LET 874 – 4

Tomo de empréstimo, hoje, parte de uma postagem que encontrei na “rede” (http://professorazildafreitas.wordpress.com), que considerei interessante. Com ela, proponho que você se posicione quanto à seguinte questão:

 

O trecho da carta de Eça a Ramalho Ortigão e a citação de um trecho de A relíquia, é possível dizer que a ironia é instrumento utilizado por Eça na composição de um “quadro”, ao mesmo tempo, “real” e “irônico”, da sociedade portuguesa, principalmente no que diz respeito a um de seus traços marcantes, exatamente aquele que aponta para a forte presença da religiosidade em seus modus operandi? Justifique a sua resposta!

 

Boa leitura, bom trabalho e bom final de semana!

 

“Formalmente apresentada por Eça de Queirós ao leitor, no início da narrativa a personagem Teodorico é ainda um menino, que vai evoluindo à medida que a narrativa se desenvolve, até culminar com sua transformação em Raposão. Sua caracterização como personagem principal do romance é direta e dela o leitor tudo conhece, tanto das características físicas (por exemplo, sua barba viril) até seus pensamentos mais pecaminosos diante do corpo nu das personagens femininas. Com Teodorico, o foco narrativo se move de Portugal para a Terra Santa. Permite assim o ficcionista que Teodorico seja acompanhado pelo leitor em sua viagem à Terra Santa, em um deslocamento espacial (de Lisboa para Jerusalém). Entretanto, também há um deslocamento temporal em A relíquia: de modo fantástico, Teodorico retorno ao período histórico em que teria vivido Jesus.

Sobre seu processo criativo de elaboração de textos literários, escreve Eça de Queirós em uma carta a Ramalho Ortigão:

“Para escrever qualquer página, qualquer linha, tenho de fazer dois violentos esforços: desprender-me inteiramente da impressão que me dá a sociedade que me cerca e evocar, por um retesamento da reminiscência, a sociedade que está longe. Isto faz com que os meus personagens sejam cada vez menos portugueses – sem por isso serem ingleses: começaram a ser convencionais, vão-se tornando uma maneira. (…) De modo que estou nesta crise intelectual: ou tenho de me reconhecer ao meio onde posso produzir, por processo experimental – isto é, ir para Portugal -, ou tenho de me entregar à literatura puramente fantasista ou humorista. “(Queirós, E. 1976:75)

Ironiza o autor sobre a evocação de suas lembranças de Portugal e suas impressões sobre a sociedade portuguesa que conheceu. Poucos autores realistas souberam registrar tão bem as mazelas sociais e a hipocrisia religiosa em suas obras, como o fez Eça de Queirós. A personagem Teodorico Raposo, de A relíquia, representa o individualismo dos homens portugueses daquele período, ao buscar prazeres hedonistas e rejeitar os valores sociais e as tradições religiosas. O que torna A relíquia um romance único e vital para a compreensão das teses realistas é a habilidade de Eça em unir a ironia refinada ao anticlericalismo, sem a abulia da personagem Amaro, do romance queirosiano O Crime do Padre Amaro. Enquanto Amaro assiste a tudo sem reação, Teodorico é uma personagem que questiona, relata e age:

“E à porta do sepulcro de Cristo, onde a titi me recomendara que entrasse de rastros, gemendo e rezando a coroa – tive de esmurrar um malandrão de barbas de ermita, que se dependurara na minha rabona, faminto, rábido, ganindo que lhe comprássemos boquilhas feitas de um pedaço da arca de Noé! – Irra, caramba, larga-me animal! E foi assim, praguejando, que me precipitei, com o guarda-chuva a pingar, dentro do santuário sublime onde a Cristandade guarda o túmulo do seu Cristo.” (Queirós, E., 1976:75).

