LET 874-2

 

Prezados,

Um dos objetivos do blogue é substituir as aulas de sexta-feira no horário horroroso em que a colocaram. Logo, a frequência a esta “aula” será contada a partir da participação de vocês. Outro objetivo é fazer com que a gente DISCUTA o assunto que vai sendo colocado nas postagens. Assim, quando leio os comentários que voc6es fazem, retorno com correções e observações. O desejável é que vocês retornem estes meus comentários, para que a discussão se estabeleça e dúvidas sejam dirimidas, esclarecimentos feitos e estudos se aprofundem. Então, mãos à obra! Não se acanhem! Escrevam o quanto desejarem e/ou necessitarem! Bom final de semana. Segue a postagem para hoje! Bom trabalho!

 

A Questão Coimbrã

O primeiro sinal da renovação literária e ideológica que acabámos de indicar foi dado na Questão Coimbrã, onde se defrontaram os defensores do status quo literário e um grupo de jovens escritores estudantes em Coimbra, mais ou menos entusiasmados pelas leituras e correntes indicadas.

Castilho – aliás um pouco incongruentemente – tornara-se em uma espécie de padrinho oficial de escritores mais novos, tais como Ernesto Biester, Tomás Ribeiro ou Pinheiro Chagas. Como já vimos, constelou-se à sua volta um grupo de admiradores e protegidos (“escola do elogio mútuo”, dirá Antero), em que o academismo e o formalismo anódino das produções literárias correspondiam coerentemente à hipocrisia das relações humanas, e em que toda a audácia tendia a neutralizar-se. Este grupo trava diversas escaramuças defensivas desde 1862, e sobretudo em 1864-65.

Em 1865, solicitado a apadrinhar com um posfácio o Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, Castilho aproveitou a ocasião para, sob a forma de uma Carta ao editor António Maria Pereira, inculcar o poeta apadrinhado como candidato mais idóneo à cadeira de Literaturas Modernas no Curso Superior de Letras, e censurar um grupo de jovens de Coimbra, acusando-os de exibicionismo livresco, de obscuridade propositada e de tratarem temas que nada tinham que ver com a poesia. Os escritores mencionados eram Teófilo Braga, autor dos poemas Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras (futuro candidato a essa cadeira de Literatura); Antero de Quental, que então publicara as Odes Modernas ; e um jovem e verboso deputado, Vieira de Castro, o único aliás que Castilho excetuava da sua ridicularização, um tanto eufemística, da “escola coimbrã”. O desencadeamento da Questão só se compreende se o relacionarmos com uma série de antecedentes que vêm desde a crítica à Conversação Preambular elogiativa do D. Jaime por Castilho, feita em artigos de Ramalho Ortigão, Pereira de Castro e João de Deus, até uma leitura dos poemas, ainda então inéditos, de Antero e Teófilo a Castilho, que os acolheu com hiperbólica ironia, e, finalmente, até escaramuças jornalísticas entre Pinheiro Chagas, crítico dos “coimbrões”, e Germano Meireles, seu apologeta.

Antero de Quental respondeu numa carta aberta a Castilho, que saiu em folheto: Bom Senso e Bom Gosto . Nela defendia a independência dos jovens escritores; apontava a gravidade da missão dos poetas na época de grandes transformações em curso, a necessidade de eles serem os arautos do pensamento revolucionário e os representantes do “Ideal”: metia a ridículo a futilidade, a insignificância e o provincianismo da poesia de Castilho. O que sobressai destes textos de Antero é a constante invocação da integridade moral-social. Pouco depois Teófilo Braga solidarizava-se com Antero no folheto Teocracias Literárias, 1866. Entretanto, Antero desenvolvia as ideias já expostas na Carta a Castilho com o folheto A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, 1865; aí, em termos aliás muito idealistas, reivindicava uma literatura militante dirigida à “Nação verdadeira […] três milhões de homens que trabalham, suam, produzem”, terminando, em apêndice, por uma extensa apreciação da obra de Castilho, redigida em termos que ostentam, e em geral atingem, uma séria ponderação.

