LET 973 – 6

Um

 

Leia atentamente o texto abaixo e responda às seguintes questões:

1. O que caracteriza o estruturalismo?

2. Qual a funcionalidade do signo linguístico para os estudos estruturalista?

3. Pode-se dizer que o estruturalismo é uma “teoria”? Por quê?

4. Qual a relevância do estruturalismo para os estudos de narratologia?

5. Qual o papel desempenhado pelo “mito” na concepção do estruturalismo?

6. Dos textos lidos, escolha um e escreva alguns parágrafos articulando as ideias do texto aqui apresentado a seus comentários.

 

Estruturalismo: Quais as origens desse método de análise?

José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O que determina o modo como pensamos, nos relacionamos com os outros, nos comportamos à mesa, nos vestimos e vivemos em família? Será que cultura e sociedade foram historicamente construídas pela ação do homem ou existiriam estruturas ocultas que explicariam nossos hábitos? Para o estruturalismo francês, movimento intelectual que atingiu seu apogeu na segunda metade da década de 1960, a segunda hipótese seria mais viável para investigar tais fenômenos.

Pode-se dizer que o estruturalismo foi o último movimento filosófico francês a ganhar notoriedade mundial, logo após o existencialismo, corrente criticada em debates que envolveram dois dos maiores expoentes dessas escolas filosóficas, respectivamente, Michel Foucault (1926-1984) e Jean-Paul Sartre (1905- 1980). Mas o estruturalismo reuniu pensadores de diversas áreas das ciências humanas, a ponto de ser difícil encontrar um núcleo coeso que permita classificá-lo como sistema filosófico. Na verdade, o estruturalismo é mais um método de análise, que consiste em construir modelos explicativos de realidade, chamados estruturas.

Por estrutura entende-se um sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo. É um método que contraria o empirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados. Para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um todo maior. Assim, compreende-se que:

· Alguns fenômenos podem ser explicados não pelo que deixam à mostra, mas por uma estrutura subjacente.

· Os fatos possuem uma relação interna, de tal forma que não podem ser entendidos isoladamente, mas apenas em relação aos seus pares antagônicos.
Para entender como esse método funciona, é preciso estudar suas origens, na Linguística e na Antropologia. A linguagem O método estruturalista foi usado pela primeira vez pelo linguista suíço
Ferdinand de Saussure (1857-1913) em sua obra póstuma, editada por alunos, Curso de Linguística Geral. Nesta obra, Saussure fornece as bases teóricas para duas importantes ciências do século 20: a Linguística Estrutural e a Semiologia, ou ciência dos signos. As teorias de Saussure podem ser explicadas por meio de quatro dicotomias. A primeira diz respeito a duas formas de se abordar a linguagem:

· Língua: o aspecto social da linguagem.

· Fala: o aspecto individual da linguagem.

A segunda refere-se a tipos de estudos da linguagem:

· Linguística sincrônica (estática ou descritiva): estuda a constituição da língua (fonemas, palavras, gramática, etc.) num dado momento.

· Linguística diacrônica (evolutiva ou histórica): estuda as mudanças da língua através dos tempos.

A originalidade de Saussure foi propor um estudo da língua enquanto sistema social de um ponto de vista sincrônico, não histórico, como vinha sendo feito antes. Ele também propõe o nome de semiologia, ou estudo do signo linguístico, que contém:

· Significante: é a expressão material do signo, como o som da palavra “árvore” ou a imagem da palavra escrita no papel.

· Significado: o conceito que o significante representa ou o conteúdo do signo, uma ideia, como a árvore que eu imagino ao ouvir ou ler a palavra escrita.

A palavra estrutura não aparece na obra do linguista suíço, mas se faz presente no conceito de sistema, que quer dizer uma análise estrutural que inclui o estudo da língua em suas relações internas, conforme a terceira dicotomia:

· Eixo sintagmático: um termo só é compreendido em oposição (relação) a outro termo. Ex.: “O semáforo está verde”.