A partir da personagem Teodorico, Eça de Queirós reencena o episódio bíblico que descreve o comportamento de Cristo no momento de sua entrada triunfal em Jerusalém. Cristo e Teodorico expulsam os vendilhões, que comercializavam no Templo. A cena bíblica é narrada em Marcos 11,1-11; Lucas 19, 28-40 e João 12,12-16 (Barrera, 1995:56-68) e, indubitavelmente, influenciou Eça ao compor o capítulo da chegada de Teodorico a Jerusalém. A revolta da personagem queirosiana, ao recriar o episódio bíblico, denuncia o comércio religioso como mais uma faceta da exploração indevida da fé e a hipocrisia religiosa, que existia na época de Cristo e persiste no século XIX.”

22 respostas para “LET 874 – 4”.

  1. Eça afirma que se entrega à “literatura totalmente fantasista ou humorista”, mas o hibridismo entre o episódio bíblico e seu romance é uma prova de que essa fantasia é, na verdade, uma crítica contundente, principalmente no século XIX, no qual a religiosidade era um dos pilares da sociedade portuguesa. Ao usar uma passagem bíblica, a personagem de Eça (Teodorico) se torna mais verossímil, uma vez que, para muitos, as estórias bíblicas são reais e regem a vida de milhões. Entretanto, ao focar exatamente na passagem bíblica em que Cristo se “revolta” com o comércio religioso e suas hipocrisias (e colocar seu personagem nessa revolta ao lado de Cristo), Eça dá um “tapa na cara da sociedade”, usando a força de seu personagem para ferir a moral dos “falsos” cristãos. Acredito que quando Eça afirma, na carta a Ramalho Ortigão que: ““Para escrever qualquer página, qualquer linha, tenho de fazer dois violentos esforços: desprender-me inteiramente da impressão que me dá a sociedade que me cerca e evocar, por um retesamento da reminiscência, a sociedade que está longe” ele busca legitimar seus personagens, suas estórias, usando sociedades anteriores como autenticadoras de sua arte, e foi exatamente isso que ele fez no seu romance A Relíquia.

    1. Eça afirma que se entrega à “literatura totalmente fantasista ou humorista”, mas o hibridismo entre o episódio bíblico e seu romance é uma prova de que essa fantasia é, na verdade, uma crítica contundente, principalmente no século XIX, no qual a religiosidade era um dos pilares da sociedade portuguesa. Ao usar uma passagem bíblica, a personagem de Eça (Teodorico) se torna mais verossímil, uma vez que, para muitos, as estórias bíblicas são reais e regem a vida de milhões. Entretanto, ao focar exatamente na passagem bíblica em que Cristo se “revolta” com o comércio religioso e suas hipocrisias (e colocar seu personagem nessa revolta ao lado de Cristo), Eça dá um “tapa na cara da sociedade”, usando a força de seu personagem para ferir a moral dos “falsos” cristãos. Acredito que quando Eça afirma, na carta a Ramalho Ortigão que: “Para escrever qualquer página, qualquer linha, tenho de fazer dois violentos esforços: desprender-me inteiramente da impressão que me dá a sociedade que me cerca e evocar, por um retesamento da reminiscência, a sociedade que está longe”, ele busca legitimar seus personagens, suas estórias, usando sociedades anteriores como autenticadoras de sua arte, e foi exatamente isso que ele fez no seu romance A Relíquia. (Gostei. O texto tem um ar de personalidade e não parece tão “preso” aos textos de base. Isso é bom!)

  2. O que tenho constatado na minha pouca leitura de Eça (algo que preciso cuidar urgentemente) é que ele se apropria de seu tempo com uma veia crítica que me lembra Machado de Assis, mas com relevantes diferenciais, já que a acidez de Eça é um pouco menos concentrada, mas ainda mais letal, sublime como arsênico na corrente sanguínea. A questão da religiosidade é um elemento que tem íntima relação com a ineficiência e vício das instituições portuguesas e não passaria despercebida por um intelectual, ainda mais por seres críticos e geniais como Eça. Religiosidade e alienação são quase indissociáveis e não parece ter sido diferente no caso de Portugal, e na herança empírica que vivemos, aqui no Brasil, ainda hoje…

  3. È possivel dizer é possível dizer que a ironia é instrumento utilizado por Eça na composição de um “quadro”, ao mesmo tempo, “real” e “irônico”, da sociedade portuguesa, principalmente no que diz respeito a um de seus traços marcantes, exatamente aquele que aponta para a forte presença da religiosidade em seus modus operandi, porque, de fato, o autor quis utilizar a imagem de Cristo, muito forte na religião católica, para caracterizar e ‘comparar’ Teodorico a si mesmo.