Castilho não reagiu publicamente; mas conseguiu a intervenção de amigos seus. Nas intervenções de uma parte e de outra, o problema central levantado por Antero ficou apagado por considerações pessoalistas, mostrando-se alguns dos polemistas impressionados com a irreverência dos jovens em relação aos mestres, sobretudo com a brutalidade das alusões de Antero e de Teófilo à idade e à cegueira física de Castilho. Foi o caso de um folhetinista eclético, Ramalho Ortigão, num opúsculo intitulado A Literatura de Hoje, 1866, que deu lugar a um duelo do autor com Antero. Camilo Castelo Branco interveio de forma ambígua, a pedido de Castilho, com o opúsculo Vaidades Irritadas e Irritantes, 1866. Na realidade, pouco se acrescentou aos dois folhetos de Antero durante os meses que a polémica durou ainda. No entanto um ou dois textos são interessantes pelas suas considerações de ordem estética. Nela intervieram, além de muitos outros (alguns solicitados por Castilho), M. Pinheiro Chagas, Júlio de Castilho, Teixeira de Vasconcelos, José Feliciano de Castilho e Brito Aranha.

Na sua opinião, a “questão” é matéria externa aos estudos literários ou não? Justifique. Em qualquer dos casos, é possível encontrar no poema abaixo alguma ideia que se relacione com o conteúdo do texto (acima) sobre a questão Coimbrã? Caso seja possível, aponte e comente pelo menos duas delas! Segue o poema:

Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo

tronco ou ramo na incógnita floresta…

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

O, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso paúl, glauco pascigo…

Hoje sou homem, e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro

E aspiro unicamente à liberdade.

(Antero de Quental, in “Sonetos”)

 

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31 comentários sobre “LET 874-2

  1. Na minha opinião, a “Questão Coimbrã” não é externa aos estudos literários, fato é que este movimento representou um marco na literatura portuguesa, que como dito anteriormente, foi conhecida também como “Questão do Bom Senso e Bom Gosto.”

    De acordo com o livro “História Crítica da Literatura Portuguesa”, podemos caraterizar o poema; primeiro, como algo que trouxe ‘afirmações doutrinárias’ que constituiam algo de ‘novo’ para a época e o seu principal objetivo era ‘arrastar reações decisivas’.

    Segundo, ‘a missão revolucionária da poesia’, era, de acordo com Antero de Quental, contribuir para a ‘reconstrução do mundo humano sobre as bases eternas da Justiça, da Razão e da Verdade, com exclusão dos Reis e dos Governos tirãnicos, dos Deuses e das Religiões inúteis e ilusórias.”

    1. Na minha opinião, a “Questão Coimbrã” não é externa aos estudos literários, fato é que este movimento representou um marco na Literatura Portuguesa que, como dito anteriormente, foi conhecida também como “Questão do Bom Senso e Bom Gosto.”

      De acordo com o livro “História Crítica da Literatura Portuguesa”, podemos caraterizar o poema; primeiro, como algo que trouxe ‘afirmações doutrinárias’ que constituiam algo de ‘novo’ para a época e o seu principal objetivo era ‘arrastar reações decisivas’.

      Segundo, ‘a missão revolucionária da poesia’, era, de acordo com Antero de Quental, contribuir para a ‘reconstrução do mundo humano sobre as bases eternas da Justiça, da Razão e da Verdade, com exclusão dos Reis e dos Governos tirãnicos, dos Deuses e das Religiões inúteis e ilusórias.” (Bom!)

  2. – Não, creio que a questão Coimbrã não seja externa aos estudos literários, uma vez que se tratou de um confronto literário entre os ultrarromânticos e os jovens estudantes de Coimbra – que defendiam uma concepção empenhada nos problemas de ordem social, politica e cultural, que por sua vez deveriam ser temas centrais do escritor. Considerada como uma revolução a partir do “Bom senso e Bom gosto”, culminou com a sobrelevação dos ideais preconizados pela Geração de 1870,provocando uma renovação cultural. Essas mudanças no paradigma da literatura romanesca portuguesa elevou o papel de intervenção social que a mesma deveria assumir frente ao contexto que Portugal se encontrava, impulsionando a afirmação do realismo, mas ainda sim com características românticas.
    – Sim, podemos perceber a influência das ideias contidas no texto nos trechos:
    1º – Hoje sou homem, e na sombra enorme/Vejo, a meus pés, a escada multiforme,/Que desce, em espirais, da imensidade…
    Neste trecho é possível perceber como se dá a evolução do homem, neste caso a de Quental, que se vê no topo de uma escada após subir degraus, é a evolução a constituição de um novo pensamento, de novas ideias. É como se se afastasse daqueles que não compactuavam com as ideias (novas) que ele e seus companheiros propunham.
    2º – Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo/tronco ou ramo na incógnita floresta…
    Neste trecho, quando Quental diz que “fui no mundo antigo”, ele quebra com as ideias apresentadas pelos ultrarromânticos, que exaltavam Portugal pelo que um dia havia sido. A realidade já era outra, era preciso lutar, buscar uma nova colocação para a nação portuguesa. Para Quental, Portugal havia sido um ramo ou um tronco, mas que havia evoluído para uma tenra floresta, a floresta indica a força que a nação conseguiu ao longo dos anos, e era isso que deveria ser apresentado nos poemas.

