LET877 – 1

 
Apesar de ter despontado há milhares de anos, a Literatura Comparada surge como disciplina e de uma maneira sistematizada no século XIX e num contexto europeu. Ela visa a estabelecer a influência entre autores, servindo de instrumento para mostrar a força de um país sobre outro. Do século XIX até meados do século XX, o vocábulo que melhor define a Literatura Comparada, isto é, sua palavra-chave, é influência, pois ela representa uma ferramenta de afirmação de um país e de culturas nacionais.
 
A partir dos anos 50 e 60 do século passado, René Wellek ajuda a estruturar a Teoria da Literatura como disciplina e introduz uma ruptura com o comparativismo tradicional. Esse estudioso propõe que a Literatura Comparada represente uma leitura profunda de um texto sem levar em conta somente fatores que lhe são extrínsecos, ou seja, ele atribui ao contextualismo, que é tão importante para os comparatistas que o precedem, menos importância. Nos dias atuais, a Literatura Comparada vem ampliando o âmbito de sua pesquisa, fazendo com que o lugar do texto literário na sociedade possa ser revisto. Sem o viés tradicional, passa-se a estudar a relação entre literatura e vida cultural, outras artes e seu público.
 
Enquanto que em seus primórdios a Literatura Comparada encontra-se muito ligada ao nacionalismo, criando relações de submissão cultural, atualmente baniu-se o vocábulo “influência” de seu léxico, deslocando sua atenção para um campo de estudo muito mais abrangente, o qual rompe com fronteiras culturais e busca firmar, ao invés de um confronto entre obras e autores, referências que o texto literário cria a partir de um ponto de vista internacional.
 
Agora responda as duas questões que se colocam:
1. Teoria da Literatura e Literatura Comparada Comparada são disciplinas díspares e autônomas? Por que, então, o “contextualismo”  significa um marco de diferenciação entre os dois “procedimentos” acadêmicos dos estudoa literários?
 
2. As fronteiras culturais a que se refere o texto estabelecem algum tipo de vínculo com suas similares “nacionais”? Tente explicar isso, partindo da ideia de que o comparatismo “revê” o papel do texto literário na dinâmica da Literatura Comparada.
 

 
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13 comentários sobre “LET877 – 1

  1. 1) Se levarmos em consideração a definição de Literatura Comparada em seu surgimento com a estruturação da Teoria Literária feita por Wellek, a relação entre os dois estudos são distintos. Há a necessidade, para um estudo recente da Literatura Comparada, de contextualização, já que é necessário uma amplitude de seu objeto de estudo para que possa “estudar a relação entre literatura e vida cultural”. O ‘contextualismo’ significa, assim, um marco de diferenciação entre os dois ‘procedimentos’ acadêmicos (Teoria da Literatura e Literatura Comparada), pois leva em consideração não só apenas a matéria, a “relação de submissão cultural”, mas, sim, todo o contexto em que a obra se insere.

    2) O papel literário na dinâmica da Literatura Comparada é revisto pelo comparativismo por levar em conta não somente a obra como um objeto estético, mas sim como ela é inserida e vista em seu meio social e cultural. O processo histórico de uma obra literária, por exemplo, vai além das influências sofridas, da matéria, das relações e vínculos com suas similaridades nacionais, deve-se dialogar com outras formas artísticas de se ver o mundo e de se estar no mundo.

    1. 1) Se levarmos em consideração a definição de Literatura Comparada, em seu surgimento com a estruturação da Teoria Literária feita por Wellek, a relação entre os dois estudos são distintos. Há a necessidade, para um estudo recente da Literatura Comparada, de contextualização, já que é necessário uma amplitude de seu objeto de estudo para que possa “estudar a relação entre literatura e vida cultural”. O ‘contextualismo’ significa, assim, um marco de diferenciação entre os dois ‘procedimentos’ acadêmicos (Teoria da Literatura e Literatura Comparada), pois leva em consideração não só apenas a matéria, a “relação de submissão cultural”, mas, sim, todo o contexto em que a obra se insere. (Se levam em consideração o mesmo tropo – contextualismo – cada uma a seu modo, onde fica a “diferenciação”?

      2) O papel literário (De quem? Do quê? Veja que, na sua redação, “literário” é adjetivo…), na dinâmica da Literatura Comparada, é revisto pelo comparativismo por levar em conta não somente a obra como um objeto estético, mas sim como ela é inserida e vista em seu meio social e cultural. O processo histórico de uma obra literária, por exemplo, vai além das influências sofridas, da matéria, das relações e vínculos com suas similaridades nacionais, deve-se dialogar com outras formas artísticas de se ver o mundo e de se estar no mundo. (Bom!)