  4. A ironia é utilizado por Eça na composição de um “quadro”, ao mesmo tempo, “real” e “irônico”, da sociedade portuguesa, principalmente no que diz respeito a um de seus traços marcantes, exatamente aquele que aponta para a forte presença da religiosidade em seus modus operandi, pois o personagem Teodorico Raposo, de A relíquia, representa o individualismo dos homens portugueses daquele período, ao buscar prazeres hedonistas e rejeitar os valores sociais e as tradições religiosas.

    1. A ironia é utilizada por Eça na composição de um “quadro”, ao mesmo tempo, “real” e “irônico”, da sociedade portuguesa, principalmente no que diz respeito a um de seus traços marcantes, exatamente aquele que aponta para a forte presença da religiosidade em seus modus operandi, pois o personagem Teodorico Raposo, de A relíquia, representa o individualismo dos homens portugueses daquele período, ao buscar prazeres hedonistas e rejeitar os valores sociais e as tradições religiosas. (Tienho a impressão de que já li muitas destas palavras em outro lugar… Outra impressão é a de que eu sou incapaz de ser tão “sintético”…)

  5. Sim .A geração de 70 era composta por Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Jaime Batalha Reis e Guilherme de Azevedo. Foi um grupo responsável por trazer à literatura Portuguesa uma nova vertente, a qual apontava para arte de escrever bem sobre coisas que outrora era inconcebível na literatura, Eça tratava então abertamente sobre assuntos que não eram comuns de serem trabalhados por não serem adequados ao estilo da época, ele sabia criticar a sociedade portuguesa com alto nível de sarcasmo e deboche, sem precisar ser arrogante. Eça sempre procurou denunciar a sociedade com intuito de reformá-la. Assim ao começar a satirizar o mundo em que vive,lançando mão da ironia para se proteger da classe burguesa, Eça e o grupo da geração de 70 almejavam mudar o país, apontar suas mazelas, “colocar o dedo na ferida”, indo no sentido contrário ao romantismo.

  6. Sim. Eça critica a sociedade com ironia. Talvez na intenção de dar-lhe um “puxão de orelhas” com o objetivo de que essa sociedade se reformulasse. Eça no entanto, utiliza-se da ironia de maneira bem sutil e refinada. Em “O crime do padre Amaro” por exemplo, Eça critica a igreja católica e seu jogo de aparências, mas isso não é feito de maneira escancarada e sim com refinamento. Um leitor menos atento pode até acreditar nas boas intenções dos religiosos naquela obra, mas o leitor atento perceberá no contraste da vida regalada dos clérigos com a pobreza de outras camadas sociais, a futilidade e vazio interior de algumas pessoas, o uso da religião como poder político, a maledicência e a bisbilhotice enfim, Eça sabe “cutucar” a quem pensa que mereça, sem ser explícito, mas sim, usando a máxima: “use a carapuça se ela lhe serve.”