    1. – Não, creio que a questão Coimbrã não seja externa aos estudos literários, uma vez que se tratou de um confronto literário entre os ultrarromânticos e os jovens estudantes de Coimbra – que defendiam uma concepção empenhada nos problemas de ordem social, politica e cultural, que por sua vez deveriam ser temas centrais do escritor. Considerada como uma revolução a partir do “Bom senso e Bom gosto”, culminou com a sobrelevação dos ideais preconizados pela Geração de 1870,provocando uma renovação cultural. Essas mudanças no paradigma da literatura romanesca romântica portuguesa elevou o papel de intervenção social que a mesma deveria assumir frente ao contexto que Portugal se encontrava, impulsionando a afirmação do realismo, mas ainda sim com características românticas.
      – Sim, podemos perceber a influência das ideias contidas no texto nos trechos:
      1º – “Hoje sou homem, e na sombra enorme/Vejo, a meus pés, a escada multiforme,/Que desce, em espirais, da imensidade…”
      Neste trecho é possível perceber como se dá a evolução do homem, neste caso a de Quental, que se vê no topo de uma escada após subir degraus, é a evolução a constituição de um novo pensamento, de novas ideias. É como se se afastasse daqueles que não compactuavam com as ideias (novas) que ele e seus companheiros propunham.
      2º – “Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo/tronco ou ramo na incógnita floresta…”
      Neste trecho, quando Quental diz que “fui no mundo antigo”, ele quebra com as ideias apresentadas pelos ultrarromânticos, que exaltavam Portugal pelo que um dia havia sido. A realidade já era outra, era preciso lutar, buscar uma nova colocação para a nação portuguesa. Para Quental, Portugal havia sido um ramo ou um tronco, mas que havia evoluído para uma tenra floresta, a floresta indica a força que a nação conseguiu ao longo dos anos, e era isso que deveria ser apresentado nos poemas.

  3. Não. A questão coimbrã foi à primeira manifestação literária ocorrida em Portugal por intermédio de um grupo de jovens escritores, que mais tarde seriam conhecidos como geração de 70, a “questão” movimentou não foi só o campo literário, mas também o campo político, histórico e filosófico. Portanto a questão coimbrã não deve ser vista como matéria externa aos estudos literários já que, partindo dos ideais de uma “nova” literatura proposta pela geração de 70, podemos ousar em dizer que esta propiciou a introdução do Realismo em Portugal, ou mesmo que foi um marco determinante que separou os autênticos românticos dos ultra-românticos, caracterizando uma nova fase da literatura portuguesa.
    Sim. Podemos observar na primeira estrofe do poema uma possível referência a questão coimbrã, onde o autor inicia seu poema aludindo uma situação de comparação ao tempo que estava sendo apenas mais um escritor entre muitos outros , numa incógnita floresta.
    Vejamos:
    ” Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
    tronco ou ramo na incógnita floresta…

    1. Não. A questão coimbrã foi à primeira uma manifestação literária ocorrida em Portugal por intermédio de um grupo de jovens escritores, que mais tarde seriam conhecidos como geração de 70. A “questão” movimentou não foi só o campo literário, mas também o campo político, histórico e filosófico. Portanto, a questão coimbrã não deve ser vista como matéria externa aos estudos literários já que, partindo dos ideais de uma “nova” literatura proposta pela geração de 70, podemos ousar em dizer que esta propiciou a introdução do Realismo em Portugal, ou mesmo que foi um marco determinante que separou os autênticos românticos dos ultrarromânticos, caracterizando uma nova fase da Literatura Portuguesa.
      Sim. Podemos observar na primeira estrofe do poema uma possível referência a questão coimbrã, onde o autor inicia seu poema aludindo uma situação de comparação ao tempo que estava sendo apenas mais um escritor entre muitos outros , numa incógnita floresta.
      Vejamos:
      ” Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
      tronco ou ramo na incógnita floresta…”