  2. Bem, acredito que seja evidente que a Literatura Comparada e a Teoria da Literatura sejam disciplinas que são interdependentes. Os estudos comparatistas não podem prescindir de conceitos e categorias teórcos; a Teoria Literária, por sua vez, deve também se apoiar na Literatura Comparada em certos tipos de estudo. Por exemplo, Antonio Candido dificilmente teria chegado a certas conclusões sobre a literatura brasileira caso não houvesse mobilizado o comparatismo. Respondendo à segunda pergunta, ainda pensando na literatura brasileira, é evidente que um texto literário dialoga com seus irmãos nacionais; mas no caso da nossa produção literária, e também de outras, é imprescindível levar em conta o contexto de produção internacional. Nossos escritores se formavam majoritariamente na Europa. É evidente que havia círculos literários no Brasil e que os escritores se influenciaram mutuamente; mas estudar a segunda geração do Romantismo brasileiro, apenas para citar um exemplo, ignorando a influência de Goethe e Byron implica um empobrecimento imenso de análise.

    1. Bem, acredito que seja evidente que a Literatura Comparada e a Teoria da Literatura sejam disciplinas que são interdependentes. Os estudos comparatistas não podem prescindir de conceitos e categorias teórcos; a Teoria Literária, por sua vez, deve também se apoiar na Literatura Comparada em certos tipos de estudo. Por exemplo, Antonio Candido dificilmente teria chegado a certas conclusões sobre a literatura brasileira caso não houvesse mobilizado o comparatismo. Respondendo à segunda pergunta, ainda pensando na literatura brasileira, é evidente que um texto literário dialoga com seus irmãos nacionais; mas no caso da nossa produção literária, e também de outras, é imprescindível levar em conta o contexto de produção internacional. Nossos escritores se formavam majoritariamente na Europa. É evidente que havia círculos literários no Brasil e que os escritores se influenciaram mutuamente; mas estudar a segunda geração do Romantismo brasileiro, apenas para citar um exemplo, ignorando a influência de Goethe e Byron implica um empobrecimento imenso de análise. (Concisão perde… Poderia ter continuado!)

  3. 1) No amplo campo dos “estudos literários”, a literatura comparada coexista com a teoria, de modo que elas mantêm suas especificidades conceituais e formas de atuação particulares. Todas as duas têm como objeto de estudo, a literatura. No entanto, sabemos que cada uma se identifica e se distingue das demais pela forma particular como problematiza o literário, como o indaga e analisa. Isso não impede, entretanto, que essas disciplinas atuem em conjunto na indagação sobre o literário e que troquem entre si conceitos operacionais, metodologias ou recursos de investigação. Além disso, é provavelmente essa coexistência que possibilita a essas disciplinas redefinirem constantemente seus próprios estatutos e modificarem por vezes seus dispositivos epistemológicos.
    No inicio dos estudos sobre Literatura Comparada, se encontrava ligada ao nacionalismo, e de certa forma não se relacionando com outras culturas, deste modo o contextualismo baniu a ideia de “influência”, deslocando a atenção para um campo mais abrangente o qual se rompe fronteiras culturais.

    2) Após a leitura do texto entendo que as fronteiras culturais se referem tanto para textos nacionais quanto para internacionais. O comparativismo tem o intuito de revê o texto literário, ele sendo nacional ou de outro país.

    1. 1) No amplo campo dos “estudos literários”, a literatura comparada coexiste com a teoria, de modo que elas mantêm suas especificidades conceituais e formas de atuação particulares. Todas As duas têm como objeto de estudo, a literatura. No entanto, sabemos que cada uma se identifica e se distingue das demais da outra pela forma particular como problematiza o literário, como o indaga e analisa. Isso não impede, entretanto, que essas disciplinas atuem em conjunto na indagação sobre o literário e que troquem entre si conceitos operacionais, metodologias ou recursos de investigação. Além disso, é provavelmente essa coexistência que possibilita a essas disciplinas redefinirem constantemente seus próprios estatutos e modificarem por vezes seus dispositivos epistemológicos.
      No inicio de seus estudos, a Literatura Comparada se encontrava ligada ao nacionalismo e, de certa forma, não se relacionando com outras culturas. (Há um equívoco aqui. O nacionalismo como tropo investigativo é um dos fundamentos do Comparatismo, portanto, a diferencicação entre as nacionalidades/culturas era condição sine qua non para a “disciplina” que começava a operar no campo dos estudos literários!) Deste modo, o contextualismo baniu a ideia de “influência”, (Eu não seria tão “radical”, como boa parte daqueles que compartilham esta ideia. O “banimento”, a meu ver, não se dá. O que acontece, de fato, é uma radical e produnda mudança na abordagem do tropo “influência”, mas não a sua negação, por impossível!) deslocando a atenção para um campo mais abrangente o qual se rompe com as fronteiras culturais. (Outra “radicalidade”. Não acredito neste “rompimento”. Trata-se, a meu ver, muito mais, de uma modificação profunda e operacional de conceitos… mais uma vez…)

