Questão

As três perguntas/respostas abaixo foram publicadas na Revista Bravo! Já fui assinante dela, mas a extrema diversificação de sua pauta e uma insistente necessidade de parecer “moderna” e atender aos pós-modernistas de plantão – tomando como parâmetro uma suposta intelligenza paulistana (como se o Brasil se resumisse àquele trapézio geo-político-cultural) – não renovei a assinatura. Com isso, não quero dizer que a revista não seja interessante porque é! O entrevistado é Tzvetan Todorov, um búlgaro, apaixonado por literatura, como muitos de nós. Preocupado com a “institucionalização” do ensino da mesma literatura ele faz um alerta num livro de sua autoria com título instigante A literatura em perigo. (Difel, 2009) Li o livro e recomendo. A entrevista toca em alguns aspectos abordados no livro. Como o acesso à matéria é público (http://bravonline.abril.com.br/materia/tzvetan-todorov-literatura-nao-teoria-paixao#sthash.0AaoRxkn.dpuf), registrei os créditos e coloco aqui as perguntas que dizem respeito a aspectos que me interessam de perto, muito de perto…

 

Por que o contato com a ficção é tão importante?

Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às ideias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade.

E como fazer para que as crianças e os jovens tenham acesso a esse conhecimento tão importante?

A escola e a família têm um papel importante. As crianças não têm ideia da riqueza que podem encontrar em um livro, simplesmente porque eles ainda não conhecem os livros. Deveríamos então ser iniciados por professores e pais nessa parte tão essencial de nossa existência, que é o contato com a grande literatura. Infelizmente, não é bem assim que as coisas acontecem.

Por quê?

Quando nós professores não sabemos muito bem como fazer para despertar o interesse dos alunos pela literatura, recorremos a um método mecânico, que consiste em resumir o que foi elaborado por críticos e teóricos. É mais fácil fazer isso do que exigir a leitura dos livros, que possibilitaria uma compreensão própria das obras. Eu deploro essa atitude de ensinar teoria em vez de ir diretamente aos romances, por que penso que para amar a literatura – e acredito que a escola deveria ensinar os alunos a amar a literatura – o professor deve mostrar aos alunos a que ponto os livros podem ser esclarecedores para eles próprios, ajudando-os a compreender o mundo em que vivem.

 

2 respostas para “Questão”.

  1. Quanta lucidez! Nada mais a declarar. Beijinhos, Angel

  2. Pois lucidez (Não tenho certeza se esta era uma das exigências do milênio que, então, era próximo para Ítalo Calvino) é o que anda faltando por aqui, na face do planetinha… Uma pena por que as delícias e os prazeres que as retinas permitem ao deslizarem sobre a mancha tipográfica são tantos que nem sei…

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