  4. A “Questão Coimbrã” não é externa aos estudos literários, mas sim importante para que se entenda a literatura portuguesa naquele dado momento (por volta dos anos de 1962-1965). Eu me arriscaria a dizer que a “Questão Coimbrã” está para Portugal, como o impacto do “Modernismo” está para o Brasil. Ideias e ideais de jovens cultos e politizados dispostos a provocarem mudanças (principalmente culturais) na sociedade em que vivem, são interpretados pelos puristas e conservadores como violação da tradição e do bom gosto.

    1. Ao escrever a data cometi o grave de escrever 1962-1965. Na verdade, seria 1862-1865. Quando percebi, já havia enviado meu comentário. Desculpem-me pelo lapso.

      1. Mas está difícil pra mim heim? Esqueci a palavra “equívoco” após a palavra “grave”, no post anterior… Desculpem-me…

    2. A “Questão Coimbrã” não é externa aos estudos literários, mas sim importante para que se entenda a Literatura Portuguesa naquele dado momento (por volta dos anos de 1962-1965) (Você cometeu um equívoco cronológico aqui!). Eu me arriscaria a dizer que a “Questão Coimbrã” está para Portugal, como o impacto do “Modernismo” está para o Brasil. (Há controvérsias, ainda que o argumento eja plausível e demande discussão!) Ideias e ideais de jovens cultos e politizados dispostos a provocarem mudanças (principalmente culturais) na sociedade em que vivem, são interpretados pelos puristas e conservadores como violação da tradição e do bom gosto.

  5. Acredito que no poema, ao falar em liberdade, o autor possa estar se referindo ao fato de ter liberdade ao escrever, não precisar seguir modelos previamente definidos. Além disso, ao falar do “mundo antigo”, ele pode estar se referindo à velha maneira de escrever e seus temas: “Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
    tronco ou ramo na incógnita floresta…”
    Associei o fato da palavra “Fui” está em maiúscula à uma possível referência do eu poético com esses temas.

    1. Acredito que no poema, ao falar em liberdade, o autor possa estar se referindo ao fato de ter liberdade ao escrever, não precisar seguir modelos previamente definidos. Além disso, ao falar do “mundo antigo”, ele pode estar se referindo à velha maneira de escrever e seus temas:
      “Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
      tronco ou ramo na incógnita floresta…”
      Associei o fato da palavra “Fui” está em maiúscula à uma possível referência do eu poético com esses temas.
      (Por que, mais uma vez, respondeu em comentário separado?)

  6. Sim. Percebe-se que há um aparente duelo de ‘egos’, intrigante e conflituoso e que resulta num enriquecimento literário que só tem a acrescentar no que conhecemos hoje de Literatura Portuguesa. A inclusão de ideias novas, suas defesas ideológicas e discussões entre escritores e críticos contribuíram para esse enriquecimento e empoderamento da forma literária, bem como a visão portuguesa em relação à cultura europeia.

    O poema apresentado traz algumas marcas desse enriquecimento e reafirma questões apresentadas acima. No trecho inicial: /Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo/ tronco ou ramo na incógnita floresta…/Onda, espumei, quebrando-me na aresta/Do granito, antiquíssimo inimigo…/ Antero de Quental destaca a força dura e rigidez impenetrável na forma literária de Portugal. Uma forma que obedecia as regras e via com maus olhos produções que, apesar de belas e de prestigiosas entre leitores, não conseguia reconhecimento entre os ditos ‘prestigiosos’. Assim mesmo continuou sua produção literária.

    Apesar de seu reconhecimento tardio, Quental, que orgulhava de suas produções e tinha a consciência de seu grande potencial literário, deixou a marca do seu ‘ego’ presente nesse poema, veja: /Hoje sou homem, e na sombra enorme/ Vejo, a meus pés, a escada multiforme,/ Que desce, em espirais, da imensidade…/ Não era preciso duelar para deixar sua marca na Literatura Portuguesa. Ela já existia! Embora de início, passível de apontamentos recalcados, Quental deixou uma vasta obra que ganhou seu respeito merecido.