  7. Eça traz uma crítica social e apresenta as rachaduras da sociedade portuguesa de maneira sutil. Seu efeito transparece em momentos de percepção aguda do leitor. No romance O Crime do Padre Amaro, Eça satiriza de maneira não exatamente cômica (pelo menos não escancaradamente) os padres e suas quebras de votos de castidade. No entanto, sua crítica é leve e perpassa todo o romance, de modo que o leitor não fixe sua agudez em cenas muito específicas. Como lido em sala, o trecho final do livro traz uma cena de tom extremamente irônico, entretanto imperceptível a olhos leigos: Amaro conversa com um outro padre sobre a mudança , mas ambos conversam sobre a mudança de sistemas políticos em Portugal e do períod de instabilidade por que o país passa em frente à estátua de Camões – escritor que representa o equilíbrio do povo lusíada. Trata-se de uma ironia semiótica e sutil, posta nas entrelinhas e no não-dito que a cena final do livro mostra.

    1. Eça traz faz uma crítica social e apresenta as rachaduras da sociedade portuguesa de maneira sutil (Como se diz no popular”uma sutileza paquidérmica!). Seu efeito transparece em momentos de percepção aguda do leitor. No romance O Crime do Padre Amaro, Eça satiriza de maneira não exatamente cômica (pelo menos não escancaradamente) os padres e suas quebras de votos de castidade. No entanto, sua crítica é leve (Tem certeza?) e perpassa todo o romance, de modo que o leitor não fixe sua agudez em cenas muito específicas. Como lido em sala, o trecho final do livro traz uma cena de tom extremamente irônico, entretanto imperceptível a olhos leigos: Amaro conversa com um outro padre sobre a mudança, mas ambos conversam sobre a mudança de sistemas políticos em Portugal e do período de instabilidade por que o país passa em frente à estátua de Camões – escritor que representa o equilíbrio do povo lusíada. Trata-se de uma ironia semiótica e sutil, posta nas entrelinhas e no não-dito que a cena final do livro mostra. (Pena que nem todo mundo tenha lido todo o romance para perceber o processo crítico que leva a esta cena!)

  8. Fazendo parte da terceira fase de Eça de Queirós, A Relíquia tem características pitorescas e representa um típico romance do Realismo português do século XIX. Seu objetivo maior era o de moralizar os leitores colocando lado a lado idéias distintas, dando um ar inovador. Eça retoma, como numa fotografia, o momento triunfante em que Jesus adentra Jerusalém e coloca um de seus personagens (Teodorico) pertencente ao cenário histórico bíblico. Descreve essa cena em detalhes e, novamente, recupera o passado por ele mesmo, realista. Conserva o passado tal como foi e ironiza transformando Portugal na Terra Santa. Eça utiliza da ironiza, sem se colocar em situações delicadas frente ao clero, uma vez que, comparado a Machado de Assis que era capaz de ‘bater de frente’, utiliza de sutilezas e se esvai de qualquer tipo de desentendimento embora deixe sua ironia pairando sob o ar.

  9. Sim, pois a ironia e a religiosidade são aspectos recorrentes nas obras de Eça de Queirós, uma vez que aparecem em “O Crime do Padre Amaro” e “A reliquia”, por exemplo. O autor, por meio de suas obras, ironiza diversos aspectos da sociedade portuguesa constituindo assim um “quadro real” desta.

    1. Sim, pois a ironia e a religiosidade são aspectos recorrentes nas obras de Eça de Queirós, uma vez que aparecem em O Crime do Padre Amaro e A reliquia, por exemplo. O autor, por meio de suas obras, ironiza diversos aspectos da sociedade portuguesa constituindo assim um “quadro real” desta. (Mais uma vez, tenho que declarar a minha inveja diante de tão forte poder de síntese…)

  10. A ironia, assim como a presença de elementos religiosos são caraterísticas marcantes na obra de Eça de Queirós. Entretanto, o autor utiliza do recurso irônico com maestria, sua ironia refinada deixa transparecer as severas críticas feitas a religião e a sociedade portuguesa de modo geral. Em uma passagem de “A relíquia”, a chegada de Teodorico em Jerusalém se assemelha a chegada de Jesus Cristo na Terra Santa e, fazendo intertextualidade com o texto bíblico, Eça critica, por meio do personagem Teodorico, o comércio religioso e exploração indevida da fé.