· Eixo paradigmático: o termo é associado a outros, presentes na memória. Por exemplo, na frase anterior, ao invés de semáforo, uso “sinal” e ao invés de “está verde”, “abriu”: “O sinal abriu”. Saussure, ao entender a linguagem como estrutura subjacente e sistema cujos elementos são solidários entre si (e que, somente assim, adquirem valor e sentido), e, ainda, vista de uma perspectiva não histórica, inaugurou o método estruturalista de análise.

Os mitos A primeira aplicação do estruturalismo fora do âmbito da linguística foi feita pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908), hoje aposentado e um dos mais importantes intelectuais vivos. Lévi-Strauss observou, ao estudar tribos indígenas de vários países, incluindo o Brasil, um conjunto de normas que se preservavam em diferentes culturas, como se fossem formas inconscientes que moldavam o pensamento e o comportamento dos povos. Diferente de uma abordagem histórica, que não veria as relações, ele empregou o método da linguística estrutural em, basicamente, dois sentidos:

· Como uma estrutura profunda ou inconsciente.

· Como elementos que só adquirem significado quando vistos dentro dessa estrutura.

Consequentemente, existiriam estruturas que determinam regras de vestuário, alimentação, parentesco, condutas morais e políticas recorrentes em diferentes povos, e que não são visíveis. Os mitos, segundo Lévi-Strauss, são estruturados com linguagem, de modo que, da mesma forma que na língua – eu não penso em formas gramaticais quando falo, apenas falo -, também não penso em mitos quando os reproduzo inconscientemente (como Freud mostrou com o mito de Édipo, por exemplo): os mitos só funcionam quando a estrutura permanece invisível, como a linguagem. A conclusão do antropólogo é a de que o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos. Mas vejamos outro exemplo da antropologia estrutural de Lévi-Strauss nas relações de parentesco. Parte-se da compreensão de que fenômenos de parentesco são estruturados como fenômenos linguísticos. Então, procede-se à identificação de elementos desta estrutura: pai, mãe, filhos, tios e irmãos. Cada um desses termos só faz sentido estando em relação aos demais: o pai autoritário em relação à mãe protetora, por exemplo. O que o antropólogo verificou, no convívio com culturas diversas, foi que, apesar das diferentes formas de filiação e relações de afetividade, hostilidade, antagonismo ou reserva (tios mais afetivos, pais mais hostis e irmãos mais conflituosos, por exemplo), a mesma estrutura de oposições – pai/mãe, tios/sobrinhos, irmãos/irmãs – permanece inalterada.

Outros estruturalistas No decorrer das décadas de 1960 e 1970, surgiram aplicações do método estruturalista em áreas como crítica literária, cinema, estudos culturais e publicidade, entre outros, o que provocou críticas de abusos. Alguns dos mais renomados intelectuais e pensadores franceses empregaram o método em suas obras, como Jacques Lacan (1901-1981), que concebeu o inconsciente como estruturado na forma de linguagem; Foucault, que estudou estruturas discursivas que condicionavam o pensamento do homem em determinadas épocas; Roland Barthes (1915-1980), que examinou os mitos modernos, a moda e a literatura; e Louis Althusser (1918-1990), que fez uma leitura estruturalista da obra de Marx.

 

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4 respostas para “LET 973 – 6”

  1. 1- Após leitura do texto acima apresentado, posso dizer que o que caracteriza o estruturalismo são estruturas ocultas, subjacentes que caracterizam, explicam nossos hábitos. É mais um método de análise, que visa construir modelos que explique nossa realidade, modelos denominados estruturas (sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo). O Estruturalismo é um método que segundo o texto contraria o empirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados, que para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um todo maior. Assim, é a partir do estruturalismo que compreende-se que alguns fenômenos podem ser explicados não pelo que deixam à mostra, mas por uma estrutura subjacente, ou que os fatos possuem uma relação interna, de tal forma que não podem ser entendidos isoladamente, mas apenas em relação aos seus pares antagônicos.