    1. Sim. Percebe-se que há um aparente duelo de ‘egos’,(Como assim?) intrigante e conflituoso e que resulta num enriquecimento literário que só tem a acrescentar no que conhecemos hoje de Literatura Portuguesa. A inclusão de ideias novas, suas defesas ideológicas e discussões entre escritores e críticos contribuíram para esse enriquecimento e empoderamento da forma literária, bem como a visão portuguesa em relação à cultura europeia. (Bom!)

      O poema apresentado traz algumas marcas desse enriquecimento e reafirma questões apresentadas acima. No trecho inicial: “/Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo/ tronco ou ramo na incógnita floresta…/Onda, espumei, quebrando-me na aresta/Do granito, antiquíssimo inimigo…/” Antero de Quental destaca a força dura e rigidez impenetrável na forma literária de Portugal. Uma forma que obedecia as regras e via com maus olhos produções que, apesar de belas e de prestigiosas entre leitores, não conseguia reconhecimento entre os ditos ‘prestigiosos’. Assim mesmo continuou sua produção literária.

      Apesar de seu reconhecimento tardio, Quental, que orgulhava de suas produções e tinha a consciência de seu grande potencial literário, deixou a marca do seu ‘ego’ presente nesse poema, veja: “/Hoje sou homem, e na sombra enorme/ Vejo, a meus pés, a escada multiforme,/ Que desce, em espirais, da imensidade…/” Não era preciso duelar para deixar sua marca na Literatura Portuguesa. Ela já existia! Embora, de início, passível de apontamentos recalcados, (Como assim?) Quental deixou uma vasta obra que ganhou seu respeito merecido.

      1. Isso mesmo. Um bando de recalcados q, para apagar a figura e a obra de um belíssimo escritor, culpam-no de literatura desformada e por isso, “desprestigiosa”, rs.
        A literatura de Quental destaca, dentre outras ideias, aquilo que leitores cultos procuram (e ainda procuram), gostam e têm prazer de ler. Seu modo tido “transgressor” é o que diferencia e evidencia suas produções. Autores recalcados e tidos como “puritanos literários” SAPATIAVAM (rsrs…) em ver que, por mais que tentassem apagar e menosprezar a obra de Quental, a grande massa popular da sociedade exaltava-o e permitia que sua literatura “desformada” adentrassem seus olhos e enchessem suas vidas de momentos de gozo e prazer de leitura. Enlouqueci! rsrs..

      2. Isso mesmo. Um bando de recalcados que, para apagar a figura e a obra de um belíssimo escritor, culpam-no de literatura deformada e, por isso, “desprestigiosa”, rs.
        A literatura de Quental destaca, dentre outras ideias, aquilo que leitores cultos procuram (e ainda procuram), gostam e têm prazer de ler. Seu modo tido como “transgressor” é o que diferencia e evidencia suas produções. Autores recalcados e tidos como “puritanos literários” SAPATEAVAM (rsrs…) em ver que, por mais que tentassem apagar e menosprezar a obra de Quental, a grande massa popular da sociedade exaltava-o e permitia que sua literatura “desformada” adentrassem seus olhos e enchessem suas vidas de momentos de gozo e prazer de leitura. Enlouqueci! rsrs..(Uma dose de loucura, vez em quando, não faz mal…)

  7. A “questão” não é matéria externa aos estudos literários, mas pode ser considerada como de grande importancia para os estudos literários, por que foi a primeira manifestação literária que ocorreu no século XIX em Portugal e intermediada por um grupo de jovens escritores que mais tarde foram conhecidos como a geração de 70. Essa manifestação movimentou além do campo literário, o campo político, histórico e filosófico. Penso que essa manifestação não deve ser considerada como matéria externa, pois pode- se observar que ela iniciou o Realismo em Portugal.

    Associo minha resposta com os versos:

    “Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
    tronco ou ramo na incógnita floresta…
    Onda, espumei, quebrando-me na aresta
    Do granito, antiquíssimo inimigo…”

    1. A “questão” não é matéria externa aos estudos literários, mas pode ser considerada como de grande importância para os estudos literários, por que foi a primeira manifestação literária (Tem certeza disso? E os séculos anteriores da História da Literatura Portuguesa… não guardam nada?) que que ocorreu no século XIX em Portugal e intermediada por um grupo de jovens escritores que mais tarde foram conhecidos como a geração de 70. Essa manifestação movimentou além do campo literário, o campo político, histórico e filosófico. Penso que essa manifestação não deve ser considerada como matéria externa, pois pode- se observar que ela iniciou o Realismo em Portugal.

