticavam no governo Médici, lembram-se do radinho de pilha, o povo era alienado e agora, pão e circo?

E agora, canalhas, a história se repetirá como farsa ou tragédia? Quem sabe o Lula de novo, com o falso câncer o Lulinha com seu novo aviãozinho. Afinal ele não precisa mais limpar bunda de rinoceronte…

Um amigo meu até contou uma piada engraçada: não precisamos cassar comunistas, porque eles estão todos no mercado…

A avenida paulista é vermelha, mas o povo está ficando ruborizado. E a massa enfurecida vai transtornar essa turminha sindicalista, da Une, das Ongs, desse esquema escroto do PT, de bolsa-família e voto de cabresto, apesar da antiga Lei Etelvino Lins.

Eu disse há dois anos que o país estava em entropia. Disseram-me: é maluco. Não sabe de nada… O PT retornará aos velhos ideais, como se fosse o conhaque Dreher…

Pois está acontecendo e nossos generais cagões só se interessam por duas coisas: bater continência pra qualquer um e receber o salário no dia 3.

Eu sou civil e meu urologista me disse que meus escrotos estão no lugar. Não aguento mais esse blá-blá-blá, de “Brasil acima de tudo”. Quando esses merdas vão pra reserva, ganham cérebro e começam a se lamentar da desordem reinante. Jogo todos os e-mails deles fora. São craques da covardia…

Não tenho armas em casa. Minha voz é o que escrevo, meu nojo e desprezo. Esse Congresso já deveria estar cercado. O Palácio do Planalto também. E chega de martirizar o Poder Judiciário. Querem que ele pare de funcionar para os corruptos dizerem quem manda no país. São eles, os empreiteiros, a FIFA. Aquela gangue multinacional que vai ganhar 40 bilhões aqui, distribuindo comissões a valer…

Só não quero morrer, com minha filha sabendo que sou omisso. Isso não sou. Quisera ficar em casa só escrevendo poesia. Mas poesia é dor e compromisso. Se o céu só fosse azul, as borboletas douradas e a lua branquinha não haveria poesia. É preciso dor e um coração doendo…

O meu está ardendo de ver esse país em chamas. Canalhas que deveriam estar há muito tempo na cadeia mandando nele e com ilustres advogados, pilotando recursos.

E uma mulher nos dirigindo que deveria estar sendo processada numa Comissão da Verdade. Onde está o dinheiro que ela roubou do cofre da amante do Ademar [em nome da democracia] e de todos aqueles que tombaram pelas organizações que ela comandava e dirigia…

Chega de PT, chega de vagabundagem…

Muito mais era o Roberto Campos que dizia:

“O PT é um partido composto de trabalhadores que não trabalham, de estudantes que não estudam e de intelectuais que não sabem de nada…”

Terminarei por aqui, porque sei que a ABIN sabe mais do que eu. Deploro apenas que a Polícia Federal e nosso glorioso Exército estejam complacentes com toda essa panaceia… Devem estar faturando o deles também…

É o tal lema: dinheiro é bom e eu gosto. E o povo que se foda…

________

*Waldo Luís Viana é economista, escritor, poeta e adora varrer o seu jardim…

Teresópolis, 19 de junho de 2013…

LET874 – 1

 

Em Portugal, o processo de instauração do Romantismo foi lento e incerto. Enquanto o Romantismo de Delacroix avançava já para um projeto renascentista e o Realismo tomava forma no horizonte parisiense, o Romantismo português procurava ainda afirmar-se; sua implantação ocorreu num contexto sócio-político marcado pelas invasões francesas, que tinham originado o refúgio da corte portuguesa no Brasil e é também o tempo em que o desejo de independência dessa colônia ganha força. Na metrópole, multiplicam-se as lojas maçônicas e germinaram os ideais liberais. Travavam-se as lutas civis entre miguelistas e liberais, e, por duas vezes, depois da Vilafrancada e da Abjuração da Carta, muitos partidários de D. Pedro tiveram de exilar-se na Inglaterra e na França. Dois desses partidários eram os jovens escritores Almeida Garrett e Alexandre Herculano.

Segundo alguns autores, o Romantismo afirmou-se em Portugal como uma cultura de importação. Só compensou distâncias e atrasos pela via indireta dos exílios a que se sujeitaram Garrett e Herculano. Foi longe da pátria que estes autores conceberam a ideia de criar uma literatura nova, de caráter nacional e popular. Em 1825, Garrett publicou o poema Camões que passou a ser considerado o ponto de partida para a fixação da cronologia do romantismo português. Garrett e Herculano entenderam a literatura como tarefa cívica, como meio de ação pedagógica.

Portugal era um país pequeno e decaído, saudoso da grandeza perdida. Esses patriotas, confiantes nas virtudes da liberdade, propuseram contribuir para um renascimento pátrio. O Romantismo constituiu uma tomada de consciência e uma conquista de certo senso histórico e crítico, enfocados na cultura. Começou-se a relacionar o Homem com o meio a que pertencia e a época de que era produto.

 

1. De acordo com os parágrafos ainda, é possível afirmar que o Romantismo em Portugal não teve outra “função” a não ser a de importar ideias inglesas e francesas, necessárias para tirar o país do atraso econômico em que se encontrava. Esta afirmativa está correta? Justifique sua resposta!

 

Observe os dois poemas:

 

Tibio o sol entre as nuvens do occidente
Já lá se inclina ao mar. Grave e solemne
Vai a hora da tarde! – O oeste passa
Mudo nos troncos da lameda antiga,
Que já borbulha á voz da primavera:
O oeste passa mudo, e cruza a porta
Ponteaguda do templo, edificado
Por mãos rudes de avós, em monumento
De uma herança de fé, que nos legaram,
A nós seus netos, homens de alto esforço,
Que nos rimos da herança, e que insultamos
A cruz e o templo e a crença de outras eras:
Nós, homens fortes, servos de tyrannos,
Que sabemos tão bem rojar seus ferros
Sem nos queixar, menospresando a Patria
E a liberdade, e o combater por ella.

Eu não! – eu rujo escravo; eu creio e espero
No Deus das almas generosas, puras,
E os despotas maldigo. – Entendimento
Bronco, lançado em seculo fundido
Na servidão de goso ataviada,
Creio que Deus é Deus, e os homens livres!
……………………………………………………………..
(Alexandre Herculano, A harpa do crente)

Estes sítios!

Olha bem estes sítios queridos,

Vê-os bem neste olhar derradeiro…

Ai!, o negro dos montes erguidos,

Ai!, o verde do triste pinheiro!

Que saudades que deles teremos …

Que saudade!, ai, amor, que saudade!

Pois não sentes, neste ar que bebemos,

No acre cheiro da agreste ramagem,

Estar-se alma a tragar liberdade

E a crescer de inocência e vigor!

Oh!, aqui, aqui só se engrinalda

Da pureza da rosa selvagem,

E contente aqui só vive Amor.

O ar queimado das salas lhe escalda

De suas asas o níveo candor,

…………………………………………………………………………………..

(Almeida Garrett, Folhas caídas)

 

1. O que há de comum entre os dois poemas?

2. Se é possível associar os poemas com o momento histórico português em que se inserem, quais seriam os elementos presentes neles que possibilitariam esta associação?

3. Que tema(s)/motivo(s)/elemento(s) característico da identidade cultural portuguesa está(ão) presente(s) em ambos os textos?