  11. Primeiramente, não sei se compreendi exatamente a sua pergunta. O que está sendo considerado como “modus operandi” na obra de Eça de Queiroz? A religiosidade, a ironia ou o realismo?
    Deixando isso de lado, o que eu posso dizer é que Eça foi um escritor que abarcou em suas obras temas de cunho social, religioso e histórico, mas de uma forma diferente e única.
    No trecho de A relíquia, a ironia já se encontra no título, onde, conciliada com a história do romance, nos remete a pensarmos nas riquezas da igreja, e nos objetos sacrossantos, que aqueles fanáticos (charlatães) religiosos tentam de toda a forma vender.
    Pouco conheço da obra de Eça de Queiroz, mas os trechos escolhidos para a compreensão de toda uma obra, ainda são poucos para que eu possa afirmar qualquer coisa, “modus operandi” é uma expressão muito forte para ser aplicada a tão poucos trechos de poucas obras. Se fosse pra dizer que se trata de um “modus operandi” nesse trecho postado para esta atividade, poderia ser que sim, mas acho que não se trata apenas de realismo, religiosidade e ironia, chega a ser um tanto quanto característico do criticismo – atitude metodológica , que assume a necessidade de reflexão e de exame crítico , em vez da aceitação passiva. O criticismo ,antes de se basear na razão humana e no conhecimento , precede a uma análise crítica prévia das condições e das capacidades da razão para conhecer.
    Espero poder, um dia, afirmar com certeza que esse “tripé” é o “modus operandi” da obra de Eça.

    1. Hahahaha…Faço as coisas sem perceber!!! Eça foi um grande escritor e sua obra foi de grande valia para a literatura como um todo. Ainda terei mais a falar sobre ele.

      1. Hahahaha…Faço as coisas sem perceber!!! (Pois é, mas há que ter atenção, em certos “espaços” para “perceber” se o que se faz não vai comprometer quem o faz, de algum modo…!!!) Eça foi um grande escritor e sua obra foi de grande valia para a literatura como um todo. Ainda terei mais a falar sobre ele. (Tomara que tenha! Tomara que leia! Tomara que gosto, coisa de que não duvido muito, pois ele é aliciante!)

  12. Sim, A Relíquia é um romance que tem como objetivo principal criticar os costumes do clero, a religiosidade fanática e irresponsável. Teodorico finge grande devoção e cumpre o desejo da tia, que, preocupada com a saúde incerta, o envia como seu representante na missão religiosa de percorrer a Terra Santa, mas é mentiroso e dissimulado.
    Há, no romance de Eça de Queiroz uma visão pessimista de um Portugal conservadora, onde, Titi é a principal representante, há também uma crítica cruel desta mesma sociedade portuguesa, onde o autor destaca os defeitos do clero, como o autor já havia ressaltado em O Crime do padre Amaro. Mas em A Relíquia, a crítica é muito mais aguda e mostra as criaturas que fariam qualquer coisa por um pouco de dinheiro.
    A personagem Teodorico Raposo representa o individualismo dos homens portugueses daquele período, ao buscar prazeres hedonistas e rejeitar os valores sociais e as tradições religiosas.

  13. ..Sim, as obras de Eça de Queirós citadas acima apresentam um tom de contestação social pautadas em uma moral cristã. Suas obras permitiam uma descrição de elementos históricos (realismo) e, ao mesmo tempo, situações de “fantasia e humor” que davam espaço a toda essa crítica à aristocracia, burocracia e aos costumes cristãos sem perder o carácter literário. Bom; isso é de fácil percepção, assim como sua sutileza ao tratar dessas questões moralizantes, dignas de um autor diferenciado, mas o que para mim é questionável são os elogios “exacerbados” que endeusam Eça.
    A História Portuguesa nos permite entrar em contato com muitas outras obras artísticas de carácter crítico/ e ou transformador sobre o Cristianismo e a ideologia materialista do homem português.Graças às obras citadas a seguir, creio que Eça tenha seu lugar importante e imponente mas não PRENUNCIADOR.em relação à “questionar as mazelas e o comportamento”.

