Sábado(s)

Acordei há pouco… Sonequinha sagrada dos sábados, a única que não atrapalha o sono da noite… Acordei e vi minha mão “olhando” (como dizem os gaúchos) um filme na televisão: Nixon, com Anthony Hopkins. Elenco soberbo, atuação impecável deste mestre da arte de ser ator, mas uma história triste, melancólica, quase depressiva. A figura do ex-presidente norte-americano é apresentada com tintas que me lembram quadros de Goya, numa luz crepuscular que apresentam o sujeito como um idiota, beberrão e psiquicamente infantilizado, joguete na mão de interesses escusos e indefensáveis… Sem entrar no mérito da questão, é um filme que me joga pra baixo. E, mais uma vez, desci… Pensei em colocar um poema do Vinícius pra combinar. Quando, lendo algumas coisinhas no Facebook, deparo-me com o trecho que segue, postado por uma amizade nove, lá de Lisboa, a Celeste Cortez. A impressão foi tão funda e o impacto tão forte que selecionei, copiei e “colo” aqui…

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“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ‘ Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !’ Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque… Ser seu amigo já é um pedaço dele!”

 

Vinícius de Moraes

 

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2 comentários sobre “Sábado(s)

  1. Lindo texto! Mas, apesar de muitas vezes ser atribuído, de forma errônea, a Vinicius de Moraes ou a Fernando Pessoa, esse texto, na verdade, é da autoria de José Fernandes de Oliveira (conhecido como Padre Zezinho) e foi publicado em seu livro de 1988, “Amizade Talvez Seja Isso…”

    1. Obrigado, Miguel. Na verdade, não procurei a fonte correta. Usei o texto por sua beleza com as referências que nele vieram. É sempre bom saber direitinho a origem das coisas! Bom final de semana!

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