      2) Após a leitura do texto entendo que as fronteiras culturais se referem tanto para textos nacionais quanto para internacionais. O comparativismo tem o intuito de rever o texto literário, ele sendo nacional ou de outro país. (“Rever o texto literário”? Como assim? Não entendi. O que voc6e qer mesmo dizer com isso?)

  4. 1. A Teoria da Literatura vai ser estruturada como disciplina e introduz uma ruptura com os estudos comparatistas tradicionais. Isso implica na proposição de um estudo da Literatura Comparada de uma leitura mais profunda do texto levando em consideração elementos que não tinham importância anteriormente. O contextualismo deixa de ter importância e passa a se estudar a relação entre a literatura e a vida cultural dentre outras artes.

    2. As fronteiras culturais a qual o texto se refere, está ligada aos primórdios da Literatura Comparada extremamente ligada ao nacionalismo que era uma das bases para as análises literárias.

    1. 1. A Teoria da Literatura vai (Ainda vai ser ou já foi?) ser estruturada como disciplina e introduz uma ruptura com os estudos comparatistas tradicionais. (Penso que a ordem inversa do que você disse é, de fato, o que ocorre!) Isso implica na proposição de um estudo da em Literatura Comparada de a partir de uma leitura mais profunda do texto levando em consideração elementos que não tinham importância anteriormente. (Não se trata de não ter “importância anteriormente”. Na verdade, a “importância” permanece alguma, ainda que relativamente. O que ocorre é que as perspectivas de abordagem é que mudam e a operacionalização metodológica dos conceitos é que “sofrem” nova configuração/porientação!) O contextualismo deixa de ter importância e passa a se estudar a relação entre a literatura e a vida cultural dentre outras artes. (A sua afirmativa diz a mesma coisa duas vezes! O contextualismo, enquanto “ênfase” é que tem mudada a sua relevância, aliás, não mudada efetivamente, mas modulada metodologicamente: começa a operar com novas configurações!)

      2. As fronteiras culturais a qual o texto se refere, está estão ligadas (Cuidado com a concordância!) aos primórdios da Literatura Comparada extremamente ligadas ao nacionalismo que era uma das bases para as análises literárias. (De fato, continua sendo, mas “sob nova direção”, para blaguear o programa de televisão!)

  5. 1. A teoria da literatura e a literatura comparada são disciplinas diferentes, contudo, não dispares, pois se debruçam sobre o mesmo objeto e analisam sempre pautados em um objeto secundário. Sendo assim, tanto a comparação quanto a teoria da literatura dependem de um maior número de volumes para pautar sua análise.
    Levar em consideração as condições em que algo foi produzido, ajuda a entender qual o objetivo e os efeitos reais que um texto procura causar. o “salto” da teoria literária para a comparada se dá no momento em que as estratégias para composição de literatura são utilizadas e analisadas em seu ambiente de composição. Sendo assim, enquanto a teoria se volta para as estratégias e mecanismos utilizados para uma produção, a comparação repara não só o contexto de produção, mas todos os fatores que vão influenciar no momento da composição literária e artística em geral.
    2. Sim. o contexto ao qual cada autor se insere e produz seu texto traz influencias para a produção, por isto a preocupação da literatura comparada em analisar este meio de produção. O conceito de nacionalidade varia, mas a literatura comparada contribui para a análise desta nacionalidade comparada aos textos que se dizem da mesma nacionalidade. Portanto, pode-se considerar o conceito de nacionalidade como um dos itens para comparação, vinculando-o ao conceito de contexto