    2- A partir da definição dada por Saussure de significante e significado, ficou mais fácil para os estruturalistas estudarem as estruturas que delineiam nossos comportamentos, separando aquilo que nos significa, os sons, a forma escrita, daquilo que adquirimos como significado, a imagem representada, além da definição de eixo sintagmático e do paradigmático, que fez com que Saussure entendesse a linguagem como estrutura subjacente, como elementos solidários entre si, fazendo com que tenham valor e sentido.

    3- Sim. Por que de acordo com o texto o estruturalismo é um método de análise que visa compreender, construir modelos que explique nossa realidade, através de estruturas, sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo. E isso pode ser considerado “Teoria” uma vez que é um conjunto de conhecimentos que explicam certa ordem de fatos ou fenômenos, nesse caso, nossa realidade.

    4-Os narratologistas tem como objetivo descrever o funcionamento da narrativa e demonstrar os seus mecanismos, isto é, criar a gramática dos textos narrativos. Assim, a narratologia encorpora a tendência do estruturalismo por considerar os textos narrativos como meios, regidos por regras, pelos quais os serem humanos re(criam) o seu universo. Assim, o estruturalismo é relevante para os estudos de narratologia, visto que ele isola os componentes necessários e opcionais dos vários tipos de textos e descreve os modos como estes se articulam entre si. Com isso, a narratologia distingue os textos narrativos dos restantes dos textos e descreve suas características.

    5- Mitos nos são formas inconscientes que moldam o pensamento e o comportamento dos povos. Não pensamos em mitos quando os reproduzimos, eles são produzidos de forma inconscientemente. Assim, ele desempenha um papel fundamental na concepção estruturalista, visto que foi a partir de estudos, de análises estruturalistas que surgiu a teoria que os mitos são temas cujas variações foram pronunciadas através de inúmeras narrativas que contem estruturas constantes, básicas e universais. Surgindo assim, o conceito de um tipo de gramática da narrativa, fazendo que os mitos tenham vida própria, uma existência coletiva, independente da realidade e da verdade exteriores a eles. De acordo com os estruturalistas, o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos.

  2. 1) Segundo o texto lido acima estruturalismo trata-se de estruturas ocultas, subjacentes que caracterizam, explicam nossos hábitos. É mais um método de análise, que visa construir modelos que explique nossa realidade, modelos denominados estruturas (sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo). O Estruturalismo é um método que segundo o texto contraria o empirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados, que para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um todo maior. Assim, é a partir do estruturalismo que compreende-se que alguns fenômenos podem ser explicados não pelo que deixam à mostra, mas por uma estrutura subjacente, ou que os fatos possuem uma relação interna, de tal forma que não podem ser entendidos isoladamente, mas apenas em relação aos seus pares antagônicos.

    2) Através das definições de Saussure de significante e significado, o estudo das estruturas que permeiam nossos comportamentos feitas pelos estruturalistas ficou mais fácil, pois este descobriram que separamos aquilo que nos significa, os sons, a forma escrita, daquilo que adquirimos como significado, a imagem representada, além da definição de eixo sintagmático e do paradigmático, que fez com que Saussure entendesse a linguagem como estrutura subjacente, como elementos solidários entre si, fazendo com que tenham valor e sentido.

    3) Sim. Por que segundo o texto o estruturalismo é um método de análise que visa compreender, construir modelos que explique nossa realidade, através de estruturas, sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo.

    4) A narratologia em suma tem como objetivo descrever o funcionamento da narrativa e demonstrar os seus mecanismos, ou seja, criar a gramática dos textos narrativos. Assim, a narratologia incorpora a tendência do estruturalismo por considerar os textos narrativos como meios, regidos por regras, pelos quais os serem humanos re(criam) o seu universo. Dessa forma, o estruturalismo é relevante para os estudos de narratologia, ao passo que ele isola os componentes necessários e opcionais dos vários tipos de textos e descreve os modos como estes se articulam entre si. Assim, a narratologia distingue os textos narrativos dos restantes dos textos e descreve suas características.