      Associo minha resposta com os versos:

      “Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
      tronco ou ramo na incógnita floresta…
      Onda, espumei, quebrando-me na aresta
      Do granito, antiquíssimo inimigo…” (Poderia ter comentado a “associação” que você faz…)

  8. Acredito que não, pois foi uma importante manifestação literária ocorrida em Portugal. Foi desencadeada por um grupo de jovens intelectuais que vinham reagindo contra a degenerescência romântica e o atraso cultural do país, a este conjunto de jovens escritores deu-se o nome de Geração de 70.
    Embora de origem literária, a Questão Coimbrã estendeu-se a outras áreas como a cultura, a política e a filosofia. Também conhecida como a Questão do Bom Senso e Bom Gosto, espalhou-se de forma explosiva em cartas, crônicas e artigos de imprensa, opúsculos, folhetins, poesias e textos satíricos.
    Sim, podemos relacionar as ideias do texto com poema, vejamos:
    “Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
    Ramo ou trinco na incógnita floresta…”
    Nestes versos percebemos que, Antero de Quental diz que por “Evolução” entende um processo que aspira à liberdade e que a rocha está numa floresta desconhecida e que é privada dessa liberdade. Nestes versos ele faz uma referência ao passado, que com a Evolução ficou para trás e que, possivelmente, podemos associar a Questão Coimbrã.

    1. Acredito que não, pois foi uma importante manifestação literária ocorrida em Portugal. Foi desencadeada por um grupo de jovens intelectuais que vinham reagindo contra a degenerescência romântica e o atraso cultural do país, a este conjunto de jovens escritores deu-se o nome de “Geração de 70”.
      Embora de origem literária (Não sei se cabe considerar a “origem” da “questão” como sendo “literária. Numa visada mais ampla a afrmação é discutível!), a Questão Coimbrã estendeu-se a outras áreas como a cultura, a política e a filosofia. Também conhecida como a “Questão do Bom Senso e Bom Gosto”, espalhou-se de forma explosiva em cartas, crônicas e artigos de imprensa, opúsculos, folhetins, poesias e textos satíricos.
      Sim, podemos relacionar as ideias do texto com poema, vejamos:
      “Evolução Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
      Ramo ou trinco na incógnita floresta…”
      Nestes versos, percebemos que, Antero de Quental diz que por “Evolução” entende um processo que aspira à liberdade e que a rocha está numa floresta desconhecida e que é privada dessa liberdade. Nestes versos, ele faz uma referência ao passado que, com a Evolução, ficou para trás e que, possivelmente, podemos associar a Questão Coimbrã. (Este final ficou um tanto… vago!)

  9. Obviamente, não é uma questão externa aos estudos literários. Ao meu ver é um choque de vanguarda! Como muitos que vemos por aí. Me remeteu diretamente a polêmica mencionada em aula entre M. Lobato e os Modernistas. Ao meu ver essa picuinha é interessante na medida em que retornamos à grande pergunta: O que é Literatura? É dessa pergunta existencial, axiomática, e obrigatoriamente ligada ao sentido da arte e às grands perguntas que o ser humano se faz pelas vias da existência. Tentando não cair no meu vicioso brainstorming, penso que refletir sobre essa questão pode nos favorecer grandes e preciosos insights sobre o momento de criação literária, e sobre que forças, e de que natureza elas são endocêntricas ou exocêntricas ao processo, e sua motivação psicológica. Ora, a questão citada tem lá a sua parcela de embate entre egos. E longe de condenar toda essa matéria a um divã póstumo, temos que reconhecer o legado de literatices que ela nos fornece. O poema em questão pode ser lido como um eco ao Dialeto dos Fragmentos de Schlegel, mais especificamente, como uma invocação da questão da poesia univeral progressiva.

