De Portugal

Hoje vai um poema de António Nobre, poeta português do final do século XIX, um pouco anterior a Fernando Pessoa, mas igualmente (ah… os conceitos!) seu “contemporâneo”. O dicionário pode ajudar a entender esta ideia… António Nobre (assim mesmo, sem circunflexo, mas com acento agudo) é poeta finissecular, tido e havido como Simbolista ou Decadentista. Gostava da morte como tema. Como ele, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos, ainda que em certo sentido. Amou Coimbra – o que não é difícil de concordar, a cidade é LINDA! Manteve amizade estreita com Alberto de Oliveira – este assunto me interessa de perto, tanto que pretendo escarafunchá-lo no segundo estágio pós-doutoral – se a “academia” e meus “pares” permitirem, claro! Escreveu um livro de poemas com título mais que sugestivo… ! Tomara que agrade…

 

Epilogo

Meu coração, não batas, pára!
Meu coração, vae-te deitar!
A nossa dor, bem sei, é amara,
A nossa dor, bem sei, é amara…
Meu coração, vamos sonhar…
Ao mundo vim, mas enganado.
Sinto-me farto de viver:
Vi o que elle era, estou massado,
Vi o que elle era, estou massado…
Não batas mais! vamos morrer…
Bati á porta da Ventura
Ninguem m’à abriu, bati em vão:
Vamos a ver se a sepultura,
Vamos a ver se a sepultura
Nos faz o mesmo, coração!
Adeus, Planeta! adeus, ó Lama!
Que a ambos nós vaes digerir…
Meu coração, a Velha chama,
Meu coração, a Velha chama…
Basta, por Deus! vamos dormir…

António Nobre, in ‘Só’

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