    1. 1. A teoria da literatura e a literatura comparada são disciplinas diferentes, contudo, não dispares, pois se debruçam sobre o mesmo objeto e analisam sempre pautados em um objeto secundário. Sendo assim, tanto a comparação quanto a teoria da literatura dependem de um maior número de volumes (“Volumes” de quê, exatamente?) para pautar sua análise.
      Levar em consideração as condições em que algo foi produzido, ajuda a entender qual o objetivo e os efeitos reais que um texto procura causar. (Eu perguntaria se “o texto” tem mesmo esse Impulso/objetico: “causar efeito”…) o “salto” da teoria literária para a comparada (O “salto” é, na verdade, dado pela Literatura Comparada, em relação à Teoria da Literatura) se dá no momento em que as estratégias para composição de literatura são utilizadas e analisadas em seu ambiente de composição. (Tem certeza? O que dizer dos estudos comparatistas hoje, em relação à produção literárias de todos os séculos passados?) Sendo assim, enquanto a teoria se volta para as estratégias e mecanismos utilizados para uma produção, a comparação repara não só o contexto de produção, mas todos os fatores que vão influenciar no momento da composição literária e artística em geral. (Eu não faria a “redução” da atividade teórica que voc6e implicitamente faz aqui… mas é discutível, como sempre!)
      2. Sim. o contexto ao qual cada autor se insere e produz seu texto traz influencias para a produção, por isto a preocupação da literatura comparada em analisar este meio de produção. O conceito de nacionalidade varia, mas a literatura comparada contribui para a análise desta nacionalidade comparada aos textos que se dizem da mesma nacionalidade. (Ou, de fato, do conjunto multifacetado de nacionalidades literariamente expressas…!) Portanto, pode-se considerar o conceito de nacionalidade como um dos itens para comparação, vinculando-o ao conceito de contexto. (E mais…)

  6. 1- Resposta: O “contextualismo” significa um marco de diferenciação entre os dois, porque o contextualismo surgiu no mesmo ano que a teoria da literatura foi estruturado e com isso houve uma ruptura com o comparativismo, e a literatura comparada foi atribuído para representar uma leitura mais profunda dos textos.
    2- Resposta: É porque a Literatura Comparada ao longo do tempo ampliou sua pesquisa, fazendo com que o lugar do texto literário na sociedade possa ser revisto. Sem o viés tradicional, passa-se a estudar a relação entre literatura e vida cultural, outras artes e seu público.

    1. 1- Resposta: O “contextualismo” significa um marco de diferenciação entre os dois (Dois… o quê?), porque o contextualismo surgiu no mesmo ano que a teoria da literatura (Contextualismo e Teoria da Literatura não pertencem à mesma “categoria”, logo, não se pode estabelecer paralelismo do “surgimento” de ambos. de mais a maia, Teoria da Literatura não “surgiu”, mas veio sendo elaborada ao longo dos séculos, começando com Aristóteles, na Poética.) foi estruturado (O que foi estruturado? Preste atenção à concordância verbal!) e com isso houve uma ruptura com o comparativismo (Onde é que você viu “ruputura?), e a literatura comparada foi atribuído para representar uma leitura mais profunda dos textos. (Esta oração não faz sentido, nem gramaticalmente nem no que se refere ao conteúdo da afirmativa que ela encerra. O que você quis dizer exatamente?)
      2- Resposta: É porque a Literatura Comparada, ao longo do tempo, ampliou sua pesquisa (Sua de quem? De quê?), fazendo com que o lugar do texto literário na sociedade (Tem certeza de que é o texto literário que tem “lugar” na sociedade? Não seria “a literatura”, entendida como “fenômeno” cultural?) possa ser revisto (Como assim? O texto literário “sofreu” algum tipo de revisão? Como? Quando? Onde? Por qu6e? Por quem?). Sem o viés tradicional (??????), passa-se a estudar a relação entre literatura e vida cultural, outras artes e seu público.

  7. 1 – A Literatura é considerada uma disciplina dentro do campo dos Estudos Literários, surgindo com a estruturação da Teoria da Literatura. Porém, a relação entre a Literatura Comparada e a Teoria Literária é distinta, pois a primeira precisa de um contexto para ser a fundo estudada e analisada. Enquanto a teoria carrega consigo a estruturação de um texto literário, o texto como principal ferramenta para seus estudos, a Literatura Comparada exige mais, é necessário adentrar em seu meio e pesquisar sobre as mais diversas circulações do texto literário para concluir o seu estudo.

    2 – A Literatura Comparada carrega consigo não apenas o estudo da obra como um objeto estético, mas também a sua inserção, a sua circulação, a sua forma de estar e ser no mundo. Os processos histórico, social e cultural em que a obra foi escrita ou é lida emergem muito mais em seu estudo do que propriamente a estrutura do seu texto.

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