    5) Mitos são formas inconscientes que moldam o pensamento e o comportamento dos povos. Não pensamos em mitos quando os reproduzimos, eles são produzidos inconscientemente. Este desempenha um papel fundamental na concepção estruturalista, visto que foi a partir de estudos, de análises estruturalistas que surgiu a teoria que os mitos são temas, cujas variações foram pronunciadas através de inúmeras narrativas que continham estruturas constantes, básicas e universais. Surgindo assim, o conceito de um tipo de gramática da narrativa, o que fez com que os mitos passaram a ter vida própria, uma existência coletiva, independente da realidade e da verdade exteriores a eles. Por esse motivo os estruturalistas afirmam que o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos.

  3. 1. O estruturalismo caracteriza-se por ser um paradigma de análise que pretende entender a realidade social através de métodos explicativos que se denomina estruturas ( “sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo”). O estruturalismo não considera que os fatos podem ser entendidos isoladamente, eles partem de um todo maior, sendo entendidos através da relação interna e seus pares antagônicos.

    2. O signo é uma forma sistemática da língua representativa por dois aspectos básicos: o significante (“é a expressão material do signo”) e o significado (“o conceito que o significante representa ou a conteúdo do signo”) que formam um todo indissolúvel. Levando em consideração os eixos sintagmáticos e paradigmáticos, que através da sistematicidade faz com que os elementos da língua adquirem valor e sentido.

    3. Sim. O estruturalismo por ser método de análise, cuja finalidade é entender a realidade social através de modelos estruturais, pode ser uma “Teoria”, pois permite através de uma sistematicidade, fazer que os elementos da língua tenham valor e sentido.

    4. A narratologia é um estudo da narrativa, pelo qual faz uma análise mais aprofundada das características que envolvem esse gênero descrevendo seu funcionamento por mecanismo sistemático. Tendo em vista que, o estruturalismo tem a finalidade de compreender a realidade social, pressuponho contribuir para narratologia, pois essa tem propósitos de buscar os contextos sociais e históricos em que o objeto de análise está inserido. Assim, a narratologia diferencia os textos narrativos dos demais textos.

    5. Os mitos desempenham um papel na visão estruturalista, justamente por se tratar de algo que surgiu a partir dos estudos dessa corrente, e é caracterizado por ser formas inconscientes que moldam o comportamento dos indivíduos e são estruturados como a linguagem, pois não pensamos em mitos quando o reproduzimos.

  4. 1. O estruturalismo é um método de análise, que consiste em construir modelos explicativos de realidade, chamados estruturas. Por estrutura entende-se um sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo. É um método que contraria o empirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados.

    2. O signo linguístico constitui-se basicamente do significante e do significado, os quais formam um todo indissolúvel. Significante é a expressão material do signo, como o som da palavra “árvore” ou a imagem da palavra escrita no papel e significado é o conceito que o significante representa ou o conteúdo do signo, uma ideia, como a árvore que eu imagino ao ouvir ou ler a palavra escrita. A sua funcionalidade para os estudos estruturalistas está na facilidade encontrada em estudar

    3. Sim. Como respondido na questão é uma teoria que consiste em construir modelos explicativos de realidade

    4.

    5. Os mitos, segundo Lévi-Strauss, são estruturados com linguagem, de modo que, da mesma forma que na língua – eu não penso em formas gramaticais quando falo, apenas falo -, também não penso em mitos quando os reproduzo inconscientemente, portanto o papel desempenhado pelo mito só funcionam quando a estrutura permanece invisível, como a linguagem. A conclusão do antropólogo é a de que o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos.

    6.

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