    -Elogio da loucura (Erasmo de Roterdã) = Crítica subjetivamente os costumes grotescos da Igreja católica e seus fiéis.
    -Auto das índias (Gil Vicente) = Crítica ao expansionismo materialista e (por consequência) a destruição da família portuguesa, pelo adultério,pela ambição, vaidade, mentira etc…
    -Os Lusíadas (Camões) – Também subjetivamente critica os costumes materialistas e o mercantilismo …
    -No Brasil, Machado de Assis, produtor de grandes obras em praticamente todos os gêneros literários, também contestador social, principalmente em seus contos ; destaco “Teoria do medalhão” e “O espelho”. (Nesse contexto as críticas eram muito mais claras e objetivas, em um tom mais prepotente, porém sempre disfarçadas na voz da personagem).

    Não quero parecer “anacrônico”, apenas levantar hipóteses de que Eça seguiu uma tradição histórica de “colocar o dedo na ferida”, não foi o percursor disso, apenas remontou tradições e referências para um tipo de literatura livre da Academia, de formas e com foco Realista.

  14. Eça de Queiroz é um autor reconhecido pela minuciosidade em descrever os detalhes que acontecem no decorrer de sua obra. Sempre nos leva a visualizar a cena narrada como se estivéssemos vendo uma fotografia do momento, descrevendo locais, comportamentos com ironia e humor. Esteja à obra escrita na época do Naturalismo ou Realismo ela sempre carrega a habilidade de expor uma narrativa de uma forma bastante concisa e real. Partindo desse pressuposto, Eça de Queiroz conseguiu de uma forma bem original criticar os costumes que permaneciam vigentes na sociedade Portuguesa e se tornar um grande pioneiro da Literatura do país. Os personagens criados em seus livros são apresentados de forma sarcástica, critica e irônica demonstrando sua face realista e seu modo de enxergar Portugal e seu olhar critico para os costumes religiosos da época. O autor consegue de maneira bem sútil farpar a mentalidade romântica-cristã da época utilizando o recurso do exagero para chamar atenção para as transformações ocorridas devido as tendências Real-naturalistas descaracterizando as idealizações , contemplações e o sentimentalismo da tradição portuguesa.

    1. Eça de Queirós é um autor reconhecido pela minuciosidade em descrever os detalhes que acontecem no decorrer de sua obra. Sempre nos leva a visualizar a cena narrada como se estivéssemos vendo uma fotografia do momento, descrevendo locais, comportamentos com ironia e humor. Esteja a obra escrita na época do Naturalismo ou do Realismo, ela sempre carrega a habilidade de expor uma narrativa de uma forma bastante concisa e real. Partindo desse pressuposto, Eça de Queirós conseguiu, de uma forma bem original, criticar os costumes que permaneciam vigentes na sociedade portuguesa e se tornar um grande pioneiro (Em que sentido? Como?) da Literatura do país. Os personagens criados em seus livros são apresentados de forma sarcástica, crítica e irônica demonstrando sua face realista e seu modo de enxergar Portugal e seu olhar crítico para os costumes religiosos da época. O autor consegue, de maneira bem sútil, farpar a mentalidade romântico-cristã da época utilizando o recurso do exagero para chamar atenção para as transformações ocorridas devido às tendências real-naturalistas (??????) descaracterizando as idealizações, contemplações e o sentimentalismo da tradição portuguesa. (O último período está confuso por demais. Cuidado com a redação!)

  15. Sim, a sociedade é criticada por Eça com muita ironia, mas com um toque de alfinetada. Eça tinha o hábito de trabalhar com temas que não eram usuais para a época. Muito crítico fazia suas críticas com intenção de que fossem reformuladas pela sociedade. Cito como exemplo “O crime do padre Amaro” em que a critica feita por Eça é de caráter religioso e de bom tom, sem exageros.

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