    1. Obviamente, não é uma questão externa aos estudos literários. Ao meu ver, é um choque de vanguarda! Como muitos que vemos por aí. Me remeteu (Para ser correto e não purista, corrijo a oração. Pode parecer pedante, mas é apenas correto!) Remeteu-me diretamente à polêmica mencionada em aula entre M. Lobato e os Modernistas. Ao meu ver, essa picuinha é interessante na medida em que retornamos à grande pergunta: O que é Literatura? É dessa pergunta existencial, axiomática, e obrigatoriamente ligada ao sentido da arte e às grandes perguntas que o ser humano se faz pelas vias da existência. (Este período me parece incompleto em sua assertiva!) Tentando não cair no meu vicioso brain storming, penso que refletir sobre essa questão pode nos favorecer grandes e preciosos insights sobre o momento de criação literária, e sobre que forças, e de que natureza elas são endocêntricas ou exocêntricas ao processo, e sua motivação psicológica. Ora, a questão citada tem lá a sua parcela de embate entre egos. E longe de condenar toda essa matéria a um divã póstumo, temos que reconhecer o legado de literatices que ela nos fornece. (Muito bom!) O poema em questão pode ser lido como um eco ao Dialeto dos Fragmentos, de Schlegel, mais especificamente, como uma invocação da questão da poesia univeral progressiva. (Confesso: não conheço o tal “dialeto”!)

  10. A questão Coimbrã se faz necessária no estudo da Literatura pois nos permite a visão de um novo panorâma histórico, um momento singular para o advento do Realismo e o ponto crítico para a análise do Clássico (no ponto de vista de Antero, o fim do Academicismo burocrático). Creio que a principal função dos textos que abrangem esse assunto, ênfase à “História Crítica da Literatura Portuguesa”, seja mostrar a importância de ambas as partes (Castilho x Antero) para o surgimento de um novo tempo e por consequencia evitar o anacronismo no estudo Literário. Digo isso porque mesmo que pareçam forças antagonicas, os dois autores já citados atilizaram-se teoricamente um do outro para suas formações ideológicas. No caso de Castilho, mesmo que não diretamente, a Crítica de Antero com certeza modificou seu discurso ou posição. Infelizmente não vejo outra forma de explicar isso sem citar a Dialética (tese x antitese = síntese) podendo até utilizá-la de maneira Marxista, pois há uma grande questão Política (derivada da Revolução Francesa) subjetivamente impregnada nas correntes Literárias Artísticas.

    “E aspiro unicamente à liberdade”. (Antero de Quental, in “Sonetos”)
    Expressa a liberdade da poesia em relação ao Clássico e tudo que se refere a isso – liberdade acadêmica, liberdade da academia, da burocratização institucional, da métrica e dos estilos impostos sobre a Arte- etc..
    Assim como, para mim: ”[…] Interrogo infinito e às vezes choro…” também se relaciona à liberdade da poesia, mas em relação ao seu conteúdo-tema e também garante a utilização da filosofia na mesma (aquela que Castilho assumiu não compreender por ser vasta e complexa).

  11. Não é questão aos estudos literários. até mesmo porquê a questão coimbrã , inicia o esprito contemporâneo nas letras portuguesas. E com ela entra em conflito aberto o novo espirito cientifico europeu e velho sentimentalismo , domesticado do ultra romantismo vernáculo. O novo lirismo que aparecia , social, humanitário e critico , não se alçava apenas contra a Urania do gosto literário vigente, exercida por castilho. Mas de modo mais visto, contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e seus satélites literários simbolizavam .

    quanto ao trecho abaixo de Antero , podemos relacionar uma passagem da questão coimbrã, porque esta ligada a liberdade, que inspira no conceito de Hegel , apenas para afirmar a liberdade como apego ao mundo espiritual , impulso de finalidade do universo.

    Interrogo o infinito e às vezes choro…

    Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro

    E aspiro unicamente à liberdade.

    1. Não é questão aos estudos literários. (??????) até mesmo porquê a “Questão Coimbrã” inicia o espírito contemporâneo (Não seria realista? Veja que “contemporâneo” é termo de ampla sentido e sempre se articula ao “tempo” de quem o usa e/ou sobre quem se fala. Logo, há que determinar nitidamente este “período” referencial, caso contrário, a expressão se perde na sua vaguidão!) nas letras portuguesas. E com ela entra em conflito aberto o novo espirito cientifico europeu e velho sentimentalismo, domesticado do ultra romantismo vernáculo. (Esta oração ficou desarticulada) O novo lirismo que aparecia, social, humanitário e crítico, não se alçava apenas contra a Urania do gosto literário vigente, exercida por Castilho. Mas de modo mais visto, contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e seus satélites literários simbolizavam. (Outra oração perdida, isolada, quebrando o sentido da “argumentação”…)

  12. A questão Coimbrã se faz necessária no estudo da Literatura pois nos permite a visão de um novo panorama histórico, um momento singular para o advento do Realismo e o ponto crítico para a análise do Clássico (no ponto de vista de Antero, o fim do Academicismo burocrático). Creio que a principal função dos textos que abrangem esse assunto, ênfase à “História Crítica da Literatura Portuguesa”, seja mostrar a importância de ambas as partes (Castilho x Antero) para o surgimento de um novo tempo e por consequência evitar o anacronismo no estudo Literário. Digo isso porque mesmo que pareçam forças antagônicas, os dois autores já citados utilizaram-se teoricamente um do outro para suas formações ideológicas. No caso de Castilho, mesmo que não diretamente, a Crítica de Antero com certeza modificou seu discurso ou posição. Infelizmente não vejo outra forma de explicar isso sem citar a Dialética (tese x antítese = síntese) podendo até utilizá-la de maneira Marxista, pois há uma grande questão Política (derivada da Revolução Francesa) subjetivamente impregnada nas correntes Literárias Artísticas.

    “E aspiro unicamente à liberdade”. (Antero de Quental, in “Sonetos”)
    Expressa a liberdade da poesia em relação ao Clássico e tudo que se refere a isso – liberdade acadêmica, liberdade da academia, da burocratização institucional, da métrica e dos estilos impostos sobre a Arte- etc..
    Assim como, para mim: ”[…] Interrogo infinito e às vezes choro…” também se relaciona à liberdade da poesia, mas em relação ao seu conteúdo-tema e também garante a utilização da filosofia na mesma (aquela que Castilho assumiu não compreender por ser vasta e complexa).

    1. A questão Coimbrã se faz necessária no estudo da Literatura pois nos permite a visão de um novo panorâma histórico, um momento singular para o advento do Realismo e o ponto crítico para a análise do Clássico (no ponto de vista de Antero, o fim do Academicismo burocrático). Creio que a principal função dos textos que abrangem esse assunto, ênfase à “História Crítica da Literatura Portuguesa”, seja mostrar a importância de ambas as partes (Castilho x Antero) para o surgimento de um novo tempo e, por consequência, evitar o anacronismo no estudo Literário. Digo isso porque, mesmo que pareçam forças antagônicas, os dois autores já citados utilizaram-se teoricamente um do outro para suas formações ideológicas. No caso de Castilho, mesmo que não diretamente, a Crítica de Antero com certeza modificou seu discurso ou posição. Infelizmente, não vejo outra forma de explicar isso sem citar a Dialética (tese x antitese = síntese) podendo até utilizá-la de maneira Marxista, pois há uma grande questão Política (derivada da Revolução Francesa) subjetivamente impregnada nas correntes Literárias Artísticas. (Interessante…)

      “E aspiro unicamente à liberdade”. (Antero de Quental, in “Sonetos”)
      Expressa a liberdade da poesia em relação ao Clássico e tudo que se refere a isso – liberdade acadêmica, liberdade da academia, da burocratização institucional, da métrica e dos estilos impostos sobre a Arte- etc..
      Assim como, para mim: ”[…] Interrogo infinito e às vezes choro…” também se relaciona à liberdade da poesia, mas em relação ao seu conteúdo-tema e também garante a utilização da filosofia na mesma (aquela que Castilho assumiu não compreender por ser vasta e complexa).

  13. Não, pois a questão coimbrã não deve ser vista como matéria externa aos estudos literários já que, partindo dos ideais de uma “nova” literatura proposta pela geração de 70, podemos em dizer que esta propiciou a introdução do Realismo em Portugal, ou mesmo que foi um marco determinante que separou os autênticos românticos dos ultra-românticos, caracterizando uma nova fase da literatura portuguesa.

    1. Não, pois a Questão coimbrã não deve ser vista como matéria externa aos estudos literários já que, partindo dos ideais de uma “nova” literatura, proposta pela geração de 70, podemos em dizer que esta propiciou a introdução do Realismo em Portugal, ou mesmo, que foi um marco determinante que separou os autênticos românticos dos ultra-românticos, caracterizando uma nova fase da Literatura Portuguesa. (Comentário por demais sintético, pecando pela superficialidade e por estar muito “colado” a ideias muito generalizadas, não caracterizando posicionamento pessoal – o mais desejado…)

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